terça-feira, 29 de agosto de 2023

29 de AGOSTO - DIA NACIONAL DE COMBATE AO FUMO - 2023





https://www.youtube.com/watch?v=k9Rnk6OKsc0&t=126s

Este ano, 2023, o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29.08) foi celebrado no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), ontem, 28.08.2023, com palestras  de conscientização sobre os perigos  do tabaco e do uso dos cigarros eletrônicos. 


As multinacionais  do fumo  estão  investindo  pesado nos cigarros eletrônicos que  têm sabores, formatos e aromas convidadivos para jovens, adolescentes  e  crianças. 


Apesar da comercialização, importação e propaganda de todos os tipos de dispositivos eletrônicos serem proibidos no Brasil (Resolução de Diretoria Colegiada da Anvisa (RDC nº 46, de 28 de agosto de 2009), o  contrabando é crescente. 


A campanha,  que teve início  no Brasil nos idos da década  de 1970, com os desbravadores: prof. Rosemberg  e prof. Mário Rigatto, tem que  continuar  alerta e viva.


A dra. Penha Uchôa,  pneumologista  e coordenadora do Programa  de Controle  do Tabagismo  do HM, juntamente  com sua equipe  de apoio,  responsável  pelo evento  do Dia Nacional de Combate ao Fumo  e do programa  de controle do tabagismo, merece nossos  aplausos.


ana margarida furtado arruda rosemberg 

Fortaleza,  29.08.2023

domingo, 20 de agosto de 2023

JM - RD - OS PIONEIROS DA CARDIOLOGIA CEARENSE

Ppublicado no Jornal do Médico

Link, abaixo

file:///D:/3%20-%20JM,%20JM%20daniel,%20museus%20e%20sobrames/JM%20e%20Daniel/JM%20-%20RD/RD%202023/RD-Agosto-2023-web.pdf

OS PIONEIROS DA CADIOLOGIA CEARENSE

Antônio Jorge de Queiroz Jucá (1915-1965),

A história da cardiologia cearense teve início com o dr. Antônio Jorge de Queiroz Jucá (1915-1965), discípulo de Paul Dudley White, M. D., Professor de medicina da Harvard Medical School.

Em julho de 1951, o dr. Antônio Jucá, representante da Regional do Ceará da Sociedade Brasileira de Cardiologia–SBC, realizou, em Fortaleza, a “8ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Cardiologia”. Essas reuniões, que ocorreram de 1944 até 1954, passaram, a partir de 1955, a ser chamadas de “congressos”.

A dra. Glaura Férrer, que foi aluna do Prof. Antônio Jucá, teve papel relevante na história da “Sociedade Cearense de Cardiologia”. Em julho de 1962, ela foi eleita, durante o Congresso de Cardiologia, em Belo Horizonte, representante regional da “Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) no Ceará, por um período de dois anos, sendo reconduzida ao cargo várias vezes.

Os primeiros cardiologistas foram: Antônio Jorge de Queiroz Jucá, Célio Brasil Girão, Francisco Edgardo Saraiva Leão, Francisco de Paiva Freitas, Francisco Edson dos Santos Monteiro, Geraldo Wilson Gonçalves, Heládio Feitosa de Castro, Haroldo Gondim Juaçaba, Hélio Vieira de Souza, José Murilo de Carvalho Martins, José Edísio da Silva, Jurandir Picanço, José Carlos Ribeiro, Luiz Carlos Fontenele, Newton Teófilo Gonçalves, Raimundo Hélio Cirino Bessa e M. Pinto.

A Sociedade Cearense de Cardiologia-SCC foi criada em 27/06/1972 durante uma reunião no então “Centro Médico Cearense”. A primeira diretoria, eleita para um mandato de dois anos (1972 e 1973), era assim composta: Presidente – Glaura Férrer; Vice-presidente – Eduardo Regis Jucá; 1º Secretário - Francisco Edgardo Saraiva Leão; 2º Secretário – Francisco Waldeney Rolim; 1º Tesoureiro – Raimundo Hélio Cirino Bessa; 2º Tesoureiro – Francisco Martins Ferreira Filho; Diretor de Publicações e Assuntos Científicos – José Nogueira Paes Junior.

Em julho de 1973, a SCC realizou em Fortaleza o XXIX Congresso Brasileiro da SBC, tendo como presidente a dra. Glaura Férrer.

Segundo o dr. João Martins, na década de 1950, o Prof. Newton Gonçalves, realizou, “a céu fechado”, auxiliado pelos colegas Haroldo Gondim Juaçaba e Paulo de Melo Machado, a desobstrução de uma válvula mitral estenosada.

Newton Gonçalves entrou para a história da cardiologia cearense como o primeiro cirurgião a operar coração sem circulação extracorpórea. Na mesma década, o dr. Wilson Jucá, irmão de Antônio Jucá, operou alguns pacientes com estenose mitral na Casa de Saúde César Cals e na Assistência Municipal, auxiliado pelo jovem estudante de Medicina, César Gondim.

Em 1959, o dr. Haroldo Juaçaba, um dos três primeiros médicos que iniciaram no Ceará a cirurgia cardíaca, montou na Faculdade de Medicina um “Laboratório Experimental de Cirurgia Cardíaca”, com o auxílio do então estudante de medicina, Régis Jucá.

Em 1967, foi realizada no hospital César Cals a primeira cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea. A paciente, portadora de estenose mitral, foi operada pelo Prof. Adib Jatene, auxiliado por seus dois ex-residentes, Maurício e Petrola. A perfusão foi feita pelo dr. João Evangelista.

Em agosto de 1968, o dr. Régis Jucá, ao voltar de treinamento em grandes centros de cirurgia cardíaca nos Estados Unidos, aliou-se à equipe de cirurgia cardíaca da César Cals, dando grande contribuição ao desenvolvimento da cirurgia cardíaca em nosso Estado.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 8 de agosto de 2023

 

quinta-feira, 20 de julho de 2023

JM RD - MONCORVO DE FIGUEIREDO – Pai da Pediatria Brasileira

 MONCORVO DE FIGUEIREDO – Pai da Pediatria Brasileira

Carlos Arthur Moncorvo de Figueiredo (1846-1901)

Publicado no JM - RD - Julho 2023. Link, abaixo

https://jornaldomedico.com.br/wp-content/uploads/RD-Julho-2023.pdf

Carlos Arthur Moncorvo de Figueiredo, filho de Carlos Honório de Figueiredo e Emília Dulce Moncorvo de Figueiredo, nasceu em 31.08.1846, na cidade do Rio de Janeiro.

Em 1871, colou grau pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo a tese intitulada “Dispepsia e seu Tratamento Calórico em Geral”.

Recém-formado foi estudar na Europa durante dois anos, passando a maior parte do tempo estagiando na “l’École Pratique de la Faculté de Médecine de Paris”, dedicando-se ao estudo das doenças que atingem as crianças. 

De volta ao Brasil, depois de trabalhar em clínica privada e na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, Moncorvo fundou com colaboradores a “Policlínica Geral do Rio de Janeiro”, inaugurada em 1882, com as presenças do Imperador Dom Pedro II e do Conde d’Eu.

Na referida Policlínica, o Dr. Moncorvo atendia crianças pobres e ministrava cursos livres, formando a primeira geração de pediatras do Brasil.

Médicos famosos, como: Arthur Moncorvo Filho (que seguiu os passos do pai), Fernandes Figueira, Clemente Ferreira, Luiz Barbosa, Olinto de Oliveira, Eduardo Meyrelles e Olympio Portugal, entre outros, se especializaram em pediatria na Policlínica.

 

Os cursos livres ministrados por ele perduraram durante 19 anos, até a sua morte, em 1901.

O Dr. Moncorvo propôs ao Ministro do Império, Rodolfo Dantas, a criação de uma cadeira de Clínica Infantil na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Mesmo sem obter êxito naquele momento, sua proposta foi importante para a futura criação da cadeira.

Durante sua vida profissional, o Dr. Moncorvo publicou mais de 80 livros em português, francês, espanhol, inglês e italiano, com temas variados, como: cólera, influenza, elefantíase, reumatismo, coqueluche, impaludismo, malária e diarreias; publicou artigos em inúmeras revistas e jornais no Brasil, como: “Revista Médica” e “O Progresso Médico”, e no exterior, como: “Revue Générale de Clinique et de Thérapeutique Infantiles”, “Revista de Enfermidades de los Niños” e “Archivio Italiano di Pediatria”.

Além de ter sido agraciado com o relevante prêmio “The World”s Columbian Comission” pela publicação do livro “Children”s diseases and their remedies (1893)”, várias instituições do Brasil e do Mundo conferiram a ele medalhas, prêmios e títulos. São os mais relevantes: membro titular da Academia Nacional de Medicina, em 1884; membro correspondente e, ou, honorário de renomadas instituições cientificas, como: Instituto Histórico-Geográfico Brasileiro, Academia Real das Ciências de Lisboa, Sociedade Médica dos Hospitais de Paris e a prestigiosa Academia Nacional de Medicina da França.

O Dr. Moncorvo foi Prof. Honorário da Faculdade de Medicina da Universidade de Santiago do Chile e agraciado com a comenda da Ordem de Cristo, em 1889, pelo Governo Imperial.

Por sua trajetória profissional dedicada a implantação da especialidade em prol da saúde infantil, foi agraciado postumamente com o título de “Pai da Pediatria Brasileira”.

Faleceu em 25 de julho de 1901, no Rio de Janeiro, deixando um imenso legado para a medicina.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Paris, 1 de julho de 2023

 

REFERÊNCIAS

https://www.anm.org.br/carlos-arthur-moncorvo-de-figueiredo/

https://rmmg.org/artigo/detalhes/136#:~:text=Carlos%20Arthur%20Moncorvo%20de%20Figueiredo,servi%C3%A7o%20de%20mol%C3%A9stias%20da%20inf%C3%A2ncia.

https://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/carlos-arthur-moncorvo-de-figueiredo

http://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1297124293_ARQUIVO_ANPUHNAC11IPPMG.pdf

file:///C:/Users/ana%20margarida/Downloads/Ana%20Margarida%20Furtado%20Arruda%20Rosemberg%20(2).pdf

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Arthur_Moncorvo_de_Figueiredo

 

REUNIÕES ONLINE DOS IRMÃOS FURTADO ARRUDA - 2021 E 2022

 



























quarta-feira, 28 de junho de 2023

APRECIAÇÃO CRÍTICA DA OBRA DE ARTE – “La Tabagie”

 Publicado no Jornal do Médico

Link, abaixo

file:///C:/Users/ana%20margarida/Downloads/RD-Junho-2023-web%20(1).pdf


APRECIAÇÃO CRÍTICA DA OBRA DE ARTE – “La Tabagie”
Descrição Técnica
           

Autores

Os irmãos Le Nain (Louis e Mathieu)

Título  - “La Tabagie”

Outro Título - “Le Corps de Garde”

Data - 1643

Técnica – óleo sobre tela

Dimensões – Altura: 1,17m; Altura com acessório: 1,39 m; Largura: 1,37m; Largura com acessório: 1,58 m

École de France       

Localização - Louvre-Paris

“La Tabagie”, também conhecida como “Le Corps de Garde”, é uma das obras-primas da pintura noturna e a obra-prima dos irmãos Le Nain.


O quadro impacta por nos dar a impressão de ser uma cena de uma taberna repleta de fumadores de cachimbo, moda de consumir o tabaco no século XVII.


Entretanto, de perto, ele nos leva para dentro de uma "sala de guarda" no escuro da noite. Os rostos e as atitudes das personagens refletem a amizade que une esses soldados. Enquanto um soldado cochila os seus companheiros fumam seus enormes cachimbos em torno de uma vela.


A tela nos convida a entrar na cena pela expressividade dos olhares e a confidencialidade das conversas.


A paleta é de cores marrom, ocre e cinza. Porém, o tom vermelho da personagem em primeiro plano direciona o olhar do espectador.

 

Esta tela foi por muito tempo considerada a obra-prima de Louis Le Nain, o gênio dos três irmãos franceses. Hoje, os estudos mostram que a tela foi só iniciada por ele e, posteriormente, concluída por seu irmão Mathieu, que ampliou o tema do fumo. Mathieu acrescentou uma personagem fumando à esquerda e colocou um cachimbo na mão do homem no primeiro plano do lado direito.

Antoine Le Nain (c. 1600 - 1648), Louis Le Nain (c. 1603 - 1648) e Mathieu Le Nain (1607–1677), os três irmãos artistas, nasceram em ou perto de Laon, no norte da França.

Suas pinturas magistrais mostram que eles assinavam somente com o sobrenome Le Nain, ficando, assim, impossível distinguir a autoria das obras individualmente. Normalmente eles são referidos como uma única entidade “Le Nain”.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Paris, 12 de junho de 2023

segunda-feira, 5 de junho de 2023

MEDICINA NA PRÉ-HISTÓRIA E NA PROTO-HISTÓRIA


Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

 https://jornaldomedico.com.br/wp-content/uploads/RD-Maio-2023-app.pdf


MEDICINA NA PRÉ-HISTÓRIA E NA PROTO-HISTÓRIA

Esqueleto de uma mulher magdaleniana, provavelmente de 25 a 35 anos, encontrado no abrigo rochoso de Cap Blanc. Fonte:

https://fr.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9decine_dans_la_Pr%C3%A9histoire_et_la_Protohistoire

O passado é um fundo abismo onde não chegam nossas sondas

 Charles Baudelaire (1821-1867)

O conhecimento que temos das práticas médicas na pré-história e na proto-história (período que precede o surgimento da escrita e que coincide com a Idade dos Metais), é bastante limitado. 


As fontes disponíveis são dispersas (paleopatologia e etnoarqueologia) e oferecem apenas uma visão fragmentada. As hipóteses são precárias e as generalizações frágeis.


No período Paleolítico, os sapiens viviam em pequenos grupos móveis de caçadores-coletores, onde as epidemias eram raras e os traumas frequentes.

No Neolítico, com o aparecimento da agricultura, domesticação de animais, urbanização e crescimento populacional, surgiram novos riscos à saúde. 


Ao instalarem-se e reagruparem-se, os sapiens tiveram que enfrentar novas patologias. Se por um lado o armazenamento de alimentos permitiu evitar carências, por outro o estoque de cereais fez com que proliferassem os ratos, causando as pestes e doenças infecciosas. 


Essa forma de vida neolítica e proto-histórica fez com que surgissem práticas de cuidado com a saúde.


As fontes para o estudo dessas práticas são reduzidas. A principal disponível para os pesquisadores são os ossos fósseis. 


A análise dos referidos ossos permite conhecer as doenças que acometiam os homens pré-históricos, como: metástases ósseas, tuberculose, sífilis, além da detecção de redução de fraturas pelo calo ósseo, que não se forma se o movimento não for restringido. 


A ausência do calo ósseo pode, portanto, ser interpretada como ausência de procedimento médico. Por outro lado, algumas fraturas podem cicatrizar perfeitamente sem o uso de um dispositivo de imobilização.

Intervenções cirúrgicas, como trepanação ou amputações, também permitem tirar conclusões sobre as práticas médicas. 


É possível observar certos grupos étnicos na África Ocidental, e concluir sobre práticas médicas pré-históricas. Mesmo assim, essa abordagem etnoarqueológica apresenta várias dificuldades, como a diferença de clima e as grandes diferenças de práticas entre grupos étnicos.


Hoje, o uso de equipamentos sofisticados (radiologia, ressonância magnética etc.) ou novas técnicas (estudos de DNA etc.) levam a avanços notáveis ​​no conhecimento e facilitam as pesquisas de pré-historiadores especializados no estudo de patologias pré-históricas. 


Ao observarem restos ósseos de raras múmias, esses cientistas descobrem várias patologias que afetam os ossos e, em alguns casos, intervenções humanas destinadas a tratá-las.


Pierre Thillaud, professor emérito de história da medicina na faculdade de Paris-Descartes, frisou: as doenças de que padeceram nossos ancestrais são as mesmas que as nossas. 


Nada surpreendente, aliás, já que nada distingue o humano Cro-Magnon do humano do século XXI: seu organismo sofre as mesmas agressões e encontra as mesmas respostas para combatê-las. 


Obviamente, o clima e o ambiente socioecológico dos humanos pré-históricos favoreciam certas patologias em detrimento de outras, mas uma queda em um barranco sempre causava fraturas e a exposição ao parasita Plasmodium falciparum apresentava o mesmo risco de malária. 


Se as doenças fossem as mesmas, eles já sabiam como curá-las? Eles foram capazes de analisar os sintomas para identificar uma doença e tratá-la? Eles tinham médicos?


Essas são perguntas que os paleopatologistas se fazem para entender as doenças do passado e seus tratamentos.

 

ana margarida furtado arruda rosemberg

Paris, 13 de maio de 2023

 


terça-feira, 18 de abril de 2023

BREVE HISTÓRIA DA ANESTESIA

 

Tela de Roberto Hinckley, 1882, primeiro procedimento cirúrgico com anestesia geral pelo éter em 16 de outubro de 1846.

Publicado no Jornal do Médico .

 Link, abaixo

https://jornaldomedico.com.br/wp-content/uploads/RD-Abril-2023.pdf

BREVE HISTÓRIA DA ANESTESIA

“Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e fechou a carne em seu lugar; E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e levou-a a Adão”.

Gênesis 2:21-22 - Bíblia

Segundo historiadores da medicina, a primeira anestesia foi feita por Deus quando induziu um sono profundo em Adão e retirou-lhe uma costela. Portanto, Deus foi o primeiro anestesista e o primeiro cirurgião.

Sem entrar em considerações religiosas e filosóficas, limito-me a descrever uma breve história da anestesia seguindo documentos escritos.

A prática anestésica surgiu em meados do século XIX, mas o conhecimento é muito mais antigo. Entre 430 e 424 a.C., o historiador grego Heródoto de Halicarnasso relatou em seus escritos como os citas, uma tribo do “Mar Negro”, no sul da Rússia, induziam um estado de estupor ao inalar vapores de cânhamo. As inalações de vapores para entrar em estado de transe também eram praticadas pela Pítia de Delfos, guardiã do templo de Apolo. Pode-se estabelecer que o cânhamo foi o primeiro anestésico inalatório, mas este processo nunca foi usado na antiguidade para cirurgia.

Na Idade Média, os barbeiros ou cirurgiões da Escola Médica de Salerno faziam as vezes dos anestesistas. Eles causavam intensa dor e desmaios nos pacientes colocando o dedo em suas feridas ou faziam uma mistura de duas plantas, meimendro, uma planta da família das solanáceas  e o ópio. O paciente era amarrado para evitar que se movesse ao acordar e um afastador de língua era colocado para evitar que ele mordesse a língua.

No século VIII, a referida Escola de Salerno recebeu importantes textos médicos gregos referentes ao ensino da cirurgia. Os escritos gregos foram traduzidos para o árabe e chegaram ao mundo cristão por meio de uma tradução dupla. Depois de Salerno, esses conhecimentos chegaram à “Escola de Medicina de Montpellier” e daí para o resto da Europa. Os documentos dessa época relatam uma preparação anestésica aplicada através de um lenço ou esponja colocada no nariz, chamadas de “esponjas soporíficas”.

O uso de esponjas soporíferas, havia sido descrito na Antiguidade por Dioscórides, e foi usada pelo Lombardo Hugo de Lucca (Borgognoni, Ugo de Lucca 1220), cirurgião da cidade de Bolonha, e que participou das Cruzadas na Terra Santa. A Lombardia foi o centro de transmissão do conhecimento.

Na Idade Média, o médico francês Guy de Chauillac advertiu contra o uso de “esponjas soporíficas”, devido ao perigo que seu uso acarretava.  A famosa médica alemã, Santa Hildegard de Bingen, no século XII, deu remédios aos enfermos para capacitá-los a resistir as dores.

No século XIX, os derivados do ópio continuaram sendo o principal analgésico eficaz, antes do uso do sono químico geral com éter e depois com clorofórmio.

O inventor da anestesia foi o dentista americano William Thomas Green Morton (1819-1868). O grande feito aconteceu, em 1846, no anfiteatro cirúrgico do “Massachusetts General Hospital”, nos EEUU. Morton tinha idealizado um aparelho inalador de éter que foi usado durante a cirurgia de um jovem de 17 anos, Gilbert Abbot, portador de um tumor no pescoço. A cirurgia foi realizada com êxito pelo cirurgião John Collins Warren (1778-1856).

O termo anestesia foi dado pelo professor americano de anatomia e fisiologia, Oliver Wendell Holmes, em carta dirigida a William Morton. Ele designou por este termo um estado de inconsciência induzido pela inalação de gás para reduzir a dor do ato cirúrgico.

No início do século XX, a cocaína foi utilizada como anestésico local, em particular para cirurgia ocular, até ao desenvolvimento dos seus primeiros derivados sintéticos, Stovaïne de Ernest Fourneau (1904) e Novocaïne de Alfred Einhorn (1906).

Em 1867, foi realizada a primeira anestesia no Brasil, pelo médico Roberto Jorge Haddock Lobo, no Hospital Militar do Rio de Janeiro.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Braga-Portugal 15.04.2023

 

segunda-feira, 3 de abril de 2023

ROSE E MARGÔ - Por: Ronald Teles












Dr. Ronald Teles - Cardiologista

Rose e Margô

Não há dimensões para nosso amor,

Nem barreiras no tempo,

Pois nossas almas habitam,

Os raios do sol que nos queimam aqui dentro,

Esse amor,fulcro de luz,

Rapidamente um luzeiro,

Já não cabe em nosso peito,

Que saiba o mundo inteiro,

A força de nossa paixão, 

Ela escorre por nossos olhares,

Ela está em nossas mãos e almas,

Órfãs de nossas carícias,

Ainda buscando nosso derradeiro adeus,

Que nunca acontecerá,

Pois meu beijo no beijo teu,

Decretou a imortalidade de nossos sentimentos, 

Eles nunca serão lamentos,

Posto que batem em nosso peito,

Em um coração perfeito, 

Que agora tornou-se um só.

Margô e Rose