SOUZA CRUZ, A MULHER E O CIGARRO
Ano
de 1885, Largo do Rossio, Lisboa. Um garoto de 15 anos, com um irmão caçula a
tiracolo, trocou uma moeda por um bilhetinho da sorte que ele pegou no bico de
um canário: “És inclinado a passar águas do mar, terás de lutar muito pela vida
e, por fim, serás feliz”. Dizia o papelote.
Em
novembro do mesmo ano, o garoto Albino Souza Cruz saiu de Portugal, cruzou o
Atlântico e aportou no Rio de Janeiro. Trabalhou duro durante 18 anos, na
Fábrica de Fumos Veado e, com 33 anos de idade, fundou, em 1903, a primeira
fábrica de cigarros do Brasil, hoje uma subsidiária da British American
Tobacco, a segunda maior multinacional do ramo.
Souza
Cruz antecipou-se às técnicas de marketing e às leis trabalhistas de Getúlio
Vargas, pois criou vale brindes nos maços de cigarro e benefícios aos
funcionários de sua fábrica como: creches, intervalo para o café etc.
As
mulheres entraram com mais força no tabagismo somente após a Segunda Guerra Mundial
(1939-1945), com o advento dos movimentos feministas e com a propaganda
massificante. O cinema, que povoou as mentes e os sonhos de milhares de jovens
em meados do século XX, divulgou o cigarro entre as mulheres. Marlene Dietrich, Greta Garbo, Rita Haywort,
Bete Davis e outras estrelas, que eram endeusadas e imitadas, foram vistas
fumando com glamour nas telonas.
Ana
Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Médica
e historiadora
e-mail
– anamargarida50@uol.com.br
Fortaleza,
18 de novembro de 2013.






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