sexta-feira, 22 de agosto de 2025

OS MISERÁVEIS -Victor Hugo - primeira edição brasileira 1888

Estas fotos foram compartilhadas gentilmente pela dra. Heloisa de Almeida Said. São fotos de um exemplar da primeira edição do livro de Victor Hugo - os Miseráveis - que pertenceu a sua avó paterna.













Pesquisa IA

A edição de Os Miseráveis em 5 volumes publicada no Rio de Janeiro pela Agência Comercial Portuguesa de Lourenço Marques D’Almeida & Cia, localizada na Rua do Carmo, 40, foi lançada em 1888. 

Essa edição foi divulgada em fascículos mensais, com 70 fascículos ao todo, cada um custando 500 réis. A obra foi impressa em formato grande (5 volumes) e é notável pelo seu luxo editorial, incluindo numerosas gravuras ilustrativas. A publicação foi distribuída por assinatura, com a obra completa sendo entregue ao público ao longo de 70 meses.

A Agência Comercial Portuguesa de Lourenço Marques D’Almeida & Cia era uma editora e distribuidora estabelecida no Rio de Janeiro, especializada na publicação de clássicos da literatura portuguesa e francesa. Além de Os Miseráveis, a editora também publicou outras obras de destaque da literatura mundial, como O Caminho do Bem, de Henri-René Lenormand, e O N. 3.759, de Paulo S. M. de Sá.

Essa edição de Os Miseráveis é considerada uma das mais luxuosas publicações da obra em língua portuguesa, destacando-se pela qualidade gráfica e encadernação. A tradução utilizada foi a de João de Mattos, que já havia sido publicada em Portugal em 1885.

  A edição de Os Miseráveis publicada pela Agência Comercial Portuguesa de Lourenço Marques & Cia, localizada na Rua do Carmo, 40, no Rio de Janeiro, em 1888, é de fato considerada a primeira edição completa do romance de Victor Hugo lançada no Brasil.

Antes dessa publicação, circulavam traduções parciais ou adaptações resumidas, mas essa edição representou a primeira publicação integral da obra no país.

O contexto histórico e literário da chegada de Os Miseráveis ao Brasil:

1.      O Brasil vivia os últimos anos do Império, prestes a proclamar a República (1889). O público leitor ainda era pequeno e concentrado nas capitais, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo.

Havia interesse crescente por literatura estrangeira, especialmente francesa, que era vista como referência cultural e intelectual.

2     As edições de Os Miseráveis antes de 1888

Desde a publicação original em francês (1862), o romance teve várias traduções parciais e adaptações em português, muitas resumidas ou em folhetins.

Essas traduções incompletas eram divulgadas em jornais ou impressas em livros de menor porte, sem a obra completa.

O público brasileiro, portanto, só conhecia partes da história de Jean Valjean, Cosette e Javert até a edição de 1888.

3.      A edição de Lourenço Marques & Cia (1888)

Publicada no Rio de Janeiro, Rua do Carmo, 40, pela Agência Comercial Portuguesa de Lourenço Marques & Cia. Foi a primeira edição completa de Os Miseráveis lançada no Brasil, permitindo aos leitores brasileiros ter acesso à narrativa integral de Victor Hugo.

Essa edição consolidou Hugo como um autor de grande importância no imaginário literário brasileiro, especialmente entre leitores da elite urbana.

4.Tornou possível o estudo completo da obra no país, influenciando escritores brasileiros da época que se interessavam por temas sociais e humanitários.

Os Miseráveis passou a ser referenciado não apenas como entretenimento, mas como obra literária com reflexão social, inspirando debates sobre justiça, pobreza e moral.

quinta-feira, 31 de julho de 2025

OS MISERÁVEIS - Victor Hugo Volume I - Livro V - A DECADÊNCIA - Capítulo IV - O senhor Madeleine de luto


OS MISERÁVEIS - Victor Hugo

Volume I - Livro V

A DECADÊNCIA

Capítulo IV - O senhor Madeleine de luto

 

No começo de 1821, os jornais anunciaram a morte do senhor Myriel, bispo de Digne, "cognominado Monsenhor Bienvenu e falecido em odor de santidade com a idade de oitenta e dois anos"

O bispo de Digne, para acrescentar aqui um detalhe omitido, pelos jornais, quando morreu, estava cego havia vários anos, mas contente em sua cegueira, tendo a irmã a seu lado.

Diga-se de passagem, ser cego e ser amado é, de fato, nesta terra onde nada é completo, uma das formas mais estranhamente esquisitas de felicidade. Ter continuamente perto de si uma mulher, uma filha, uma irmã, um ser encantador que está ali porque você tem necessidade dele, e porque ele não pode ficar sem você, saber-se indispensável a quem nos é necessário, poder incessantemente medir a afeição que nos têm pela quantidade de presença que nos dão, e dizer: consagra-me todo o seu tempo porque ocupo-lhe todo o coração; ver o pensamento, na falta de ver o rosto; constatar a fidelidade de um ser no eclipse do mundo; perceber o roçar de um vestido como um ruído de asas; ouvir este alguém ir e vir, sair, voltar, falar, cantar, e pensar que somos o centro daqueles passos, daquelas palavras, daquele canto; manifestar a cada minuto nossa própria atração; sentir-se poderoso, ainda mais por estar enfermo, e tornar-se, na obscuridade e pela obscuridade, O astro em torno do qual gravita aquele anjo; poucas felicidades igualam-se a esta. A ventura suprema da vida é a convicção de que somos amados, mas amados por nós mesmos, ou, melhor ainda, amados a despeito de nós mesmos. Essa convicção, o cego a tem. Em meio a essa aflição, ser servido é ser acariciado. Falta-Ihe alguma coisa? Não. É quase nada não ver a luz tendo amor. E que amor! Um amor inteiramente feito de virtude. Não há cegueira onde existe certeza. Tateando, uma alma procura outra alma, e a encontra. E essa alma encontrada e provada é uma mulher. Uma mão o sustenta, é a dela; uma boca roça-lhe a fronte, é a dela; ouve uma respiração por perto, é ela. Ter tudo o que vem dela, desde o que cultua até o que a compadece; o nunca ser abandonado; contar com essa doce fraqueza que o socorre; apoiar-se naquela delicadeza inabalável; tocar com as mãos a Providência, podendo segurá-la nos braços; Deus palpável, que êxtase! O  coração, esta celeste flor obscura,  inicia um misterioso desabrochar. Ninguém trocaria essa escuridão por qualquer claridade que fosse. Está ali a alma-anjo, sempre ali; se se afasta, é para voltar; apaga-se como o sonho e reaparece como a realidade. Sente-se um calor que aproxima, lá está ela. Transborda-se de serenidade, de alegria, de êxtase; é como ser um raio dentro da escuridão. E mil pequenos cuidados. Nadas que são enormes dentro do vazio. Os mais inefáveis acentos da voz feminina empregados a nos embalar, preenchendo em nós o universo esvanecido. E sentirmo-nos acariciados com a alma. Não vemos nada, mas nos sentimos adorados. Paraíso de trevas.

Foi desse paraíso que Monsenhor Bienvenu passou ao outro.

A notícia de sua morte foi reproduzida pelo jornal de Montreui]-Sur-Mer. No dia seguinte, O senhor Madeleine apresentou-se todo vestido de preto e com uma tira de luto no chapéu.

A cidade reparou naquele luto, e se encheu de comentários. Aquilo parecia iluminar um pouco as origens do senhor Madeleine. Concluiu-se daí que tinha alguma ligação com o venerável bispo. Está de luto pelo bispo de Digne, disseram nos salões, e isso realçou muito o senhor Madeleine. Dando-lhe subitamente certa consideração entre a nobreza de Montreuil-sur-Mer. O microscópico bairro Saint-Germain do local pensou em fazer cessar a quarentena do senhor Madeleine, provável parente de um bispo. E ele logo percebeu que Recebia mais reverências das senhoras idosas e mais sorrisos das Jovens. Certa noite, uma decana daquela sociedadezinha aristocrática, curiosa por direito de antiguidade, aventurou-se a perguntar-lhe:

- O senhor prefeito decerto era primo do falecido bispo de

Digne, não? 

Ele respondeu:

- Não, minha senhora.

- Mas – replicou a matrona

Está de luto por ele?

O homem tornou:

- É que na juventude fui criado de sua família.

Outra observação que faziam é que, todas as vezes que passava algum jovem de fora, andando pela região e procurando Chaminés para limpar, o prefeito mandava chamá-los, perguntava-Ihes o nome e dava-lhes algum linheiro. Os limpa-chaminés contavam esse fato uns aos outros e por isso muitos deles passavam ali.





sábado, 12 de julho de 2025

DEMAIN DÈS L'AUBE - VICTOR HUGO



Poema de Victor  Hugo  para sua filha Leopoldine que morreu afogada no Sena , aos 19 anos de idade.

"Demain, dès l’aube"

                                Victor Hugo

Demain, dès l’aube, à l’heure où blanchit la campagne,

Je partirai. Vois-tu, je sais que tu m’attends.

J’irai par la forêt, j’irai par la montagne.

Je ne puis demeurer loin de toi plus longtemps.

Je marcherai les yeux fixés sur mes pensées,

Sans rien voir au dehors, sans entendre aucun bruit,

Seul, inconnu, le dos courbé, les mains croisées,

Triste, et le jour pour moi sera comme la nuit.

Je ne regarderai ni l’or du soir qui tombe,

Ni les voiles au loin descendant vers Harfleur,

Et quand j’arriverai, je mettrai sur ta tombe

Un bouquet de houx vert et de bruyère en fleur.


TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS 

"Amanhã, ao romper da aurora"

Amanhã, ao romper da aurora, quando a planície clareia,

Partirei. Sabes, eu sei que esperas por mim.

Irei pela floresta, irei pela montanha.

Não posso mais ficar longe de ti.

Caminharei com os olhos presos às minhas lembranças,

Sem ver nada em volta, sem ouvir um ruído,

Só, desconhecido, de costas curvadas, mãos juntas,

Triste – e para mim o dia será como a noite.

Não verei o ouro do entardecer caindo,

Nem os barcos ao longe descendo para Harfleur,

E quando eu chegar, colocarei sobre tua sepultura

Um ramo de azevinho verde e de urze em flor



sexta-feira, 11 de julho de 2025

Maison de Victor Hugo e Place des Vosges- 10.07.2025

 



EPITÁFIO DE JULIETTE DROUET 

"Quand je ne serai plus qu’une cendre glacée,
Quand mes yeux fatigués seront fermés au jour,
Dis-toi, si dans ton cœur ma mémoire est fixée :
Le monde a sa pensée,
Moi, j'avais son amour !"
— Épitaphe de Juliette Drouet (Dernière Gerbe de Victor Hugo

TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS 

Quando eu não for nada mais que cinzas congeladas,
Quando meus olhos cansados estiverem fechados para a luz,
Diga a si mesma, se minha memória estiver fixada em seu coração:
O mundo tem seus pensamentos,
Eu tive seu amor!

— Epitáfio de Juliette Drouet (O Último Feixe de Victor Hugo)

POEMA DE VICTOR  HUGO  PARA A FILHA LEOPOLDINE 

"Demain, dès l’aube"
(Tradução: "Amanhã, ao romper da aurora")

Demain, dès l’aube, à l’heure où blanchit la campagne,
Je partirai. Vois-tu, je sais que tu m’attends.
J’irai par la forêt, j’irai par la montagne.
Je ne puis demeurer loin de toi plus longtemps.
Je marcherai les yeux fixés sur mes pensées,
Sans rien voir au dehors, sans entendre aucun bruit,
Seul, inconnu, le dos courbé, les mains croisées,
Triste, et le jour pour moi sera comme la nuit.
Je ne regarderai ni l’or du soir qui tombe,
Ni les voiles au loin descendant vers Harfleur,
Et quand j’arriverai, je mettrai sur ta tombe
Un bouquet de houx vert et de bruyère en fleur.


TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS:

Amanhã, ao romper da aurora, quando a planície clareia,
Partirei. Sabes, eu sei que esperas por mim.
Irei pela floresta, irei pela montanha.
Não posso mais ficar longe de ti.
Caminharei com os olhos presos às minhas lembranças,
Sem ver nada em volta, sem ouvir um ruído,
Só, desconhecido, de costas curvadas, mãos juntas,
Triste – e para mim o dia será como a noite.
Não verei o ouro do entardecer caindo,
Nem os barcos ao longe descendo para Harfleur,
E quando eu chegar, colocarei sobre tua sepultura
Um ramo de azevinho verde e de urze em flor

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Museu Picasso Paris - 06.07.2025

 

Museu Picasso-Paris  (Musée Picasso-Paris) 

Musée Picasso está abrigado no Hôtel Salé, um belíssimo edifício histórico do século XVII, no bairro do Marais (5 rue de Thorigny).

O museu alberga a maior coleção pública do mundo dedicada a Pablo Picasso (com cerca de 5.000 obras (pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, cerâmicas) e muitos documentos pessoais como fotografias e cartas.

Pablo Picasso (1881-1973), um dos maiores artistas do século XX, foi um pintor, escultor, ceramista, gravador e poeta.

Ele, ao lado de Braques, criou o cubismo e revolucionou a arte moderna com sua capacidade de experimentar e transformar diferentes estilos ao longo de sua vida.

Picasso teve uma vida amorosas intensa e turbulenta, marcada por diversos relacionamentos com mulheres que, influenciaram na sua arte1as sete principais

1. Fernande Olivier (1881-1966)

2. Eva Gouel (Marcelle Humbert) (1885-1915)

3. Olga Khokhlova (1891-1955)

4. Marie-Thérèse Walter (1909-1977)

5. Dora Maar (1907-1997)

6. Françoise Gilot (1921-2023)

7. Jacqueline Roque (1927-1986)

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Paris, 07.07.2025


quinta-feira, 3 de julho de 2025

CEMITÉRIO PÈRE LACHAISE






O CEMITÉRIO PÈRE LACHAISE 

Em Paris, o cemitério Père Lachaise, importante ponto turístico, artístico e histórico, está localizado no 20º arrondissement da capital francesa.

Um dos maiores e mais famosos cemitérios do mundo, inaugurado em 1804 com o nome do padre François d’Aix de La Chaise, confessor do rei Luís XIV, possui 44 hectares e mais de 70 mil sepulturas.

O Père Lachaise recebe anualmente mais de 3 milhões de visitantes para conhecer os túmulos de personalidades, como: Alan Kardec (fundador da doutrina espírita), Oscar Wilde (escritor), Jim Morrison (cantor do The Doors), Édith Piaf (cantora francesa), Frédéric Chopin (compositor e pianista), Marcel Proust (escritor), Molière (dramaturgo), Georges Bizet (compositor de "Carmen"), Honoré de Balzac (escritor), Jean de La Fontaine (escritor de fábulas) Héloïse e Abelard ( protagonistas de uma das histórias de amor mais célebres e trágicas da Idade Média europeia) e muitos outros. 

O Père Lachaise é um verdadeiro museu ao ar livre, repleto de alamedas arborizadas e esculturas de diferentes estilos arquitetônicos retratando a evolução da arte funerária nos últimos dois séculos.

É também um espaço de memória para eventos históricos, incluindo o Muro dos Federados, onde 147 combatentes da Comuna de Paris foram executados em 1871. Símbolo de resistência, o muro ostenta a seguinte placa:

"Aux morts de la Commune 21-28 mai 1871"

(Aos mortos da Comuna, 21-28 de maio de 1871)

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Paris, 3 de julho de 2025































segunda-feira, 30 de junho de 2025

O LOUVRE-PARIS - Vídeos 2025






 

 




 O MUSEU DO LOUVRE


Antigo palácio dos reis da França, o Museu do Louvre (em francês: Musée du Louvre), ícone da arte, da história e da cultura ocidental é um dos museus mais famosos do mundo.


Em 1981, François Mitterrand propôs a construção de uma pirâmide de vidro para ampliar o acesso ao museu.


Em 1989, finalmente, foi inaugurada a referida pirâmide projetada pelo arquiteto chinês I. M. Pei.


O Louvre possui uma das maiores e mais diversificadas coleções de arte do mundo, distribuídas em três alas: Sully, Denon e Richelieu.


 Seu acervo é composto de 380 mil obras, com 35 mil em exibição permanente, abrigadas em oito grandes departamentos que abrangem desde a Pré-História até o século XIX.


O Louvre é o museu mais visitado do mundo. Das 28 mil pessoas que o adentram, diariamente, 80% vão ver a Mona Lisa.


Em janeiro deste ano o governo anunciou o projeto “Louvre New Renaissance”, que prevê uma sala exclusiva, com acesso independente para a Mona Lisa.


Esse espaço, programado para ser concluído em 2031, terá salas subterrâneas para abrigar a tela de um dos maiores polímatas da humanidade: Leonardo da Vinci.


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Paris, 30.06.2025



quarta-feira, 25 de junho de 2025

TRAMWAY DU MONT-BLANC












 Tramway du Mont-Blanc

O ”Tramway du Mont-Blanc”, um dos últimos trens de cremalheira (trem de montanha) ainda em operação na França, leva os passageiros por uma das rotas mais altas do país.

Percorrendo um dos mais bonitos trajetos ferroviários alpinos, o trem proporciona uma verdadeira viagem panorâmica pelos Alpes.

Vai da estação de trem (800 metros de altitude), da cidade francesa de “Saint-Gervais-les-Bains” até o “Nid d'Aigle” (Ninho da Águia), a 2.380 metros de altitude. Entretanto, o ponto mais alto da comuna fica no cume do “Mont Blanc “4.807 a 4.810 metros de altitude) .

Ou seja, o vilarejo principal está em torno de 800 metros, mas a comuna cobre uma área que vai desde o fundo do vale até o topo do “Mont Blanc”, o ponto mais alto da Europa Ocidental.

O trem, muito utilizado por turistas e alpinistas que iniciam a ascensão ao “Mont Blanc” a partir do “Nid d'Aigle”, oferece paisagens espetaculares do maciço do “Mont Blanc”, geleiras, florestas e vales alpinos.

É um excelente passeio para quem quer fazer trilhas na montanha ou apenas admirar a natureza.

Várias trilhas bem marcadas saem das estações intermediárias, levando esquiadores e visitantes até áreas de esqui e caminhada na neve.

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Saint-Gervais-des-bains, 25.06.2025


sábado, 21 de junho de 2025

O APOLO DE BELVEDERE - Musée de Beaux-Arts de Dijon

O APOLO DE BELVEDERE

O Apolo de Belvedere é a mais bela representação do deus grego Apolo e, para muitos historiadores da arte, a mais bela escultura da Antiguidade clássica.

Ostentando força e graça em um corpo esguio e atlético, ele representa o ideal grego de beleza masculina com proporções perfeitas, postura elegante e expressão serena.

Esculpido em mármore, no século II d.C., como cópia romana de um original grego em bronze do século IV a.C, o Apolo foi um modelo ideal de beleza masculina para artistas renascentistas e neoclássicos como Michelangelo, Dürer, Canova, Goethe e Byron.

PS: o Apolo encontra-se no Museu do Vaticano, no Pátio Octogonal (Cortile del Belvedere), em Roma, mas muitas cópias estão espalhadas por vários museus do mundo.

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Dijon, 21 de junho de 2025

Cópia  do  Apolo de belvedere  - Musée de Beaux-Arts de Dijon 




sexta-feira, 13 de junho de 2025

O PANTEÃO DE PARIS

O PANTEÃO DE PARIS

Um dos monumentos neoclássicos mais emblemáticos da França, localizado na montanha “Sainte-Geneviève” e no coração do “Quartier Latin”, o Panteão é um mausoléu que foi concebido para homenagear as grandes personalidades da nação francesa.

Sua história, que vai de basílica cristã ao templo da nação, teve início em 507, quando o rei Clóvis, depois de sua conversão ao cristianismo, fundou uma igreja destinada a abrigar sua sepultura e a de sua mulher, Clotilde.

Em 512, a religiosa Genoveva, por ter protegido Paris das invasões dos bárbaros, foi enterrada lá.

Em 1744, o rei Louis XV confiou ao arquiteto Soufflot o projeto de uma Basílica grandiosa dedicada à Santa Genoveva por acreditar que ela o havia curado de uma grave doença.

Em 1791, no calor da Revolução Francesa, o monumento foi transformado em Panteão Nacional.

Durante o século XIX, por duas vezes, o majestoso santuário recuperou sua função de igreja, até ser, definitivamente, Panteão Nacional.

O Panteão de Paris, conhecido por sua imponente arquitetura com colunas coríntias e cúpula inspirada no Panteão de Roma, ostenta decorações artísticas, afrescos e mosaicos, que remetem ao templo religioso original.

Alguns afrescos representam Santa Genoveva em cenas de piedade, milagres e intercessão pela Paris invadida por Átila. Outros afrescos a vida de Santa Joana d’Arc.

Conjuntos escultóricos com temas patrióticos e históricos, exaltam os ideais da Revolução Francesa.

A escultura “ Convenção Nacional” , de François‑Léon Sicard (1913‑1920), que representa a República (Marianne) ladeada por deputados e soldados, é destaque no Panteão.

Um belo mosaico, na abside, acima da Convenção Nacional, é intitulado: "Le Christ montrant à l’ange gardien de la France les destinées de son peuple" — Cristo ensinando ao anjo guardião da França o destino do seu povo.

Na cripta estão enterradas grandes personalidades da França, como: Voltaire, Rousseau, Victor Hugo, Emile Zola, Alexandre Dumas. Jean Jaurès, Jean Moulin, Braille, Marie Curie, Pierre Curie, entre outros.

Imponente, caindo da abóbada do Monumento, o pêndulo de Foucault nos mostra a rotação da Terra em seu próprio eixo.

Vale a pena uma visita

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Paris, 11.06.2025

Tradução 

LE PANTHÉON DE PARIS

Situé sur la montagne Sainte-Geneviève, au cœur du Quartier Latin, le Panthéon est l'un des monuments néoclassiques les plus emblématiques de France. Ce mausolée a été conçu pour rendre hommage aux grandes personnalités de la nation française.

Son histoire, qui passe de basilique chrétienne à temple de la nation, débute en 507, lorsque le roi Clovis, après sa conversion au christianisme, fonde une église destinée à abriter son tombeau et celui de son épouse, Clotilde.

En 512, la religieuse Geneviève, pour avoir protégé Paris des invasions barbares, y est enterrée.

En 1744, le roi Louis XV confie à l'architecte Soufflot la conception d'une grandiose basilique dédiée à sainte Geneviève, croyant qu'elle l'avait guéri d'une grave maladie. 

En 1791, en pleine Révolution française, le monument est transformé en Panthéon national. Au cours du XIXe siècle, le majestueux sanctuaire retrouva à deux reprises sa fonction d'église, jusqu'à devenir le Panthéon national. 

Le Panthéon de Paris, connu pour son architecture imposante avec ses colonnes corinthiennes et sa coupole inspirée du Panthéon de Rome, arbore des décorations artistiques, des fresques et des mosaïques qui rappellent le temple religieux d'origine. Certaines fresques représentent sainte Geneviève dans des scènes de piété, de miracles et d'intercession pour Paris envahi par Attila. D'autres fresques illustrent la vie de sainte Jeanne d'Arc.

Des groupes de sculptures aux thèmes patriotiques et historiques exaltent les idéaux de la Révolution française.

La sculpture « La Convention nationale » de François-Léon Sicard (1913-1920), qui représente la République (Marianne) entourée de députés et de soldats, est un joyau du Panthéon.

Une magnifique mosaïque de l'abside au-dessus de la Convention nationale est intitulée : « Le Christ montrant à l'ange gardien de la France les destinées de son peuple ».

La crypte abrite les sépultures de grandes personnalités françaises, telles que Voltaire, Rousseau, Victor Hugo, Émile Zola, Alexandre Dumas, Jean Jaurès, Jean Moulin, Braille, Marie Curie et Pierre Curie, entre autres.

Imposant, tombant de la voûte du Monument, le pendule de Foucault nous montre la rotation de la Terre sur son axe.

Une visite s'impose.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

Paris, le 11 juin 2025


quinta-feira, 12 de junho de 2025

LES ARÈNES DE LUTÈCE

 


Les Arènes de Lutèce - As Arenas de Lutécia

Em Paris, Les Arènes de Lutèce, no icônico “Quartier Latin”, é classificada como Monumento Histórico.

As referidas Arenas e as “Thermes de Cluny” são os únicos vestígios encontrados na cidade-luz do período galo-romano.

Construída no final do século I, esse complexo híbrido, anfiteatro-teatro, com capacidade para 17 mil pessoas, ostentava um palco para apresentações teatrais e uma arena para lutas de gladiadores e animais.

A parte norte foi descoberta durante escavações, em 1869, por Théodore Vacquer (1824-1899), pioneiro da arqueologia parisiense.

A parte sul foi descoberta pelas obras de terraplanagem da “Compagnie général des omnibus”, entre 1883 e 1885, a fim de construir um depósito de bondes.

 A “Sociedade dos amigos das Arenas”, criada para defender o sítio e seu valor histórico, contou com a apoio de Victor Hugo que escreveu a seguinte carta ao presidente do Conselho Municipal de Paris:

“Paris, 27 de julho de 1883,

Senhor Presidente,

Não é possível que Paris, a cidade do futuro, renuncie à prova viva de que era a cidade do passado. O passado traz o futuro. As arenas são a marca antiga da grande cidade. Elas são um monumento único. O conselho municipal que as destrói se destrói de certo modo. Conservem as arenas de Lutécia. Conservem-nas a todo custo. Vocês farão uma ação útil, e, o que é melhor, darão um ótimo exemplo.

Eu vos dou em mãos."

Com o apoio exemplar da sociedade parisiense, as Arenas de Lutécia foram preservadas para a posteridade.

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Paris, 11.06.2025


Les Arènes de Lutèce - Les Arènes de Lutèce


À Paris, les Arènes de Lutèce, situées dans l'emblématique Quartier Latin, sont classées Monument Historique.

Les Arènes et les Thermes de Cluny sont les seuls vestiges de l'époque gallo-romaine découverts dans la Ville Lumière.

Construit à la fin du Ier siècle, ce complexe hybride, amphithéâtre-théâtre, d'une capacité de 17 000 personnes, comportait une scène pour les représentations théâtrales et une arène pour les combats de gladiateurs et d'animaux.

La partie nord a été découverte lors de fouilles menées en 1869 par Théodore Vacquer (1824-1899), pionnier de l'archéologie parisienne.

La partie sud a été mise au jour par les travaux de terrassement de la Compagnie générale des omnibus entre 1883 et 1885, pour la construction d'un dépôt de tramways. La Société des Amis des Arènes, créée pour défendre le site et sa valeur historique, bénéficiait du soutien de Victor Hugo, qui écrivit une lettre au président du Conseil municipal de Paris :

 « Paris, le 27 juillet 1883, Monsieur le Président, Il est impossible à Paris, ville de l’avenir, de renoncer à la preuve vivante qu’elle fut la ville du passé. Le passé porte l’avenir. Les arènes sont la marque ancienne de la grande ville. Elles sont un monument unique. Le conseil municipal qui les détruit se détruit en quelque sorte lui-même. Préservez les arènes de Lutèce. Préservez-les à tout prix. Vous ferez œuvre utile et, qui plus est, vous donnerez un grand exemple. Je vous les offre. »

Ainsi, les arènes de Lutèce furent préservées pour la postérité.

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Paris, le 11 juin 2025


quinta-feira, 5 de junho de 2025

NOTA DE REPÚDIO DO PRESIDENTE DA ACADEMIA MASSAPEENSE DE LETRAS E ARTES

Instalação  e Posse da Primeira diretoria  da Academia Massapeense de Letras e Artes 

NOTA DE REPÚDIO AO GESTOR MUNICIPAL PELA DERRUBADA DA ESTÁTUA DO COMENDADOR ANANIAS ARRUDA


*Eudes de Sousa 


Neste início de século, em pleno alvorecer do século XXI, somos chamados a viver a plenitude da democracia, em que o respeito à memória, à cultura e aos símbolos da nossa história deveria ser inegociável.


Entretanto, nos deparamos com um ato que nos envergonha profundamente: a derrubada da estátua do Comendador Ananias Arruda, instalada na praça que leva seu nome, na cidade de Baturité. Este gesto revela um lamentável desprezo por um dos grandes ícones cearenses, cuja trajetória honrou o Ceará e o Brasil, sendo agraciado com duas comendas pela Santa Sé em reconhecimento ao seu legado.


O monumento em homenagem ao Comendador não é apenas uma escultura — é um marco de identidade, uma referência histórica que permite às gerações presentes e futuras compreenderem a grandeza daquele que foi figura central no desenvolvimento de Baturité. Sua memória inspira e deve ser preservada com o devido respeito.


Causa profunda indignação que tal símbolo tenha sido removido para dar lugar a um estabelecimento comercial, como se a memória coletiva pudesse ser descartada em nome de interesses efêmeros. Essa ação nos remete aos tempos sombrios do autoritarismo, quando vozes e símbolos eram silenciados sob o peso do poder arbitrário.


Baturité vive hoje um momento grave: é como uma ave hipnotizada pela lógica autoritária, incapaz de reagir à destruição de seu patrimônio. O fato exige reflexão séria, pois se insere num contexto mais amplo de desvalorização da cultura, frequentemente sacrificada no altar do lucro e do imediatismo. O neoliberalismo, com seu discurso sedutor, tem sido cúmplice silencioso da dilapidação dos bens culturais, relegando ao esquecimento a alma das cidades.


É necessário, portanto, levantar nossa voz com dignidade. A defesa do patrimônio cultural é dever de todos: da sociedade, das instituições, da imprensa livre e dos órgãos de proteção à memória histórica. Não podemos aceitar a omissão. Não podemos permitir que o passado seja apagado impunemente.


Perguntamos: onde estão os guardiões da cultura? Onde estão os instrumentos legais que devem coibir ações lesivas à memória coletiva? Onde está o respeito pelas raízes de um povo?


Que esta nota sirva como um chamado à consciência cidadã. O filósofo romano Cícero advertia: “A ignorância continuará a imperar enquanto não houver respeito pelo patrimônio cultural.” E o cineasta Luis Buñuel nos lembra: “Nossa memória é nossa coerência, nossa razão, nossa ação, nosso sentimento. Sem ela, não somos nada.”


A derrubada da estátua do Comendador Ananias Arruda representa, sim, um retrocesso. E como tal, deve ser denunciado, combatido e revertido, em nome da justiça histórica e do respeito que devemos à nossa própria identidade.


EUDES DE SOUSA

Presidente da Academia Massapeense de Letras e Artes

terça-feira, 3 de junho de 2025

NOTA DE INDIGNAÇÃO DO INSTITUTO DO CEARÁ

 NOTA DE INDIGNAÇÃO

Instituto do Ceará  ( Histórico,  Geográfico e Antropológico)

O Instituto do Ceará  (Histórico,  Geográfico e Antropológico), por seu presidente, vem manifestar a sua indignação pela recente derrubada da estátua do Comendador Ananias Arruda, na praça do mesmo nome, no município de Baturité-CE.  Alegando a necessidade  de revitalização  do espaço,  a Prefeitura Municipal  de Baturité decidiu descaracterizar a Praça Comendador  Ananias  Arruda, com a instalação de um estabelecimento comercial.


A estátua do Comendador não é apenas um marco físico: é símbolo da memória, identidade e história do povo de Baturité e do Ceará. Ananias Arruda foi figura de destaque na economia e na política da região, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento do Maciço de Baturité durante o século  XX. Sua memória deve ser preservada, estudada e respeitada, não apagada ou substituída por interesses comerciais imediatistas.


A substituição de um patrimônio histórico por empreendimento privado, sem ampla consulta à população e sem o devido parecer técnico dos órgãos de preservação da memória e do patrimônio, representa uma afronta à identidade cultural da cidade e um perigoso precedente para a gestão pública do patrimônio histórico em nosso estado.


Revitalizar não é destruir e preservar a história não é obstáculo ao progresso, mas condição essencial para que este ocorra com consciência, respeito e reverência aos que se empenharam na construção do nosso passsdo.


Por essa razão, torna-se imperiosa a recolocação imediata da estátua no lugar de origem. Também conclamamos a sociedade civil, os intelectuais, os artistas e os cidadãos de Baturité e do Ceará a se unirem na defesa de nossa memória histórica.


Seridião Correia Montenegro

Presidente do Instituto do Ceará ( Histórico,  Geográfico e Antropológico).