Homenagem prestada ao Sidarta Furtado Arruda (1978-2023), na Missa de 7º Dia, por seu irmão Edgy Eduardo Arruda Paiva
Igreja das Irmãs Missionárias - Fortaleza-CE - 28.10.2023
HOMENAGEM AO SIDARTA
Primeiro, queria
agradecer a todos pela presença. Agradecer ao sacerdote pela cerimônia, aos
médicos, enfermeiros, profissionais de saúde, a acupunturista, nutricionista, psicólogos,
e todos que acompanharam o Sidarta em sua luta.
Mas queria fazer um
agradecimento especial à Jeanne que mesmo se recuperando de um AVC, a primeira
pergunta que fez era se o Sidarta tinha ido para a consulta que precisava
fazer, que ele deveria ir e que logo ela estaria em casa. Isso o emocionou
muito e deu forças para ele continuar a batalha que estava enfrentando.
Agradecer também pelo
carinho dos filhos Letícia, Yuri e Yves que estavam sempre ao lado dele em
todos os momentos.
Agradecer à organização
dessa cerimônia, à Tia Fátima, Luciana, Letícia e Jeanne por estar tudo
perfeito.
E agradecer também todas
as mensagens de carinho e amor que todos os amigos e amigas do body boarding,
da área de publicidade, do time do Fortaleza e da família.
Sidarta nasceu em 1978
quando eu tinha 8 anos, e a diferença de idade, fez com que eu fosse um irmão
que, além de brincar, ensinei muitas coisas a ele.
Passamos por vários
momentos juntos, e agora recente, ele disse que eu o ensinei a nadar (claro que
ele nada melhor que eu), e que também quase se afogava na piscina nas minhas
aulas, ele pulou na piscina quando eu estava fora e eu pulei para resgatá-lo.
Foram muitos momentos
juntos, viagens, diversão e apesar de eu estar faculdade e ele ainda na escola,
sempre falávamos muito sobre tudo.
O momento mais triste que
passamos foi quando mamãe faleceu, e lembro bem, naquele dia que cheguei para
ele e comentei que, estaríamos sempre juntos e que, apesar da mamãe ter
partido, a gente ia sempre ficar junto.
Ele mudou sua vida, focou
nos estudos, na área de publicidade, começou a trabalhar, e conheceu o grande
amor de sua vida, a Jeanne.
Com a Jeanne teve dois
filhos, o Yuri e o Yves, que vieram complementar a família dele, da Jeanne e
Letícia.
Falar de um cara, que, é
surfista, rockeiro (com banda e tudo), publicitário, amante de futebol e
apaixonado pelo Fortaleza, não é fácil, porém o que mais me impressionou nesses
dias, foram pessoas que chegaram ao lado dele do velório, em lágrimas sem
acreditar naquilo mas lembrando dos momentos que passaram juntos com ele.
Sentimos o carinho de todos.
Bom, ao invés de falar do
Sidarta na terceira pessoa, achei melhor pegar uns posts no twitter, onde, no
dia 1 de novembro de 2021, Sidarta escreveu um pouco de sua vida:
Sidarta Arruda - @sidartaarruda
- Twitter para falar sobre publicidade, música, futebol (principalmente o
Fortaleza EC), bodyboard, família e outras coisas da vida.
A honra.
A honra de trabalhar no
meu clube do coração, com liberdade criativa pra propor e fazer coisas malucas,
do jeito que eu gosto.
O sonho.
Fui pra muito show no Hey
Ho Rock Bar, por isso, tocar no seu palco, com um reportório basicamente
autoral, foi uma realização inesquecível.
A matutez.
Sempre quis conhecer a
neve, com direito a deitar, botar na boca, jogar pra cima e tudo mais que um
caboré tem direito. Tive duas oportunidades de fazer isso e na próxima levarei
meus filhos (que me pedem sempre), pois filhos de matuto, matutinhos são.
A aventura.
Surfar é mais do que
entrar no mar e pegar onda. Tem as viagens, os perrengues, a natureza, os
bichos marinhos. E tem os dias que o mar tá gigante. Os maiores mares que
peguei não foram registrados, então essa foto é só ilustrativa, mas pode botar
fé que dava medo.
A experiência apaixonante
de ser pai. Duas vezes.
O orgulho.
Quanto orgulho eu sinto
da família da qual faço parte. E quanta sorte eu tenho de ser preenchido de
cuidado e amor, mesmo quando não mereço.
A firmeza.
Há pouco mais de um ano
descobri que tinha um câncer. Meu mundo
poderia ter caído, mas não caiu. Porque na hora do maior abalo na minha vida,
foi quando os pilares ao meu redor se mostraram mais firmes. Uma firmeza que eu
desconhecia, vinda da família e dos amigos.
A resignação.
O que restava era fazer o
que os médicos mandassem. Exames, cirurgia, colocação de catéter, quimio, bolsa
infusora, exames, sustos, alívios. Deu certo, a quimio terminou, não há mais
sinal de câncer no meu corpo e hoje retirei o catéter. Um ciclo foi encerrado.
A gratidão.
A cura protocolar do
câncer só é dada após 5 anos sem recidiva, mas por ora estou limpo. Agora é
cuidado, prevenção e gratidão aos amigos e profissionais que me deram, me dão e
me darão força. Foram tantos que me surpreendi. Nunca imaginei que fosse tão
querido.
O exemplo.
Relatos de quem enfrentou
a doença foram fundamentais pra mim. Então me senti obrigado a fazer o mesmo.
Irei escrever sobre tudo com detalhes, para inspirar quem for passar pelo
mesmo. Se der 1% da força que senti com a experiência dos outros, já valerá a
pena.
Vamos sempre lembrar de
você, Sidarta, e nunca me esquecerei, como lição, da frase que você me disse
quando estava num dos momentos baixos do tratamento, que sua acupunturista,
disse a você que "devia seguir o processo", e naquele dia, você disse
que ia seguir o processo, que ia fazer de tudo, e que se não desse certo, não
foi por que não tentou, mas por que não era para ser.
Sidarta é um cara incrível,
de uma fé inabalável, de uma leveza, de uma amizade, e acima de tudo, um cara
do BEM mesmo.
Hoje a gente ia realizar
um sonho de ver o Fortaleza jogar em Punta Del Este, mas Deus preferiu dar um
camarote especial para ele assistir numa visão privilegiada do seu time do
coração.
Aqui, vamos continuar
realizando seus sonhos. Vamos, algum dia, juntos com seus filhos matutinhos,
conhecer a neve. Vamos também, juntos, realizar os seus últimos desejos.
Vou concluir com a frase que
foi citada no início dessa cerimônia, do Santo Agostinho que tenho certeza de
que o Sidarta iria gostar muito: “Você que aí ficou, siga em frente, a vida
continua, linda e bela como sempre foi”.
Todos nós amamos você.
Obrigado.





















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