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| Maria Adelina Furtado de Arruda |
Imagens de Nossa Mãe
TEXTO LIDO POR OCASIÃO DA MISSA DE 7º DIA DE SUA PARTIDA Fortaleza, 7 de julho de 2004.
Na pia
batismal, nossa mãe recebeu o nome da vovó Adelina e herdou dela além do nome,
a têmpera, a fibra, a coragem, a inteligência, a fé, e a caridade. Também de
nossa avó herdou a vocação para a maternidade, pois como ela, gerou muitos,
muitos filhos.
Pronta para
ser consagrada à Deus, como freira Dorotéia, encantou-se por um belo jovem de
porte esbelto, sorriso cativante, olhar sedutor e inteligência invulgar.
Uniram suas
vidas em um só destino e ela o amou para sempre.
São muitas as
imagens de nossa mãe que ficaram em nossas memórias, porém algumas devem ser
ressaltadas.
Nossa mãe “a redoma”.
As barrigas
anuais, os filhos multiplicando-se sem parar. Um no colo, outro no ventre e
outros mais a lhe puxar a saia. O amor transbordando incondicional.
Nossa mãe “pudica”.
Sempre
vestida! Sua fé indômita, a comunhão diária, a missa dominical, o terço, a
mantilha e o missal. No oratório, em casa, a imagem da Sagrada Família. No
Natal, a magia da lapinha, menino Jesus na manjedoura, Maria e José de cada lado,
os carneirinhos e os reis Magos.
Nossa mãe “esposa”.
Fiel
e apaixonada companheira, atenta à todas necessidades de nosso pai.
Nossa mãe “devota”.
Rezando tanto
um rosário sem fim, ensinando-nos a rezar de joelhos e mãos postas: “Boa noite
menino Jesus eu vos dou o meu coração e prometo ser muito boazinha.Anjo da
Guarda guiai-me, Nossa Senhora de Fátima protegei-me, São Luiz de Gonzaga
conservai a minha inocência. À benção papai do céu, à benção mamãe do céu, faça
feliz sua filhinha. Protegei o papai, a mamãe, meus irmãos, meus avós, meus
tios, meu padrinho e minha madrinha”.À benção papai, À benção mamãe!”
Nossa mãe “guerreira”.
Lutando, ao
lado de nosso pai, para educar a prole numerosa de 15 filhos.
Nossa mãe “vitoriosa”.
Os filhos
criados, realizados em suas vidas.
Coroamento de todos os esforços e todos os sacrifícios.
Nossa mãe “filha, irmã, cunhada, tia, sogra,
prima, madrinha e amiga”.
Sempre uma
palavra de compreensão e um sorriso generoso.
Nossa mãe “avó e bisavó”.
Desdobrando-se
em carinho e atenção.
A última
imagem que nos fica é a de uma mulher fisicamente frágil, mas de uma fortaleza
e fé inabaláveis.
Nossa mãe “santa”.
Seus cabelos
brancos imaculados e puros como sua alma sem pecado.
Seu coração,
um poço de bondade e resignação.
Seus olhos
verdes translúcidos e serenos espelhando a alma encharcada de amor.
Seu sorriso
generoso que nem a dor foi capaz de apagar de seu semblante e que à todos distribuiu em sua santidade.
Descansa mãe
querida, na paz de Deus, tua missão foi cumprida.
Ana Margarida
Fortaleza, 7
de julho de 2004.

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