quarta-feira, 18 de abril de 2012

QUALIFICAÇÃO DE MESTRADO EM PSICOLOGIA














Hoje, dia 18 de abril de 2012, aconteceu na UNIFOR a qualificação da DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM PSICOLOGIA  de Liana Arruda Teixeira,  intitulada: "SEM VOCÊ: considerações psicanalíticas sobre o laço amoroso na contemporaneidade a partir da obra de Chico Buarque."
Parabéns para Liana por mais uma etapa vencida em busca da defesa de sua dissertação de mestrado.

terça-feira, 17 de abril de 2012

CARTA AOS SOBRINHOS: ASSIS E IDALBINHA

Julieta Távora Arruda Monteiro

Da página do facebook de Andrea Arruda Lima
 

                                                                     Por Julieta Távora Arruda Monteiro

Queridos sobrinhos: Assis e Idalbinha

Vocês e toda família são um exemplo de honradez, que deixa os corações de todos nós bastante gratificados.
A disponibilidade de vocês em servir à família e ao próximo encanta e é uma bênção de Deus.
Nesta hora tão difícil, de tanta agressão e calúnia, vocês, pelo que são, pelo que representam, são merecedores de nossa solidariedade, nosso afeto, nosso abraço amigo e carinhoso.
Sejam corajosos e vejam em tudo isso uma provação na busca de um ideal que tem por objetivo primordial realizar uma administração próspera, harmoniosa e solidária.
Não vamos alimentar rancor!
Vamos pedir a Deus sabedoria para bem governar o município e, mais uma vez, realizar uma administração digna de nossos antepassados que escreveram na história de Baturité, momentos de glória.
“Os mortos não precisam ser ressuscitados.”
Eles são eternos em nossos corações e o exemplo ficou registrado na família, na história da Cidade e no coração das pessoas de bem que são abençoadas e amadas por Deus.
Eles são eternos na história da Cidade com destaque para a Urbanização da Cidade; Educação, com a vinda de educadores da qualidade dos filhos de Dom Bosco e Madre Mazarelo; Formação Religiosa, como a Escola Apostólica dos Padres Jesuítas; Humanização da Saúde, como a instalação dos Postos de Saúde e hospital, entregues às Irmãs da Caridade e, muitas outras iniciativas que asseguraram o progresso e a melhoria da qualidade de vida dos mais necessitados e da população em geral.
Na oportunidade, coloco-me à disposição de vocês.


Abraços carinhosos da tia Julieta.

HONROSA EXCEÇÃO

MIGUEL EDGY TÁVORA ARRUDA
                                                                                                                 Por: Luis Sucupira

A cidade de Baturité foi administrada nos últimos quatro anos pelo Capitão Miguel Edgy Távora Arruda, que acaba de publicar a prestação de contas, apresentada à Câmara Municipal, referentes ao ano de 1954, com um retrospécto relativo aos anteriores exercícios de sua gestão, a começar de 1951. 

É um trabalho digno de admiração e de aplausos, êsse magnífico relatório do ex-edil baturiteense, e pode servir tão profícuo e meticuloso documento como padrão para todos os demais gestores dos negócios municipais do Estado. 

Encontrando as rendas públicas na quota dos 850 contos, entregou-as ao seu sucessor no limite de 2.200 contos, por ano, o que é bem um admirável recorde. 

Mas o que ressalta na prestação de contas do digno administrador é a preocupação que o anima de não deixar sem explicação um só centavo gasto no seu governo e tudo isso documentada e pormenorizadamente, fazendo ainda acompanhar o folheto, de 50 páginas, de numerosas fotografias das obras realizadas e que foram de grande monta, a começar pelos serviços de água, esgotos e iluminação pública, não ficando esquecidos os referentes à educação, pavimentação e estradas de rodagem. 

Também é de suma importância o capítulo em que o Capitão Edgy Távora Arruda  põe à vista de todos a sua situação financeira, com a declaração dos bens que possuia no inicio e no final de sua gestão. 

Edifica ver como o homem pobre e probo que assumiu o poder municipal há quatro anos, dele saiu com mãos limpas e bolsos mais limpos ainda. 

Não possui depósitos bancários nem quaisquer outros valores, voltando, assim, para as suas atividades normais, de que foi afastado, apenas com mais idade e mais esfalfado, por ter dado ao povo  que dirigia todo o seu esforço, toda a sua dedicação e todo o seu tempo. 

Parcela por parcela, alinha ele os gastos feitos com a chamada “cota de imposto de renda”, podendo, assim, ser apresentado como, ao que se sabe, o único Prefeito que, até agora, prestou contas realmente desse manancial com que se beneficiaram as municipalidades de todo o País. 

E, para seu gáudio, a Câmara de Baturité, em Resolução unânime de 12 de março deste ano, aprovou-lhe as contas de 1954, como já tinha aprovado as dos demais exercícios. 

Eis aí um exemplo que merece ser apontado aos demais gestores dos municípios  em nosso Estado. 

É uma honrosa exceção, que, por isso, merece ser destacada, apoiada e aplaudida. 

Luis Sucupira       
  Fortaleza, 9 de abril de 1955.

 OBS: Extraido da Coluna “Fato do Dia” do Jornal “O Nordeste” de  9 de abril de 1955.


LUIS SUCUPIRA


            QUEM FOI LUIS SUCUPIRA?


Os Membros da Academia Cearense de Letras de ontem
Luis Sucupira
Por José Murilo Martins
in POETAS DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS

LUÍS SUCUPIRA
Luís Cavalcante Sucupira nasceu em Fortaleza em 11 de maio de 1901 e faleceu na mesma cidade no dia 11 de julho de 1997, aos 96 anos de idade.

Fez seus estudos no Colégio Cearense do Sagrado Coração e o curso madureza no Liceu do Ceará. Após concurso, foi funcionário da Fazenda Federal por muitos anos exercendo importantes funções no nosso e em outros estados do Brasil.

Exerceu o magistério como professor de vários colégios de Fortaleza e do Rio de Janeiro, entre os quais, Cearense, Imaculada Conceição, Dorotéias e Sacré Couer de Marie; fundador e mestre da Faculdade Católica de Filosofia de Fortaleza, diretor do Curso de Jornalismo e professor da Faculdade de Ciências Econômicas, da UFC e do Instituto Católico de Estudos Superiores, do Rio de Janeiro.

Foi deputado federal, secretário de governo e interventor federal interino do estado do Ceará.

Publicou aos dezessete anos de idade um pequeno livro de poesias intitulado Equatoriais, usando o pseudônimo de Rubens Bráulio. 

Olavo Bilac escreveu-lhe uma carta com o seguinte comentário: “Você é poeta. Poeta de raça e alma. Estude e pratique e o futuro cercará de triunfo a brilhante promessa dos seus 17 anos” (apud Sucupira, R. P., Luís Sucupira. O comendador).

Exerceu intensa atividade jornalística como redator-chefe e diretor de O Nordeste. 

Foi também dos jornais O Estado, de Pernambuco e A União e A Ordem, do Rio de Janeiro.

Obras: Equatoriais, 1917; Curso de ação católica, 1934; Programa de Economia Política, 1941; “Ozanan” a juventude em ação, 1970.

Honrarias: Comendador da Ordem de São Gregório Magno da Santa Fé; Doutor Honoris Causa das Faculdades Integradas de Campo Grande, Rio de Janeiro; Medalhas da Abolição e Justiniano de Serpa, do governo do estado do Ceará; Medalha Clóvis Beviláqua, do Ministério de Educação; Medalha do Pacificador, do Ministério do Exército; Medalha Barão de Studart, do Instituto do Ceará; e a Sereia de Ouro, da Televisão Verdes Mares.

Ingressou na Academia Cearense de Letras no dia 21 de maio de 1930, ocupando a cadeira número 3, cujo patrono era Álvaro Martins, tendo sido transferido para a 2, após a reorganização de 1951.

Foi representante do sodalício na Federação das Academias de Letras, no Rio de Janeiro, membro do Instituto do Ceará e presidente da Associação Cearense de Imprensa.

 Fonte:http://www.ceara.pro.br/ACL/Academicosanteriores/LuisSucupira.html

domingo, 15 de abril de 2012

TODOS JUNTOS SOMOS FORTES




SOMOS UNIDOS, SOMOS GRANDES, SOMOS MUITOS E SOMOS FORTES.


ONTEM, DIA 14 DE ABRIL DE 2012, ÀS 17h, ACONTECEU MAIS UMA REUNIÃO DA FUNDAÇÃO COMENDADOR ANANIAS ARRUDA, NO APARTAMENTO DA EDNA, PARA AVALIAÇÃO DO V BINGO DA AMIZADE.


APÓS A MESMA, ANALISAMOS OS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS OCORRIDOS NA POLÍTICA DE BATURITÉ E TODOS DECIDIMOS OFERTAR APOIO IRRESTRITO AO NOSSO PRIMO ASSIS ARRUDA QUE ESTÁ SENDO VÍTIMA, AO LADO DA FAMÍLIA, DE UMA CAMPANHA DIFAMATÓRIA SÓRDIDA, ATRAVÉS DE CARTAS ANÔNIMAS.


QUEM SE ESCONDE DESTA MANEIRA PARA DIFAMAR NÃO MERECE NENHUMA CREDIBILIDADE E SÓ DEMONSTRA DESESPERO DIANTE DA CANDIDATURA DE ASSIS ARRUDA A PREFEITO DE BATURITÉ.


O POVO DE BATURITÉ, CERTAMENTE, NÃO DARÁ IMPORTÂNCIA A TAMANHA CAMPANHA DIFAMATÓRIA, POIS CONHECE BEM O PASSADO DA FAMÍLIA ARRUDA, A INTEGRIDADE DE SEUS MEMBROS, PRINCIPALMENTE A DE ASSIS ARRUDA, UM HOMEM ÍNTEGRO E DE CONDUTA ILIBADA.
O POVO DE BATURITÉ CONHECE BEM O QUE A FAMÍLIA ARRUDA  REPRESENTOU PARA A CIDADE.


AVISO AOS NAVEGANTES: TODOS NÓS QUE FAZEMOS PARTE DA FAMÍLIA ARRUDA REPUDIAMOS VEEMENTEMENTE ESTA MANEIRA COVARDE DE FAZER POLÍTICA.


VÁ EM FRENTE ASSIS!


AGORA, MAIS DO QUE NUNCA, LUTAREMOS PARA ELEGÊ-LO PREFEITO DE BATURITÉ.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Fortaleza, 15 de abril de 2012

quinta-feira, 12 de abril de 2012

ANIVERSÁRIO DE CASAMENTO DE EDGY E ADELINA



Edgy & Adelina - Fortaleza, 12 de abril de 1944

Edgy & Adelina e filhos - Bodas de Ouro - 12 abril de 1994

Edgy & Adelina, filhos, genros , noras , netos e bisnetos - Bodas de Diamente - Fortaleza, 12 de março de 2004


Aquele 12 de março de 2004 amanheceu ensolarado, depois de uma semana de chuvas intensas que banharam, sem trégua, a capital alencarina. O sol, para prestigiar o auspicioso evento que estava por vir, enviou seus raios luminosos trazendo alegria e aquecendo os corações de todos que, naquela noite límpida e estrelada, iriam comemorar os 60 anos de união de Adelina e Edgy. Às 19h o Bouganville Buffet já estava trajado a rigor para receber os convidados. As mesas, vestidas de renda branca e verde claro e decoradas com lírios, foram pouco a pouco ocupadas pelos parentes e amigos do casal, que, ansiosos, aguardavam o inicio da grande festa de emoções. Um painel com fotos de nossos pais, logo na entrada, nos dizia que naquela noite iria se desenrolar uma rara celebração. Uma festa de bodas de diamante! Melodias românticas da mocidade de nossos pais invadiam o ambiente, com nostálgica ternura, enquanto um telão projetava nossas vidas, em diversas ocasiões especiais que meu pai perpetuou para a posteridade, com sua filmadora. Docinhos e outros petiscos, cuidadosamente arrumados em mesas de vidro, iluminadas com luzes especiais e decoradas com plantas verdes, davam um toque de glamour ao ambiente. O imenso bolo, artisticamente confeitado com flores brancas e folhagem verde, repousava majestoso no centro do salão, atraindo a atenção de todos. No fundo do jardim, uma enorme árvore genealógica, feita de balões brancos e verdes, aguardava o momento de subir aos céus, um a um, e brilhar ao lado da Maninha que de lá tudo assistia junto as estrelas do firmamento. A música “La Cumparcita” que nossa mãe tocava no piano, em sua mocidade, e que marcou o namoro de nossos pais, foi traduzida nas pontas dos pés de minha querida filha Liana, num magnífico ballet expressando um tango, sobre um tablado de vidro e sob uma chuva de papel prateado. A renovação do casamento, feita pelo padre Francisco, pedindo que Nossa Senhora continuasse abençoando e protegendo o casal, reproduziu a cerimônia ocorrida na Igreja do Patrocínio, há 60 anos e teve um instante sublime, quando Nívia, a mais nova bisneta, nos braços de Luan, o bisneto primogênito, adentraram conduzindo as alianças, ao som de Ave Maria de Gounod. Os acordes maviosos de: “Solamente una vez” e “Aqueles olhos verdes”, embalaram as imagens de um clip, projetado em um telão, cuidadosamente preparado para contar a história de amor de nossos pais e uma cascata de fogos de artifícios com os nomes, “Adelina e Edgy - 60 anos”, iluminou a noite explodindo a luz em mil cores, como um diamante, dando um toque de alegria a festa. Vários oradores com muita emoção reverenciaram e parabenizaram o casal, exaltando suas virtudes e agradeceram aos presentes e patrocinadores do evento. Todos os detalhes daquela maravilhosa festa foram carinhosamente preparados por nossas irmãs; Fátima e Teca que, com competência e ética profissional, não mediram esforços a fim de que tudo brilhasse naquela noite. Quero registrar a mais profunda gratidão, em nome de todos os descendentes de Miguel Edgy e Adelina, às nossas irmãs e à toda equipe que com dedicação e amor prepararam para todos nós a inesquecível bodas de diamante. A você, Fátima, um especial obrigada, por nos proporcionar momento de profunda emoção, quando nossos pais adentraram a festa, lindos em seus 60 anos de união, nos mostrando o quão sublime é o amor; pelo espetáculo de fogos, show e de músicas tão bem selecionadas que nos tocava fundo e nos fazia marejar os olhos a todo instante; por unir em um momento mágico de nossas vidas todos nós, filhos e filhas, genros e noras, netos e netas, bisnetos e bisneta aos nossos pais e a todos os nossos parentes e amigos que contagiados com nossa alegria e emoção reproduziram naquele dia, o histórico “Beijo de Lamourette” o qual, em 7 de Julho de 1792, na França, em plena Revolução, contagiou a assembléia em uma onda de fraternidade quando os deputados, deixando de lado suas diferenças, começaram a se abraçar e a se beijar exaltando um amor fraternal. Obrigada, enfim, pelo impecável cerimonial que nos fez viajantes no tempo do sublime sentimento do amor que uniu nossos pais durante 60 anos de suas vidas.

Ana Margarida F. Arruda Rosemberg
São Paulo, 03 de abril de 2004.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

DISCURSO PROFERIDO PELO PROF. LUIS ARRUDA FURTADO - 3ª PARTE


Luis Arruda Furtado

Cinco fomos os baturiteenses fundadores da Escola. Os números foram dados por ordem de idade. Daniel Franco, nº 1; Luis Dória, nº 2; Job Saraiva Furtado, nº 3; José Saraiva Furtado, nº 4; e Luis Arruda Furtado, nº 5. O José Furtado morreu nesta Escola, vítima de um acidente, em 1930, aos 15 anos; Luis Dória, alguns anos depois, em Fortaleza e Daniel Franco há dois ou três anos, em Baturité. Aos companheiros desaparecidos, a nossa saudade. Vivos, somente Job Saraiva Furtado, aqui presente, e eu. Meus amigos, há uma bela imagem empregada pelo Pe. Aloisio Furtado, nosso contemporâneo e que infelizmente se encontra enfermo nesta Escola, a quem desejo completo restabelecimento, no seu livro “Se o grão não morre”, contando que: “Homero, o imortal autor da Ilíada, velho, cego, tacteante, procurando reconstituir os sítios de determinada cidade e ferindo as pedras com o bastão, teria exclamado: Il linc Troia, alí foi Tróia. E voltou Homero para a estrada de Ítaca, chorando a eterna Ílion de seus sonhos destruida.” Olhando-se para o passado e vendo-se a nossa Escola no presente, poderia compará-la àquela florescente cidade, outrora dominadora da África, a rainha do Mediterrâneo, a lendária e esplendorosa cidade de Aníbal, a Cartago púnica e romana, destruida e nunca mais reedificada. Poderia compará-la também a Pompéia, não devastada pelas lavas incadecentes do Vesúvio, mas subjugada, contra gosto, pelos imperativos e injuções do século em que vivemos. Poderia compará-la ainda a Jerusalém, em que não ficou pedra sobre pedra, derruida, derrocada, ante o impacto das forças imbatíveis das legiões romanas. Dada, porém, a minha formação clássica, aqui obtida, prefiro compará-la à Troia. Todos nós somos testemunhas do apogeu, dos tempos áureos desta Escola. Eu mesmo vi muitas destas paredes subirem e quantas destas pedras, ainda mornas pela explosão de dinamite em uma pedreira aqui ao lado, eu as tive em minhas mãos de adolescente; essas pedras são testemunhas mudas de que aqui foi Troia. Na nossa capelinha, de tão gratas recordações para os mais antigos, já não se oficiam os atos religiosos. Naquele páteo, que nenhum de nós jamais esquecerá, não se jogam mais foot-ball, basket-ball e outros jogos. Nesses corredores não se ouvem mais a algazarra, a gritaria e a alegria palpitante de vida dos apostólicos. Essa velha escada já não sente mais o pisar ritmado, nem em tempo de férias, a correria desenfreiada que tantos dissabores causava ao Pe. Teixeira. Esse velho corrimão, já não sente mais o deslisar de mãos finas de meninos e adolescentes. Nesses vastos salões já não se realizam mais as academias e sessões lítero-musicais, nem as prédicas e aulas de nossos mestres. Quem não se lembra daquele trecho de nosso livro de português “Última corrida de touros em Salvaterra”? Quem já terá esquecido o nosso livro de inglês “Estrada Suave”? Quem não se lembra da admirável gramática portuguesa de Eduardo Carlos Pereira, da incomparável gramática latina de Lobera, de nosso livro grego de Ragón? Quem não se lembra do “De bello Gallico”, de Júlio César? Do “De viris illustribus”, de Cornélio Nepote? Das Fábulas de Fedro? Das Metamorfoses, de Ovídeo? Das Odes, de Horácio? Das Églogas e de Eneida, de Virgílio? Das cartas e orações, de Cícero? Será possivel que vocês já esqueceram do nosso primeiro livro de latim? Desse latim que nos foi transmitido com pronuncia lusitana, que ainda mantenho como recordação de nossos mestres; desse latim que o Ministério da Educação retirou do currículo escolar brasileiro; latim que a Igreja católica manteve vivo por quase dois mil anos; latim que acompanhava a vida do católico, do berço ao túmulo, do “Ego te baptismo” ao “Ego te Absolvo” da extrema-unção; latim que deu o nome continente inteiro, qual seja o Continente Latino-Americano. Lingua flexiva indo-europeu itálica, fonte e mãe, segundo um grande gramático, das nais belas linguas faladas pelos povos modernos. Quem já esqueceu a “Seletina”, “Deus creavit coelum et terram intra sex dies”?  Qual de vocês não volta ao passado e se reencoantra num desses salões, ao ouvir emocionado a primeira estrofe de Eneida de Virgílio, o expoente máximo da literatura latina na poesia? Quem não se emociona –
“Arma virumque cano: Troiae que primus ab oris
Italiam, fato profugus, Lavinaque venit
Littora, multum ille e terris jactatus at alto
Vi Superum, saevae memorem lunonis ob iram”?
Quantas vezsa não lemos, analisamos e decoramos trechos daquele outro monumental poema , “os Lusíadas”, em que Camões canta a epopéia e os feitos da gente lusitana, o qual, à semelhança de virgílio, começou:
“As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana”.
Quem já esqueceu o grande Marco Túlio Cícero, o maior orador do Império Romano, o qual, dizia o Pe. Alexandrino Monteiro, teria sido santo se tivesse vivido no Cristianismo? Quem já esqueceu a mundialmente conhecida Primeira Catilinária:
“Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?
Quamdiu etiam furor iste tuus nos eludet?
Quem ad sese effrenta jactabit audacia?
Oh tempora, oh mores, oh tempos, oh costumes, dizia o grande Cícero

Continua,  aguardem...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

DISCURSO PROFERIDO PELO PROF. LUIS ARRUDA FURTADO - 2ª PARTE


DISCURSO PROFERIDO PELO PROF.  LUIS ARRUDA FURTADO EM 21/08/1977 POR OCASIÃO DA FESTA COMEMORATIVA DO  CINQUENTENÁRIO  DE FUNDAÇÃO DA ESCOLA APOSTÓLICA DOS PADRES JESUITAS, EM BATURITÉ. 2ª PARTE

 
Prof. Luis Arruda Furtado
Aqui estão presentes os nossos dois primeiros diretores. O Pe. José Celestino, de porte imponente, mas de alma boníssima; o Pe. Luiz Baecher, que, embora sendo alemão, não possuia a altivez típica de seu povo; o Pe. Pinheiro, o ecônomo da casa; o nosso inesquecível e querido Pe. Teixeira, prefeito por muitos anos, o responsável por nossa formação, o nosso orientador, o sacerdote que permanecia continuamente entre nós, o que substituia o pai de cada um. Para tornar nossas férias mais amenas, lia-nos, como somente ele sabia ler, à sombra de frondosas árvores, livros como Tom Playfair, Percy Wynn, Fabíola e tantos outros; o Pe. Artur Redondo, nosso diretor espiritual e professor de inglês e francês, sacerdote reconhecidamente virtuoso, que exhalava de si um ar sobrenatural e em quem se podia notar uma auréola de santo a circundar-lhe a fronte; o nosso inolvidável e querido Pe. Alexandrino Monteiro, escritor, poeta, e compositor, que acompanhava ao harmônio os hinos religiosos. Foi nosso professor de português, latim e grego, sacerdote a quem muito devo e cujo método de ensino adotei, com absoluto êxito, durante 35 anos de magistério; o nosso primeiro Mestre de Noviços, o Pe. Charles Coppex, homem de uma cultura polimorfa e de profunda devoção ao Coração de Jesus. Costumava dizer que, para se ser feliz, era necessário se ter paz de consciência e sossego de espírito e acrescentava, e tino prático; o Pe. Pacheco, que ao ser transferido para Belém despediu-se de nós, que nos achávamos na Caridade, através do sinal Morse, transmitido por lâmpada elétrica; o Pe. Peixoto, nosso professor de latim e grego no segundo ano de Noviciado; o Pe. Veloso, o Pe. Pequito, o Pe. Cheseaux, o Pe. Viellendents, o Pe. Rocha e todos os que sucederam. Entre os irmãos coadjutores, o nosso enfermeiro, Irmão Bosco; o Irmão Fernandes, motorista e encarregado da carpintaria; o Irmão Rodrigues, porteiro e o Irmão  Oliveira, nosso cosinheiro. A todos o nosso preito de saudade e gratidão. Desejo fazer menção especial a dois Irmãos que ainda residem nesta Escola, o Irmão Silva e o Irmão Fibeiro, que foi meu colega de noviciado.

Continua na terceira parte. Aguardem...

domingo, 8 de abril de 2012

DISCURSO PROFERIDO PELO PROF. LUIS ARRUDA FURTADO - 1ª PARTE

Luis Arruda Furtado é o primeiro da frente da Esquerda pra Direita. Foto tirada na Escola Apostólica dos padres Jesuitas, em Baturité, em 1927.

Prof. Luis Arruda Furtado



DISCURSO PROFERIDO PELO PROF.  LUIS ARRUDA FURTADO EM 21/08/1977 POR OCASIÃO DA FESTA COMEMORATIVA DO  CINQUENTENÁRIO  DE FUNDAÇÃO DA ESCOLA APOSTÓLICA DOS PADRES JESUITAS, EM BATURITÉ.

Revmo. Pe. Hugo Furtado                                                                                                     
DD Diretor desta Escola                                                                                        
Revmo. Pe. José Teles Arruda                                                                                  
Meus senhores                                                                                                             
Minhas senhoras                                                                                                           
Caros Ex-Apostólicos


Ao ser convidado a falar nesta solenidade comemorativa do cinquentenário de fundação de nossa querida Escola Apostólica, vieram-me à mente as primeiras palavras do poema dedicado à Nossa Senhora e escrito pelo Pe. José de Anchieta nas areias de Iperoíg: “Eloquar an Sileam?” Seria aconselhável tomar a segunda opção, de vez que aqui se encontram muitos ex-apostólicos que, melhor do que eu, poderiam se desempenhar desta incumbência. Mas, como fui um dos cinco baturiteenses que fundaram esta Escola, em agosto de 1927, não me ficaria bem recusar tão amável convite.  
Minhas palavras são dirigidas especialmente aos ex-apostólicos e, de modo particular, àqueles que foram meus contemporâneos de 18 de agosto de 1927 a 23 de setembro de 1933. Não usarei o tratamento convencional dos discursos, mas o tratamento amistoso de “você”, com que nos tratávamos aqui antigamente.
Esta festa é para mim, mais de recordações e de nostalgia, do que propriamente de alegria. Aqui passei a minha adolescência e parte de minha meninice, e não estou bem seguro de mim de poder continuar falando, porque eu sinto uma grande, uma enorme, uma vasta saudade a devastar-me a alma.
Ainda há pouco, quando passei por entre as duas palmeiras imperiais que ladeiam a entrada deste prédio, denominadas pelo Pe. Alexandrino Monteiro de São Pedro e São Paulo, as Sentinelas de Escola, senti, não sei se foi ilusão minha ou excesso de emoção de minhalma agradecida, senti como se elas me reconhecessem e vissem em mim o menino que há cinquenta anos passou entre elas – na época também pequenas – com a alma imbuida dos melhores propósitos para dar entrada nesta casa.
Pela crença na comunhão dos Santos, acredito, estar presente aqui o extraordinário Pe. Antônio Pinto, idealizador, propugnador e fundador desta Escola, sacerdote, que percorreu o Brasil inteiro e alguns países de Europa à cata de donativos para a construção deste prédio. O Comendador Ananias Arruda, com seus 91 anos bem vividos, e que muito contribuiu para esta Escola, é testemunha do esforço, do trabalho, do sacrifício  e das dificuldades superadas para que esta casa se tornasse realidade. 

Continua na segunda parte...

sábado, 7 de abril de 2012

À MANINHA

José Rosemberg

          

                  
                                                            Por José Rosemberg

Vim de São Paulo ansioso,
Pra rever teu semblante radioso
E trazer minha mensagem de absoluta certeza
De teu restabelecimento com prestreza.
Chega de cama! Dessa vida horizontal!
Quero ver-te em pé de postura vertical,
Irradiando tua encantadora simpatia!
Esse pesadelo de agora é, felizmente, fugaz.
Logo, tua vida sorrirá plena de paz.
Tua fronte abençoar gostaria,
De agradecimento pela tua amizade.
Possuir amiga de tua esplêndida qualidade,
É raro privilégio que guardo com alegria.
Deixo aqui contigo o meu coração,
Confiante da tua completa recuperação,
Para encanto de todos que te querem bem.
Entre estes, está este teu amigo também.

José Rosemberg
Fortaleza, 22 de fevereiro de 2002.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

ATO DE AMOR DE MEU PAI



 Por Maria Goretti Arruda Bezerra


Maria Goretti
     

   F ilmes, registrando tempos idos...
        Á lbuns, com fotografias desbotadas...
     M omentos e estórias bem contadas,
         I nesquecíveis, na tua voz cadenciada.
      L embranças de nossos antepassados
    I nvadem nossa mente e o coração 
A h! Quanto amor e dedicação... 


A inda que hoje te quedas mudo
R essoa para sempre a tua voz
R esgatando, dignamente, este legado,
U m relato fiel para a posteridade.
D oaste aos teus, este presente inestimável, 
A  verdadeira estória de uma família unida.


              Maria Goretti Arruda Bezerra 
               Fortaleza, fevereiro de 2005.



quarta-feira, 4 de abril de 2012

VOCÊ SE LEMBRA, MANINHA?


Festa das bonecas 
 centenário de Baturité, 9 de agosto de 1958.

Na frente da E. pra D.:
Fafá, Maninha, Edna, Lucia e Vanda

Fátima, representando uma boneca portuguesa
Centenário de Baturité

Maninha

Ana Margarida (representando Baturité Centenária) 
 R. Luiz, seu par,
no centenário de Baturité


                                        
VOCÊ SE LEMBRA MANINHA?

                      Por: Maria Vanda Teixeira de Arruda Furtado


Já se foram tantos anos, que até perdi a conta. Na tão decantada Cidade Jardim, o silêncio da  noite era permanentemente quebrado pelo garrular de crianças, que enchiam as calçadas, ora com seus gritos de “manjôo”!!!, ora com cantigas de roda, hoje tão esquecidas, que soavam harmoniosas, enchendo de alegria e misto de saudade, a querida rua SETE.
Tudo tinha vida e sentido! As jardineiras formadas por Ficus Benjamin, caprichosamente recortados, eram as mais perfeitas casas de bonecas que se podia desejar. E aquela rua era só nossa... Como nossos, também, eram os palcos improvisados, no interior de nossas casas, onde nos sentíamos mais estrelas que as próprias de Hollywood.
E, por que não falar do desfile das bonecas na grande festa centenária? Dos dramas tão bem dirigidos por minha saudosa mãezinha, nas instalações do Círculo Operário, que nos reportavam ao mundo dos sonhos e nos faziam sentir princesas, rainhas e anõezinhos?  Tal como um Dunga que, na peça Branca de Neve, representado por Raimundo Luiz, deu asas à fantasia, e resolveu munir-se de uma lanterna que teria vindo do exterior, e que, com certeza, o ajudaria bastante quando adentrasse a gruta na caça aos diamantes. Antes, porém, para resistir à corrida até a casa do tio, dono do tão propalado equipamento, devorou quase tudo que estava servido na minúscula mesa dos anões.
O tempo passou. Sim, o tempo, porque nós somos importantes demais para passarmos. Estaremos sempre na memória dos que amamos, na realização plena do nosso Criador.
Mãe amorosa, competente profissional, você Maninha, não deixou para trás, nem o seu jeito simples de criança feliz, contagiando a todos com sua alegria, com uma  inquietude própria de quem tem pressa de viver, de aproveitar os bons momentos da vida para praticar o bem, para  ajudar o próximo, para, muitas vezes, no papel de “Cupido”, antecipar-se as flechadas do mesmo. Para dizer para todos, arremedando reportagem, que o mundo é lindo e que a vida é bela. Que é muito bom viver!
E eu fico a imaginar com qual alegria você terá sido recebida na sua nova vida, que, além de ser muito bela, lhe trará um mundo bem mais lindo e duradouro.

SEJA ETERNAMENTE FELIZ!!!      
ESTEJA COM DEUS!!!

Fortaleza, 09 de abril de 2002.