quarta-feira, 26 de outubro de 2022

SÃO LUCAS - o médico evangelista

 Publicado no Jornal do Médico

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https://jornaldomedico.com.br/2022/10/sao-lucas-o-medico-evangelista/



O dia 18 de outubro, escolhido para homenagear os médicos, é consagrado pela Igreja Católica a São Lucas, padroeiro dos pintores, médicos e curandeiros e autor do evangelho e dos Atos dos Apóstolos, terceiro e quinto livros do Novo Testamento.

Pouco se sabe da vida de São Lucas. Segundo a tradição, Lucas era um médico natural de Antioquia, cidade situada em território hoje pertencente à Síria, que na época era um dos mais importantes centros da civilização helênica, na Ásia Menor.  

Ele viveu no século I d.C., desconhecendo-se a data do seu nascimento e de sua morte. No versículo 24 da Epístola a Filemon de Paulo de Tarso, encontramos a mais antiga referência a Lucas. Outra menção encontra-se no “Prólogo Anti-Marcionita ao Evangelho de São Lucas”, que diz: “Lucas era um médico sírio que se tornou discípulo dos apóstolos e foi seguidor de Paulo até o seu martírio.

Solteiro e sem filhos, serviu ao Senhor com perseverança e morreu aos 84 anos de idade. Lucas não foi testemunha ocular dos acontecimentos que narra em seu evangelho, mas provavelmente esteve com os que seguiam a Jesus.

Na epístola de São Paulo aos colossenses, há uma referência a Lucas, como “O Médico Amado”. Segundo a tradição, Lucas além de médico, era pintor, músico e historiador. Seu evangelho utiliza uma linguagem mais aprimorada que a dos outros evangelistas, revelando um perfeito domínio do idioma grego.

Segundo alguns, Lucas morreu martirizado, vítima da perseguição dos romanos ao cristianismo; segundo outros, morreu de morte natural em idade avançada. Não se sabe ao certo onde foi sepultado.

Na versão mais provável e aceita pela Igreja Católica, seus despojos encontram-se em Pádua, na Itália, onde há um jazigo com o seu nome visitado pelos peregrinos.

Sua vida foi tema do romance histórico “Médico de homens e de almas” de autoria da escritora Taylor Caldwell. Também Eurico Branco Ribeiro é autor de uma magnífica obra em quatro volumes, intitulada “Médico, Pintor e Santo”. Nesta obra, Ribeiro nos mostra que é bem antiga a escolha de São Lucas como patrono dos médicos, nos países que professam o cristianismo.

Em 1463, a Universidade de Pádua iniciava o ano letivo no dia 18 de outubro, para homenagear São Lucas. Neste dia, comemora-se o “dia dos médicos”, em muitos países, dentre os quais: Brasil, Portugal, França, Espanha, Itália, Bélgica, Polônia, Inglaterra, Argentina, Canadá e Estados Unidos.

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Fortaleza, 18 de outubro de 2022

PSIQUÊ REANIMADA PELO BEIJO DO AMOR

Ppublicado no Jornal do Médico.

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 https://jornaldomedico.com.br/2022/10/psique-reanimada-pelo-beijo-do-amor/


Psiquê Reanimada pelo Amor - Canova - Louvre - Paris


No Museu do Louvre-Paris, na Ala Denon - Galeria Michelângelo, encantando os turistas do mundo inteiro e eternizando o amor de Eros e Psiquê, uma belíssima obra de arte de Antonio Canova (1757-1822) intitulada: “Psyché ranimée par le baiser de l’Amour” (1793)

Este escultor italiano retratou no mármore um jovem alado "l'Amour” pousando em uma rocha, onde uma jovem jaz inconsciente. Ele é o deus Amor – ou Cupido em latim – reconhecível por suas asas e sua aljava cheia de flechas; ela é Psiquê, uma bela mortal. Este momento, capturado por Canova, é quando o Amor abraça Psiquê com ternura, endireita-a e aproxima seu rosto do rosto de sua amada.  Psiquê suavemente se deixa retroceder e, com um gesto lânguido, enlaça o seu amado.

 Canova se inspirou em uma lenda relatada pelo escritor e filósofo romano Apuleio (124-170) em suas Metamorfoses que nos conta a reunião dos deuses para conceder ao deus Amor a mão de Psiquê, dando assim à jovem a imortalidade e o status de deusa da alma.

Psiquê era uma bela mortal por quem Eros (cupido), o deus do amor, ficou perdidamente apaixonado. Sua paixão despertou a fúria de sua mãe, Afrodite, deusa da beleza, que mandou seu filho atingir Psiquê com suas flechas, fazendo-a se apaixonar por um ser monstruoso.

Porém, ao contrário do esperado, Eros acabou se apaixonando por Psiquê. Depois de perder a confiança de Eros, por ter seguido os conselhos de suas irmãs invejosas, Psiquê vai reconquistá-lo. Para isto, ela enfrenta quatro trabalhos que Afrodite lhe dá. No final, Psiquê cai em sono profundo e Eros vai despertá-la com um beijo.

 Implorando a intervenção de Zeus, Eros consegue que Afrodite aceite o seu amor. O deus Hermes leva Psiquê à “Assembleia Celestial” e ela se torna imortal. Finalmente, Psiquê se une a Eros e o fruto do amor foi uma filha, chamada de Prazer.

Em grego "psiquê" significa tanto "borboleta" como "alma". A borboleta é uma alegoria a imortalidade da alma, que depois de uma vida rastejante como lagarta torna-se um belo aspecto da primavera.

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Fortaleza, 13 de outubro de 2022


sexta-feira, 14 de outubro de 2022

UM OBELISCO CENTENÁRIO E FLORIDO PARA A TIA JUCA




UM OBELISCO CENTENÁRIO E FLORIDO PARA A TIA JUCA

Maria Julieta Távora de Arruda Monteiro (tia Juca), a quinta entre os nove filhos do casal Raimundo Arruda e Noemy Távora de Assis Arruda, nasceu no dia 19.05.1927, em Belém do Pará. Sua longa e profícua trajetória terrena, de mais de 95 anos, encerrou-se no dia 12.10.2022.

Tocantes e merecidas homenagens lhe foram prestadas por familiares e amigos em seu velório, na funerária Paz Eterna, em Fortaleza. Porém, devo ressaltar que a maior homenagem foi seu túmulo em um jazigo centenário, em forma de obelisco, onde repousam seus pais, Raimundo e Noemy, e seu tio materno Olintho, no cemitério São João Batista de Fortaleza.

A história desse jazigo é fruto do amor de Maria Távora de Assis, avó materna de Julieta, por seu filho Olintho Távora de Assis, consumido pelo bacilo da tuberculose, na flor da idade.  

Marinheiro da Marinha de Guerra, Olintho contraiu tuberculose a bordo de um dos navios e foi enviado para a casa dos pais com pouco mais de 19 anos, falecendo no dia 30 de maio de 1923, antes de completar 20 anos.

Sua mãe, ao ver o filho sendo enterrado em uma cova simples, cavada no solo, tratou de erigir um túmulo sobre a mesma e afixar duas placas: com os seguintes dizeres:

 

 OLINTHO TÁVORA DE ASSIS

           28-6-1903

          30-5-1923

SAUDADES DE SUA MÃE E IRMÃOS

e

JAZIGO PERPÉTUO DA FAMÍLIA

 DE MARIA TÁVORA DE ASSIS

 

Ao cair da tarde vendo de perto o caixão da tia Juca descer à sepultura e ser colocado ao lado dos restos mortais de seus pais e de seu tio Olintho, duas lágrimas quentes brotaram dos meus olhos cansados e correram pelos sulcos sinuosos das rugas do meu rosto.

 

Ao ver o coveiro, em seu trabalho tão essencial à humanidade, fechando o ciclo da vida de tia Juca, lembrei-me da parteira que, ao ajudar a minha avó Noemy durante o parto, abriu o ciclo da vida de sua filha Julieta, há 95 anos. Em silêncio, os reverenciei.

 

Olhei para o singelo obelisco e lembrei-me do magnifico obelisco de 3.300 anos, que veio do “Templo de Amon”, em Luxor, no Egito, e que os franceses ostentam orgulhosos na Praça da Concódia (Place de la Concorde), em Paris.

 

 Lembrei-me de um trecho do poema de Fernando Pessoa

 “O Rio da Minha Aldeia”

“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”.

Ao ver, finalmente, o centenário obelisco, rodeado com tantas flores, pensei: É O MAIS BELO OBELISCO DO MUNDO!

Se pudesse resumir a grandeza da Tia Juca em uma só palavra, seria: GENEROSIDADE 

 Ao deixar o cemitério, disse baixinho: Descansa em Paz, tia Juca!

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Fortaleza, 14 de outubro de 2022

 


terça-feira, 11 de outubro de 2022

AS BODAS DE CANÁ - PARIS

https://jornaldomedico.com.br/2022/10/as-bodas-de-cana-paris/ 


Em 6/06/1562, o beneditino Paulo, do mosteiro de San Giorgio Maggiore, em Veneza, encomendou uma tela a Paolo Veronese (1528-1588) para o refeitório do mosteiro, da mesma largura e altura da parede.


A tela, fiel ao Evangelho de João, retrata a passagem bíblica em que Jesus transforma água em vinho, o seu primeiro milagre.
A única diferença é que Veronese transpor o banquete para um contexto veneziano.

No centro da tela, logo acima da cabeça de Jesus de Nazaré, um açougueiro corta um pedaço de cordeiro. Este detalhe anuncia o futuro sacrifício de Jesus.

Bem ao lado de Cristo sua mãe, Maria, usa um véu preto prefigurando o luto próximo de seu filho. Com o dedo, ela aponta para um copo vazio. Assim, ela encoraja Jesus a realizar seu primeiro milagre.

Com seu formato de 677 × 994 cm, “As Bodas de Caná” é a maior tela do Louvre. Encontra-se na Ala Denon e está exposta na sala da Mona Lisa, com a seguinte inscrição:
"D’après la Bible, le Christ, invité à um repas de noces à Cana, en Galilée, accomplit son premier miracle en changeant l’eau en vin, préfigurant l’Eucharistie. Dans un décor théâtral mêlant le profane et le sacré, l’épisode biblique est transposé dans le cadre fastueux d’une noce vénitienne au 16 siècle".
Tradução:
Segundo a Bíblia, Cristo, convidado para uma festa de casamento em Caná, na Galileia, realizou seu primeiro milagre transformando água em vinho, prefigurando a Eucaristia. Num cenário teatral que mistura o profano e o sagrado, o episódio bíblico é transposto para o cenário suntuoso de um casamento veneziano no século 16.

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Paris, 26 de setembro de 2022


quarta-feira, 5 de outubro de 2022

O MUSEU DE HISTÓRIA DA MEDICINA DE PARIS

 


O Museu de História da Medicina (Musée d' Histoire de la Médecine), localizado no segundo andar do prédio da Faculdade de Medicina René Descartes, no 6º arrondissement, é da Universidade de Paris.

Herdeira das pinturas da antiga Faculdade de Medicina,
suas coleções, as mais antigas da Europa, foram reunidas por Dean Lafaye, no século XVIII. Posteriormente, um importante conjunto de peças, abrangendo os diferentes ramos da arte cirúrgica até o final do século XIX, foi acrescentado.

Durante a Revolução Francesa, a Faculdade de Cirurgia foi fechada e os instrumentos ficaram adormecidos em um sótão.  Em 1795, o ensino médico foi reaberto na Escola de Saúde. Por ocasião do Congresso de Medicina de 1890, a ideia de um museu veio à baila, mas não prosperou. Em 1955, o museu foi finalmente instalado em uma bela sala de 25 metros de comprimento e 8 metros de largura, decorada com talha na qual estão colocados retratos de médicos e cirurgiões famosos, a maioria deles pintados no século XVIII.

Aos instrumentos cirúrgicos reunidos por Dean Lafaye, no século XVIII, há um importante conjunto de peças que abrangem os diversos ramos da arte cirúrgica até o final do século XIX.

Coleções de serras usadas para amputações em feridos de guerra, estão presentes. Verdadeiros Kits, para a velha e popular trepanação, em caixas forradas de veludo, chamam a atenção dos visitantes. Belos e artísticos instrumentos para o aparelho gênito-urinário, despertam a nossa compaixão. Centenas de outros instrumentos utilizados na medicina dos séculos passados estão expostos.

Mais de 2.000 medalhas guardam a memória de médicos e cirurgiões famosos, evocam as grandes descobertas e as datas de epidemias dramáticas. Mil gravuras e litografias, 1.600 autógrafos e fotografias, 800 ex-libris de médicos e cirurgiões completam o acervo.

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Paris, 18 de setembro de 2022

Por: Lira Neto - BRAVA GENTE NORDESTINA


                                         Lira Neto

BRAVA GENTE NORDESTINA

Escrito por Lira Neto, verso@svm.com.br 07:00 / 04 de outubro de 2022.

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/lira-neto/brava-gente-nordestina-1.3285150

O Nordeste disse não à política da morte, ao orçamento secreto, ao sigilo de 100 anos sobre malfeitorias. O Nordeste disse não à insensibilidade, à falta de caráter e ao cinismo.

O Nordeste disse não à matança de indígenas, ao conluio da bíblia, do boi e da bala. O Nordeste disse não ao ódio de classe, à rachadinha e aos rachadões.

O Nordeste disse não à irresponsabilidade ambiental, ao desmonte de políticas públicas em saúde e educação, à volta do Brasil ao mapa da fome. O Nordeste disse não ao negacionismo, à mentira descarada, ao racismo e ao flagrante despreparo.

O Nordeste disse não à violência no campo, à homofobia, ao sucateamento das universidades federais. O Nordeste disse não aos saudosos da ditadura, aos milicianos, aos adoradores de rifles e fuzis.

O Nordeste disse não à misoginia, à desvalorização do salário mínimo, à perda dos direitos trabalhistas. O Nordeste disse não aos ataques à cultura, ao retrocesso civilizatório, aos cortes na farmácia popular.

O Nordeste disse não à carestia, à agressão contra mulheres, à brutalidade com os vulneráveis, à reforma da Previdência. O Nordeste disse não à falta de compromisso com os direitos humanos, ao relaxamento da cobertura vacinal.

O Nordeste disse não ao desmatamento da floresta, às fake news, à interferência desavergonhada nos órgãos de fiscalização e controle. O Nordeste disse não ao extermínio de jovens pobres e pretos, à subserviência da Procuradoria Geral da República, à apologia da tortura.

O Nordeste disse não aos ataques à imprensa livre, ao garimpo ilegal, à liberação geral dos agrotóxicos. O Nordeste disse não à retórica golpista, às teorias conspiratórias, ao fisiologismo escancarado.

O Nordeste disse não à incompetência, à grosseria, à burrice orgulhosa de si mesma, ao cristianismo da boca pra fora. O Nordeste disse não à falta de vergonha na cara, à compra de mansões com dinheiro vivo.

O Nordeste disse não aos estereótipos e preconceitos. O Nordeste disse não à destruição do país. O Nordeste disse não ao falso messias. 

sábado, 1 de outubro de 2022

ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA - PARIS

 https://jornaldomedico.com.br/2022/09/jm-academia-nacional-de-medicina-paris/


A Academia Nacional de Medicina (ANM), erudita sociedade médica francesa fundada em 1820, está localizada no número 16 da rue Bonaparte, no 6º arrondissement de Paris.
A ANM, criada para responder às solicitações governamentais em relação à saúde pública, é herdeira da Real Academia de Cirurgia, fundada, em 1731, por Luís XV e da Real Sociedade de Medicina, fundada, em 1778, sob Luís XVI.

De acordo com seus estatutos, a missão da ANM é responder às solicitações governamentais sobre as questões relativas à saúde pública e contribuir para o progresso da arte de curar.

A Academia é composta por: membros titulares, membros correspondentes, membros associados e membros honorários. Eles são divididos em quatro divisões: 1ª divisão: medicina e especialidades médicas; 2ª divisão: cirurgia e especialidades cirúrgicas; 3ª divisão: ciências biológicas e farmacêuticas; 4ª divisão: saúde pública. Os membros são eleitos pelo colégio de membros titulares e membros titulares eméritos. A eleição dos membros titulares é aprovada por decreto do Presidente da República.

Atualmente, a ANM é composta por 135 membros titulares; 160 membros correspondentes; 180 membros estrangeiros (associados e correspondentes) e membros honorários. Desde a sua criação, a Academia teve onze membros nacionais ganhadores do Prêmio Nobel.

Ao longo de sua história, a ANM publicou vários títulos de periódicos.

1)    Memórias da Academia de Medicina

Em 1828, a jovem Academia de Medicina publicou “Memórias da Academia de Medicina”, acolhendo memórias escritas por membros da Academia, bem como por acadêmicos estrangeiros ou mesmo por vencedores de prêmios oferecidos pela Academia. As Memórias foram extintas, em 1911, com seu 42º volume.

2)    Boletim da Academia de Medicina

Em 1836, a Academia criou o “Boletim da Academia de Medicina”, com a finalidade de registrar as sessões acadêmicas e oferecer obras ou extratos de obras, relatórios de debates, correspondências, obituários etc. O referido Boletim ainda existe sob o título de “Bulletin de l'Académie Nationale de Médecine” e oferece uma média de nove edições por ano. É o principal ponto de acesso a qualquer pesquisa sobre a história da Academia, seus debates e suas orientações.

 

3)    Relatórios sobre as vacinas realizadas na França

A instituição “Comitê Central de Vacinas”, absorvida pela Academia, registra relatórios sobre vacinação, relatórios sobre revacinações praticadas na França e nas colônias francesas. Além do relatório geral e sintético, eles incluem numerosos quadros estatísticos, bem como relatórios e observações dedicados a assuntos ou regiões.

 

4)    Catálogo de gravuras, obras de arte e objetos

O catálogo é um extrato do banco de imagens e retratos da Biblioteca. Em forma de banco iconográfico, este catálogo lista todo o patrimônio artístico e iconográfico mantido pela Biblioteca da Academia. Há uma coleção de cerca de 8.000 retratos de médicos e acadêmicos de todos os países e de todos os tempos, composta por cerca de 4.500 gravuras e 3.500 fotografias. A Biblioteca da Academia deve a maior parte desta coleção única na França à paixão de um médico de Lyon, Jean-Marie-Placide Munaret (1805-1877).

 

Nas “Jornadas do Patrimônio Europeu”, a Academia Nacional de Medicina abre as suas portas para os parisienses e turistas.

 

ana margarida furtado arruda rosemberg
Paris 17.09.2022

Referências

https://gallica.bnf.fr/edit/und/bibliotheque-de-lacademie-nationale-de-medecine

https://bibliotheque.academie-medecine.fr/publications/

https://fam.fr/l-academie-de-medecine/

http://www.academie-medecine.fr/


quarta-feira, 21 de setembro de 2022

AS QUATRO DEUSAS FAMAS DA PONTE ALEXANDRE III

Postado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

https://jornaldomedico.com.br/2022/09/as-quatro-deusas-famas-da-ponte-alexandre-iii-paris/ 

 AS QUATRO “DEUSAS FAMAS” DA PONTE ALEXANDRE III – PARIS

Em Paris, a “Ponte Alexandre III” é a mais bela das 37 pontes e passarelas que atravessam o rio Sena em seu percurso de 13 km pela cidade-luz.

A referida ponte ostenta, além de esculturas de ninfas, cupidos e leões, quatro imponentes esculturas de mulheres aladas, em bronze dourado. São estátuas alegóricas que trazem o mesmo tema: o cavalo alado Pégaso (da mitologia grega) sendo retido pela deusa Fama (Renommée em francês).

As esculturas estão localizadas nas extremidades da ponte em pilares monumentais de 17 metros de altura. Elas retratam a “Fama” das:  Guerra (França sobre Louis XIV), Combate (França Renascentista), Artes (França de Carlos Magno) e Ciências (França Moderna).  

“Fama” (mitologia romana) ou “Pheme” (mitologia grega) é uma deusa filha de Gaia (terra) e irmã de Saturno. Ela tem duas trombetas: a curta (dedicada à fofoca) e a longa (dedicada à fama).

Foi espalhando boatos que a deusa Fama garantiu que Dido soubesse da partida de Enéias. Ela, também, foi usada pela deusa Vênus, que queria se vingar dos habitantes de Ilha Lemnos, por terem abandonado o seu culto, quando ela traiu Vulcano com Marte. Através da deusa Fama, Vênus espalhou falsos rumores às mulheres de Lemnos e conseguiu desencadear uma batalha entre homens e mulheres da Ilha.

Por outro lado, a deusa Fama torna os heróis imortais reverenciando sempre suas memórias.

Fama deu lugar à figura dos anjos, da tradição judaico-cristã, que são seres alados, protetores e portadores das mensagens de Deus.

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Paris, 8 de outubro de 2022


HOSPITAL PITIÉ-SALPÊTRIÈRE DE PARIS

Postado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

https://jornaldomedico.com.br/2022/09/hospital-pitie-salpetriere-de-paris/ 


HOSPITAL PITIÉ-SALPÊTRIÈRE DE PARIS

O “Pitié-Salpêtrière” é um hospital parisiense de assistência pública, localizado no 13º arrondissement da cidade. É o maior hospital de Paris, com seus 90 prédios distribuídos em 33 hectares. São 77 serviços agrupados em 10 áreas, incluindo emergências. Quase todas as patologias são tratadas lá.

A origem do “Salpètrière” remonta ao século XVII, quando, em 1656, o rei Louis XIV mandou construir um hospital para confinar mendigos e mulheres loucas. O local escolhido foi uma fábrica de pólvora para munição, salitre (salpêtre).  Daí vem o nome “Salpêtrière”. Como fez nos “Invalides”, Louis XIV mandou, também, construir uma capela dedicada a São Luiz, uma das joias do “Salpêtrière”.

Em 1612, rainha Marie de Médicis construiu o hospício “Notre-Dame de la Pitiè”, no local de uma quadra de tênis em desuso. Neste local, hoje, fica a “Grande Mesquita de Paris”. O hospício foi erguido para prender mendigos, filhos de mendigos e órfãos. Em 1657, passou a ser dependente do “Salpêtrière”. Em 1911, novos edifícios do “Pitié” foram instalados ao lado do “Salpêtrière”. Em 1964, houve a fusão dos dois.

Curiosidades: Entre 1663 e 1673, Louis XIV enviou mais de 770 jovens francesas para o Quebec, a fim de contribuírem com a colonização da “Nova França”. Elas foram chamadas de "As Filhas do Rei". 240 delas estavam confinadas no “Salpêtrière”. Isso fez do “Salpêtrière” um local de concentração, repressão e detenção de mulheres.

Em 1789, quando eclodiu a Revolução Francesa, o hospital Salpêtrière,  o maior hospício do mundo, abrigava dez mil pessoas, e não tinha propriamente função médica: seus pacientes eram enviados para o “Hôtel-Dieu”.

 Durante a Revolução, nos dias 3 e 4 de setembro de 1792, cenas sangrentas aconteceram no Salpêtrière, onde os indigentes loucos estavam amontoados.

Em 1795, o dr. Philippe Pinel (1745-1826) revolucionou o hospital defendendo o fim do espancamento e do acorrentamento das prisioneiras.

De 1882 a 1892, a “Escola de Salpêtrière”, liderada por Jean-Martin Charcot (1825-1893), foi, com a Escola de Nancy, uma das duas grandes escolas da "idade de ouro" da hipnose na França. Charcot, o pai da neurologia, foi também imortalizado em uma obra de Arte de André Brouillet (1857-1914), “Une leçon clinique à la Salpêtrière”.

Seu trabalho sobre hipnose e histeria, na “École de la Salpêtrière”, inspirou tanto Pierre Janet em seus estudos de psicopatologia quanto Sigmund Freud, no que diz respeito à invenção da psicanálise.

No final do século XIX, organizava-se anualmente um famoso baile no hospício Salpêtrière: o baile para as loucas, assim como um baile para as crianças epilépticas.

O maior hospital de Paris é repleto de história.

 Em 1976, vários edifícios do Salpêtrière foram classificados monumentos históricos, como:  a capela, o pavilhão de entrada, a antiga força, a rouparia, a farmácia, entre outros. Esses edifícios, construídos pelo Rei-Sol para esconder a pobreza de Paris, hoje tratamas mazelas dos parisienses.

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Paris, 15 de setembro de 2022


terça-feira, 6 de setembro de 2022

PRIMÓRDIOS DA CARDIOLOGIA CEARENSE


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PARIS CIDADE VERDE

 Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

https://jornaldomedico.com.br/2022/09/paris-cidade-verde/



PARIS CIDADE VERDE

Paris é conhecida como a cidade-luz. 

Outros adjetivos cabem bem nesta cidade, como: cidade-verde, cidade-jardim, cidade-museu, cidade-monumento e cidade-história, entre outros.

Os espaços verdes parisienses atraem milhões de visitantes, contribuem para a qualidade de vida dos citadinos, contam a história da cidade e ilustram a evolução dos usos e da estética paisagística ao longo dos séculos. 

Os referidos espaços são locais de passeio, relaxamento, encontro, tranquilidade, liberdade e descoberta de que a biodiversidade, a qualidade do ambiente e a paisagem devem ser preservadas.

Além dos famosos bosques: “Bois de Boulogne” e “Bois de Vincennes”, há incontáveis jardins, squares e parques, de todos os tamanhos e gostos, espalhados pela cidade.

São 530 mantidos pela Prefeitura e mais de 3.000 espaços abertos. 

Os mais famosos são: “Jardin du Tuileries”, “Jardin du Luxembourg”, “Jardin des Plantes” e “Jardin du Palais Royal”, “Parc de Bagatelle”, “Parc de Belleville”, “Parc de Bercy”, “Parc de la Villette”, “Parc des Buttes Chaumont”, “Parc du Champ de Mars”, “Parc Floral de Paris”, “Parc Montsouris”, “Parc Monceau”,  “Square de la place Dauphine”, “Square de la Tour Saint-Jacques”, “Square des arènes de Lutèce”, “Square du docteur Calmette”, “Square du docteur Grancher”, “Square du quai de la Seine”, “Square du Vert Galant” (meu cantinho preferido em Paris).

Como bem definiu Rosemberg: “Paris é a sinfonia, as outras são variações do tema.”

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Paris, 30 de agosto de 2022

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

CAVERNA DE LASCAUX – ÚTERO DA ARTE PICTÓRICA (Texto 1)

Publicago no JM

https://jornaldomedico.com.br/2022/08/caverna-de-lascaux-utero-da-arte-pictorica/ 

Foto - Daniel Cojocaru - 20.08.2022

A “Caverna de Lascaux”, apelidada de "Capela Sistina da arte parietal, está localizada na comuna francesa de Montignac-Lascaux, região da Dordonha, Sudoeste da França. É uma das cavernas mais importantes do Paleolítico Superior pelo número e pela qualidade estética das suas pinturas. Sua idade é estimada em, aproximadamente, 20.000 anos.

A descoberta da caverna ocorreu em 8/09/1940, pelo jovem, Marcel Ravidat, durante uma caminhada em Montignac, com o seu cão Robô. Ao perseguir um coelho que se refugiou num buraco, o cão de Marcel o levou até a entrada da gruta. Marcel jogou uma pedra e percebeu a profundidade do buraco. Quatro dias depois, ele voltou com três amigos, abriram a entrada e desceram na gruta. Depois da fantástica descoberta a gruta começou a atrair turistas.

Em 1963, como o CO2 da respiração dos turistas estava estragando as pinturas, o governo francês resolveu fechar a gruta. As pinturas foram restauradas com êxito e, uma réplica parcial, Lascaux II, foi construída para os turistas. Iniciada em 1972, Lascaux II foi inaugurada em 1983.

Em 2012, foi construída a “Lascaux III”, uma reprodução parcial da caverna original, projetada para ser móvel, itinerante. A exposição foi projetada para viajar ao redor do mundo.

Em 2016, foi inaugurada outra réplica, Lascaux IV (Centro Internacional de Arte Parietal). Apresentando alta tecnologia, Lascaux IV é, entre outras coisas, um fac-símile completo de todas as partes decoradas da caverna (salão dos touros, divertículo axial, passagem, poço, abside e nave).

O que nos diz essas pinturas? São várias as teorias para explicar o que os nossos ancestrais queriam transmitir com as representações dos mais diversos tipos de animais da região. Só existe uma pintura retratando um homem que parece estar ferido.

Picasso, ao visitar Lascaux, em 1940, disse: "Nós não criamos nada, eles criaram tudo".

ana margarida furtado arruda rosemberg

Paris, 25 de agosto de 2022