quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Por: ana margarida furtado arruda rosemberg - A MALDIÇÃO DE DONA VERIDIANA DA SILVA PRADO



A MALDIÇÃO DE DONA VERIDIANA DA SILVA PRADO

Nos idos anos 90 do século XX, eu morava com o Rose, em São Paulo, na Rua Sabará  esquina com Avenida Higienópolis. Havia, na Av. Higienópolis esquina com a Rua Dona Veridiana, pertinho da Mackenzie e da histórica Rua Maria Antônia, um belo palacete, que ficava a 100 metros de nosso apartamento. 

Aquele palacete, com seu estilo renascentista francês, me atraia.  Sempre que por lá passava com o Rose, em nossos passeios domingueiros, esgueirava o meu olhar pelas frestas do artístico portão de ferro, para apreciar sua arquitetura e descobrir sua história.

Aqui funciona o “Iate Clube de Santos”, mas foi residência de Dona Veridiana, dizia o Rose. Descobri, em minhas pesquisas históricas, que o referido palacete, rodeado por um jardim de mais de 3 mil m², foi concebido por uma dama da sociedade paulistana, que viveu no século XIX e início do XX, a mítica Veridiana Valéria da Silva Prado (1825-1910), considerada a primeira mulher empresária do Brasil.

Filha de Antônio da Silva Prado (1778-1875), Barão de Iguape, um dos homens mais ricos e influentes de São Paulo, e de Maria Cândida de Moura Vaz, Veridiana casou-se com 13 anos, por exigência de seu pai, com Martinho da Silva Prado (seu meio-tio) e teve seis filhos, 36 netos e 96 bisnetos. 

Dona de forte personalidade, Veridiana educou os filhos para exercerem papeis de destaque no país. Seu primogênito, Antônio da Silva Prado (1840-1929), foi ministro de Estado, senador, deputado e primeiro prefeito de São Paulo; Eduardo Paulo da Silva Prado (1860-1901), advogado, jornalista, escritor e membro fundador da Academia Brasileira de Letras, inspirou a figura de Jacinto de Tormes, em “A cidade e as Serras”, de Eça de Queiroz; Antônio Caio da Silva Prado (1853-1889) foi presidente das províncias de Alagoas e do Ceará; faleceu jovem vítima de febre amarela; é citado pelo escritor Adolfo Caminha, no romance "A Normalista". 

   Para muitos, Dona Veridiana foi a nossa primeira feminista. Ao separar-se do marido, com 55 anos de idade, causou um escândalo na sociedade conservadora da época. Após a separação, viajou para Paris, encantou-se com os salões culturais da cidade-luz e trouxe um projeto para fazer um palacete, nos moldes franceses, que foi concluído em 1884.

 Batizado por ela de “Chácara Vila Maria”, para homenagear sua dama de companhia, uma jovem negra, Maria das Dores, Veridiana, de sua chácara, comandou um dos mais importantes salões culturais de São Paulo, na segunda metade do século XIX. Todos os sábados, ela patrocinava encontros literários, musicais, culturais e políticos. Recebeu artistas, intelectuais, cientistas, estadistas, além de D. Pedro II e da Princesa Isabel. Pode-se dizer que Dona Veridiana foi uma “Patrona da Cultura”.

Seus empregados eram de origens étnicas diversas. Sua dama de companhia, Maria das Dores, recebeu de Dona Veridiana uma educação refinada.  Só se dirigia à patroa na língua francesa, tocava piano e conhecia literatura. O seu mordomo era um índio botocudo. Os jardineiros do seu palacete eram todos europeus e ela abria o jardim do Palacete às crianças do bairro. Veridiana doou uma parte do terreno para a construção do “Instituto Geológico de São Paulo” e outra parte para a “Santa Casa de Misericórdia”.

Dona Veridiana deixou uma fabulosa herança para sua dama de companhia negra, com um recado: você vai se casar, vai ter filhos, mas esse dinheiro é só seu, pois a sua liberdade depende desse dinheiro.

 Ela tinha um cocheiro suíço que a levava a passear de caleça, nos fins de tarde, pela Avenida Higienópolis. Isso criou um mal-estar entre as damas paulistanas, deixando Dona Veridiana injuriada.

Segundo o sociólogo José de Souza Martins, da USP, Dona Veridiana deixou a casa para o neto, Paulo Prado, que foi patrono da “Semana de 22”, na condição de que fosse para um clube masculino, com uma cláusula de que mulher não entraria, pois as mulheres que falavam mal da vida dela, na casa dela, não podiam entrar. 

Há alguns anos, o dono da Editora Paz e Terra organizou um coquetel dos autores de um livro sobre São Paulo, na casa de Dona Veridiana. Souza Martins, que estava no evento, ao ver muitas mulheres perguntou: caiu a “Maldição de Dona Veridiana”? Logo lhe responderam que não, pois ali não era a casa, e sim a cocheira. 

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 22 de setembro de 2021


REFERÊNCIAS

https://www.youtube.com/watch?v=gDoldURkN4c

https://www.youtube.com/watch?v=zcGODHqjcqo

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/dona-veridiana-mulher-que-escandalizou-o-conservadorismo-da-elite-cafeeira-paulista.phtml

https://www.saopauloinfoco.com.br/veridiana-silva-prado/

https://www.sescsp.org.br/online/artigo/compartilhar/14094_DONA+VERIDIANA

https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Prado

https://jornal.usp.br/cultura/a-cidade-e-as-serras-questiona-os-valores-da-sociedade-urbana/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Veridiana_da_Silva_Prado

https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/115830/000810078_20151201.pdf?sequence=1

 http://www.espacoiate.com.br/


terça-feira, 21 de setembro de 2021

Por: ana margarida furtado arruda rosemberg - O Historiador é DETETIVE e a História é DINÂMICA

 


https://jornaldomedico.com.br/2021/09/19/o-historiador-e-detetive-e-a-historia-e-dinamica/

O Historiador é DETETIVE e a História é DINÂMICA

O campo de trabalho para o historiador, muito ampliado nas últimas décadas, é maior do que se imagina. Análises de lugares com impactos ambientais, tombamentos de edifícios, restaurações patrimoniais têm sempre o parecer de um historiador.  

A história ensinada com apenas as datas e descrições de fatos pontuais não mais atrai. Entretanto, ensinada de outra maneira, encanta e dá prazer.

O historiador italiano Carlo Ginzburg, pioneiro da "micro-história", compara o ofício do historiador ao de um detetive. O historiador é um “Sherlock Holmes”, pois trabalha com processo indiciário, indo procurar as pistas.

O processo da feitura da história é fascinante, pois o historiador vai descobrindo os fatos, peças de um grande quebra cabeças, e os juntas para dar um sentido. O historiador descobre e revela fatos acontecidos no passado, mas com muita suspeita.

 O que estava escrito nos documentos, que era a perspectiva do historiador do século XIX e início do século XX, já caiu por terra. Segundo a historiadora Maria Helena Capeleto, o historiador tem que analisar o documento na perspectiva de desconstruí-lo, para ver o que está por trás dele, como ele foi construído e por que ele foi construído.    

O historiador, ao analisar um documento, deve ter as seguintes questões:

1.      O que aconteceu?

2.      Por que aconteceu?

3.      Como aconteceu? 

4.      Em que lugar?

5.      Em que tempo?

O tempo é importante porque é matéria prima da história. O historiador, ao analisar documentos históricos, tem sempre em mente que eles foram construídos. É um trabalho difícil e sutil, pois o historiador tem que ler nas entrelinhas do documento e ficar atento as lacunas, aos silêncios. É instigante esse trabalho.

Nos primórdios da profissionalização do historiador, era ensinado que ele tinha que ser objetivo e imparcial diante de um documento histórico. Com as revisões historiográficas que aconteceram na segunda metade do século XX, tudo caiu por terra. Michel Foucault (1926-1984) disse que o documento é um monumento que precisa ser desconstruído. Atualmente, o historiador suspeita do documento e, com métodos e técnicas, o desconstrói.

O historiador tem compromisso com a verdade, com a objetividade e com a imparcialidade. Como ele é parte da história, é preciso saber trabalhar com a subjetividade e a imparcialidade. É preciso desconfiar de si próprio. É preciso ter um distanciamento que, muitas vezes, só os pares do historiador, percebem se existe. Por isso, os trabalhos de pesquisas são analisados por outros historiadores.  

O historiador, ao ler um texto, deve se perguntar: quem escreveu, quando escreveu e por que escreveu. Atualmente, o trabalho do historiador é muito fascinante, pois a história factual, positivista, de grandes personagens, que existia e não era neutra, caiu por terra. Para os historiadores antigos, o que estava nos documentos era verdade, mas os documentos eram institucionais e retratavam uma história oficial, compromissada com os interesses políticos dos vencedores.

A primeira crítica dessa forma de fazer história se deu em 1929, com a “Escola dos Annales”, na França. A partir dos anos 70 e 80 do século XX, houve a grande revisão. Surgiu a história problema. Foucault contribuiu mostrando o que é um documento e como desconstrui-lo, mas, para muitos historiadores, Foucault peca por não levar em conta a História com os sujeitos históricos.  

Gibzburg contribuiu quando revolucionou a “História Cultural”, pegando um sujeito anônimo e reconstituindo a sociedade nos seus vários aspectos. Ele acabou com a ideia de duas culturas separadas: a do povo e a da elite, pois demonstrou que tudo circula e se mescla.

A partir dos anos 70 do século XX, os historiadores franceses e ingleses abriram o leque da história com novas abordagens e novos objetos, surgindo a história da beleza, da doença, da leitura, da alimentação, da sexualidade etc. Acompanhando as questões da sociedade, o historiador já começa a pensar na “História do Meio Ambiente”.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 17 de setembro de 2021.  

 


quarta-feira, 8 de setembro de 2021

A PROPÓSITO DO DIA NACIONAL DE COMBATE AO FUMO - 29 de agosto - José Rosemberg (1909-2005)

 


https://jornaldomedico.com.br/2021/09/05/a-proposito-do-dia-nacional-de-combate-ao-fumo/

A PROPÓSITO DO DIA NACIONAL DE COMBATE AO FUMO – 29 DE AGOSTO

José Rosemberg (1909-2005)

José Rosemberg, filho de Emanuel Rosemberg e Eugenia Rosemberg, nasceu em Londres, Inglaterra, em 19 de setembro de 1909. Aos seis anos de idade mudou-se com os pais para o Brasil, naturalizando-se brasileiro. Em 1928, graduou-se em farmácia e, em 1934, em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi Professor Titular de Tuberculose e Doenças Pulmonares durante mais de quatro décadas e Diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Rosemberg foi uma das primeiras vozes que colocou, no Brasil, o tema tabagismo. Já tinha um reconhecimento Nacional e Internacional no controle da Tuberculose quando, na década de 1970, com mais de 60 anos de idade, entrou de forma corajosa em um tema novo que não tinha ainda nenhuma base nacional. Ele veio a público, falou com a imprensa, ensinou seus alunos, escreveu livros, cruzou este País desfraldando a bandeira de luta contra o tabaco sendo, portanto, iniciador de uma massa crítica brasileira no combate ao fumo.

Foi Presidente do I Congresso Brasileiro sobre Tabagismo, realizado no Rio de Janeiro, em 1994, e Presidente de Honra dos quatro congressos seguintes, ocorridos, respectivamente, em Fortaleza (1996), Porto Alegre (2000), Brasília (2002) e Belo Horizonte (2004).

Em sua luta contra o tabagismo, Rosemberg foi Membro do Grupo Assessor do Ministério da Saúde para o Controle do Tabagismo no Brasil, de 1985 a 1993; Presidente do Comitê Coordenador do Controle do Tabagismo no Brasil, de 1987 a 2005; Membro da Câmara Técnica de Tabagismo do Programa Nacional de Controle do Tabagismo do INCA-MS, de 1993 a 2005; Assessor Técnico em Tabagismo da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, de 1999 a 2001.

Foram muitas as condecorações e os títulos honoríficos que lhe foram outorgados por Instituições Governamentais e ONGs. Citaremos apenas algumas: A OMS conferiu-lhe a Medalha “Tabaco e Saúde” pelas pesquisas e luta contra o tabaco no Brasil, em 10 de novembro de 1991; O Comitê Latino Americano Coordenador do Controle de Tabagismo o proclamou Presidente Honorário, em 25 de janeiro de 1995, na Cidade do México; A Secretaria Nacional Antidrogas da Presidência da República, em 19 de junho de 2002, conferiu-lhe o Diploma “Mérito pela Valorização da Vida”; A Secretaria de Justiça e Defesa do Cidadão do Estado de São Paulo, em 26 de junho de 2002, conferiu-lhe um Diploma por sua luta antidrogas.

         Rosemberg publicou quatorze livros e mais de duzentos artigos científicos em revistas médicas nacionais e estrangeiras. Dentre os livros relacionados ao tabagismo citaremos: “Tabagismo: Fisiopatologia e Epidemiologia”, publicado pela Pontifícia Universidade Católica do Estado de São Paulo, 1977; “Tabagismo: Sério Problema de Saúde Pública’, publicado pela editora Almed-Edusp - São Paulo, 1981. Esta obra foi laureada pela Academia Nacional de Medicina; “Métodos para deixar de fumar”, com a colaboração de Vera Luíza da Costa e Silva, publicado pelo Instituto Nacional de Câncer, Rio de Janeiro, 1986; “Tabagismo e Câncer”, publicado pelo CEBRAF, Senado Federal, Brasília, 1991; “Informações Básicas sobre o Tabagismo”, publicado pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, 1996; “Cartilha sobre Tabagismo”, publicado pela Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, 1997; “Temas sobre o Tabagismo”, publicado pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, 1998; “Nicotina”, publicado pelo Colegio Medico del Peru, Colcit, Lima, 1999;  “Pandemia do Tabagismo. Enfoques Históricos e Atuais”, publicado pela Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo, 2002 e “Nicotina: Droga Universal”, com a colaboração de Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg e Marco Antonio de Moraes, publicado pelo INCA-MS e pela SES/CVE, São Paulo, 2003.

Na passagem do “Dia Nacional de Combate ao Fumo - 29/08/2021” reverenciamos a memória de JOSÉ ROSEMBERG e enaltecemos sua exitosa luta no combate ao tabagismo em nosso País.

 

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

Fortaleza, 02/09/2021.


terça-feira, 31 de agosto de 2021

XXVIII Congresso Brasileiro da Sobrames de 4 a 7 de setembro de 2021 on-line



 https://sobramesceara.com.br/congresso/


XXVIII Congresso Brasileiro de Médicos Escritores acontece online, entre 4 e 7 de setembro, com prêmios literários, cursos, homenagens e lançamentos de livros

 

O congresso tem inscrições abertas, para médicos, estudantes de Medicina, outros profissionais de saúde e para interessados em literatura e artes em geral. Evento acontece online, com cursos, conferências, sessões de temas livres, lançamento de livros, homenagens póstumas, prêmios literários, apresentações de textos e shows musicais. A direção é do médico cearense Arruda Bastos, presidente nacional e da regional da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Sobrames

 

O XXVIII Congresso Brasileiro de Médicos Escritores acontece de forma online, entre os dias 4 e 7 de setembro, sediado de forma simbólica no Ceará, estado da comissão organizadora, e aberto online a participantes em todo o País. Fortaleza transmitirá o evento de forma virtual, através de uma plataforma especial, a Softaliza, garantindo toda a qualidade de áudio e vídeo, além de recursos para uma experiência diferenciada.

 

A abertura do evento, sábado, 04/09, às 19h40, contará com palestra magna do prof. dr. Antônio Carlos Secchin, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), falando sobre "Casa Grande & Senzala em João Cabral de Melo Neto".

 

Médicos e médicas que se dedicam à literatura, além de estudantes de medicina, outros profissionais de saúde e do público em geral interessado em conto, crônica, poesia, romance e outros gêneros literários participarão do evento, que conta com palestras, cursos, performances, concursos literários, apresentações musicais. As inscrições estão abertas no site oficial: sobramesceara.com.br/congresso

 

Seria a terceira vez que Fortaleza sediaria presencialmente o congresso, não fosse a necessidade dos devidos cuidados diante da nova realidade que vivemos desde março de 2020, com a pandemia. Em 1996 e em 2008 a capital cearense recebeu o encontro. Já a edição mais recente aconteceu em São Luís-MA, em 2018. O congresso tem apoio do Governo do Estado do Ceará, através do edital de eventos da Casa Civil, e da Unichristus.

 

"Estamos trabalhando arduamente para que o evento nacional promovido pela Regional da Sobrames da Terra da Luz possa representar um marco para a entidade. A previsão inicial é de aproximadamente 600 inscritos do Brasil e também muitos do exterior", destaca o dr. Arruda Bastos, presidente nacional da Sobrames, da Regional do Ceará e do XXVIII Congresso Brasileiro de Médicos Escritores.

 

Juntamente com o evento nacional, o congresso incorpora também encontros regionais ligados à literatura e o lançamento de vários livros, bem como dos anais do congresso e da antologia de 2021 da Sobrames Regional do Ceará. De forma inédita acontece também a I Jornada Literária de Estudantes de Medicina do Ceará, como parte da programação do Congresso.

 

"Estamos de braços 'escancarados' para receber todos de forma virtual e transformar o evento no polo da literatura brasileira no período da sua realização", destaca Arruda Bastos, citando ainda o compartilhamento, com todos os participantes, de uma crônica sobre o "cearensês" e de um dicionário das expressões que dele fazem parte.

 

O XXVIII Congresso Brasileiro de Médicos Escritores tem realização da Sobrames nacional e da Sobrames Regional Ceará. Apoio: Jornal do Médico, Unichristus, Governo do Estado do Ceará, Organização: Bureau Evento e Argollo.

 

Inscrições abertas

 

As inscrições estão abertas, com taxa de R$ 400,00 para os integrantes da Sobrames ("sobramistas") e de R$ 500,00 para médicos escritores, escritores e interessados em geral. Estudantes contam com valor especial para inscrição: R$ 180,00.

 

As inscrições podem ser feitas de forma rápida e prática no site oficial do evento: sobramesceara.com.br/congresso

 

Programação - Solenidade de abertura - Sábado, 04/09

19h às 19h15 - Apresentação cultural

19h15 às 19h40 - Mensagem do presidente do evento e do presidente de honra do XXVIII Congresso

19h40 às 20h30 - Palestra Magna: Antônio Carlos Secchin, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL)

20h30 às 21h30 – Encerramento

 

Programação de cursos

Cursos Pré-Congresso. Sábado, 04/09

 

Auditório José de Alencar (sala virtual)

8h às 12h15 – Curso Pré-congresso 1: Tema: Literatura e Arte. Facilitadora: Dra. Ana Margarida Arruda Rosemberg (Sobrames/CE)

 

Auditório Rachel de Queiroz (sala virtual)

8h às 12h15 – Cursos Pré-congresso 2: Projeto ELAM, Estudo da Literatura e Arte na Medicina. Facilitadores: Dr. Arruda Bastos, Dra. Melissa Medeiros e Dra. Dulce Barreto

 

Auditório José de Alencar (sala virtual)

14h às 18h – Curso Pré-Congresso 3: Descomplicando o Marketing Digital e as Redes Sociais. Facilitador: Argollo (Sobrames/CE)

 

Auditório Rachel de Queiroz (sala virtual):

14h às 18h – Curso Pré-Congresso 4: Literatura Esquecida. Facilitador: Dr. André Gurgel (Sobrames/CE)

 

A programação continua até a terça-feira, 07/07, e está disponível na íntegra no site sobramesceara.com.br/congresso.


domingo, 29 de agosto de 2021

A Bíblia: livro de fé e obra literária

 

Moisés, considerado o autor do Pentateuco. Pintura de Philippe de Champaigne (1602-1674)


A Bíblia: livro de fé e obra literária

Segundo José Tolentino Mendonça, pesquisador e poeta português, a Bíblia é um grande clássico da literatura mundial e deve ser vista como uma biblioteca inteira. Ele frisa que a Bíblia não é apenas um livro de fé e que qualquer pessoa, crente ou não crente, deve conhecê-la para sua formação cultural. O livro “Guia Literário da Bíblia”, de Robert Alter e Frank Kermode, se propõe a abordar o aspecto literário do texto bíblico.

Escritos há 12 séculos, primeiro em hebraico e, depois, em grego, os textos bíblicos foram produzidos em uma pequena faixa de terra, no litoral leste do mediterrâneo, e se difundiram como “verdade revelada”.

A Bíblia, composta do “Antigo Testamento” e “Novo Testamento”, pode ser vista de diferentes formas: relato da atuação de Deus na História, texto fundador de religiões, guia para a ética e registro de povos e sociedades remotas. 

O “Antigo Testamento”, também chamado de “Velho Testamento” ou “Bíblia dos Hebreus”  é composto por: 46 livros na versão católica, 39 livros na versão protestante e 24 na versão hebraica. O “Novo Testamento” é um compilado de 27 livros. 

 Os cinco primeiros livros da Bíblia, chamados de “Pentateuco” pelos cristãos e de “Torá” pelos judeus, apresentam a história do povo de Israel desde a criação do Mundo até a morte de Moisés. A tradição atribui a paternidade desse conjunto de livros a Moisés, mas a exegese moderna concorda que é fruto de múltiplas camadas editoriais.

No final da década de 1990, pesquisadores aventaram a ideia de que a maioria dos textos do “Pentateuco” e dos livros, como “Josué” ou “Juízes”, foram, provavelmente, compilados, isto é, foram reunidos por escribas. O referido livro explica a criação do homem, da terra, do universo e é fundamento das religiões como: judaísmo, cristianismo e islamismo.

 A tradição religiosa assegura que cada livro bíblico foi escrito por um autor diferente, mas, hoje, a maioria dos estudiosos acredita que a “Bíblia” é fruto de um trabalho coletivo.

As histórias da Bíblia derivam de lendas surgidas na chamada “Terra de Canaã”, que hoje corresponde a Líbano, Palestina, Israel, parte da Jordânia, do Egito e da Síria.  Segundo descobertas arqueológicas, Canaã foi uma terra habitada por diversos povos.  Os hebreus eram apenas uma das tribos que habitaram a região.

Entre os séculos X e IX a.C. os escritores hebreus começaram a colocar essas histórias multiculturais no papiro. Isso aconteceu após o reinado de Davi, que teria unificado as tribos hebraicas num pequeno e frágil reino, por volta do ano 1000 a.C.

As raízes das histórias bíblicas remontam aos sumérios, antigos habitantes do atual Iraque, que escreveram a “Epopeia de Gilgamesh”, 12 séculos antes dos textos bíblicos.

Na Epopeia, considerada a mais antiga obra literária da humanidade, o rei e semi-deus da cidade de Uruk, Gilgamesh, busca a imortalidade concedida pelos deuses a Utnapishtim, que, como Noé, fora avisado de uma enchente que devastaria o Mundo.

Utnapishtim, assim como Noé, construiu um barco onde abrigou sua mulher e um par de cada animal que existia sobre a Terra. A semelhança com o dilúvio bíblico não é mera coincidência. Segundo Anderson Zalewsky Varga, especialista em História Antiga, “A Bíblia era uma obra aberta, com influências de muitas culturas”.

 

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 27/08/2021

REFERÊNCIAS 

https://super.abril.com.br/historia/quem-escreveu-a-biblia/

https://fr.wikipedia.org/wiki/Pentateuque

https://pt.wikipedia.org/wiki/Epopeia_de_Gilgam%C3%A9s#Hist%C3%B3ria

https://pt.wikipedia.org/wiki/Israelitas

https://www.youtube.com/watch?v=bJMwWydw7I4

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2015/08/24/interna_diversao_arte,495815/biblia-e-um-grande-classico-da-literatura-mundial.shtml

 

Epopeia de Gilgamesh e mitos gregos - Prof. Clóvis de Barros Filho - Profa. Katia Paim Pozzer e






 






quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Crônica diária de Nirez - MIGUEL EDGY TÁVORA ARRUDA

Esse pequeno  vídeo foi postado pelo Pedro Sávio,  em junho de 2025. Acrescentei à essa antiga  postagem,  pois tem tudo a ver com a crônica  do Nirez


 TRANSCRITO DO FACEBOOK

                            Miguel Nirez Azevêdo

CRÔNICA DIÁRIA DE NIREZ

MIGUEL EDGY TÁVORA – 04nov2020

Apareceu-me nos anos 1980 no Departamento de Pesquisa do jornal O Povo o pesquisador Miguel Edgy, de família tradicional de Baturité onde foi prefeito por duas legislaturas.

Seu nome completo era Miguel Edgy Távora Arruda, parente dos Arrudas quase “donos” de Baturité.

Ele era oficial reformado do Exército Brasileiro, historiador, fundador e presidente da Fundação Comendador Ananias Arruda e dirigia também o Museu Comendador Ananias Arruda e era ainda diretor há vários anos do jornal “A Verdade”, de Baturité, que saía mensalmente.

Ele fazia um trabalho importante e altamente organizado no Museu que dirigia dispondo didaticamente dos objetos do acervo do museu para um melhor entendimento dos visitantes.

Ele me procurou exatamente porque eu publicava fotos antigas no jornal semanalmente e ele me levou algumas fotos históricas das quais tirei cópias e fui publicando sob sua orientação.

Miguel Edgy Távora já estava idoso e sofria de deficiência auditiva e só falava gritando e para se falar com ele tínhamos que falar pausadamente e bem alto senão ele não captava.

Às vezes ele ia ao meu setor, conversava bastante e ao sair, havia esquecido algo a gritava lá do balcão a todo pulmão: - Aliás!, assustando a todos os funcionários e a mim também.

São pessoas que ficam em nossa mente por suas ações, por suas maneiras de ser, desinteressado, podendo já estar deitado de pijama em sua casa na espreguiçadeira mas não, estava sempre em atividade.

Ele faleceu em setembro de 2010 aqui em Fortaleza, sendo seu corpo velado no dia seguinte ao falecimento na Funerária Ternura, na Rua Padre Valdivino nº 2255, na esquina com a Rua Tibúrcio Cavalcante, onde realiza-se missa de corpo presente e em seguida foi sepultado no Cemitério São João Batista.

domingo, 22 de agosto de 2021

OS PERÍODOS DA ARTE GREGA: Arcaico, Clássico e Helenístico.

 

A dama d'Auxerre - Louvre-Paris

Vênus de Milo - Louvre-Paris

      


OS PERÍODOS DA ARTE GREGA: Arcaico, Clássico e Helenístico.

 

            “Os mestres gregos foram à escola com os egípcios”.

                                                            E. H. Gombrich

 

Segundo o Prof. José Leonardo do Nascimento, Unesp de São Paulo, os gregos tinham grande admiração pelos egípcios e beberam de sua da arte, mas colocaram seu próprio tempero, ou seja, a chamada “síntese grega”.

Na arquitetura e na escultura a arte grega está dividida em 3 períodos: arcaico (650 - 480 a.C.), clássico (480 – 323 a.C.) e helenístico (323 a.C. – 31 d.C.). 

No período Arcaico, século VII a.C., a arte grega estava próxima dos cânones egípcios, ligados ao regime de proporcionalidade. Os egípcios usavam regras rígidas para fazer suas esculturas e os gregos, inicialmente, copiaram essas regras. Do período arcaico, a mais antiga escultura que tem uma certa escala é a “dama d’Auxerre” (650-640 a.C.). Trata-se de uma pequena estátua de 65 cm. É o mais perfeito exemplar do "estilo dedálico", que caracterizou a escultura grega no século VII a.C.

A "dama d'Auxerre" é uma "koré", nome dado às esculturas de jovens vestidas feitas para ornar os templos. Os "Kouros", eram jovens desnudos que tinham a mesma finalidade de ornar os templos, ao lado das "Korés". A "dama d'Auxerre", Koré em Peplos, pertence ao acervo do museu do Louvre, foi encontrada no sul da França. Tal fato é explicado porque houve um período em que as cidades naquela região pertenciam a “Magna Grécia”, eram cidades-estados gregas. 

O período clássico (480 – 323 a.C.) tem início em 480 a.C., quando os gregos derrotaram os persas que haviam invadido a Península Grega. Os grandes inimigos dos gregos foram os persas que anexaram várias vezes as cidades gregas da Ásia Menor. Essa data é importante e é utilizada para definir o período clássico que vai se estender até 323 a.C. (morte de Alexandre Magno), filho de Felipe, rei da Macedônia. A Grécia perde sua autonomia política e passa para o domínio da Macedônia. Alexandre morre e o poder passa para um dos seus generais. Depois a Grécia passa a ser incorporada pelo Império Romano. Nesse período surge a “síntese grega”.

No período Helenístico (323 a.C. – 31 d.C.) período do Império Romano, a arte grega alcançou seu apogeu. Infelizmente, quase toda a produção artística escultural e pictórica grega se perdeu. O que chamamos de coleções gregas nos grandes museus não são originais, com algumas exceções, são cópias romanas em pedra de originais gregos feitos em bronze. Os gregos raramente usavam a pedra. Quando a usavam, eles pintavam-na. O Parthenon era pintado com cores fortes. Duas exceções da arte escultural grega esculpidas em mármore, estão no Louvre-Paris: Vênus de Milo e Vitória de Samotrácia.

Na cerâmica, pintura sobre os vasos, a arte grega está intacta. O grande historiador da arte, Hauser, que escreveu o livro “História Social da Arte e da Literatura”, disse: “A terracota é a matéria prima da civilização grega”. Por ser uma argila com muito óxido de ferro, a terracota é extremamente resistente. Há vasos gregos do século X a.C. O museu do Louvre-Paris tem uma coleção excepcional de vasos gregos. Se querem conhecer a Grécia, vejam os vasos gregos, frisou Hauser.  

ana margarida furtado arruda rosemberg    

 Fortaleza, 20.08.2021  

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

A Epopeia de Gilgamesh - em homenagem ao Dia do Historiador




A 11ª tabuleta da Epopeia de Gilgamesh descreve como os deuses enviaram uma inundação para destruir o mundo (12 séculos mais antigo do que o texto bíblico).

Como Noé, Utnapishtim foi avisado e construiu uma arca para abrigar e preservar os seres vivos. 




A Epopeia de Gilgamesh – primeira obra literária da História

A Epopeia de Gilgamesh, poema épico escrito em acádio, cerca de 18 séculos a. C, de um valor histórico e literário inestimável, é considerada a mais antiga obra da humanidade. O tema principal é a amizade entre dois homens, duas figuras masculinas potentes, Gilgamesh e seu duplo Enkidu.

 Acredita-se que Gilgamesh teve existência histórica. Ele foi rei da primeira dinastia de Uruk, centro urbano importante no Sul da Mesopotâmia, próximo ao Golfo Pérsico, no período proto-dinástico, por volta de 2750 a 2600 a. C.

O nome de Gilgamesh aparece, grafado, em uma lista de reis sumérios, precedido de um sinal cuneiforme que significa divindade. Desde o princípio da realeza há a busca de legitimidade política através da relação com o divino. Na “Epopeia”, Gilgamesh, filho de um rei e de uma deusa, é apresentado como o maior dos reis, sendo 1/3 divino e 2/3 humano. 

Além do tema da amizade o outro tema da “Epopeia” é o da morte. Gilgamesh enfrenta o drama da morte ao perder seu grande amigo, Enkidu.

A “Epopeia’ não tem título e segue a regra da literatura oriental, sobretudo a da Mesopotâmia, que é a inexistência de títulos. O título foi dado pelos estudiosos posteriormente.

Uma das versões da “Epopeia’ foi encontrada nas escavações da cidade de Nínive, antiga capital do Império Assírio, no período de Assurbanipal, 613 a. C. Foram encontrados 11 tabletes cuneiformes, com 2500 a 3000 versos. Esta versão é atribuída a Sin-léqi-unnínni (séc. XIII a.C.).

Na tradução do assiriólogo francês, Jean Botérro, os primeiros versos dos poemas dizem assim:

“Vou apresentar ao mundo aquele que tudo viu, conheceu a terra inteira, penetrou todas as coisas e tudo explorou. Tudo que estava escondido”.

O escriba da versão de Nínive não foi o autor do texto. Há evidências de que o poema é muito mais antigo. Foram encontradas fontes sumérias de 3000 a. C., fontes babilônicas, entre outras bem antigas, em vários sítios arqueológicos.

Na antiguidade a “Epopeia” conheceu traduções para outras línguas como: a língua hitita, falada pelos habitantes da Anatólia, hoje Turquia. Existem outras versões. Uma delas na língua falada pelos povos Urato, do nordeste da Mesopotâmia, outras encontradas em sítios arqueológicos na Palestina.

O texto mais completo é uma montagem de um enorme quebra cabeça. O trabalho de reconstituição foi feito por dois grandes assiriólogos: Samuel Noa Cramer, norte-americano, e Jean Bottéro, francês.

 

As fontes babilônicas deram a possibilidade de recuperar a maior parte dessa composição literária. Os tabletes que hoje estão conservados na universidade da Filadélfia são os mais completos. Três fragmentos são conservados no “Museu de Bagdá”, no Iraque. Há também pequenos fragmentos no “Instituto Oriental de Chicago”. O “Museu do Pérgamo”, em Berlim, e o ‘Museu Britânico”, em Londres possuem alguns. Os textos estrangeiros estão na Síria e na Palestina.  

A tradução da obra é atribuída ao trabalho realizado por Henry Rawlinson e George Smith, que se dedicaram ao estudo e deciframento da antiga obra suméria. Esse trabalho de tradução somente foi possível graças à descoberta da Inscrição de Dario, que transcrevia caracteres cuneiformes para três idiomas: o persa, o babilônio e o elamita.

A versão mais completa, ditada pelo escriba Sin-léqi-unnínni, tem cerca de 2 mil linhas organizadas em 11 tabletes cuneiformes e conta a seguinte narrativa: Gilgamesh e Enkidu passam por diversas missões e descontentam os deuses; vão às “Montanhas do Cedro’ e derrotam o monstro Humbaba; matam o ‘Touro dos Céus”, que a deusa Istar havia mandado para punir Gilgamesh por não ceder às suas investidas amorosas.

 A parte final do épico mostra a reação de Gilgamesh diante da morte de Enquidu. Gilgamesh busca a imortalidade e faz uma longa e perigosa jornada para descobrir o segredo da vida eterna. Para isso, ele consulta Utnapistim, o herói imortal do dilúvio.

 

Depois de ouvir Gilgamesh, o sábio diz:

 

 "A vida que você procura nunca encontrará. Quando os deuses criaram o homem, reservaram-lhe a morte, porém mantiveram a vida para sua própria posse.”

 

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 13 de agosto de 2021

 

Referências

BOTTERO, J. LfEpopee de Gilgamesh. Le grand homme qui ne voulaitpas mourir. Traduit de I'akkadien et presente par Jean Bottero. Paris: Gallimard.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Epopeia_de_Gilgam%C3%A9s#CITEREFChamplin1991

https://pt.wikipedia.org/wiki/Epopeia_de_Gilgam%C3%A9s

https://www.100milarvores.pt/2013/08/a-jornada-ao-bosque-da-epopeia-de-gilgamesh.html

https://castbox.fm/episode/7.-A-Epopeia-de-Gilgamesh-(Entrevista-com-Katia-Pozzer)-id2826611-id264827388?country=br

https://www.youtube.com/watch?v=ydRafBXEhuM

https://seguindopassoshistoria.blogspot.com/2010/08/epopeia-de-gilgamesh.html?m=0

https://pt.wikipedia.org/wiki/Epopeia_de_Gilgam%C3%A9s#Hist%C3%B3ria