domingo, 29 de outubro de 2023

Homenagem ao Sidarta - Por: ana margarida


Homenagem prestada ao Sidarta Furtado Arruda (1978-2023), na "Missa de 7º Dia", por sua tia ana margarida arruda rosemberg

Igreja das Irmãs Missionárias - Fortaleza-CE - 28.10.2023


SIDARTA 

Em 1978, minha irmã Maninha (Noemi) estava gestando uma nova vida e lendo o livro “Sidarta”, do escritor alemão Hermann Hesse (1877-1962).


Fascinada pela história, ela me emprestou o livro, que narrava a busca de Sidarta pela iluminação.


Sidarta, que não era o “Sidarta Gautama”, conhecido como “Buda” - apesar das vidas se confundirem -, era um jovem belo, inteligente, educado e filho da aristocracia religiosa dos brâmanes da Índia, do século VI a.C. 


Depois de passar a infância e a juventude longe das misérias do mundo, Sidarta resolveu abdicar da vida luxuosa e partir pelo país, onde a pobreza e o sofrimento reinavam. Saiu em busca da iluminação, da paz interior e da perfeita harmonia com o Universo. 


Livro de cabeceira de muitas gerações, “Sidarta”, de Hermann Hesse, foi para os hippies um libelo contra o “American way of life”, que se alastrava pelo Ocidente.


Quando a Maninha me falou que seu filho seria Sidarta, pensei: será iluminado. 


Muitas facetas da vida do Sidarta são conhecidas e admiradas pelas pessoas que tiveram o privilégio de conviver com ele; seria desnecessário descrevê-las. 


Belas e justas homenagens lhe foram prestadas, em sua partida. Por isso, compartilho somente alguns momentos indeléveis que vivi com esse meu querido sobrinho. 


O primeiro foi a sua estreia no palco da vida terrena, no dia 20.06.1978, quando o dr. Aguiar Ramos, na Casa de Saúde e Maternidade São Raimundo, em Fortaleza-CE, descortinou o mundo para ele brilhar.


O último foi no dia 25.10.2023, no Jardim do Éden, em Pacatuba-CE, quando a cortina se fechou, literalmente, e ele foi brilhar em outras dimensões, deixando os amigos e familiares com uma saudade infinita. 


Entre o primeiro e o último, guardarei na memória inúmeros momentos; muitos alegres, alguns tristes e outros emocionantes, como: o encontro com o pai Japa, em meu apartamento em Sampa, ao lado do meu filho Daniel e da minha filha Jana, na noite de 25.11.2006; o explosivo show do Chico Buarque, no Centro de Eventos, em Fortaleza-CE, em 23.10.2022, ao lado da minha filha Liana e do meu filho Daniel, que vieram de Sampa para comigo e o Sidarta, viverem a magia do grande ídolo de todos nós. 


No início da década de 1980, quando, nos finais de semana, na Praia da Futuro, o Sidarta bem pequeno entrava no mar até sumir entre as ondas, eu dizia para sua mãe: “Maninha, cuidado, ele pode se afogar”. Ela me respondia: se afoga não, ele sabe nadar.


Talvez ela soubesse que seu filho Sidarta buscava no mar a iluminação, a paz interior, a perfeita harmonia com o Universo, enfim, o Nirvana.

 

Em um sentido mais geral, o Nirvana é usado para designar alguém que está num estado de plenitude e paz interior, sem se deixar afetar por influências externas. É, enfim, um estado de libertação do sofrimento, de superação do apego material.


O Sidarta, surfando a maior parte de sua vida nas ondas do mar da “Praia do Futuro”, certamente atingia o Nirvana. 


Plagiando-o, digo:  Sidarta, hoje, o mar e o Nirvana são seus e a saudade é nossa.


Fique em PAZ!


ana margarida furtado arruda rosemberg


Fortaleza, 28 de outubro de 2023

Homenagem ao Sidarta - Por: Edgy Eduardo Arruda Paiva

Homenagem prestada ao Sidarta Furtado Arruda (1978-2023), na Missa de 7º Dia, por seu irmão Edgy Eduardo Arruda Paiva

Igreja das Irmãs Missionárias - Fortaleza-CE  - 28.10.2023

HOMENAGEM AO SIDARTA

Primeiro, queria agradecer a todos pela presença. Agradecer ao sacerdote pela cerimônia, aos médicos, enfermeiros, profissionais de saúde, a acupunturista, nutricionista, psicólogos, e todos que acompanharam o Sidarta em sua luta.


Mas queria fazer um agradecimento especial à Jeanne que mesmo se recuperando de um AVC, a primeira pergunta que fez era se o Sidarta tinha ido para a consulta que precisava fazer, que ele deveria ir e que logo ela estaria em casa. Isso o emocionou muito e deu forças para ele continuar a batalha que estava enfrentando.


Agradecer também pelo carinho dos filhos Letícia, Yuri e Yves que estavam sempre ao lado dele em todos os momentos.


Agradecer à organização dessa cerimônia, à Tia Fátima, Luciana, Letícia e Jeanne por estar tudo perfeito.


E agradecer também todas as mensagens de carinho e amor que todos os amigos e amigas do body boarding, da área de publicidade, do time do Fortaleza e da família.


Sidarta nasceu em 1978 quando eu tinha 8 anos, e a diferença de idade, fez com que eu fosse um irmão que, além de brincar, ensinei muitas coisas a ele.


Passamos por vários momentos juntos, e agora recente, ele disse que eu o ensinei a nadar (claro que ele nada melhor que eu), e que também quase se afogava na piscina nas minhas aulas, ele pulou na piscina quando eu estava fora e eu pulei para resgatá-lo.


Foram muitos momentos juntos, viagens, diversão e apesar de eu estar faculdade e ele ainda na escola, sempre falávamos muito sobre tudo.


O momento mais triste que passamos foi quando mamãe faleceu, e lembro bem, naquele dia que cheguei para ele e comentei que, estaríamos sempre juntos e que, apesar da mamãe ter partido, a gente ia sempre ficar junto.


Ele mudou sua vida, focou nos estudos, na área de publicidade, começou a trabalhar, e conheceu o grande amor de sua vida, a Jeanne.


Com a Jeanne teve dois filhos, o Yuri e o Yves, que vieram complementar a família dele, da Jeanne e Letícia.


Falar de um cara, que, é surfista, rockeiro (com banda e tudo), publicitário, amante de futebol e apaixonado pelo Fortaleza, não é fácil, porém o que mais me impressionou nesses dias, foram pessoas que chegaram ao lado dele do velório, em lágrimas sem acreditar naquilo mas lembrando dos momentos que passaram juntos com ele. Sentimos o carinho de todos.


Bom, ao invés de falar do Sidarta na terceira pessoa, achei melhor pegar uns posts no twitter, onde, no dia 1 de novembro de 2021, Sidarta escreveu um pouco de sua vida:


Sidarta Arruda - @sidartaarruda - Twitter para falar sobre publicidade, música, futebol (principalmente o Fortaleza EC), bodyboard, família e outras coisas da vida.


A honra.


A honra de trabalhar no meu clube do coração, com liberdade criativa pra propor e fazer coisas malucas, do jeito que eu gosto.


O sonho.


Fui pra muito show no Hey Ho Rock Bar, por isso, tocar no seu palco, com um reportório basicamente autoral, foi uma realização inesquecível.


A matutez.


Sempre quis conhecer a neve, com direito a deitar, botar na boca, jogar pra cima e tudo mais que um caboré tem direito. Tive duas oportunidades de fazer isso e na próxima levarei meus filhos (que me pedem sempre), pois filhos de matuto, matutinhos são.


A aventura.


Surfar é mais do que entrar no mar e pegar onda. Tem as viagens, os perrengues, a natureza, os bichos marinhos. E tem os dias que o mar tá gigante. Os maiores mares que peguei não foram registrados, então essa foto é só ilustrativa, mas pode botar fé que dava medo.


A experiência apaixonante de ser pai. Duas vezes.


O orgulho.


Quanto orgulho eu sinto da família da qual faço parte. E quanta sorte eu tenho de ser preenchido de cuidado e amor, mesmo quando não mereço.


A firmeza.


Há pouco mais de um ano descobri  que tinha um câncer. Meu mundo poderia ter caído, mas não caiu. Porque na hora do maior abalo na minha vida, foi quando os pilares ao meu redor se mostraram mais firmes. Uma firmeza que eu desconhecia, vinda da família e dos amigos.


A resignação.


O que restava era fazer o que os médicos mandassem. Exames, cirurgia, colocação de catéter, quimio, bolsa infusora, exames, sustos, alívios. Deu certo, a quimio terminou, não há mais sinal de câncer no meu corpo e hoje retirei o catéter. Um ciclo foi encerrado.


A gratidão.


A cura protocolar do câncer só é dada após 5 anos sem recidiva, mas por ora estou limpo. Agora é cuidado, prevenção e gratidão aos amigos e profissionais que me deram, me dão e me darão força. Foram tantos que me surpreendi. Nunca imaginei que fosse tão querido.


O exemplo.


Relatos de quem enfrentou a doença foram fundamentais pra mim. Então me senti obrigado a fazer o mesmo. Irei escrever sobre tudo com detalhes, para inspirar quem for passar pelo mesmo. Se der 1% da força que senti com a experiência dos outros, já valerá a pena.


Vamos sempre lembrar de você, Sidarta, e nunca me esquecerei, como lição, da frase que você me disse quando estava num dos momentos baixos do tratamento, que sua acupunturista, disse a você que "devia seguir o processo", e naquele dia, você disse que ia seguir o processo, que ia fazer de tudo, e que se não desse certo, não foi por que não tentou, mas por que não era para ser.


Sidarta é um cara incrível, de uma fé inabalável, de uma leveza, de uma amizade, e acima de tudo, um cara do BEM mesmo.


Hoje a gente ia realizar um sonho de ver o Fortaleza jogar em Punta Del Este, mas Deus preferiu dar um camarote especial para ele assistir numa visão privilegiada do seu time do coração.


Aqui, vamos continuar realizando seus sonhos. Vamos, algum dia, juntos com seus filhos matutinhos, conhecer a neve. Vamos também, juntos, realizar os seus últimos desejos.


Vou concluir com a frase que foi citada no início dessa cerimônia, do Santo Agostinho que tenho certeza de que o Sidarta iria gostar muito: “Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela como sempre foi”.


Todos nós amamos você. Obrigado.

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Homenagem ao Sidarta - Por: Liana Arruda Teixeira - Braga-Portugal, 24.10.2023


Sidarta e Liana - Show do Chico - Fortaleza, 23.10.2022


Quantas vezes eu vou receber a notícia da sua morte?

Desde a primeira vez, ontem à tarde, já foram dezenas. 

Eu estava almoçando quando abri o WhatsApp e li a frase “O Sidarta faleceu”.  Paralisada, não conseguia mais mastigar. 

Nem engolir. Nem cuspir. 

A comida que estava na boca, segundos antes extremamente saborosa, ficou lá parada, ganhando um gosto acre que é o de saber que o mundo agora não tem mais o Sidarta.

E continuo recebendo a terrível notícia da morte, essa verdade disfarçada de absurdo, constantemente. É como se a cada quarto de hora eu esquecesse, por ser incapaz de processar. Mas aí a frase lida ontem invade a mente novamente: “O Sidarta faleceu!”

Como entender?

Quando eu nasci, você já estava lá. A despeito de ter outras nove irmãs, era na casa da sua mãe que a minha passava quase todos os finais de semana. 

Praia, Chico Buarque, tia Maninha, minha madrinha, sorvete, piscina, Sidarta… assim foi a minha infância.

Lembra de quando participamos (e tiramos o segundo lugar!) de um concurso de lambada, no fatídico oásis - era esse o nome? -, em Fortaleza? Éramos bons nisso! Eu tinha 8 anos. Você, 10.

Eu gostaria muito de conseguir descrever você, mas sinto que é uma tarefa infrutífera. Só entende quem conviveu.

Até o meu psicólogo, que nos últimos meses passou a ser o seu, compartilhou comigo, logo depois que os apresentei; “o Sidarta começou as sessões, claro que não posso te falar sobre o processo, mas só queria dizer: que cara incrível, o seu primo!”.

Sim, você era incrível demais. Quase tão incrível - tão difícil de acreditar - quanto essa sua morte prematura. Já havíamos perdido sua mãe e seu irmão tão cedo… Por que você também? Por que???Não consigo entender ou aceitar!

Nessas últimas semanas, com o avanço da doença, quando eu tentava te dar apoio, era sempre você que acabava me consolando. Você percebia a minha inconformidade, advinda de toda a impotência, e dizia: “querida, fique bem! Eu estou bem. Você já tem me ajudado bastante. Cada palavra de carinho me faz me sentir extremamente amado. Não importa quanto tempo eu tenha, vou viver da melhor forma possível. Amo você!”.

Obrigada por me dizer tantas vezes o que eu precisava ouvir - e precisarei me repetir muito daqui pra frente. Obrigada por ter compartilhado comigo tanta coisa, especialmente nas últimas semanas. Obrigada por ter levado, sábado, o livro que eu te dei pro hospital (e por ter fotografado e me mostrado), afinal, como te disse quando você me agradeceu pela surpresa, ele era a minha maneira de me fazer presente, mesmo de longe.

A última palavra que te disse, sábado à noite, quando você comentou do receio por talvez não conseguir mais viajar para ver a final do seu time no Uruguai, foi “descanse”! E que bom que, pelo menos das dores e do sofrimento, você descansou!

Seus filhos, sua mulher, seu irmão, seus cunhados, seus sogros, seus sobrinhos, seus tios, seus primos, seus amigos… todos sentiremos muito a sua falta, meu querido!

Como canta o nosso amado Chico (foi no show dele que nos vimos pela última vez, lembra?),

“A saudade dói, latejada, 

É assim como uma fisgada Num membro que já perdi!”


Você é para sempre!

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

O trigo de Giverny/Normandia - Por: Ronald Teles

A propósito da postagem  do instagram de ana margarida rosemberg (vídeo acima)

O TRIGO DE GIVERNY/NORMANDIA 

Por Ronald Teles

Paisagem magnífica e inspiradora.O trigo do pão nosso de cada dia,presente na oração dada a nós por Cristo  Jesus.O pão, o " corpo",o vinho " o sangue" Dele,lembrado no mundo todo em sua última ceia ,em todos os altares católicos que celebram o Cordeiro de Deus; eternizada na arte imorredoura de Da Vinci em seu famoso afresco.Os campos de trigo florescem na Normandia,derramando o pão  que comove os corações agradecidos de sua beleza e esplendor que lembra o ouro da nova Jerusalém apocalíptica.Nesta mesma região o sangue de milhares de bravos guerreiros foi derramado sobre praias,na maior operação conjunta naval,aérea e terrestre aliada,que feriu de morte o horror nazista do anti- Cristo mais legítimo da história humana.O vento acaricia o dourado do trigo, simbolizando o santo Espírito que beija seu próprio corpo.

Que Ele comova o animal humano à conversão e a parar de aniquilar o semelhante, martirizando inocentes,que são imolados mais uma vez,esquecendo seus algozes,que o Altíssimo morreu e reviveu por todos

quinta-feira, 19 de outubro de 2023


No caminho para a "Maison de Monet", em Giverny-Normandia-França, um campo  de trigo nos faz pensar na PAZ. 

O dourado da plantação nos  toca a retina e uma paz inexplicável nos fala ao coração.

Admirar extensões de trigo, balançando na brisa até o horizonte, nos leva a refletir o quanto o cultura do trigo foi importante  para a nossa sobrevivência. 

Uma  profunda emoção, vinda do passado, do fundo dos tempos, nos invade e nos remete a alegria  dos antigos povos, diante da abundância do trigo e do pão. 

Nós, os sapiens,  somos uma civilização do trigo!

ana margarida furtado arruda rosemberg 

Fortaleza-CE,  19/10/2023
















quinta-feira, 5 de outubro de 2023

TRÊS COPISTAS DA FAMILIA ARRUDA

Miguel de Arruda (Pai Arruda)

 TRÊS COPISTAS DA FAMILIA ARRUDA


Por: ana margarida furtado arruda rosemberg


Segundo o “Dicionário Michaelis”, copista é aquele que copia ou transcreve um texto por escrito; pessoa que, antes do advento da imprensa, transcrevia manuscritos.

A palavra “amanuense”, do latim amanuensis,ab manu” (à mão), se refere aquele que faz cópia de textos ou documentos à mão. O amanuense é, vulgarmente, usado para o escriturário de uma repartição pública que registra manualmente documentos.

No Antigo Egito, os copistas, conhecidos como “escribas”, usavam “papiro” para seus escritos. O pergaminho, peles tratadas de carneiros ou cabras, foi a base utilizada pelos monges medievais que desenvolveram a arte de copiar livros com penas de ganso. As cópias de livros decoradas com pinturas, pelos referidos monges, pertencentes ao seleto grupo de pessoas que sabiam ler e escrever, eram obras de arte raras e caras.

Os escritos da Antiguidade nos foram legados pelo árduo trabalho de transcrever manuscritos, no interior dos mosteiros, em um quarto chamado scriptorium, daí a terminologia com significado da palavra escritório.

No final da Idade Média e começo do Renascimento, com a introdução do papel, invenção chinesa barata e abundante, e a invenção da imprensa pelo alemão Johannes Gutenberg (1400- 1468), os copistas tradicionais perderam espaço, mas não desapareceram.

Há, também, copistas de obras de arte, como: pinturas, gravuras e esculturas. Muitos gênios da pintura, como Caravaggio, aprenderam o ofício copiando seus mestres. Os museus do Louvre e d’Orsay, em Paris, são famosos pelos seus copistas.

Na família Arruda do Ceará, três descendentes de Amaro José de Arruda (c.1770 - 1832), o “Patriarca de Oiticará”, fizeram o papel de copistas quando transcreveram textos escritos por João José de Arruda (1812-1878), filho de Amaro José, e Miguel Arcanjo (1849-1923), neto da Amaro José; a saber: Ananias Arruda (1886-1980), Miguel Edgy Távora Arruda (1919-2010) e Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg (1950).

Transcrevi Ipsis litteris, textos publicados pelo historiador Miguel Edgy Távora Arruda, nos anexos de sua genealogia “Os Arrudas de Baturité”, 1976.

São dois textos que foram transcritos por Ananias Arruda (primeiro copista), em 1918 e 1919. O texto nº1, transcrito, Ipsis litteris, com caneta tinteiro, do livro de notas escrito pelo próprio punho de seu pai, Miguel de Arruda, a bico de pena. O texto nº2, transcrito, também, Ipsis litteris, com caneta tinteiro, de anotações deixada pelo seu avô, João José, a bico de pena.

Esses textos foram transcritos por Miguel Edgy Távora Arruda (segundo copista), Ipsis litteris, em 1976, datilografados, e publicados em seu livro de genealogia, referido acima.

Eu, ana margarida furtado arruda rosemberg (terceira copista), transcrevi os textos, Ipsis litteris, usando o editor de textos Word, hoje, 05.10.2023, e postarei amanhã no blog do Museu Comendador Ananias Arruda.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 5 de outubro de 2023

Ananias Arruda 

Miguel Edgy Távora Arruda

ana margarida furtado arruda rosemberg

 

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Candido PORTINARI - Mulher Chorando (Maquete painel Guerra)

 

Cândido PORTINARI (1903-1962)   

Mulher Chorando (Maquete painel Guerra) 1955 

óleo sobre madeira      

Acervo - Fundação Edson Queiroz

Esse quadro, do acervo da Fundação Edson Queiroz, retrata uma das pinturas dos

 gigantescos painéis "Guerra e Paz", de 14 x 10 m cada, expostos na ONU, produzidos,

 entre 1952 e 1956, por Candido Portinari, o pintor brasileiro mais reconhecido

 mundialmente.

Os painéis foram encomendados pelo governo brasileiro, durante a presidência de

 Juscelino Kubitschek (1902-1976), para presentear a sede da ONU.

Durante a produção da obra, Portinari, intoxicado pelo chumbo das tintas, foi

 aconselhado por seu médico a parar de pintar. Ele rejeitou o conselho, pagou com a

 morte precoce, em 1962, mas  legou para humanidade uma forte mensagem  de PAZ.

Portinari foi, injustamente, proibido de ir aos EEUU para inauguração de seus Painéis,

 em 1957, por suas ligações  com o Partido Comunista, mas deixou sua ARTE

 apreciada por todos e todas que adentram o prédio do ONU.

O filho de Portinari, João Candido, coordenador do Projeto Portinari, escreveu sobre

 os painéis:

"Essa obra-síntese constitui o trabalho maior de toda a vida do pintor. O mais

 universal, o mais profundo, também, em seu majestoso diálogo entre o trágico e o

 lírico, entre a fúria e a ternura, entre o drama e a poesia."

"Esta não é apenas uma exposição de arte. Esta é uma grande mensagem ética

 e humanista e que se dirige ao principal problema que o mundo vive hoje em dia: a

 questão da violência, da não  cidadania, da injustiça social."

"Esta é a grande mensagem de toda a vida de Portinari e que ficou sintetizada nesses

 trabalhos finais que ele deixou ".

 João Candido Portinari

A Maquete de Portinari está no espaço cultural da Unifor na exposição "Elas - De

 Musas a Autoras- Unifor 50 anos" até dezembro  de 2023.

GRANDE PORTINARI!

Fortaleza, 28/09/2023

ana margarida furtado arruda rosemberg


quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Leonardo da VINCI - A Virgem, o Menino Jesus e Santa Anna

 


Leonardo da VINCI (1452-1519)

"Santa Anna, a Virgem Maria e o Menino Jesus brincando com um cordeiro" ou " Santa Anna"

Dimensões: 168,4 x 130 cm
Óleo sobre madeira
1503 - 1519

Esta cena, que reúne três gerações (Santa Anna, Maria e o Menino Jesus), simboliza o sacrifício de Jesus, pois ele brinca com um cordeiro (símbolo da paixão).

Maria tenta afastá-lo de seu trágico destino enquanto Santa Anna com um olhar de resignação parece saber que não é possível mudar o destino de Jesus.

O tema não é original, mas Leonardo da Vinci, magistralmente, consegue inová-lo. A mãe de Jesus aparece sentada no colo de sua própria mãe, Santa Anna, e Jesus é identificado pelo cordeiro pascal.

Leonardo assinala a diferença de idade entre mãe e filha, mas preserva no rosto de Santa Anna um frescor adornado pelo sorriso sutil e misterioso, marca de sua genialidade presente em vários rostos, incluindo o da Mona Lisa.

A vasta paisagem montanhosa evidencia o interesse de Leonardo pelas complexas e misteriosas formações geológicas e conduz o nosso olhar a um labirinto enigmático.

Esse tipo de paisagem com montanhas enevoadas e rios sinuosos está presente na famosa "Mona Lisa" e na "Madonna do Cravo" .

Essa pintura foi estudada por Freud e serviu para sua famosa análise (Memórias de infância de Leonardo da Vinci, 1910).

Freud descreve em sua análise que viu no contorno do manto de Maria a forma de um abutre, desenhado inconscientemente por Leonardo, reportando ao ataque que ele sofreu por essa ave, ainda bebê.

Essa é uma das cinco telas de Leonardo da Vinci do acervo do Museu do Louvre, em Paris. Vale a pena conferir.

ana margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza, 06.08.2023


Referências

https://collections.louvre.fr/ark:/53355/cl010066107

https://www.larousse.fr/encyclopedie/oeuvre/la_Vierge_lEnfant_J%C3%A9sus_et_sainte_Anne/181347

https://fr.m.wikipedia.org/wiki/Sainte_Anne,_la_Vierge_et_l%27Enfant_J%C3%A9sus_jouant_avec_un_agneau

 

terça-feira, 29 de agosto de 2023

29 de AGOSTO - DIA NACIONAL DE COMBATE AO FUMO - 2023





https://www.youtube.com/watch?v=k9Rnk6OKsc0&t=126s

Este ano, 2023, o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29.08) foi celebrado no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), ontem, 28.08.2023, com palestras  de conscientização sobre os perigos  do tabaco e do uso dos cigarros eletrônicos. 


As multinacionais  do fumo  estão  investindo  pesado nos cigarros eletrônicos que  têm sabores, formatos e aromas convidadivos para jovens, adolescentes  e  crianças. 


Apesar da comercialização, importação e propaganda de todos os tipos de dispositivos eletrônicos serem proibidos no Brasil (Resolução de Diretoria Colegiada da Anvisa (RDC nº 46, de 28 de agosto de 2009), o  contrabando é crescente. 


A campanha,  que teve início  no Brasil nos idos da década  de 1970, com os desbravadores: prof. Rosemberg  e prof. Mário Rigatto, tem que  continuar  alerta e viva.


A dra. Penha Uchôa,  pneumologista  e coordenadora do Programa  de Controle  do Tabagismo  do HM, juntamente  com sua equipe  de apoio,  responsável  pelo evento  do Dia Nacional de Combate ao Fumo  e do programa  de controle do tabagismo, merece nossos  aplausos.


ana margarida furtado arruda rosemberg 

Fortaleza,  29.08.2023

domingo, 20 de agosto de 2023

JM - RD - OS PIONEIROS DA CARDIOLOGIA CEARENSE

Ppublicado no Jornal do Médico

Link, abaixo

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OS PIONEIROS DA CADIOLOGIA CEARENSE

Antônio Jorge de Queiroz Jucá (1915-1965),

A história da cardiologia cearense teve início com o dr. Antônio Jorge de Queiroz Jucá (1915-1965), discípulo de Paul Dudley White, M. D., Professor de medicina da Harvard Medical School.

Em julho de 1951, o dr. Antônio Jucá, representante da Regional do Ceará da Sociedade Brasileira de Cardiologia–SBC, realizou, em Fortaleza, a “8ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Cardiologia”. Essas reuniões, que ocorreram de 1944 até 1954, passaram, a partir de 1955, a ser chamadas de “congressos”.

A dra. Glaura Férrer, que foi aluna do Prof. Antônio Jucá, teve papel relevante na história da “Sociedade Cearense de Cardiologia”. Em julho de 1962, ela foi eleita, durante o Congresso de Cardiologia, em Belo Horizonte, representante regional da “Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) no Ceará, por um período de dois anos, sendo reconduzida ao cargo várias vezes.

Os primeiros cardiologistas foram: Antônio Jorge de Queiroz Jucá, Célio Brasil Girão, Francisco Edgardo Saraiva Leão, Francisco de Paiva Freitas, Francisco Edson dos Santos Monteiro, Geraldo Wilson Gonçalves, Heládio Feitosa de Castro, Haroldo Gondim Juaçaba, Hélio Vieira de Souza, José Murilo de Carvalho Martins, José Edísio da Silva, Jurandir Picanço, José Carlos Ribeiro, Luiz Carlos Fontenele, Newton Teófilo Gonçalves, Raimundo Hélio Cirino Bessa e M. Pinto.

A Sociedade Cearense de Cardiologia-SCC foi criada em 27/06/1972 durante uma reunião no então “Centro Médico Cearense”. A primeira diretoria, eleita para um mandato de dois anos (1972 e 1973), era assim composta: Presidente – Glaura Férrer; Vice-presidente – Eduardo Regis Jucá; 1º Secretário - Francisco Edgardo Saraiva Leão; 2º Secretário – Francisco Waldeney Rolim; 1º Tesoureiro – Raimundo Hélio Cirino Bessa; 2º Tesoureiro – Francisco Martins Ferreira Filho; Diretor de Publicações e Assuntos Científicos – José Nogueira Paes Junior.

Em julho de 1973, a SCC realizou em Fortaleza o XXIX Congresso Brasileiro da SBC, tendo como presidente a dra. Glaura Férrer.

Segundo o dr. João Martins, na década de 1950, o Prof. Newton Gonçalves, realizou, “a céu fechado”, auxiliado pelos colegas Haroldo Gondim Juaçaba e Paulo de Melo Machado, a desobstrução de uma válvula mitral estenosada.

Newton Gonçalves entrou para a história da cardiologia cearense como o primeiro cirurgião a operar coração sem circulação extracorpórea. Na mesma década, o dr. Wilson Jucá, irmão de Antônio Jucá, operou alguns pacientes com estenose mitral na Casa de Saúde César Cals e na Assistência Municipal, auxiliado pelo jovem estudante de Medicina, César Gondim.

Em 1959, o dr. Haroldo Juaçaba, um dos três primeiros médicos que iniciaram no Ceará a cirurgia cardíaca, montou na Faculdade de Medicina um “Laboratório Experimental de Cirurgia Cardíaca”, com o auxílio do então estudante de medicina, Régis Jucá.

Em 1967, foi realizada no hospital César Cals a primeira cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea. A paciente, portadora de estenose mitral, foi operada pelo Prof. Adib Jatene, auxiliado por seus dois ex-residentes, Maurício e Petrola. A perfusão foi feita pelo dr. João Evangelista.

Em agosto de 1968, o dr. Régis Jucá, ao voltar de treinamento em grandes centros de cirurgia cardíaca nos Estados Unidos, aliou-se à equipe de cirurgia cardíaca da César Cals, dando grande contribuição ao desenvolvimento da cirurgia cardíaca em nosso Estado.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 8 de agosto de 2023