Homenagem prestada ao Sidarta Furtado Arruda (1978-2023), na "Missa de 7º Dia", por sua tia ana margarida arruda rosemberg
Igreja das Irmãs Missionárias - Fortaleza-CE - 28.10.2023
SIDARTA
Em 1978, minha irmã Maninha (Noemi) estava gestando uma nova vida e lendo o livro “Sidarta”, do escritor alemão Hermann Hesse (1877-1962).
Fascinada pela história, ela me emprestou o livro, que narrava a busca de Sidarta pela iluminação.
Sidarta, que não era o “Sidarta Gautama”, conhecido como “Buda” - apesar das vidas se confundirem -, era um jovem belo, inteligente, educado e filho da aristocracia religiosa dos brâmanes da Índia, do século VI a.C.
Depois de passar a infância e a juventude longe das misérias do mundo, Sidarta resolveu abdicar da vida luxuosa e partir pelo país, onde a pobreza e o sofrimento reinavam. Saiu em busca da iluminação, da paz interior e da perfeita harmonia com o Universo.
Livro de cabeceira de muitas gerações, “Sidarta”, de Hermann Hesse, foi para os hippies um libelo contra o “American way of life”, que se alastrava pelo Ocidente.
Quando a Maninha me falou que seu filho seria Sidarta, pensei: será iluminado.
Muitas facetas da vida do Sidarta são conhecidas e admiradas pelas pessoas que tiveram o privilégio de conviver com ele; seria desnecessário descrevê-las.
Belas e justas homenagens lhe foram prestadas, em sua partida. Por isso, compartilho somente alguns momentos indeléveis que vivi com esse meu querido sobrinho.
O primeiro foi a sua estreia no palco da vida terrena, no dia 20.06.1978, quando o dr. Aguiar Ramos, na Casa de Saúde e Maternidade São Raimundo, em Fortaleza-CE, descortinou o mundo para ele brilhar.
O último foi no dia 25.10.2023, no Jardim do Éden, em Pacatuba-CE, quando a cortina se fechou, literalmente, e ele foi brilhar em outras dimensões, deixando os amigos e familiares com uma saudade infinita.
Entre o primeiro e o último, guardarei na memória inúmeros momentos; muitos alegres, alguns tristes e outros emocionantes, como: o encontro com o pai Japa, em meu apartamento em Sampa, ao lado do meu filho Daniel e da minha filha Jana, na noite de 25.11.2006; o explosivo show do Chico Buarque, no Centro de Eventos, em Fortaleza-CE, em 23.10.2022, ao lado da minha filha Liana e do meu filho Daniel, que vieram de Sampa para comigo e o Sidarta, viverem a magia do grande ídolo de todos nós.
No início da década de 1980, quando, nos finais de semana, na Praia da Futuro, o Sidarta bem pequeno entrava no mar até sumir entre as ondas, eu dizia para sua mãe: “Maninha, cuidado, ele pode se afogar”. Ela me respondia: se afoga não, ele sabe nadar.
Talvez ela soubesse que seu filho Sidarta buscava no mar a iluminação, a paz interior, a perfeita harmonia com o Universo, enfim, o Nirvana.
Em um sentido mais geral, o Nirvana é usado para designar alguém que está num estado de plenitude e paz interior, sem se deixar afetar por influências externas. É, enfim, um estado de libertação do sofrimento, de superação do apego material.
O Sidarta, surfando a maior parte de sua vida nas ondas do mar da “Praia do Futuro”, certamente atingia o Nirvana.
Plagiando-o, digo: Sidarta, hoje, o mar e o Nirvana são seus e a saudade é nossa.
Fique em PAZ!
ana margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza, 28 de outubro de 2023





















.jpeg)
