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| Chico Buarque de Holanda |
Hoje, fui ao
cinema e, finalmente, consegui ver o meu eterno ídolo, Chico Buarque de
Holanda. O documentário de Miguel Faria Junior “Chico Buarque-Artista
Brasileiro”, estreou em todo o Brasil, dia 26/11/2015.
Eu, uma fã
incontestável e ardorosa do Chico, estava na primeira sessão, no dia da
estreia, na cadeira 8 da fila D, do Cine Iguatemi.
Por um capricho
do acaso, o projetor pifou exatamente na hora de começar o filme. Mais alguns
minutos de espera e surgiu uma senhora pedindo mil desculpas. Essas coisas
acontecem, disse ela.
Comigo nunca
aconteceu, pensei. Aliás, minto, aconteceu nos idos da década de 1950, na
cidade de Baturité, quando eu era criança e a única diversão da cidade era o
cinema. Não existia televisão. As fitas de guerras de índios americanos
quebravam a todo instante no precário projetor. A dona do cinema remendava e,
para alegria de todos, voltava a projeção.
Lembro-me de um
filme que parou e não teve mais conserto. Para frustração nossa, a dona foi até
à frente e falou: “O filme terminou podem ir embora”. Ao ouvir nossos protestos
ela disse: “Este filme não tem escrito FIM”.
Hoje, a minha
apreensão só acabou quando a fita explodiu na telona e vislumbrei a imagem do
Chico, lindo, de cabelos grisalhos, olhos cor de ardósia, como dizia Marieta,
contrastando com um blazer vermelho, minha cor favorita.
De repente, a voz
do Chico quebrou o silêncio da sala 7, com a magistral “Sinhá” (dele, a letra,
e de João Bosco, a música). Canção histórica, pois denuncia a barbárie que foi
a escravidão no Brasil. Impossível alguém como eu, que teve a vida embalada
pelas músicas do Chico, segurar a emoção.
O filme viaja
pelo tempo de Chico poeta, músico, dramaturgo e escritor. Através de
depoimentos, cenas históricas e canções, Chico revisita sua própria história
desnudando sua alma sensível e sempre preocupada com as desigualdades sociais.
Mostra detalhes de sua trajetória coerente com sua maneira corajosa de
denunciar as injustiças sociais.
O filme mostra,
também, a vida familiar de Chico, a ligação com o pai, o historiador Sergio
Buarque de Holanda, com a mãe, Maria Amélia, com Marieta Severo, filhas e
netos.
Foi impossível
segurar as lágrimas ao ouvir a Betânia cantando “Olhos nos olhos”. O dueto
entre Mart’nália e Adriana Calcanhoto interpretando “Biscate” foi divino. “Uma
Canção desnaturada” e “Mar e Lua” interpretadas por Laila Garin e Mônica
Salmaso e tantas outras músicas e tantos outros intérpretes me fizeram viajar
no meu tempo.
Para completar, o
filme desvenda a história do irmão alemão de Chico que foi plasmada no livro de
sua autoria, “O irmão Alemão”.
Finalmente, o
filme revela um Chico no auge da maturidade a nos transmitir valores
filosóficos da vida.
No final de um
ano de tantas agruras e tantos percalços o filme do Chico Buarque foi o bálsamo
que me fez levitar de emoção.
ana margarida
furtado arruda rosemberg
Fortaleza, 26 de novembro
de 2015