É um Blog para divulgar, preservar e mostrar a importância da: História, Memória, Literatura, Medicina e Arte em nossas vidas.
sábado, 19 de novembro de 2022
domingo, 13 de novembro de 2022
O BECO DE BATMAN
Postado no Jornal do Médico. Link, abaixo.
https://jornaldomedico.com.br/2022/11/o-beco-do-batman/
O “Beco do Batman”, em
São Paulo, está localizado entre as ruas Gonçalo Afonso e Medeiros de
Albuquerque, na Vila Madalena, bairro boêmio da zona oeste da cidade.
Escondido entre as vielas
do bairro, o Beco do Batman, verdadeiro museu a céu aberto do Graffiti
paulistano, é um paraíso para os amantes da arte urbana.
A história do Beco teve
início nos anos de 1980, quando surgiu misteriosamente um desenho do Batman, o
famoso homem-morcego das revistas em quadrinhos, em uma de suas paredes. Esse
desenho chamou a atenção de estudantes de artes plásticas que começaram a fazer
desenhos psicodélicos e cubistas no beco.
Atualmente, os desenhos
são constantemente renovados e o próprio desenho do Batman, não mais existe.
Conhecido no Brasil e em muitos países, o local está repleto de galerias de
arte.
O Beco do Batman é ponto
turístico da cidade de São Paulo e parada obrigatória para os amantes da arte
urbana.
ana margarida furtado
arruda rosemberg
São Paulo, 6 de novembro
de 2022
segunda-feira, 7 de novembro de 2022
ROSA E AZUL - RENOIR
Postado no Jornal do Médico
Link, abaixo
https://jornaldomedico.com.br/2022/11/rosa-e-azul/
Descrição:
Pierre-Auguste Renoir (1841-1919)
Rosa e Azul - As Meninas Cahen d'Anvers (1881) – 119 x74 cm - MASP-SP-Brasil
Rosa e Azul, também intitulada “As Meninas Cahen d’Anvers”, é uma célebre pintura - óleo sobre tela - do artista impressionista francês Pierre-Auguste Renoir. Este quadro, um dos mais populares ícones da coleção do Museu de Arte de São Paulo (MASP), foi produzido em 1881, em Paris. Ele retrata as irmãs Alice e Elisabeth, filhas do banqueiro judeu Louis Raphael Cahen d’Anvers.
Renoir retratou as duas filhas: a loira Elisabeth, de seis anos, nascida em dezembro de 1874, e Alice, de cinco anos, nascida em fevereiro de 1876. Alice viveu até os 89 anos e morreu em Nice, em 1965. Elisabeth teve um destino trágico. Divorciada do primeiro marido, o diplomata e conde Jean de Forceville, casou-se com Alfred Émile Denfert Rochereau, de quem também se divorciou. Ela foi enviada para Auschwitz, devido à sua origem judaica, e morreu em um trem a caminho do referido campo de concentração, em março de 1944, aos 69 anos.
A tela “As meninas Cahen d’Anvers”, adquirida pelo Masp, em 7 de julho de 1952, angariou a simpatia dos visitantes do museu, tornando-se fonte de inspiração para muitos pintores. A magnífica pintura é excepcional pelo detalhe dos vestidos: relevo dos babados e reluzentes faixas de cetim.
Artistas contemporâneos como Washington Maguetas e Cirton Genaro, entre outros, produziram trabalhos baseados nesta tela. Em 1989, o quadrinista Maurício de Sousa fez uma reinterpretação de "As Meninas Cahen d’Anvers", intitulada Magali e Mônica de Rosa e Azul, onde as populares personagens dos quadrinhos infantis aparecem ocupando o lugar de Alice e Elisabeth na pintura.
ana margarida furtado arruda rosemberg
São Paulo, 03 de novembro de 2022
quinta-feira, 3 de novembro de 2022
Por: Gregório Duvivier - Receita pra lavar a alma
Postado na Folha de São Paulo
Link, abaixo
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2022/11/receita-pra-lavar-a-alma.shtml
Gregorio Duvivier
RECEITA PARA LAVAR A ALMA
Lava-se a alma quando se ganha, mas não basta ganhar pra lavar a alma
Taí uma das expressões mais bonitas da nossa língua: lavar a alma. E mais difíceis de traduzir também. Sobretudo pra mim, que não falo bem língua nenhuma. Mas uma amiga, tradutora e poliglota, me confirmou. Não se lava a alma noutras línguas, que ela saiba. Quer dizer, não do mesmo jeito. Pode-se ganhar "by a landslide" —ou de lavada. Mas ganhar lavando a alma não tem nada a ver com ganhar de lavada. A lavada não lava a alma —necessariamente. Ao contrário: é a vitória suada que costuma lavar melhor a alma.
Lava-se a alma quando se ganha, mas não basta ganhar pra lavar a alma. Ganhar de bandeja não lava a alma de ninguém. Uma vitória esperada não faz cosquinha na alma. Pior: uma alma com o hábito da vitória pode continuar cheirando a mofo, coitada.
A vitória injusta tampouco lava a alma. Dá um banho de água suja. Quando se ganha perdendo, a alma fica ainda mais fedida. Ganhar de um amigo querido, ou de um adversário honesto, tampouco serve pra lavar a alma.
A vitória precisa ter gosto de justiça. A alma precisa merecer o banho. Por isso a injustiça costuma anteceder a lavagem. E a dúvida, também: será que algum dia lavarei minh’alma?
Pra dar um bom banho n’alma, é preciso ter perdido batalhas. Mas não apenas uma vez só. É preciso ter perdido por meses, anos, décadas, quem sabe uma vida toda. É preciso ter esquecido o gosto da vitória. E enfrentado muita sujeira pelo caminho.
A alma precisa ter passado por algum deserto pra merecer o bom banho. E não só: a alma precisa ter botado o corpo pra jogo e amargado o sabor da derrota injusta. Quem lava as mãos não sabe o que é lavar a alma. Os cínicos tomam menos banho n’alma que os franceses no corpo. Os franceses, no entanto, lavaram a alma em 1789. Os haitianos lavaram a alma em 1791. Os russos lavaram a alma em 1917, os portugueses lavaram a alma em 1974, os sul-africanos lavaram a alma em 1994.
Já nós, brasileiros, quantas vezes não tentamos. Da Inconfidência às Diretas Já, nossa história foi uma longa sucessão de banhos n’alma interrompidos por falta d’água. Lavamos a alma nas copas, e faz tanto tempo.
Chegou o grande dia.
A vitória eleitoral da sociedade civil contra um projeto de autocracia
miliciana e fundamentalista não tem outro nome: lavamos a alma. Esse banho vai
ser demorado. Muita sujeira ainda precisa escorrer pelo ralo. Mas que delícia é
sentir a alma de um povo lavada inteira.
A ORIGEM DA GUERRA DE TROIA – O Julgamento de Páris
Texto postado no Jornal do Médico
Link, abaixo.
https://jornaldomedico.com.br/2022/10/a-origem-da-guerra-de-troia-o-julgamento-de-paris/
A ORIGEM DA GUERRA DE TROIA – O Julgamento de Páris
A Guerra de Troia, um
conflito lendário da mitologia grega, teve como motivação primordial um pedido de Gaia (Mãe-Terra) a Zeus,
para controlar a população sobre o planeta.
O momento propício escolhido por Zeus, para atender ao pedido de Gaia,
foi quando surgiu uma disputa entre as deusas: Hera, Atena e Afrodite, durante o casamento de Peleu e Tétis, os pais
de Aquilles.
Para a grande festa de matrimônio, todos os deuses, menos Éris, a deusa
da discórdia, foram convidados. Indignada por ter sido alijada e humilhada,
Éris lançou uma “Maçã de Ouro” (Pomo da Discórdia) com os dizeres: “À mais
bela”.
Deste modo, Éris instigou a competição entre as mulheres. Hera, Atena e Afrodite, as deusas mais belas, reivindicaram o
troféu, desencadeando uma tremenda confusão.
Zeus, para se livrar do espinhoso papel de
juiz, resolveu legar a Páris, um simples mortal, príncipe de Troia, que era
pastor e vivia feliz no campo, o difícil julgamento.
O deus Hérmes, conduziu as três divindades
até Páris que ficou surpreso e confuso. Ao
perceberam que ele titubeava, as deusas tentaram persuadi-lo, da seguinte
forma: Atena, a deusa da guerra e da sabedoria, ofereceu a Páris uma histórica
guerra vitoriosa; a poderosa Hera, esposa de Zeus, ofereceu
a glória dele ser o Rei de toda a Europa e Ásia; Afrodite, a deusa do amor e da
beleza, ofereceu o amor da mais bela mulher do mundo.
Sentindo-se seduzido pela oferta de ter o amor de Helena, a mais bela mulher
do mundo, Páris concedeu o troféu a deusa do amor e da beleza.
Cumprindo a promessa, Afrodite fez com que Helena e Páris se
apaixonassem loucamente. Helena era casada com o rei de Esparta, Menelau. Diante
desse óbice, o casal apaixonado fugiu para Troia e Menelau, o marido traído, furioso,
solicitou ajuda de seu irmão, o rei Agamenon, para persuadir todos os
governantes das cidades-estados da Grécia, inclusive Odisseu, rei da ilha de
Ítaca, a marcharem contra os troianos.
Assim, foi deflagrada a famosa Guerra de Troia.
ana margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza, 27 de outubro de 2022
quarta-feira, 26 de outubro de 2022
ERRO PROVIDENCIAL - Por: Ruy Castro
ERRO PROVIDENCIAL
Ruy Castro - Da Academia Brasileira de Letras
Publicado na Folha de São Paulo
Link, abaixo
Outro dia, li numa biografia do escritor inglês Graham Greene que, em crise entre sua fé católica e uma irrefreável tendência à devassidão, Greene tentou se matar. Mas fez tudo errado: bebeu colírio. Como não morreu, decidiu conciliar a fé e a devassidão.
Ninguém erra por querer. O cantor Eddie Fischer, ex-marido de Elizabeth Taylor e pai de Carrie Fischer, acordou meio bleargh e, fazendo confusão com seus comprimidos, tomou com água os dois fones sem fio de seu aparelho de surdez. Já Keith Richards, dos Rolling Stones, cheirou as cinzas do pai achando que fosse cocaína. E o pai de minha amiga Ana Luiza, pensando estar vendo aranhas, matou de chinelo os cílios postiços que ela deixara na mesa.
Em 1989, uma infestação de moscas na famosa Escuela
Internacional de Cine y Televisión, de Cuba, criada por cineastas cubanos,
argentinos e brasileiros, impedia as aulas. Alguém sugeriu povoar de rãs a
escola para comer as moscas. As rãs acabaram com elas, mas reproduziram-se de
tal forma que tomaram a escola, infiltrando-se nas salas, gavetas, câmeras,
moviolas e até nos armários, camas e tênis
dos alunos. Erro brabo.
Em 1927, partindo de Nova York, o aviador Charles Lindbergh pousou em Paris. Era o primeiro voo transatlântico da história e ele foi recebido por uma multidão. Ela ia carregá-lo nos ombros, mas um popular mais afoito arrancou a touca de couro da cabeça de Lindbergh, botou-a na sua própria cabeça e tentou fugir. Quando o viu de touca, a massa confundiu-o com o herói e desfilou-o em triunfo até se dar conta do erro.
Todo mundo erra, mas alguns abusam. Jair Bolsonaro queria se
reeleger. Para isso, declarou guerra aos artistas, intelectuais, estudantes,
empresários, juristas, cientistas, ambientalistas, vítimas da Covid, jovens,
mulheres, gays, indígenas, nordestinos, negros, pobres e o eleitorado em geral.
Erro, no caso, providencial.
SÃO LUCAS - o médico evangelista
Publicado no Jornal do Médico
Link, abaixo
https://jornaldomedico.com.br/2022/10/sao-lucas-o-medico-evangelista/
O dia 18 de outubro, escolhido para homenagear os médicos, é consagrado
pela Igreja Católica a São Lucas, padroeiro dos pintores, médicos e curandeiros
e autor do evangelho e dos Atos dos Apóstolos, terceiro e quinto livros do Novo
Testamento.
Pouco se sabe da vida de São Lucas. Segundo a tradição, Lucas era um médico natural de Antioquia,
cidade situada em território hoje pertencente à Síria, que na época era um dos
mais importantes centros da civilização helênica, na Ásia Menor.
Ele viveu no século I d.C., desconhecendo-se a data do seu
nascimento e de sua morte. No versículo 24
da Epístola a Filemon de Paulo de Tarso, encontramos a mais antiga referência a
Lucas. Outra menção encontra-se no “Prólogo Anti-Marcionita ao Evangelho de São
Lucas”, que diz: “Lucas era um médico sírio que se tornou discípulo dos
apóstolos e foi seguidor de Paulo até o seu martírio.
Solteiro e
sem filhos, serviu ao Senhor com perseverança e morreu aos 84 anos de idade.
Lucas não foi testemunha ocular dos acontecimentos que narra em seu evangelho,
mas provavelmente esteve com os que seguiam a Jesus.
Na epístola
de São Paulo aos colossenses, há uma referência a Lucas, como “O Médico Amado”.
Segundo a tradição, Lucas além de médico, era pintor, músico e historiador. Seu
evangelho utiliza uma linguagem mais aprimorada que a dos outros evangelistas,
revelando um perfeito domínio do idioma grego.
Segundo
alguns, Lucas morreu martirizado, vítima da perseguição dos romanos ao
cristianismo; segundo outros, morreu de morte natural em idade avançada. Não se
sabe ao certo onde foi sepultado.
Na versão
mais provável e aceita pela Igreja Católica, seus despojos encontram-se em
Pádua, na Itália, onde há um jazigo com o seu nome visitado pelos peregrinos.
Sua vida
foi tema do romance histórico “Médico de homens e de almas” de autoria da
escritora Taylor Caldwell. Também Eurico Branco Ribeiro é autor de uma
magnífica obra em quatro volumes, intitulada “Médico, Pintor e Santo”. Nesta
obra, Ribeiro nos mostra que é bem antiga a escolha de São Lucas como patrono
dos médicos, nos países que professam o cristianismo.
Em 1463, a
Universidade de Pádua iniciava o ano letivo no dia 18 de outubro, para
homenagear São Lucas. Neste dia, comemora-se o “dia dos médicos”, em muitos
países, dentre os quais: Brasil, Portugal, França, Espanha, Itália, Bélgica,
Polônia, Inglaterra, Argentina, Canadá e Estados Unidos.
ana
margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza,
18 de outubro de 2022
PSIQUÊ REANIMADA PELO BEIJO DO AMOR
Ppublicado no Jornal do Médico.
Link, abaixo
https://jornaldomedico.com.br/2022/10/psique-reanimada-pelo-beijo-do-amor/
No Museu do Louvre-Paris,
na Ala Denon - Galeria Michelângelo, encantando os turistas do mundo inteiro e
eternizando o amor de Eros e Psiquê, uma belíssima obra de arte de Antonio
Canova (1757-1822) intitulada: “Psyché ranimée par le baiser de l’Amour” (1793)
Este escultor italiano
retratou no mármore um jovem alado "l'Amour” pousando em uma rocha, onde
uma jovem jaz inconsciente. Ele é o deus Amor – ou Cupido em latim – reconhecível
por suas asas e sua aljava cheia de flechas; ela é Psiquê, uma bela mortal.
Este momento, capturado por Canova, é quando o Amor abraça Psiquê com ternura,
endireita-a e aproxima seu rosto do rosto de sua amada. Psiquê suavemente se deixa retroceder e, com
um gesto lânguido, enlaça o seu amado.
Canova se inspirou em uma lenda relatada pelo
escritor e filósofo romano Apuleio (124-170) em suas Metamorfoses que nos conta
a reunião dos deuses para conceder ao deus Amor a mão de Psiquê, dando assim à
jovem a imortalidade e o status de deusa da alma.
Psiquê era uma bela
mortal por quem Eros (cupido), o deus do amor, ficou perdidamente apaixonado.
Sua paixão despertou a fúria de sua mãe, Afrodite, deusa da beleza, que mandou
seu filho atingir Psiquê com suas flechas, fazendo-a se apaixonar por um ser
monstruoso.
Porém, ao contrário do
esperado, Eros acabou se apaixonando por Psiquê. Depois de perder a confiança
de Eros, por ter seguido os conselhos de suas irmãs invejosas, Psiquê vai
reconquistá-lo. Para isto, ela enfrenta quatro trabalhos que Afrodite lhe dá.
No final, Psiquê cai em sono profundo e Eros vai despertá-la com um beijo.
Implorando a intervenção de Zeus, Eros
consegue que Afrodite aceite o seu amor. O deus Hermes leva Psiquê à “Assembleia
Celestial” e ela se torna imortal. Finalmente, Psiquê se une a Eros e o fruto
do amor foi uma filha, chamada de Prazer.
Em grego "psiquê"
significa tanto "borboleta" como "alma". A borboleta é uma
alegoria a imortalidade da alma, que depois de uma vida rastejante como lagarta
torna-se um belo aspecto da primavera.
ana margarida furtado
arruda rosemberg
Fortaleza, 13 de outubro
de 2022
sexta-feira, 14 de outubro de 2022
UM OBELISCO CENTENÁRIO E FLORIDO PARA A TIA JUCA
UM OBELISCO CENTENÁRIO E
FLORIDO PARA A TIA JUCA
Maria
Julieta Távora de Arruda Monteiro (tia Juca), a quinta entre os nove filhos do
casal Raimundo Arruda e Noemy Távora de Assis Arruda, nasceu no dia 19.05.1927,
em Belém do Pará. Sua longa e profícua trajetória terrena, de mais de 95 anos,
encerrou-se no dia 12.10.2022.
Tocantes
e merecidas homenagens lhe foram prestadas por familiares e amigos em seu
velório, na funerária Paz Eterna, em Fortaleza. Porém, devo ressaltar que a
maior homenagem foi seu túmulo em um jazigo centenário, em forma de obelisco,
onde repousam seus pais, Raimundo e Noemy, e seu tio materno Olintho, no
cemitério São João Batista de Fortaleza.
A
história desse jazigo é fruto do amor de Maria Távora de Assis, avó materna de
Julieta, por seu filho Olintho Távora de Assis, consumido pelo bacilo da
tuberculose, na flor da idade.
Marinheiro
da Marinha de Guerra, Olintho contraiu tuberculose a bordo de um dos navios e
foi enviado para a casa dos pais com pouco mais de 19 anos, falecendo no dia 30
de maio de 1923, antes de completar 20 anos.
Sua mãe, ao
ver o filho sendo enterrado em uma cova simples, cavada no solo, tratou de
erigir um túmulo sobre a mesma e afixar duas placas: com os seguintes dizeres:
OLINTHO TÁVORA DE ASSIS
28-6-1903
30-5-1923
SAUDADES
DE SUA MÃE E IRMÃOS
e
JAZIGO
PERPÉTUO DA FAMÍLIA
DE MARIA TÁVORA DE ASSIS
Ao cair
da tarde vendo de perto o caixão da tia Juca descer à sepultura e ser colocado ao
lado dos restos mortais de seus pais e de seu tio Olintho, duas lágrimas quentes
brotaram dos meus olhos cansados e correram pelos sulcos sinuosos das rugas do
meu rosto.
Ao ver o
coveiro, em seu trabalho tão essencial à humanidade, fechando o ciclo da vida
de tia Juca, lembrei-me da parteira que, ao ajudar a minha avó Noemy durante o parto,
abriu o ciclo da vida de sua filha Julieta, há 95 anos. Em silêncio, os
reverenciei.
Olhei
para o singelo obelisco e lembrei-me do
magnifico obelisco de 3.300 anos, que veio do “Templo de Amon”, em Luxor, no
Egito, e que os franceses ostentam orgulhosos na Praça da Concódia (Place de
la Concorde), em Paris.
Lembrei-me
de um trecho do poema de Fernando Pessoa
“O Rio
da Minha Aldeia”
“O Tejo é mais belo que o rio que
corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”.
Ao ver,
finalmente, o centenário obelisco, rodeado com tantas flores, pensei: É O MAIS
BELO OBELISCO DO MUNDO!
Se pudesse resumir a grandeza da Tia Juca em uma só palavra, seria: GENEROSIDADE
Ao
deixar o cemitério, disse baixinho: Descansa em Paz, tia Juca!
ana margarida furtado arruda
rosemberg
Fortaleza, 14 de outubro de 2022
terça-feira, 11 de outubro de 2022
AS BODAS DE CANÁ - PARIS
https://jornaldomedico.com.br/2022/10/as-bodas-de-cana-paris/
Em 6/06/1562, o
beneditino Paulo, do mosteiro de San Giorgio Maggiore, em Veneza, encomendou
uma tela a Paolo Veronese (1528-1588) para o refeitório do mosteiro, da mesma
largura e altura da parede.
A tela,
fiel ao Evangelho de João, retrata a passagem bíblica em que Jesus transforma
água em vinho, o seu primeiro milagre.
A única diferença
é que Veronese transpor o banquete para um contexto veneziano.
No centro
da tela, logo acima da cabeça de Jesus de Nazaré, um açougueiro corta um pedaço
de cordeiro. Este detalhe anuncia o futuro sacrifício de Jesus.
Bem ao lado
de Cristo sua mãe, Maria, usa um véu preto prefigurando o luto próximo de seu
filho. Com o dedo, ela aponta para um copo vazio. Assim, ela encoraja Jesus a
realizar seu primeiro milagre.
Com seu
formato de 677 × 994 cm, “As Bodas de Caná” é a maior tela do Louvre. Encontra-se
na Ala Denon e está exposta na sala da Mona Lisa, com a seguinte inscrição:
"D’après
la Bible, le Christ, invité à um repas de noces à Cana, en Galilée, accomplit
son premier miracle en changeant l’eau en vin, préfigurant l’Eucharistie. Dans
un décor théâtral mêlant le profane et le sacré, l’épisode biblique est
transposé dans le cadre fastueux d’une noce vénitienne au 16 siècle".
Tradução:
Segundo a
Bíblia, Cristo, convidado para uma festa de casamento em Caná, na Galileia,
realizou seu primeiro milagre transformando água em vinho, prefigurando a
Eucaristia. Num cenário teatral que mistura o profano e o sagrado, o episódio
bíblico é transposto para o cenário suntuoso de um casamento veneziano no
século 16.
ana
margarida furtado arruda rosemberg
Paris, 26
de setembro de 2022
quarta-feira, 5 de outubro de 2022
O MUSEU DE HISTÓRIA DA MEDICINA DE PARIS
O Museu de História da
Medicina (Musée d' Histoire de la Médecine), localizado no segundo andar do
prédio da Faculdade de Medicina René Descartes, no 6º arrondissement, é da
Universidade de Paris.
Herdeira das pinturas da
antiga Faculdade de Medicina,
suas
coleções, as mais antigas da Europa, foram reunidas por Dean Lafaye, no século
XVIII. Posteriormente, um importante conjunto de peças, abrangendo os diferentes
ramos da arte cirúrgica até o final do século XIX, foi acrescentado.
Durante
a Revolução Francesa, a Faculdade de Cirurgia foi fechada e os instrumentos ficaram
adormecidos em um sótão. Em 1795, o
ensino médico foi reaberto na Escola de Saúde. Por ocasião do Congresso de
Medicina de 1890, a ideia de um museu veio à baila, mas não prosperou. Em 1955,
o museu foi finalmente instalado em uma bela sala de 25 metros de comprimento e
8 metros de largura, decorada com talha na qual estão colocados retratos de
médicos e cirurgiões famosos, a maioria deles pintados no século XVIII.
Aos
instrumentos cirúrgicos reunidos por Dean Lafaye, no século XVIII, há um
importante conjunto de peças que abrangem os diversos ramos da arte cirúrgica
até o final do século XIX.
Coleções de serras
usadas para amputações em feridos de guerra, estão presentes. Verdadeiros Kits,
para a velha e popular trepanação, em caixas forradas de veludo, chamam a
atenção dos visitantes. Belos e artísticos instrumentos para o aparelho gênito-urinário,
despertam a nossa compaixão. Centenas de outros instrumentos utilizados na medicina
dos séculos passados estão expostos.
Mais de 2.000 medalhas
guardam a memória de médicos e cirurgiões famosos, evocam as grandes
descobertas e as datas de epidemias dramáticas. Mil gravuras e
litografias, 1.600 autógrafos e fotografias, 800 ex-libris de médicos e
cirurgiões completam o acervo.
ana margarida furtado arruda rosemberg
Paris, 18 de setembro de 2022
Por: Lira Neto - BRAVA GENTE NORDESTINA
Lira Neto
BRAVA GENTE NORDESTINA
Escrito por Lira Neto, verso@svm.com.br 07:00 / 04 de outubro de 2022.
O Nordeste disse não à política da morte, ao orçamento secreto, ao sigilo de 100 anos sobre malfeitorias. O Nordeste disse não à insensibilidade, à falta de caráter e ao cinismo.
O Nordeste disse não à matança de indígenas, ao conluio da bíblia, do boi e da bala. O Nordeste disse não ao ódio de classe, à rachadinha e aos rachadões.
O Nordeste disse não à irresponsabilidade ambiental, ao desmonte de políticas públicas em saúde e educação, à volta do Brasil ao mapa da fome. O Nordeste disse não ao negacionismo, à mentira descarada, ao racismo e ao flagrante despreparo.
O Nordeste disse não à violência no campo, à homofobia, ao sucateamento das universidades federais. O Nordeste disse não aos saudosos da ditadura, aos milicianos, aos adoradores de rifles e fuzis.
O Nordeste disse não à misoginia, à desvalorização do salário mínimo, à perda dos direitos trabalhistas. O Nordeste disse não aos ataques à cultura, ao retrocesso civilizatório, aos cortes na farmácia popular.
O Nordeste disse não à carestia, à agressão contra mulheres, à brutalidade com os vulneráveis, à reforma da Previdência. O Nordeste disse não à falta de compromisso com os direitos humanos, ao relaxamento da cobertura vacinal.
O Nordeste disse não ao desmatamento da floresta, às fake news, à interferência desavergonhada nos órgãos de fiscalização e controle. O Nordeste disse não ao extermínio de jovens pobres e pretos, à subserviência da Procuradoria Geral da República, à apologia da tortura.
O Nordeste disse não aos ataques à imprensa livre, ao garimpo ilegal, à liberação geral dos agrotóxicos. O Nordeste disse não à retórica golpista, às teorias conspiratórias, ao fisiologismo escancarado.
O Nordeste disse não à incompetência, à grosseria, à burrice orgulhosa de si mesma, ao cristianismo da boca pra fora. O Nordeste disse não à falta de vergonha na cara, à compra de mansões com dinheiro vivo.
O Nordeste disse não aos estereótipos e preconceitos. O Nordeste disse não à destruição do país. O Nordeste disse não ao falso messias.
sábado, 1 de outubro de 2022
ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA - PARIS
https://jornaldomedico.com.br/2022/09/jm-academia-nacional-de-medicina-paris/
A Academia Nacional de Medicina (ANM), erudita
sociedade médica francesa fundada em 1820, está localizada no número 16 da rue
Bonaparte, no 6º arrondissement de Paris.
A ANM, criada para responder às solicitações
governamentais em relação à saúde pública, é herdeira da Real Academia de
Cirurgia, fundada, em 1731, por Luís XV e da Real Sociedade de Medicina,
fundada, em 1778, sob Luís XVI.
De acordo com seus estatutos, a missão da ANM é
responder às solicitações governamentais sobre as questões relativas à saúde
pública e contribuir para o progresso da arte de curar.
A Academia é composta por: membros titulares,
membros correspondentes, membros associados e membros
honorários. Eles são divididos em quatro divisões: 1ª divisão: medicina e
especialidades médicas; 2ª divisão: cirurgia e especialidades cirúrgicas; 3ª
divisão: ciências biológicas e farmacêuticas; 4ª divisão: saúde pública. Os
membros são eleitos pelo colégio de membros titulares e membros titulares
eméritos. A eleição dos membros titulares é aprovada por decreto do Presidente
da República.
Atualmente,
a ANM é composta por 135 membros titulares; 160 membros
correspondentes; 180 membros estrangeiros (associados e correspondentes) e membros
honorários. Desde a sua criação, a Academia teve onze membros nacionais
ganhadores do Prêmio Nobel.
Ao longo de sua história, a
ANM publicou vários títulos de periódicos.
1)
Memórias da Academia de
Medicina
Em 1828, a jovem Academia de Medicina publicou “Memórias da
Academia de Medicina”, acolhendo memórias escritas por membros da Academia, bem
como por acadêmicos estrangeiros ou mesmo por vencedores de prêmios oferecidos
pela Academia. As Memórias foram extintas, em 1911, com seu 42º volume.
2)
Boletim da Academia de
Medicina
Em 1836, a Academia criou o
“Boletim da Academia de Medicina”, com a finalidade de registrar as sessões
acadêmicas e oferecer obras ou extratos de obras, relatórios de debates,
correspondências, obituários etc. O referido Boletim ainda existe sob o título de
“Bulletin de l'Académie Nationale de Médecine” e oferece uma média de nove
edições por ano. É o principal ponto de acesso a qualquer pesquisa sobre a
história da Academia, seus debates e suas orientações.
3)
Relatórios sobre as vacinas
realizadas na França
A instituição “Comitê
Central de Vacinas”, absorvida pela Academia, registra relatórios sobre
vacinação, relatórios sobre revacinações praticadas na França e nas colônias
francesas. Além do relatório geral e sintético, eles incluem numerosos quadros
estatísticos, bem como relatórios e observações dedicados a assuntos ou
regiões.
4)
Catálogo de gravuras, obras
de arte e objetos
O catálogo
é um extrato do banco de imagens e retratos da Biblioteca. Em forma de banco
iconográfico, este catálogo lista todo o patrimônio artístico e iconográfico
mantido pela Biblioteca da Academia. Há uma coleção de cerca de 8.000 retratos
de médicos e acadêmicos de todos os países e de todos os tempos, composta por
cerca de 4.500 gravuras e 3.500 fotografias. A Biblioteca da Academia deve a
maior parte desta coleção única na França à paixão de um médico de Lyon,
Jean-Marie-Placide Munaret (1805-1877).
Nas “Jornadas do Patrimônio Europeu”, a Academia Nacional de
Medicina abre as suas portas para os parisienses e turistas.
ana margarida furtado arruda rosemberg
Paris 17.09.2022
Referências
https://gallica.bnf.fr/edit/und/bibliotheque-de-lacademie-nationale-de-medecine
https://bibliotheque.academie-medecine.fr/publications/
https://fam.fr/l-academie-de-medecine/
http://www.academie-medecine.fr/











