| ana margarida |
Publicado in: Revista Jornal do Médico, Ano VIII / Edição nº48, Janeiro/Fevereiro, 2013
A tuberculose povoou o imaginário social nos séculos XIX e XX.
Por ser doença crônica, de evolução arrastada, cheia de episódios dramáticos de
hemoptise e sombras de morte, inspirou a criatividade humana, sendo força
criadora de obras consagradas na literatura, artes plásticas, música, teatro e
cinema.
A tuberculose foi integrada ao romantismo por ter ferido prostitutas,
escritores, pintores, músicos, literatos
e poetas das altas classes sociais.
Byron, Musset, Henry Murger e Alexandre
Dumas Filho exerceram influência no romantismo francês da tuberculose.
Murger, escritor
tuberculoso, apaixonou-se por Cristina Roux (Mimi), tuberculosa, e fez dela a
personagem de seu livro “Cenas da vida boêmia”.
Puccine o transformou na famosa
ópera “La Bohème”. Alexandre Dumas Filho escreveu o celebérrimo livro “A Dama
das Camélias” para contar a história da prostituta Alphonsine Duplessis, que
morreu tuberculosa aos 23 anos.
Verdi aproveitou o tema para a famosa ópera “La
traviata”.
A tísica, como era conhecida
a tuberculose, reinou soberana nos hagiológios, nos palcos, entre os músicos,
nos ateliês de pintura e escultura, nos laboratórios, nos tronos, entre os
reformadores religiosos e no meio
político.
Entre os letrados a colheita foi farta e quase todos os poetas
tísicos sofreram as agruras das febres vespertinas, suores noturnos, consunção,
hemoptises, tosse e morte prematura.
Na poesia lírica a febre foi cantada, a
tosse versejada, a inapetência e o emagrecimento exaltados e a hemoptise
poetizada.
A tuberculose impregnou toda a poética no Brasil até o final de 1950.
Passa de 40 o número dos poetas que acalentaram em seus pulmões o bacilo de
Koch. Noel Rosa, Castro Alves, Álvares
de Azevedo, Manuel Bandeira, Casimiro de Abreu, Augusto dos Anjos foram consumidos pelo bacilo.
Na literatura de ficção temos: “A Montanha Mágica”, de
Thomas Mann, “Florada na Serra” de Dinah Silveira de Queiroz.
Nas artes
plásticas a tuberculose foi uma das doenças mais retratadas. Cristóbal Rojas
(1858-1890), que morreu tuberculoso, pintou personagens lúgubres, melancólicos
e tísicos.
A tuberculose moldou a maneira de Edvard Munch (1863-1944) ver o mundo e influenciou sua arte. Sua irmã Sophie morreu
tuberculosa, em 1877, com apenas 15 anos. Sua mãe foi vítima do bacilo, quando ele tinha
5 anos. Suas obras: A Criança Doente, Melancolia e O Leito da Morte retratam a
tuberculose. A tela O Grito, evidencia toda a
sua angustia diante de uma vida marcada pela doença.
Fidélio Ponce de
León (1895-1949) morreu tísico. Sua obra, Tuberculose, reflete sua experiência
de sofrimento diante da devastadora enfermidade.
Alice Neel (1900-1984), ícone
do feminismo, que se destacou por suas obras expressionistas de grande
intensidade psicológica e emocional, foi tuberculose. Sua pintura, TB
Harlem, retrata Carlos Negrom, um jovem com fácies típicas de um tísico
crônico.
Em “Alegoria à Primavera” de Botticelli, a tuberculose está retratada,
pois Simoneta Vesputti, a modelo do artista, morreu tuberculosa aos 23 anos.
Segundo Rosemberg, a primavera da erradicação da tuberculose um dia chegará,
pois a humanidade já enfrentou e venceu outros terríveis invernos.
Ana Margarida
Furtado Arruda Rosemberg
Fortaleza, 12 de
fevereiro de 2013.
Muito bom saber, Ana!
ResponderExcluirVocê é realmente uma admirável estudiosa. Obrigada por compartilhar fatos e histórias que enriquecem, ensinam.
Um grande abraço.
Obrigada, Fátima. É muito bom saber que meus escritos lhe agradam. bj
ExcluirCara Ana Margarida,
ResponderExcluirBom dia!
Parabéns pelo artigo sobre a peste branca.
Abraços.
Marcelo Gurgel
Minha cara Ana Margarida,
ResponderExcluirEscolhi "O romantismo na tuberculose", nota de sua autoria, para ser a 500ª. postagem do blog Acta Pulmonale.
Um abraço.
http://airblog-pg.blogspot.com.br/2013/05/500-o-romantismo-na-tuberculose.html
Olá,
ResponderExcluirUma crítica construtiva, mude a fonte da letra...
Muito difícil de ler
Obrigada pela sugestão. Foi acatada.
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