sábado, 7 de abril de 2018

NÃO À PRISÃO DE LULA


Imagens do Sindicato dos Metalúrgicos, ontem, 06.04.2018, em São Bernardo - São Paulo





EDITORIAL DO JORNAL DO BRASIL 06.04.2018


 JORNAL DO BRASIL - EDITORIAL 06/04/2018
O Brasil não merece esse Brasil


Hoje, amanhecemos em um dos dias mais tristes do Brasil. A prisão de um ex-presidente da República, fato que não encontra similar em qualquer página de nossa História, mesmo nos momentos de conturbação intestina. Dia triste, independentemente de termos ou não simpatia por esse metalúrgico pernambucano,  que chegou à alta magistratura do país, e, estando lá, deixou contribuição para nossa projeção no exterior. Triste, mais ainda, pelo fato de que, antes de se tratar de um presidente, foi um cidadão condenado, por crimes que sempre negou, sem que os tribunais lhe dessem a oportunidade de ir às últimas instâncias para defender-se. Nisso a Constituição também sai machucada. Ora, se esse é um direito que lhe é negado, por obra de filigranas jurídicas, imaginemos o que pode ocorrer com qualquer outra pessoa alvejada pelo martelo de um juiz na segunda fase de julgamento. 

Presidentes houve que tiveram de enfrentar quadras de doloroso constrangimento. Alguns apeados do poder por força de armas; outros, sob pressão político-partidária ou reféns, sem que tenham faltado aqueles que caíram, por não cederem a interesses inconfessáveis. Vargas, protagonista da tragédia maior, decretou sua própria morte. Mas nenhum preso, o que fez desta sexta-feira um dia melancólico, tanto para qualquer um de nós, que amanhecemos com ele, mas, se a História tem alma, também para ela, que haverá de dobrar essa página com imenso pesar. Ela, talvez mais ainda, porque estará guardando para o futuro uma sentença prolatada quando o julgamento ainda caminha, à procura de provas, não circunstanciais, mas consistentes. Lula está no centro dessa tragédia, cujo lance mais chocante, com sinais de exagero, foi a fixação da hora para se apresentar ao carcereiro. 

Neste mesmo espaço, cedendo a compromissos que supõe inarredáveis, este jornal levantou-se para afirmar que Lula precisava, como ainda precisa, ser tomado na conta de vítima privilegiada de uma estrutura política que se deixou dominar por vícios que, de tão poderosos, são capazes de ditar ao presidente concessões ou arbítrios que ele, em sã consciência, não toleraria. A reflexão ainda faz sentido hoje, porque a estrutura asfixiante sobrevive e vai sobreviver. Além do mais, é permitido denunciar que falta alguém no banco dos réus em que Lula se sentou. Quem? Os patriarcas das oligarquias que se elegem e se reelegem infinitamente, e na prática desse crime são capazes de fazer tanto, ou mais, do que se atribui ao ex-presidente. O juiz Moro devia dar assento nesse banco aos que armam esquemas milionários para fazer a estreia de seus filhos e dos cônjuges na política, sem faltar espaço para os amigos do poder, que descobrem em pizzaria malas de muitos milhares de dólares. E os senadores, que se subornam, mas afirmam que se trata apenas de empréstimo pessoal e amigável. Em que celas o douro Moro mandaria que se hospedem os autores desse velhaco fundo partidário, onde vão beber os sedentos de sempre? Lula, solitário, por ser acusado de receber, de prêmio, um tríplex, o que é grave, mas depende de comprovação. E os que serviam fielmente a governos anteriores e hoje têm trânsito livre no gabinete presidencial, ou quem, ironicamente ministro da Justiça na gestão Fernando Henrique, pratica, à vista de todos, acrobacia entre as dezenas de processo em que se indiciou. 

O mundo desaba nas costas do metalúrgico, sob o olhar indiferente de gente impune. Que dia triste!


terça-feira, 27 de março de 2018

POR: GUSTAVO CONDE : O HABEAS CORPUS DA DEMOCRACIA


Gustavo Conde é músico, linguista e professor. Lida com teorias do humor e com os processos de produção do sentido político. É autor do Blog do Conde, espaço de discussão de temas políticos, acadêmicos e literários

blog do conde




 O HABEAS CORPUS DA DEMOCRACIA

A vitória de Lula no STF foi maior do que se imagina. A lente do ceticismo que, de maneira compreensível nos toma a todos, impediu que assimilássemos sua dimensão real. E quem nos forneceu gratuitamente a "chave" dessa dimensão, ironicamente, foi a imprensa tradicional.
Ela interpretou o resultado com mais acuidade e interesse - e com profunda lamentação. A nossa leitura, acostumada com "derrotas" seguidas, não quis codificar o que estava diante de si: uma vitória espetacular.
A "mera" aceitação deste habeas corpus leva o processo de Lula ao labirinto infinito das subjetividades do Supremo. Isso eleva o cenário das possibilidades à décima terceira potência - o que continua sendo arriscado, mas agora para os dois lados.
Agora, pode-se pedir vista, pode-se adiar, pode-se enxertar, enfim, pode-se criar um debate sem fim. Sérgio Moro sofreu o seu maior cala-a-boca até aqui e ficou com a broxa na mão. A imprensa sabe que, a partir deste momento, o STF ficou menos manipulável. Em outras palavras: a infinitude narrativa migrou da Lava Jato para o STF.
O instante se traduz pela seguinte equação: o bloco do golpe terá de pressionar , daqui por diante, ministro por ministro - e não só a "adestrada" Cármen Lúcia. Isso gera muito mais trabalho e resulta em sub chantagens que escapam ao mundo controlado da 'realidade' golpista.
A confortável operação sangrenta de caça à Lula, portanto, foi lançada ao imponderável das crises existenciais que subjazem às ilhas supremas do nosso tribunal máximo, tão bipolar quanto irritadiço. Era tudo o que o golpe não queria.
O ethos histórico de um defensor
Essa vitória também atende pelo singelo nome de um veterano magistrado. A defesa de Lula conta com estrelas de primeiríssima grandeza, como Cristiano Zanin, Valeska Teixeira e Sepúlveda Pertence. Mas, eis que, aos 45 do segundo tempo, entra em campo um defensor que parecia estar guardando seu talento para aplicá-lo justamente neste preciso instante.
José Roberto Batochio colocou o STF no bolso. Fez uma defesa impecável, histórica, contundente, técnica e, ao mesmo tempo, inflamada. Sua voz incorporou o sentido geral de sua dicção: levemente afônica, com falhas específicas, quase calculadas. Um "granulado" vocal que hipnotizou o ministros.
O som se somou ao sentido porque aquele conjunto de "falhas" são decorrentes de densidade emocional, não de afonia por desgaste físico. Batochio impregnou o STF com sua voz e com sua erudição controlada e prática. Foi uma aula, um raro momento de soberania intelectual naquele tribunal que se autodegradou tanto de dois anos para cá.
Na esfera do conteúdo propriamente dito Batochio foi sutil como uma lâmina de aço forjado em dobras: invocou nada mais nada menos que Chrétien-Guillaume de Lamoignon de Malesherbes, o defensor de Luís XVI.
Narrou a tensão que cercava a defesa do magistrado francês no longínquo ano de 1792, mobilizando assim um conjunto de sensibilidades difusas em sua audiência, desde o banho de sangue da revolução francesa até a cifra trágica de se evocar um defensor que foi guilhotinado.
Feita essa complexa armadilha retórica, citou em francês a frase que deve estar ecoando até agora nos ouvidos dos ministros:
"J'apporte à la Convention la vérité et ma tête. Elle pourra disposer de ma vie quand elle aura entendu mes paroles". Tradução: "Trago à convenção a verdade e a minha cabeça. Poderão dispor da segunda, mas só depois de ouvir a primeira".
Está aberta a nova temporada de caça aos ministros
Ao dispor dessa tática de persuasão mais agressiva e passional, habitante histórica do próprio direito, Batochio impôs seu regime de sentido àquele tribunal. Pode-se ver a sessão quantas vezes quiser: o que ficará impregnado na memória e no juízo é a fala de Batochio.
Não bastasse o tom, a dicção, o conteúdo e a própria voz - significada na semiótica da respiração - Batochio ainda cometeu o abuso de improvisar: diante do iminente adiamento do mérito, pediu de maneira inesperada uma salvaguarda para seu cliente, de maneira a protegê-lo até o momento da decisão do Habeas Corpus propriamente dita.
Este pulo do gato jurídico - absolutamente legal e previsto na letra - devastou o horizonte azul-tucano do prosseguimento do golpe. Porque ele gera cenários mais complexos do que o mérito em si poderia gerar. A admissibilidade do Habeas Corpus reabre a temporada das pressões.
De uma certa maneira, repete a institucionalidade teatralizada do impeachment de Dilma Rousseff, mas, agora, diante de outra conjuntura política: o desgaste monumental do usurpador da república, do próprio STF e do próprio instituto das eleições majoritárias, na iminência de sua realização.
Não bastasse essa pletora de complicadores, o réu é nada mais nada menos do que o franco favorito a ser reconduzido ao cargo de presidente da república, além de estar indicado ao prêmio Nobel da Paz e de ter a atenção máxima da imprensa mundial que, diferentemente da brasileira, não tem rabo preso nem exerce pressões diretas naquele tribunal - senão as pressões legítimas da opinião pública internacional.
A dança das pressões
O STF re-encontrou, por assim dizer, sua razão de ser. Ele subtrai o protagonismo pálido e cansado de Sergio Moro e da Lava Jato - que arrasaram não só a economia, mas todo o ordenamento jurídico do país - e volta a tentar praticar algum tipo de direito com base na constituição.
Mais do que isso. O 7 a 4 de Lula tira de Cármen Lúcia o controle irrestrito dos prazos daquela corte. É por isso que a imprensa tradicional se quedou paralisada diante da decisão supracitada. Ela sabe que a narrativa do golpe sofreu um estilhaçamento. São 11 ministros. Enquanto se pressiona um, distensiona-se outro e assim por diante.
Não há energia suficiente - nem com todos os prêmios e minutos de jornal nacional - que dê conta de 11 ministros e suas respectivas vaidades e bipolaridades. Essa é a lógica, afinal, de um tribunal superior: sua indomesticação (ainda que por motivos meramente humanos, demasiadamente humanos).
Diante desta realidade, impõe-se obrigatoriamente o poder de convencimento e a inteligência, justamente os dois atributos que a defesa de Lula conseguiu mobilizar.
O debute dramático de Raquel Dodge
Vale o registro: diante da fala monumental de Batochio, não havia muito o que Raquel Dodge fazer. Mas, o desenrolar da sessão foi muito mais dramático do que isso. Raquel Dodge debutou para o país. Foi sua primeira intervenção de destaque nacional. E foi a pior performance que um procurador-geral da república poderia ter a infelicidade de experimentar.
Dodge gaguejou, errou (foi corrigida por Marco Aurélio) , vacilou e demonstrou que mal estudou a questão, num gesto de profundo desprezo pela corte que, ademais, é o que mais importa naquele lugar - negativamente, é óbvio.
Chegou a causar comiseração. O país não conhecia esse "destalento" de nossa 'incensada' procuradora, tão elogiada por Michel Temer que foi. Restou a Dodge a profusão infinita de memes e o papel de nova sub celebridade jurídica no concorrido mundo do direito brasileiro – que já conta com Janaina Paschoal e Sergio Moro.
A disputa sangrenta pela narrativa
Aliás, esse é outro ponto que merece um comentário. Máscaras caíram nesta sessão histórica. Poder-se-ia dizer: a realidade política brasileira mudou de novo. Mais do que representar a liberdade de Lula, o STF chocou a imprensa nativa e desorganizou todo o cenário costurado anos a fio para o encarceramento pirotécnico do ex-presidente.
Isso causa um certo pânico nas fileiras do golpe. E por uma razão muito simples: o que se perde não é propriamente a janela de um prisão cinematográfica antes das eleições. O que se perde é a narrativa. Este é o elemento de disputa mais sensível deste momento.
Todos estão em busca da "narrativa". É por isso que a Globo investiu todo o seu jornalismo na cobertura enviesada da execução de Marielle Franco. Eles viram em Marielle a chance de retomar um sentido já perdido, qual seja: o de estar ao lado do povo.
Ocorre que a estratégia, além de não dar muito certo - a rejeição à Globo continua com viés de alta - encontrou mais esse obstáculo: a perda de outro elemento narrativo: o garantismo temático do golpe - que seria a prisão e humilhação de Lula.
A população está no jogo
De sorte que as coisas não estão fáceis nem para a Globo e nem para a imprensa nativa de maneira geral neste momento. A eleição se aproxima e o desespero toma conta de um consórcio do golpe que não tem sequer um nome competitivo para estampar na cédula eleitoral.
A população brasileira, embora não esteja nas ruas como muita gente desejaria, está presente nas pesquisas e no clima generalizado de rejeição ao golpe. Isso é participação popular, sem a menor sombra de dúvida.
A população está dizendo: não tentem mais nenhum tipo de golpe. Nós estamos aqui e já deixamos claro quem nós queremos na liderança deste processo de retomada da história e da democracia.
A trágica execução de Marielle, de repercussão internacional, reacendeu essa chama de resistência e caráter da população brasileira, além de chamar a atenção da imprensa mundial para o que está ocorrendo aqui no Brasil em todos os sentidos.
Marielle estava presente naquele tribunal em que Batochio evocou a revolução francesa. Não poderia não estar. O crime de execução chocou todos os ministros porque chocou todos os brasileiros. O crime de execução foi intimidatório, foi em forma de recado, foi carregado de simbologia e de saturação deste golpe que destruiu toda a estrutura econômica e social do país.
A retomada do raciocínio democrático
Há um sentimento profundo de esgotamento desta narrativa lavajateira. A exceção dos odiadores profissionais de praxe, minoria tão ruidosa quanto insignificante, o país inteiro quer retomar seu raciocínio democrático e seu rumo histórico.
A vitória de Lula no STF, repleta de significado, precisa ser devidamente dimensionada. Ela é uma imensa pedra no sapato do golpe. Ela fere a narrativa assaz conhecida, pré concebida e controlada. Ela nos remete de volta a um fio de realidade, ao curso mais natural dos acontecimentos, à narrativa coletiva, democrática, consequente e com um mínimo de legitimidade.
Tudo está afluindo para esse momento. A imprensa trava sua relação conturbada com as redes sociais, as usinas de fakenews vão sendo desmascaradas (MBL e derivações), os candidatos do golpe vão se colocando - de maneira constrangedora, não importa - e a personagem mais resiliente de todo esse processo vai mostrando que ainda pode surpreender mais uma vez, não bastasse sua vida ser a própria surpresa encarnada, do nascimento às caravanas.
Como a garganta embargada - mas assertiva - de José Roberto Batochio, o brasileiro está com seu grito entalado na garganta. Ele teme soltar esse grito pois o cerco a que foi submetido contra sua vontade - a imposição de uma política que não foi escolhida em nenhuma urna - ainda grassa e ameaça, seja com os executores de Marielle, seja com o abandono de soberania em uma empresa como a Embraer, seja com o extermínio dos direitos trabalhistas.
Nesse sentido, Batochio tem ao menos mais cem milhões de colegas defensores de Lula. Todos que depositam sua esperança em Lula através das pesquisas de opinião estão lhe emprestando também a mais comovente e genuína defesa, a defesa que nasce diretamente do povo. Por isso, a importância da vitória, por isso a necessidade de comemoração, por isso o momento oportuno de reapropriação da narrativa.
Ali, da tribuna, José Roberto Batochio, por sua vez, também representou mais de cem milhões de brasileiros. Talvez o embargo e a profunda emoção que se apoderou de sua voz decorra das milhões de vozes que estavam ali também representadas.
Batochio investiu-se de autoridade e força retórica ao citar Malesherbes. Mas, certamente, Malesherbes também foi investido de profunda honra jurídica ao ser invocado por Batochio. Quem faz o protagonismo de seu tempo se conecta de maneira simétrica com seu antepassado. Que a coragem e a paixão de Batochio nos sirva de inspiração para os próximos passos em busca da narrativa democrática e da legitimidade republicana.

Artigo originalmente publicado no SITE Brasil 247.

quinta-feira, 8 de março de 2018

8 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER



MINHA HOMENAGEM ÀS MULHERES PROSTITUTAS QUE FIZERAM HISTÓRIA, NO DIA INTERNACIONAL - 8 DE MARÇO DE 2018

Participei ativamente na organização das primeiras comemorações do dia Internacional da mulher aqui em Fortaleza, na década de 80. Infelizmente, o dia da mulher foi desvirtuado. 
HOJE é dia comercial. Que tristeza. 

Este ano resolvi homenagear as mulheres prostitutas que são historicamente discriminadas e apedrejadas pela sociedade MACHISTA. 





quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

sábado, 10 de fevereiro de 2018

PARABÉNS, BOLOTA !



O sol nasceu hoje com a missão especial de iluminar o dia 10 de fevereiro de 2018. 
Ao ver a luz, minha Bolotinha me iluminou de uma felicidade inenarrável: a de ser mãe pela terceira vez. Essa felicidade não parou por aí, porque ela a desdobrou dando à luz ao Pepê e a Naná. Obrigada mil vezes, Bolota! Que a vida lhe traga muitas alegrias ao lado das pessoas que vc ama e que o Astro-Rei ilumine todos os seus dias. 
FELIZ ANIVERSÁRIO!











CÉLIA ZANETTI PARTIU !



                                                     Ana Margarida e Regina Célia Zanetti 

Célia Zanetti partiu! 

Assim… de repente... sem um adeus...

Um turbilhão de emoções invadiu minha alma e lágrimas brotaram de meus olhos cansados, quando soube de sua partida. 

Conheci a Célia no inicio da década de 1980, quando entrei para a União das Mulheres Cearenses (UMC).
Célia, Rosa e Maria formavam, o que depois passei a chamar, O TRIO DE AÇO. Seu jeito simples, seu sorriso franco e seu olhar meigo e sereno me cativaram para sempre. Com ela convivi, quase diariamente, durante os anos 80, no Casarão Democrático da Av. da Universidade, em Fortaleza. Foram inúmeras as reuniões para realização de eventos visando a emancipação das mulheres aguilhoadas e sufocadas pela opressão machista e pelos sistemas sociais retrógrados. Foi pra ela que mostrei, apreensiva, o meu primeiro texto sobre sexualidade feminina e jamais esquecerei sua expressão de surpresa e seu elogio sincero. Juntas compartilhamos um abraço suado e vitorioso no Ginásio Paulo Sarasate, quando a Maria Luiza conquistou a prefeitura de Fortaleza, em 1985. Politizada, devo a ela parte de minha consciência política... Estive ao lado dela em uma ocasião em que precisou de uma intervenção médica na Maternidade Escola Assis Chateaubriand, em Fortaleza, e testemunhei sua coragem e resistência. 
Regina Célia Zanetti, paulista de nascimento (08.04.1949) e cearense de coração, radicou-se em Fortaleza com o seu marido e companheiro de luta por uma sociedade libertária, Jorge Paiva, durante os anos de chumbo da ditadura militar. Em Fortaleza criaram a única filha, Juliana Zanetti Paiva. Em Fortaleza, Célia teve a alegria de ser avó, quando em 27 de novembro de 2015, no dia do aniversário da Maria Luiza Fontenele, nasceu Benjamin, filho de sua filha Juliana e de seu genro Robson. Em Fortaleza, Célia travou batalhas memoráveis com os companheiros e companheiras do movimento "Crítica Radical", lutando todos os dias de sua vida de militante para a emancipação humana visando uma sociedade libertária, igualitária e justa.
Ontem, 27 de janeiro de 2018, Celia partiu para outra dimensão deixando um legado indestrutível de luta e resistência. Descanse em paz, Célia, que essa legião de admiradores que você conquistou continuará nesta trincheira de luta que você construiu e nos legou.

Ana Margarida Arruda Rosemberg

São Paulo, 28 de janeiro de 2018




terça-feira, 26 de dezembro de 2017

DR. AGUIAR RAMOS PARTIU


DR. AGUIAR RAMOS
Partiu ontem,  dia 25/12/2017, em Fortaleza, o Dr. José de Aguiar Ramos. 
Mestre de incontáveis cirurgiões cearenses, o Dr. Aguiar deixa uma lacuna em nossa medicina, mas, ao mesmo tempo, uma legião de admiradores.
O seu corpo está sendo velado no Jardim Metropolitano-Fortaleza e será cremado após uma missa marcada para às 9h de hoje, 26/12/2017.
O coletivo MÉDICOS PELA DEMOCRACIA se solidariza com os familiares e amigos do Dr. Aguiar nesse momento de dor.

Transcrito da página do FACE do grupo: MÉDICOS PELA DEMOCRACIA

Médicos Pela Democracia: Nota De Pesar Pelo Falecimento Do Médico Aguiar Ramos

O Movimento Médicos pela Democracia vem manifestar seu pesar e sua solidariedade aos familiares, amigos e a todos os médicos cearenses devido ao falecimento de um dos seus mais ilustres representantes, o conceituado médico Dr. Aguiar Ramos.

Dr. Aguiar teve um passado de luta por uma saúde pública de qualidade e, em todos os cargos que ocupou, quer seja como gestor, ou como representante da nossa categoria, sempre teve uma atuação íntegra, destemida e voltada para os mais altos interesses da nossa população.

Desde sua criação em 1941, o Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará participa intensamente de lutas dos médicos. Só em 1964, na época do golpe militar, com sua Carta Sindical cassada, paralisou suas atividades por 10 anos. Dr. Aguiar se posicionou contra o ato da ditadura.

Como antes, após retornar às atividades, o Sindicato dos Médicos do Ceará sempre contou com o apoio irrestrito do Dr. Aguiar Ramos, tanto nas suas ações quanto nas reivindicações, inclusive nas épicas greves patrocinadas pelo Sindicato.

Terezinha Braga, que foi do Movimento de Resistência dos Médicos Residentes, lembra: “o Dr.Aguiar, quando ainda presidente do Centro Médico Cearense, foi para a Praça do Ferreira, por ocasião da nossa greve dos médicos residentes em 1979, para nos proteger de uma possível ação da polícia. Nossa gratidão e respeito.”

Mariano de Freitas, que foi Presidente do Diretório Acadêmico XII de Maio da Faculdade de Medicina e Presidente do Sindicato dos Médicos afirma: ” Dr. Aguiar Ramos foi, sem dúvida, um dos grandes formadores de cirurgiões do Ceará. Nosso querido Prof. AGUIAR é uma expressão da Medicina de nosso Estado. Ombreia-se com os fundadores da faculdade de Medicina da UFC”.

Dr. Aguiar, em reconhecimento à sua vida pública e profissional voltada para a defesa da classe, foi o primeiro a ser homenageado pelo Sindicato dos Médicos do Ceará com a Comenda Sindical Médica, uma das mais justas homenagens já realizadas.

Tentamos resgatar o acervo de discursos e fotos da homenagem recebida pelo nosso querido Dr. Aguiar para ilustrar nossa nota, mas a gestão do SIMEC apagou do seu site todo o passado da entidade, um desrespeito à história do Sindicato e de médicos homenageados.

Fica aqui registrado o nosso reconhecimento ao Prof. Aguiar pelo seu compromisso ético com a medicina, pela dedicação ao transmitir seus conhecimento aos jovens médicos e seus discipulos e por não só apoiar, mas ser uma referência de luta da categoria médica.

Aos familiares e amigos do Prof. Aguiar nossas mais sinceras saudações de pesar e de reconhecimento.

Movimento Médicos pela Democracia

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Por: Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg - LULA CONDENADO


Lula na Paraíba - inauguração popular da transposição do rio São Francisco - 19 de março de 2017
                                            
 LULA CONDENADO

"Lula será condenado no dia 24 de janeiro de 2018", dizem por aí. 
Mas não me digam... 
Será condenado por quem? 
Certamente não será pelo povo sofrido e espoliado dessa nação.
Pra quem não sabe, Lula começou a ser condenado no ventre de sua mãe, como tantas outras crianças que morreram no sertão nordestino de diarreia e desidratação. 
Entretanto, ele escapou. 
Lula já foi condenado dezenas de vezes em sua vida e sobreviveu a todas elas. Não vai ser agora abatido. 
Sabem por quê? 
Porque Lula não é uma pessoa. Lula é uma ideia. 
 Lula já entrou pra História. 
E a História, esta senhora altaneira e indomável, tratará de julgá-lo e absolvê-lo, no momento certo. 
E o julgamento da História permanecerá incólume por todo o sempre.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Fortaleza, 14 de dezembro de 2017

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

POR: ROBERTO SATURNINO BRAGA - Lula, o sábio.


Roberto Saturnino Braga


Do ex-senador Roberto Saturnino Braga, em seu Correio Saturnino 08.12.2017:

                                        Lula, o sábio
Ouvi falar do sucesso da caravana de Lula no Estado do Rio, da vibração do encerramento na UERJ, e fui revê-lo e re-ouví-lo no encontro de sábado pela manhã com artistas, no Othon Palace.
Fiquei efetivamente embevecido. E emocionado. Convencido de que ele é absolutamente imbatível na próxima eleição. Pelo carisma especial, que emerge da sua qualidade essencial, da sua vera origem humilde e popular; pela empatia fascinante que esta origem lhe dá, pela autenticidade, pela verdade da expressão que transmite, pela destreza com que usa a palavra e o gesto, pela sabedoria que a vivência e o sofrimento lhe conferiram.
Lula sempre foi um político extremamente competente, desde sua lide como sindicalista; agora, perseguido, ameaçado, difamado, enviuvado, sofrido, virou um sábio. Sábio no conhecimento, sábio na expressão, sábio no trato humano. Sabe de tudo da política do mundo e do Brasil; sabe o que é o equilíbrio e a maturidade, a dimensão certa do bom-senso; sabe o que é a alma humana e a alma brasileira; sabe dizer tudo o que pensa e o que sabe com uma brasilidade completa, uma qualidade brasileira insuperável.
Parece que tudo isso lhe deu saúde também: Faz tempo que não o via com tanta energia, com uma aparência tão hígida, tão animadora. Tudo isso contaminou em expansão e entusiasmo uma plateia grande, não sei quantos, um salão repleto de gente sentada e em pé por mais de duas horas.
Escutou comentários e incentivos prévios do grande Leonardo Boff, do cineasta Luiz Carlos Barreto, das professoras Isabel Lustosa e Marcia Tilbury, da atriz Beth Mendes, todos componentes de uma mesa bem presidida pelo nosso Emir Sader, e de dois outros também sentados à mesa, porém nitidamente escolhidos para um desempenho relevante na próxima eleição: o ex-Ministro Celso Amorim e o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.
Do primeiro, Celso Amorim, Lula definiu o desempenho desejado: Governador do Estado do Rio de Janeiro. Lançou o apelo para que aceitasse a missão difícil, e escutou da plateia o forte e uníssono clamor da aprovação, como se todos já esperassem aquela indicação. Eu também clamei com entusiasmo e disse para dentro de mim: Hosana!
O segundo foi também destacado como um indicado para missão de relevo. Só não foi explicitada esta missão. Ficou como um coringa desde já mobilizado, para uma tarefa magna a ser posteriormente definida.
Saímos todos em júbilo, sentindo que foi um encontro profundamente marcante de uma trajetória que o Grande Capital e seus estipendiados tentam barrar com novos golpes.
Terão certamente enorme dificuldade.
Lula é o mais completo e brilhante representante do povo brasileiro.