terça-feira, 13 de setembro de 2016

POR: FRANCISCO COSTA - ESPERO QUE NÃO SEJA PÁGINA FINAL, MAS O ÍNDICE DE VASTA OBRA

ESPERO QUE NÃO SEJA PÁGINA FINAL, MAS O ÍNDICE DE VASTA OBRA

                                                  Postado na página do Face de Francisco Costa
                                                   https://www.facebook.com/francicorcosta?fref=nf 
 
Eduardo Cunha cassado, e agora tudo o que a direta quer é que o fato seja o epílogo ou a tarja de FIM, o que na verdade pode ser o início do segundo volume de vasta obra.
Cunha nasceu na campanha de Collor, como o seu tesoureiro, no Rio de Janeiro, posteriormente vindo a ser sócio de PC Farias numa empresa, debutando por cima, na crista da onda da criminalidade política.
Esteve muito próximo de ser preso, por estar envolvido em todas as falcatruas colloridas, mas aconteceu a “suicidação” de PC, e ficou tudo no zero a zero.
Cunha foi para a geladeira, até ser resgatado por FHC, para promover o desmonte do sistema de telecomunicações do país e facilitar a privatização a preço vil, nos trazendo ao hoje, quando pagamos as maiores tarifas do mundo na telefonia e provedoria de internet.
Garotinho, outro notório corrupto, o levou ao sistema de habitação fluminense, e Cunha roubou tanto e tão descaradamente que o então governador fluminense teve que exonerá-lo.
Cunha, oportunisticamente, converteu-se ao fundamentalismo pentecostal, o charme da moda, o último a se converter foi Bolsonaro, passando a fazer locução na maior rádio gospel do país, onde criou um público cativo, eleitor do ungido do Senhor.
Com o slogan “o povo merece respeito”, Cunha se tornou o preferido dos ignorantes de Jesus, no Rio de Janeiro, com o apoio de Malafaia e Marco Feliciano, em São Paulo, alguns dos componentes da quadrilha ungida, vendedora de vassouras milagrosas, capazes de espantar o satanás mas não evitar uma cassação.
A rigor, o ex deputado teve presença ativa, passiva ou pelo menos teve conhecimento de todas as falcatruas, trambiques, maracutaias, lesas, rombos, achaques... Desde a era Sarney, caso por caso, nome por nome, e daí a sua autoridade, ao dizer derrubo mais um presidente, pelo menos um ministro, sete senadores e mais de cento e cinqüenta deputados.
Desta vez, por ter processos tramitando no STF, onde é réu, aliviou os santos de toga do STF, mas da vez anterior colocou alguns deles no mesmo saco de ladrões da coisa pública.
O celerado Zolhudo conviveu com Michel Temer por 14 anos, intimamente, com o Michell presidindo o PMDB, partido que fez parte, direta ou indiretamente, de todos os governos, desde o fim da Ditadura Militar, com vários nomes indiciados e até presos na Lava Jato.
A grande preocupação dos políticos do PMDB-PSDB-Dem é com o que eles chamam de “sangria”, a caça continuada a políticos que melhor estariam se no PCC ou CV.
Esperavam que a tirania de Curitiba ficasse nas suas origens: desmontar o PT e desmobilizar a esquerda brasileira, mas o negócio cresceu, o estoque de petistas acabou e a justiça ronda cabeças coroadas da direita.
Com o fim da imunidade e do direito de foro privilegiado, Cunha deve cair nas mãos de Sérgio Moro e aí a chance de se redimir de todos os malefícios feitos ao povo brasileiro: roubo, corrupção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, manobras regimentais, usurpação de poder, abuso de autoridade, trancamento de pautas, pautas bomba, arquivamentos indevidos... Culminando pela deposição de uma presidente legitimamente eleita e honesta, sem o que justificasse a sua deposição.
Como se redimir? Abrindo a boca e contando tudo o que sabe, sobre a esquerda, direita, de cima, de baixo, da pqp, de maneira que fechemos definitivamente um prostíbulo chamado política brasileira.
Pode ser também que não prendam Cunha, e aí só nos restará uma das três perguntas, ou as três: risco para o Temer? Risco para o Moro? Ou risco para toda a quadrilha que fraudulentamente se apossou do poder?
O tempo dirá.

Francisco Costa
Rio, 13/09/2016.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

POR: NILZE COSTA E SILVA - DILMA FICA!

Nilze Costa e Silva - escritora

Mesmo consumado o golpe, Dilma fica!

Nilze Costa e Silva
Mulheres do Ceará com Dilma


Dilma fica no nosso ideário feminista como guerreira da pátria brasileira, mulher de coração valente, que sempre lutou pela Democracia. 
Dilma fica como símbolo de resistência de quem nunca teve medo de se submeter ao julgamento da história.
Dilma fica porque a história a revelará como uma mulher honesta e heroína da Democracia. 
Nós, do Movimento Mulheres do Ceará com Dilma, nos construímos sobre a perversa violência moral e psicológica sofrida por Dilma em 2014, durante a abertura dos jogos da Copa. Reunimos mulheres que já pelejavam nos movimentos contra as desigualdades de gênero e se indignavam com os indicadores que mostram o mapa da violência contra a mulher: “A cada cinco minutos, uma mulher é agredida no país, física, sexual, psicológica ou moralmente”. 
Reunidas, de repente nos deparamos com a situação da presidenta Dilma Rousseff, que sofreu todos esses tipos de violência ao longo de sua vida. Na juventude, a tortura a que foi submetida para defender a Democracia contra a ditadura militar, que incluiu estupros e martírio psicológico. Na maturidade, quando passou a sofrer injúrias de toda ordem
por ter sido eleita primeira mulher presidenta do Brasil.
Dilma fica por sua coragem de enfrentar tantas vezes a tirania dos covardes inimigos da democracia. 
E nós ficamos com ela. O Movimento Mulheres do Ceará com Dilma está cristalizado e continuará lutando contra qualquer tipo de violência ao gênero feminino, contra o racismo e a homofobia, tendo como esteio o exemplo de coragem e a obstinação da Presidenta Dilma Rousseff!


Movimento MÉDICOS PELA DEMOCRACIA divulga Carta Aberta a Temer.


O senhor afirmou em discurso aos seus que não tolerará mais ser chamado de Golpista. Imaginamos que tal verdade deva lhe doer porque a verdade é como uma luz que rasga as trevas da tirania.Todos sabem que o impeachment, mesmo sem a existência de prova do crime de responsabilidade da presidente, foi o modo que o seu grupo encontrou para chegar ao poder. Afinal, não haveria como viabilizar o programa derrotado nas eleições de 2014, nem haveria outro meio para impedir a apuração dos muitos crimes de políticos indiciados ou processados que compõem o seu governo.Os votos que o senhor conseguiu arrecadar no Senado não são suficientes para apagar a verdade cristalina – o Golpe de 31 de Agosto de 2016 foi uma violência contra o povo porque lhe expropriou o direito de decidir quem o governa.
A mídia, que tanto atacou a presidenta deposta, por certo lhe será generosa, desde que atenda ao roteiro que foi estabelecido – destruir os direitos sociais, entregar de vez as riquezas nacionais e cumprir a receita do capital financeiro nacional e internacional. E os deputados e senadores que hoje o afagam lhe exigirão a garantia que o senhor não lhes pode dar – de que ficarão livres de condenação por seus crimes.
Nosso movimento tem particular interesse pela defesa do Sistema Único de Saúde - SUS. O seu governo, em contraposição, tem interesse em destruí-lo, tanto que escalou um ministro com a missão de favorecer os planos privados de saúde e reduzir os investimentos públicos. Não pode haver trégua entre nós e acreditamos que até mesmo os médicos que o seguiram na aventura golpista hão de abandoná-lo porque já estão tendo seus interesses prejudicados.
Nos últimos quinze anos, o governo passou a gastar cinco vezes mais com saúde e mesmo assim o Brasil não atingiu 4 dólares por dia para cada brasileiro, bem abaixo da média mundial. Apesar das muitas conquistas como o SAMU, imunização, tratamento de câncer e Aids, Farmácia Popular, transplantes e muitas outras, o SUS ainda não assegura o direito constitucional à saúde e por isso seria necessário ampliar as receitas e gastar de forma mais eficiente. Seu governo, entretanto, interessado em eliminar as conquistas sociais, decidiu cortar receitas e direitos.
Não bastasse, portanto, tudo de maligno que o senhor representa para o nosso país e para a Democracia, a decisão de reduzir e congelar despesas do SUS significa golpear fortemente a saúde e a vida da nossa população. Repetimos: não pode haver trégua entre nós!Resistiremos na defesa do SUS! Resistiremos na defesa da Democracia! Não temê-lo-emos!
Abaixo o Governo Golpista!
Eleições Já para Presidente da República.
01 de setembro de 2016.
Movimento MÉDICOS PELA DEMOCRACIA

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

POR: LUIS ERNESTO ARRUDA BEZERRA - CARTA ABERTA AOS QUE PEDIRAM O IMPEACHMENT NAS RUAS

Dr. Luis Ernesto Arruda Bezerra - Biólogo e Professor Universitário
Eu vou dizer uma coisa q talvez deixe muitos dos que participaram das ditas manifestacoes chateados comigo, por isso já peço desculpas de antemão. Aquelas manifestações de rua nunca foram "contra a corrupção". NUNCA. Elas froram contra a corrupção do PT. Tanto eram que quando os áudios do Jucá escancarando tudo, quando o Temer, Aécio, Serra foram citados em delação, não houve uma só passeata, uma só nota de repúdio, um só batido de panela. O que eu vi foram tentativas de justificativas (nao é bem assim, a lava-jato é imparável, etc. Ok. Se eles iam ou não parar a lava-jato não importa, o que importa é que eles queriam para-la). Ser contra a corrupção de um, e fechar os olhos para a corrupção de outro tem nome: HIPOCRISIA. Chamar o Lula de ladrao e o cunha de "meu malvado favorito" tem nome: HIPOCRISIA. Acusar um de corrupção, de estelionato eleitoral e votar em corrupto, em partido corrupto, é também ser conivente com a corrupção. Os fins nao podem, e nem devem, justificar os meios. Por isso é que acho q todos aqueles que foram as ruas eram tão corruptos quanto a corrupção que diziam combater, mas era um tipo diferente de corrupção, era a corrupcao das mentes e coracoes. Muitos que foram se disseram decepcionados com o PT, ou contra a ideologia do PT, ou contra o plano de governo do PT ou contra a política econômica do PT. Decepção, ideologia, plano de governo e politica economica se discutem na eleição e se resolvem nas urnas. Dizer que o impeachment é pelos crimes de responsabilidade é , no mínimo, discutivel. Os argumentos da acusação são fortes, assim como são os da defesa. Então, se houve ou não crime de responsabilidade eu não sei. O que sei é que o processo é uma vingança do Cunha pelos votos contrários no Conselho de Ética, é um conluio para "estancar a sangria" que encomendou por 45 mil reais uma acusação que fizesse com que o rito jurídico do processo fosse correto e que não veio das ruas, pois as ruas foram inundadas de um lado pelos derrotados nas eleições e que nunca aceitaram a derrota (vide o pedido de recontagem de votos, de auditoria nas urnas, da cassação da chapa) e por outro por aqueles que queriam que o seu voto fosse respeitado. Por fim, hj é um dia triste para a história brasileira, pois será empossado um presidente corrupto, de um partido corrupto e que porá em prática um plano de governo que não passou pelo debate das eleições e muito menos pelo crivo das urnas. Isso tem um só nome: GOLPE!!! Ass. Luis Ernesto Arruda Bezerra

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

GOLPE DE 2016 - MANCHA NEGRA EM NOSSA HISTÓRIA



Dilma Rousseff fazendo sua defesa no Senado Federal - 29/08/2016

Hoje, 31 de agosto de 2016, o Senado Federal do Brasil manchou indelevelmente a nossa História. A frágil democracia brasileira foi ferida pelo parlamento, através de um golpe travestido de impeachment.

Dilma Vana Rousseff, eleita por mais de 54 milhões de brasileiros, a primeira mulher presidenta do Brasil, acaba de ser apeada do poder sem ter cometido crime de responsabilidade.

Não valeram os editoriais denunciando O GOLPE E/OU A FARSA, dos maiores e mais importantes jornais do mundo como: Le Monde, New York Times, The Washington Post, The Guardian, El Pais e Al Jazeera; a brilhante defesa do advogado Eduardo Cardozo; os discursos lúcidos de senadores e deputados democráticos; as testemunhas de defesa; os apelos de artistas, intelectuais, profissionais liberais, escritores e povo em geral. 
Não valeram, ainda, as manifestações de rua do povo mais sofrido do Brasil, articuladas pela CUT, MST, MTST, Brasil sem Medo, Mulheres do Ceará com Dilma, Médicos pela Democracia, Juristas pela Democracia, União da Juventude Socialista, UNE, Jornalistas Livres, Imprensa Livre, Carta Capital, Mídia Ninja e tantas outras organizações democráticas que se espraiam por esse imenso Brasil.

Como Émile Zola dizendo J’accuse, em uma carta aberta endereçada ao presidente da França, Félix Faure,  e publicada no jornal L’ Aurore, em 13 de janeiro de 1898, defendendo Dreyfus, um oficial do exército francês, que, por ser de origem judaica, foi julgado e condenado por alta traição em um processo fraudulento; como o Senador Lindbergh dizendo “Eu Acuso”, na tribuna do Senado Federal do Brasil, em 29 de agosto de 2016, defendendo Dilma Rousseff, a primeira presidenta do Brasil, vítima de um golpe parlamentar, eu também digo: EU ACUSO.

Eu acuso a cúpula do PSDB, o vice-presidente da república, Michel Temer, o então Presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha e sua corja do PMDB, o DEM, a REDE GLOBO, as revistas: VEJA e ISTO É, a FIESP de São Paulo, a elite econômica, grande parte do judiciário brasileiro, e, principalmente, o mercado financeiro por tramarem tamanho crime contra a nossa democracia e a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff.

A História não começa e nem termina hoje. A História é um movimento. Segundo Marx, a História se repete como tragédia e/ou como farsa. No momento, ela se repete das duas maneiras.

Em 5 de abril de 1794, durante a Revolução Francesa, a caminho do cadafalso, Danton profetizou: "Vil Robespierre! Tu me seguirás! A 28 de julho do mesmo ano a cabeça de Robespierre rolou para o cesto de Samson. 
Aguardemos, portanto, pois os traidores e  golpistas não escaparão, profetizo eu. Serão julgados de uma forma ou de outra, já que do julgamento da História ninguém escapa.


Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

Fortaleza, 31 de agosto de 2016

domingo, 28 de agosto de 2016

GOLPE OU FARSA ? - LE MONDE 27/08/2016

LINK PARA O LE MONDE
http://mobile.lemonde.fr/idees/article/2016/08/26/la-triste-ironie-de-la-chute-de-dilma-rousseff_4988341_3232.html?xtref=http%3A%2F%2Fm.facebook.com%2F&utm_medium=Social&utm_campaign=Echobox&utm_source=Facebook&utm_term=Autofeed


LINK PARA UOL
http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/le-monde/2016/08/27/opiniao-queda-de-dilma-ou-e-golpe-de-estado-ou-e-farsa.htm

Opinião: Queda de Dilma ou é golpe de Estado ou é farsa

Editorial

 

"Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros."
Dilma Rousseff, a primeira presidente mulher do Brasil, está vivendo seus últimos dias no comando do Estado. Praticamente não há mais dúvidas sobre o resultado do julgamento de sua destituição, iniciado na quinta-feira (25) no Senado. A menos que aconteça uma reviravolta, a sucessora do adorado presidente Lula (2003-2010), que foi afastada do cargo em maio, será tirada definitivamente do poder no dia 30 ou 31 de agosto.
Dilma Rousseff cometeu erros políticos, econômicos e estratégicos. Mas sua expulsão, motivada por peripécias contábeis às quais ela recorreu bem como muitos outros presidentes, não ficará para a posteridade como um episódio glorioso da jovem democracia brasileira.
Para descrever o processo em andamento, seus partidários dizem que esse foi um "crime perfeito". O impeachment, previsto pela Constituição brasileira, tem toda a roupagem da legitimidade. De fato, ninguém veio tirar Dilma Rousseff, reeleita em 2014, usando baionetas. A própria ex-guerrilheira usou de todos os recursos legais para se defender, em vão.
Impopular e desajeitada, Dilma Rousseff acredita estar sendo vítima de um "golpe de Estado" fomentado por seus adversários, pela mídia, e em especial pela rede Globo de televisão, que atende a uma elite econômica preocupada em preservar seus interesses supostamente ameaçados pela sede de igualitarismo de seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT).

Inimiga número um de parte dos brasileiros

Essa guerra de poder aconteceu tendo como pano de fundo uma revolta social. Após os "anos felizes" de prosperidade econômica, de avanços sociais e de recuo da pobreza durante os dois mandatos de Lula, em 2013 veio o tempo das reivindicações da população. O acesso ao consumo, a organização da Copa do Mundo e das Olimpíadas não conseguiam mais satisfazer o "povo", que queria mais do que "pão e circo". Ele queria escolas, hospitais e uma polícia confiável.
O escândalo de corrupção em grande escala ligado ao grupo petroleiro Petrobras foi a gota d'água para um país maltratado por uma crise econômica sem precedentes. Profundamente angustiados, parte dos brasileiros fizeram do juiz Sérgio Moro, encarregado da operação "Lava Jato", seu herói, e da presidente sua inimiga número um.
A ironia quis que a corrupção fizesse milhões de brasileiros saírem para as ruas nos últimos meses, mas que não fosse ela a causa da queda de Dilma Rousseff. Pior: os próprios arquitetos de sua derrocada não são santos.
O homem que deu início ao processo de impeachment, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, é acusado de corrupção e de lavagem de dinheiro. A presidente do Brasil está sendo julgada por um Senado que tem um terço de seus representantes, segundo o site Congresso em Foco, como alvos de processos criminais. Ela será substituída por seu vice-presidente, Michel Temer, embora este seja considerado inelegível durante oito anos por ter ultrapassado o limite permitido de doações de campanha.
O braço direito de Temer, Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento do governo interino, foi desmascarado em maio por uma escuta telefônica feita em março na qual ele defendia explicitamente uma "mudança de governo" para barrar a operação "Lava Jato".
Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

LANÇAMENTO DO LIVRO " O CEARÁ E A RESISTÊNCIA AO GOLPE DE 2016"

Ocorreu ontem, 24/08/2016, às 19h, no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza-CE, o lançamento do livro "O Ceará e a Resistência ao Golpe de 2016". O obra é uma coletânia de artigos escritos por juristas, médicos, políticos etc e mostra o pensamento desses autores contra o golpe que ocorre no Brasil.
A publicação foi organizada por: Marcelo Ribeiro Uchôa, Inocêncio Rodrigues Uchôa, Antônio José de Sousa Gomes e Letícia Alves  e conta com a participação de 42 escritores.



















sexta-feira, 19 de agosto de 2016

SALVE O DIA DO HISTORIADOR - 19/08





Dia do Historiador
O dia do historiador foi instituído e será comemorado dia 19 de agosto!

Essa data foi escolhida em homenagem ao nascimento de Joaquim Nabuco – 19/08/1849 - que foi diplomata, poeta, orador e memorialista durante o Império e, apesar de nascido em família escravocrata, se opôs à escravidão em muitos de seus escritos. 
Do seu nascimento até 2009, ano em que a lei foi aprovada, passaram-se 161 anos; antes tarde do que nunca, afinal: “um povo sem história, é um povo sem memória”.
 
Abaixo um trecho da lei:
LEI Nº 12.130, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2009.
Institui o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.
O VICE–PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o É instituído o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
ana margarida

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

POR: PAULO NOGUEIRA

As vaias ao francês Lavillenie mostram que a cultura do ódio triunfou entre nós. Por Paulo Nogueira


 
Publicado no site DCM em 16/08/2016
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

O brasileiro está doente. Socialmente doente. Foi chocante, foi depressivo ver as vaias ao francês Renaud Lavillenie na noite em que o brasileiro Thiago Braz recebeu no Estádio Olímpico sua medalha de ouro.
Os sociólogos terão que reescrever o nosso perfil. Éramos um povo cordial, segundo os especialistas.
Somos hoje uma nação de gente cheia de ódio.
A primeira vaia a Lavillenie já fora um horror. Foi quando ele foi batido por Thiago.
Isso não é civilização.
A segunda, na entrega das medalhas, foi ainda pior.
Não há grandeza na vitória quando o vencedor se comporta desta maneira. É moralmente repulsivo.
O francês já experimentara seu castigo: a derrota numa prova em que ele era um dos grandes favoritos.
Já é um suplício. Jamais esqueceremos as lágrimas copiosas de Djokovic ao ser batido no torneio de tênis. Sua alma estava despedaçada.
Alguém acha que Lavillenie estava numa situação melhor que a de Djokovic ao ser derrotado? Uma das imagens mais desoladoras dos Jogos do Rio foi o choro quieto de Lavillenie no palco. Nem assim os brasileiros foram misericordiosos.
O público já mostrara uma atitude patológica ao vaiar o maior rival de Bolt, Gatlin.
“Não é exatamente uma cena comum”, disse o comentarista da BBC diante dos apupos, desagradavelmente surpreso.
O crime de Gatlin era o de ser o adversários mais qualificado de Bolt.
Os atletas olímpicos fazem monumentais sacrifícios para nos proporcionar momentos de encanto duradouros. Treinam duramente enquanto descansamos. Esfolam-se em disputas massacrantes enquanto os vemos com nossos traseiros no sofá, pipoca nas mãos.
Vaiá-los não é apenas prova de déficit civilizatório. É um ato de suprema ingratidão diante de quem nos entretém tanto.
Fomos sempre assim, e apenas nos iludíamos com a tese de que éramos gentis?
Ou alguma coisa aconteceu e destruiu nosso caráter?
Suspeito — apenas suspeito — que a campanha de ódio das grandes empresas de mídia tenha um papel relevante em nossa transformação negativa.
Cabe aos sociólogos investigar o fenômeno. E não estou incluindo aí o outrora cientista social FHC, hoje um miserável golpista e um propagador de ódio.

 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

POR: FIDEL CASTRO

Fidel Castro: O Aniversário



Divulgação
Fidel publicou um artigo intitulado "O aniversário", com reflexões sobre seus 90 anos
Com a palavra, o comandante:

Amanhã completarei 90 anos. Nasci em um território chamado Birán, na região oriental de Cuba. É conhecido com esse nome, embora nunca tenha aparecido no mapa. Devido a seu bom comportamento, era conhecido por amigos próximos e, desde já, por uma praça de representantes políticos e inspetores que se viam em torno de qualquer atividade comercial ou produtiva próprias dos países neocolonizados do mundo.

Em uma ocasião acompanhei meu pai a Pinares de Mayarí. Eu tinha então oito ou nove anos. Como ele gostava de conversar quando saía da casa de Birán! Ali era o dono das terras onde se plantava cana, pastos e outros cultivos agrícolas. Nos Pinares de Mayarí ele não era proprietário, mas arrendatário, como muitos espanhóis, que foram donos de um continente em virtude dos direitos concedidos por uma Bula Papal, cuja existência nenhum dos povos e seres humanos deste continente conhecia. Os conhecimentos transmitidos já eram em grande parte tesouros da humanidade.

A altitude era de até 500 metros aproximadamente, de colinas íngremes, pedregosas, onde a vegetação é escassa e por vezes hostil. Árvores e rochas obstruem o trânsito; repentinamente, a uma determinada altura, se inicia um planalto que calculo se estende aproximadamente sobre 200 quilômetros quadrados, com ricas jazidas de níquel, cromo, manganês e outros minerais de grande valor econômico. Daquele planalto se extraíam diariamente dezenas de caminhões de pinheiros de grande tamanho e qualidade.

Observe-se que não mencionei o ouro, a platina, o paládio, os diamantes, o cobre, o estanho e outros que paralelamente se converteram em símbolos dos valores econômicos que a sociedade humana, em sua etapa atual de desenvolvimento, requer.

Poucos anos antes do triunfo da Revolução meu pai morreu. Antes, sofreu bastante.

De seus três filhos homens, o segundo e o terceiro estavam ausentes e distantes. Nas atividades revolucionárias um e outros cumpriam seu dever. Eu tinha dito que sabia quem podia substituir-me se o adversário tivesse êxito em seus planos de eliminação. Eu quase ria com os planos maquiavélicos dos presidentes dos Estados Unidos.

Em 27 de janeiro de 1953, depois do golpe traiçoeiro de Batista em 1952, escreveu-se uma página da história de nossa Revolução: os estudantes universitários e organizações juvenis, junto ao povo, realizaram a primeira Marcha das Tochas para comemorar o centenário do natalício de José Martí.
Eu já tinha chegado à convicção de que nenhuma organização estava preparada para a luta que estávamos organizando. Havia total desconcerto nos partidos políticos que mobilizavam massas de cidadãos, desde a esquerda, à direita e ao centro, a politicagem que reinava no país provocava asco.

Quando eu tinha seis anos, uma professora cheia de boas aspirações, que dava aulas na escolinha pública de Birán, convenceu a família de que eu devia viajar a Santiago de Cuba para acompanhar minha irmã mais velha que ingressaria em uma prestigiada escola de freiras. Incluir-me foi uma habilidade da própria professora da escolinha de Birán. Ela, esplendidamente tratada na casa de Birán, onde se alimentava na mesma mesa que a família, convenceu-a da necessidade de minha presença. Definitivamente, eu tinha melhor saúde que meu irmão Ramón — que faleceu em meses recentes —, e durante muito tempo foi companheiro de escola. Não quero ser extenso, mas foram muito duros os anos daquela etapa de fome para a maioria da população.

Depois de três anos, enviaram-me ao Colégio La Salle de Santiago de Cuba, onde me matricularam no primeiro grau. Passaram-se quase três anos sem que jamais me levassem a um cinema.

Assim começou minha vida. Se eu tiver tempo, escrevo sobre isso. Desculpem-me se não fiz isto até agora, só que tenho ideias do que se pode e deve ensinar a uma criança. Considero que a falta de educação é o maior dano que se lhe pode fazer.

A espécie humana se defronta hoje com o maior risco de sua história. Os especialistas nestes temas são os que mais podem fazer pelos habitantes deste planeta, cujo número se elevou, de 1 bilhão em finais dos anos 1800, a sete bilhões no início de 2016. Quantos nosso planeta terá dentro de mais alguns anos?

Os cientistas mais brilhantes, que já somam vários milhares, são os que podem responder a esta pergunta e a muitas outras de grande transcendência.

Desejo expressar minha mais profunda gratidão pelas demonstrações de respeito, as saudações e os presentes que recebi nestes dias, que me dão forças para retribuir através de ideias que transmitirei aos militantes de nosso Partido e aos organismos pertinentes.

Os meios técnicos modernos permitiram escrutar o universo. Grandes potências como a China e a Rússia não podem ser submetidas às ameaças de impor-lhes o emprego das armas nucleares. São povos de grande valor e inteligência. Considero que faltou grandeza ao discurso do Presidente dos Estados Unidos quando visitou o Japão, e lhe faltaram palavras para pedir desculpas pela matança de centenas de milhares de pessoas em Hiroshima, apesar de que ele conhecia os efeitos da bomba. Foi igualmente criminoso o ataque a Nagasaki, cidade que os donos da vida escolheram ao acaso. É por isso que é preciso martelar sobre a necessidade de preservar a paz, e que nenhuma potência se dê o direito de matar milhões de seres humanos.

Fidel Castro Ruz
Em 12 de Agosto de 2016, às 22h34


Fonte: Granma; tradução de José Reinaldo Carvalho para Resistência