sexta-feira, 15 de novembro de 2019

EXPOSIÇÃO DE ARTE - QUATRO ESTAÇÕES - MAUC - 13.11.2019

 

 




EXPOSIÇÃO “QUATRO ESTAÇÕES”

Abertura da Exposição: Museu da Universidade Federal do Ceará – MAUC

Fortaleza, 13/11/2019

APRESENTADORA: Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

Ao receber o convite de minha amiga Cida Fonseca para apresentar esta exposição “Quatro Estações”, que ora se instala neste Museu de Arte da UFC (MAUC), senti-me honrada e, ao mesmo tempo, diante de um desafio, pois não é tarefa fácil tecer considerações sobre a obra dessas quatro artistas cearenses. 

Falar sobre a obra da Cida, Fátima, Nínive e Suzan requer, antes de tudo, conhecer os desafios enfrentados por essas mulheres guerreiras no mundo das artes, historicamente dominado pelos homens. Certamente, foi preciso romper barreiras, superar preconceitos e enfrentar invernos rigorosos para hoje usufruírem essa primavera com multicores e perfumes variados.

Este projeto nasceu como desdobramento de uma pesquisa em Artes Visuais de Cida Fonseca, ao se questionar sobre a presença feminina na Arte Cearense. A primeira edição, batizada de “Guerreiras ou artistas?”, ocorreu em 2017, focalizando as agruras enfrentadas pelas mulheres artistas para serem reconhecidas. A segunda edição, “Mutiplicidades”, ocorreu em 2018, evidenciando a capacidade das mulheres de se desdobrarem em várias facetas na sociedade historicamente patriarcal. Esta terceira edição nos traz o seguinte questionamento: Qual é o papel da arte nos embates e lutas cotidianas da mulher artista na contemporaneidade?

Para compreender o questionamento desta exposição, é necessário conhecer a trajetória deste quarteto e, também, mergulhar na história da arte. É essencial retirar a pátina do tempo e visualizar a luta histórica das mulheres a fim de serem reconhecidas nas artes visuais. Apesar de estigmatizadas como sendo do lar, responsáveis pelo cuidado dos filhos e da casa, muitas mostraram através da arte que foram e ainda são importantes para o enriquecimento do mundo artístico e para a transformação da humanidade na luta por uma sociedade mais igualitária e justa.

O discurso sobre o papel das mulheres na sociedade tem questionado as bases sociais do patriarcado. Fala-se muito sobre o empoderamento das mesmas. Os museus tradicionais estão abrindo espaço às artistas, evidenciando que o grito da mulher para o reconhecimento de sua arte começa a ser ouvido. Finalmente, depois de um longo inverno, a primavera se avizinha.

A história da arte nos mostra que as mulheres sempre enfrentaram desafios quase intransponíveis. Artemísia Gentileschi, pintora barroca italiana do século XVII, considerada uma das mais importantes artistas de seu tempo, ao lado de Caravaggio, viveu em uma época em que as mulheres não eram aceitas na comunidade artística. Foi violentada e enfrentou muitos preconceitos. Seus quadros retratam mulheres fortes e sofredoras. Sua arte é hoje considerada feminista.

Em séculos passados, era negada a entrada de mulheres nas escolas de arte. No Brasil, a academia só aceitou mulheres como membro a partir de 1892. Somente no início do século XX, com o modernismo, as mulheres passaram a ter uma maior visibilidade. Artistas como Tarsila do Amaral e Anita Malfati são reconhecidas como precursoras e por terem quebrado tabus. Será que Tarsila e Anita foram realmente precursoras? Onde estão as outras mulheres na história da arte brasileira? Certamente elas estão ainda invisíveis e somente uma pesquisa primorosa é capaz de encontrá-las.

No Ceará, tivemos três grandes artistas que abriram as portas para uma nova geração de mulheres dedicadas à arte. São elas por ordem de idade:

Fideralina Correia de Amora Maciel, conhecida como Sinhá D'Amora. Ela nasceu em Lavras da Mangabeira, em 1906, e faleceu, em 2002. Foi pintora e escultora. Em 1933, transferiu-se para o Rio e estudou na Escola Nacional de Belas Artes. Foi para Europa e ingressou na Academia de arte em Florença, Itália, e na Académie de la Grande Chaumière, em Paris. De volta ao Brasil, entre outras realizações, fundou o Museu do Crato.

Maria de Castro Firmeza, conhecida por Nice Firmeza, nasceu em Aracati, em 1921, e faleceu em Fortaleza, em 2013. Nice se dedicava a ensinar pintura e bordados para crianças e mulheres. Ela foi a primeira mulher a ingressar na Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), na década de 1950, como aluna do Curso Livre do Desenho e Pintura e de Iniciação à História da Arte. O artista Estrigas foi seu companheiro de vida.

Outra grande pioneira das artes plásticas cearenses foi Heloisa Ferreira Juaçaba. Nasceu em Guaramiranga, em 1926, e faleceu em Fortaleza, em 2013. Foi pintora, escultora, tapeceira, desenhista e gravadora. Em 1960, a convite do reitor Antônio Martins Filho, Heloisa integrou o grupo de artistas que colaborou para tornar realidade o "sonho de museu" idealizado pelo então reitor. Em conjunto com os pintores Zenon Barreto e Antônio Bandeira, além de outros amigos que apoiaram a iniciativa, Heloisa reuniu, gradativamente, material artístico para que, em 1961, pudesse acontecer a inauguração oficial do MAUC, que ora abriga esta exposição.

A historiadora da arte americana, Linda Nochlin, em 1971, nos fez o seguinte questionamento: “Por que não houve grandes artistas mulheres?”. Ao que parece, a inserção das mulheres na arte dependeu do modo como as sociedades se organizaram ao longo da história, dando menos espaços a elas. Proibidas de se formarem nas principais instituições acadêmicas, as artistas mulheres eram vistas como amadoras pelos críticos de arte.

A partir da década de 1970, a arte feminista começou a ganhar importância social. A história feminista da arte nasceu com artistas e historiadoras que questionaram a falta de mulheres no meio artístico, como Linda Nochlin, Griselda Pollock, Miriam Schapiro, Laura Mulvey, entre outras. Elas inseriram novas temáticas e conceitos, como gênero.

Apesar de um número reduzido, é inegável a importância da mulher e seu espaço nas artes visuais. Muitas se imortalizaram, como: Sarah Dodson, americana; Alma Thomas, americana; Marie-Guillemine Benoist, francesa; Phoebe Anna Traquair, irlandesa; Mary Cassatt, americana; Zinaida Serebriakova, russa; Sophie Anderson, britânica; Maria van Oosterwijk, holandesa; Louise Abbéma, francesa; Frida Khalo, mexicana, Camile Claudel, francesa, Djanira Mota, brasileira; Pagu, brasileira; Lygia Pape, brasileira; Maria Bonomi, brasileira e tantas outras.

As artistas que ora nos brindam com sua arte são:

CIDA FONSECA - Licenciada em artes visuais pelo Instituto Federal do Ceará-IFCE. É artista visual, poetisa e artesã. Seus trabalhos versam sobre temas sociais, empoderamento feminino e surreais. Entre as técnicas utilizadas, estão a pintura em aquarela e a pintura acrílica.

FÁTIMA GOMES - Licenciada em artes visuais pelo Instituto Federal do Ceará-IFCE. É desenhista, pintora, arte-educadora e pesquisadora do patrimônio histórico cultural da cidade de Aquiraz. Seus trabalhos versam sobre temáticas de empoderamento e resistência femininas, temas fantásticos e fluidez das linhas.

NÍNIVE SANTIAGO - Licenciada em artes visuais pelo Instituto Federal do Ceará em 2017. É pós-graduada em História da Arte e Cultura Visual pela Universidade Castelo Branco. Utiliza conhecimentos adquiridos ao longo do curso para aplica-los nos seus trabalhos em Crochê, técnica que aprendeu com sua avó há mais de quinze anos, e em outras vertentes da Arte Têxtil, como bordado e tricô. Suas criações utilizam vários estados da arte, do figurativo ao abstrato; formas bidimensionais e tridimensionais, como objeto escultórico ou instalação, desenhos, performance utilitários ou decorativos.

SUZAN PAGANI - Licenciada em Artes Visuais pelo Instituto Federal do Ceará – IFCE, com formação continuada em Arte e Educação. É ilustradora, fotógrafa e pesquisadora com interesse em temas sociais e da natureza, questões ligadas aos direitos dos animais, direitos humanos, gênero, identidade, empoderamento e resistência feministas na luta contra a violência. Todas participaram de inúmeras exposições individuais e/ou coletivas.

A arte possui um papel significativo no sentido em que mostra, enquanto expressão, movimentos históricos e mudanças sociais. As artistas que hoje se presentam com 20 obras, contribuem para o crescimento das mulheres como personagens ativas na sociedade, rompendo paradigmas, favorecendo para que as mesmas conquistem espaços, antes ocupados pelos homens.

Hipócrates, o Pai da Medicina, nos ensinou, em seus aforismos, que a arte é longa, a vida é breve, a ocasião fugidia, a experiência enganosa e o julgamento difícil.

Que a arte de Cida, Fátima, Nínive e Suzan, ora apresentada, seja longa, seja eterna.

Obrigada pela atenção!






















 

 

 

































terça-feira, 29 de outubro de 2019

Por: Gilmário MourãoTeixeira - José Rosemberg - in memoriam

   
Fotos: ana margarida furtado arruda rosemberg 
      
Prof. José Rosemberg (1909-2005) (foto de 12/2002)           Dr. Gilmário Mourão Teixeira (foto de 12/2018)


                                    Texto de Gilmário Mourão Teixeira 
                                                In: Bol. Pneumol. Sanit. 2006; 14 (1):49-50

José Rosemberg                                                                               In memoriam


            Escrevo, pela terceira vez, em tempos recentes, sobre a incomparável figura do Professor José Rosemberg. Nas duas primeiras, tomado de justificada alegria – no momento de seus noventa anos e por ocasião da homenagem que lhe prestou a Sociedade Cearense de Pneumologia e Tisiologia – e, nesta, consternado por sua morte, ocorrida aos noventa e seis anos de idade, na cidade de São Paulo, no dia 24 de novembro de 2005.

Possuidor de uma cultura multiforme inspirada no humanismo filosófico, Rosemberg percorreu com desenvoltura as grandes avenidas do conhecimento – literatura, história, filosofia, artes, ciências – conteúdos que lhe permitiram encarar com independência e propriedade as profundas mutações da sociedade de seu tempo. Aficionado às artes – plásticas e música sobretudo –visitou, mundo afora, galerias, museus, salas de concerto, onde, diante de uma obra-prima, não só comprazia-se com a emoção do belo, mas, também, era capaz de vivê-la, entusiasmar-se e discorrer sobre sua motivação, construção e repercussão, bom conhecedor que era da História das Artes. Experimentei a prova desse seu pendor quando, lá atrás, no início dos anos sessenta, brindou-me com uma gravação da “Sonata ao Luar” de Beethoven, tocada no último piano que pertenceu ao compositor. Não seria demasiado inferir-se que muito de sua elegância, esmero e nobreza, traços de sua personalidade, deva-se a essa sensibilidade pelo universo das artes.

A trajetória médica de Rosemberg abarcou múltiplas áreas – clínica, magistério, pesquisa, saúde pública – em que se empenhou com inteligência e mestria sem se afastar da observação da ética, da moral e do respeito aos direitos humanos.

Exerceu a docência de medicina, ampla e ininterrupta, desde recém-formado até as vésperas de sua morte. Integrante da escola de tisiologia brasileira do século passado, ao nível de seus grandes vultos, muito cedo, ali nos albores da quimioterapia que desmantelou o arsenal terapêutico da tuberculose e reescreveu a história dessa doença, progrediu para a pneumologia onde consagrou-se no país e fora dele; a essa época, transformou sua cátedra de Tisiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Católica de São Paulo, em disciplina de Tisio-pneumologia. Foi também Professor de Tisiologia da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, e Livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, além de uma exaustiva atuação em numerosos cursos, seminários e congressos nacionais e internacionais, distinguindo-se por muitas vezes, como relator de temas oficiais ou presidente do conclave. Cabe aqui um destaque para sua inestimável participação, ao longo de muitos anos, no Curso de Pneumologia Sanitária que o Ministério da Saúde realiza anualmente, por meio do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública. O brilhantismo de suas aulas doutas e atualizadas e a fidalguia do convívio, fizeram de Rosemberg uma figura de mestre e amigo que será sempre recordada por seus colegas e alunos.

Ao introduzir-se na área da pesquisa médica o Professor Rosemberg teve o cuidado de não deixar à margem a atividade da clínica, cônscio de que a observação do doente é a fonte do que se quer perquirir na investigação. De seus trabalhos, por sua importância para a saúde coletiva, destacam-se: a comprovação, no início da década de quarenta, da tolerância da vacina BCG por indivíduos já infectados pelo bacilo de Koch, avanço que permitiu a vacinação indiscriminada, sem prova tuberculínica prévia, chamada de “vacinação direta” pela OMS; a demonstração, em companhia de Nelson Sousa Campos e Jamil N. Aun, de que a vacina provoca a positivação da reação lepromínica e exerce poder protetor contra a hanseníase; numerosos estudos, muitos deles pioneiros no país, sobre a epidemiologia e efeitos do tabagismo.

A força de combatente que habitava nele, inspirada na ação e valores morais de sua formação humanística e social, fizeram-no abraçar uma das áreas de maior impacto em medicina – a da saúde pública – onde se envolveu com empenho e abnegação em duas vertentes de grande expressão: a campanha contra a tuberculose e a luta anti-tabagismo. Aqui, a participação do sanitarista Rosemberg, foi fecunda e se fez presente ocupando destacados cargos e funções, entre muitos outros: Diretor do Instituto de Pesquisas Clemente Ferreira, Diretor da Divisão de Tuberculose da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, Superintendente da CNCT no Estado de São Paulo, Membro do Comitê Assessor em Tuberculose do Ministério da Saúde, Membro do Comitê de Peritos em Tuberculose da OMS, Conselheiro da União Internacional contra a Tuberculose, Presidente do Comitê Coordenador  do Controle do Tabagismo no Brasil, Membro do Grupo Assessor para o Controle do Tabagismo do Ministério da Saúde, Membro da Comissão de Controle do Tabagismo do Conselho Federal de Medicina, Presidente da Comissão de Tabagismo da Associação Médica Brasileira.

Não foram menores os destaques no capítulo das honrarias: condecorado com a “Palmes Academiques”, no grau de Comendador pelo Governo Francês, Diploma Pesquisa e Enriquecimento Médicos conferido pelo “College de Medicine – Centre Français d’Information Permanente de Medicine, Medalha “Tabaco e Saúde” da OMS, Medalha “Anchieta” e Diploma “Gratidão da Cidade de São Paulo”, dados pela Câmara Municipal de São Paulo, Medalha “Memória da Tuberculose” outorgada pela Casa de Oswaldo Cruz e Centro de Referência Professor Hélio Fraga, Diploma “Mérito pela Valorização da Vida” concedido pela Secretaria Nacional Anti-Drogas da Presidência da República, Acadêmico Emérito da Academia de Medicina de São Paulo.

No que concerne a publicações, a produção científica do Professor Rosemberg situou-se entre as mais ricas: autor de 14 livros, dois deles com a participação de colaboradores, co-autor de quatro outros livros e autor isolado ou principal de 122 artigos publicados em revistas médicas especializadas nacionais e estrangeiras; merece destaque que seu livro “Tabagismo – Sério Problema de Saúde Pública”, foi laureado pela Academia Nacional de Medicina.

Essa foi a impoluta figura de cidadão, médico, professor, pesquisador que a Medicina Brasileira acaba de perder. Uma perda pesada que tardará em ser reposta nos quadros atuais da atividade médica do país. Mas, imensurável foi a perda representada pelo sentimento de falta e saudade que a ausência de Rosemberg deixou em seus familiares e em nós, seus amigos e companheiros de lutas ao longo de tantos anos.

Rosemberg deixou dois filhos: Ivan Rosemberg, economista, de seu primeiro casamento com Benedita Rosemberg, falecida, e Sergio Rosemberg, médico neuro-patologista, do segundo casamento com Iracema Azevedo, já falecida; sobreviveu-lhe também, sua esposa, nossa dileta colega, a pneumologista Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg que conclui agora o Mestrado em História na PUC-São Paulo, tendo como tema de dissertação “A Peste Branca e  Liga Paulista Contra a Tuberculose – 1899-1950”.


 



 



sábado, 5 de outubro de 2019

POR: RICARDO KELMER - PARIS, SUA INGRATA




PARIS, SUA INGRATA 
Por: Ricardo Kelmer

Fernando Henrique, tenho uma notícia difícil pra lhe dar. Melhor sentar.
Seguinte. Lula agora x é Cidadão Honorário de Paris. Sim, aquele metalúrgico retirante do interior de Pernambuco que virou Presidente da República. Sim, ele está preso, eu sei, mas agora é cidadão de honra parisiense. Assim como Nelson Mandela, exatamente. Quer um copo dágua?
A homenagem, concedida pela Prefeitura de Paris, foi em razão do compromisso de Lula com os direitos humanos e a redução das desigualdades sociais e econômicas no Brasil. Não fique assim, Fernando… Sim, eu sei que ele é o brasileiro que mais possui títulos honoris causa dados por universidades do exterior. Sim, claro, elas estão todas equivocadas. Calma, beba devagar.
Tem mais. O texto da homenagem cita a perseguição política que ele está sofrendo, que o faz ser vítima de um processo judicial injusto. E diz que por causa dele, os defensores da democracia estão sendo perseguidos. Não, você não está sendo perseguido, fique tranquilo.
Sim, compreendendo. Você vive a declarar seu amor pela bela Paris. Pois é, você fala francês, tem apartamento na Avenue Foch, come no restaurante do chef Guy Savoy, eu sei. Você nasceu no Brasil por engano, todos sabem.
Tem certeza que quer ficar só? Tá bom. Mas se precisar de algo, é só chamar, viu? Tchau.
Gente, por precaução, melhor vocês ficarem aqui perto da porta. E lembrem-se: nada de música francesa hoje. Deve ser muito ruim amar sem ser correspondido…


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