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| Tia Zita e nove sobrinhos, filhos de Edgy e Adelina - Baturité 1957 |
Na década de 1950, em Baturité, minha
mãe trabalhava na prefeitura ao lado do meu pai, que era prefeito da cidade. A
sua ausência em casa era mitigada por babás carinhosas e dedicadas, tão
diferentes das de hoje, frias, técnicas e profissionais.
As babás de antigamente
se integravam de uma forma tal à família que passavam a fazer parte dela. Lá em
casa não foi diferente.
Foram muitas: Geraldina, Dorinha, Raimunda Cobra,
Raimunda Onça, Dona Nascimenta, Lídia, Guiomar, Josina, Nenzinha e outras mais.
Ah! As nossas babás! Uma, pra cada. A minha era a Lídia; a da Gorreti, a Guiomar; a da Edna, a Dorinha que
de tão pequena não agüentou o peso da Bolota e com ela foi ao chão.
Na hora de
dormir, a rede, o bico, a mamadeira, o lençol, a canção de ninar, papai, mamãe
e elas a nos embalar.
Tutu Marambá, não venhas mais cá.
Que a mãe da menina te manda
matar.
Boi, boi, boi.
Boi da cara preta.
Pega esta menina que tem medo de
careta.
Dorme neném que eu tenho o que
fazer.
Vou lavar vou engomar camisinha
pra você.
Ah! Ah! Ah! Oh! Oh! Oh!
Meu pai embalava os filhos a
cantar:
Edgar chorou quando viu a Rosa,
gingando toda prosa,
Com uma linda baiana que ele não
deu
Coitado do Edgar (bis)
Chorou de dar pena
Chamou Madalena
Entregou o pandeiro
E desapareceu
Coitado do Edgar (bis)
Madalena disse que Edgar não tem
razão
Aquela baiana não foi ninguém
quem lhe deu.
Rosa trabalhou o ano inteiro e
fez serão
Não sei porque Edgar se
aborreceu.
Coitado do Edgar (bis)
Minha mãe cantava:
Roda pião, bombeia pião.
O pião entrou na roda pião.
Roda pião bombeia pião.
Sapateia no tijolo oh! Pião.
Roda pião, bombeia pião.
Ana Margarida Furtado Arruda
Rosemberg

Ana, mais uma vez você retratou com muita perfeição os bons momentos da nossa infância.
ResponderExcluirAdorei! Meus parabéns!
Obrigada! Tem mais, Edna.
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