domingo, 21 de outubro de 2012

HOMENAGEANDO OS POETAS

MARGÔ E ROSE  -   FORTALEZA 23 DE DEZEMBRO DE 1994

AINDA PELO DIA DO POETA, DUAS DE NOSSAS POESIAS.


Margô dádiva do Céu, ente adorado
Amo-te eternamente em prosa e verso,
Única entre as mulheres, objeto amado
És minha luz, a origem do Universo.
Rose
        S. Paulo 15.11.96


PARA SEMPRE


Faz cinco anos que este mundo tu deixaste

E por força do cruel destino

De tua meiga Margô te separaste.

 

Para sempre, Rose, a toda hora

Tua imagem dia e noite me acompanha

A guiar os meus passos mundo afora.

 

Simbiosou-se tanto a nossa vida

Que o tempo da memória não borrou

Os momentos felizes que vivemos

Em eternas vigilias de amor.

 

Nosso leito não foi conspurgado agora

Retendo para sempre na lembrança

O calor ardente dos abraços

E dos beijos que me fartaram outrora.


Tua Margô               

Fortaleza, 24 de novembro de 2010.

 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O MÉDICO À PROCURA DO SER HUMANO

Rubem Alves
CRÔNICA - O médico à procura do ser humano
 
                                                                                               Por   Rubem Alves*

Antigamente a simples presença do médico irradiava vida. Antigamente os médicos eram também feiticeiros. “Mestre, diga uma única palavra, e minha filha será curada...”. A vida circulava nas relações de afeto que ligavam o médico àqueles que o cercavam. Naquele tempo os médicos sabiam dessas coisas. Hoje não sabem mais.

Aquele médico ao lado da menina: não se parece ele com um cavaleiro solitário que vai sozinho lutar contra a morte? Naquele tempo os médicos sabiam qual era seu destino. Havia muito sofrimento, sim.

Havia muito medo, sim. Medo e sofrimento são parte da substância da vida. Mas nunca soube de um médico que ficasse estressado. Não são as batalhas que produzem o estresse. As batalhas, ao contrário, dão coesão, pureza, integração ao corpo e à alma. O cavaleiro solitário é um herói com o corpo coberto de cicatrizes mas de alma inteira. Os estressados são aqueles que, sem ter uma batalha a travar, são puxados em todas as direções por uma legião de demônios.

A imagem do cavaleiro solitário que luta contra a morte é uma imagem romântica. Bela. Comovente. Quem não desejaria ser um? Criticam o romantismo. Fernando Pessoa comenta: mas não é verdade que a alma é incuravelmente romântica? O médico de antigamente era um herói romântico, vestido de branco. As jovens donzelas e as mulheres casadas suspiravam ao vê-lo passar. Ainda bem que a consulta permitia o gozo puro do toque da sua mão...

O cavaleiro solitário que luta contra a morte é um santo. Quem, jamais, ousaria pensar qualquer coisa de mau contra o médico? Hoje são comuns os processos contra os médicos por imperícia. Ser médico transformou-se num risco. Porque ninguém mais acredita na sua santidade. Talvez porque eles tenham deixado mesmo de ser santos... Mas, naquele tempo, as pessoas julgavam que o médico era um santo, e porque as pessoas pensavam assim, eles eram santos.

Eu me apaixonei pela imagem. Queria ser feiticeiro. Queria ser o cavaleiro solitário que luta contra a morte. Queria ser o santo. E esse ideal, para mim, não era uma abstração. Ele tinha um nome: Albert Schweitzer – um dos homens mais geniais do século XX. Organista, escritor, teólogo, fez um trato com Deus: até os 30 anos, faria essas coisas que lhe davam prazer cultural. Depois, iria se dedicar inteiramente aos sofredores. Entrou para a escola de medicina aos 30 e, depois de médico, passou o resto da vida num lugar perdido das selvas africanas, construiu um hospital de madeira e sapé onde distribuía alívio da dor. Claro, nunca ficou rico. Nem teve estresse. Sua bela imagem o fazia feliz. Ganhou o prêmio Nobel da Paz.

Não fui médico. Mas segui pela vida encantado por aquele quadro. O encanto foi quebrado quando fui fazer meu doutoramento nos Estados Unidos. Um dia fui ouvir uma palestra do diretor do hospital da cidade de Princeton, NJ, onde eu estudava. Ele começou sua preleção com esta afirmação que estilhaçou o quadro: “O hospital de Princeton é uma empresa que vende serviços”. “Meu Deus”, eu pensei. “Aquele médico não existe mais”.

E percebi que, agora, os médicos se encontram lado a lado com os prestadores de serviço, os encanadores, os eletricistas, os vendedores de seguro, os agentes funerários, os motoristas de táxi. É só procurar na lista de classificados. A presença mágica já não existe. O médico é um profissional como os outros. Perdeu sua aura sagrada. E me veio, então, uma definição do médico compatível com a definição que o diretor dera para o hospital de Princeton: “um médico é uma unidade biopsicológica móvel, portadora de conhecimentos especializados, e que vende serviços”.

Essa imagem, em absoluta conformidade com as condições sociais e econômicas do mundo moderno, não fez nada comigo. Não me comoveu. Não desejei ser igual. O mito de Narciso, eu acho, é o mito mais profundo. Todos nós, como Narciso, estamos em busca da nossa bela imagem. Mas para ver a nossa bela imagem temos necessidade de espelhos. Espelhos são os outros. É no rosto dos outros que vemos a nossa própria imagem refletida. Nos tempos antigos todas as pessoas eram espelhos para o médico. Todos o conheciam. Todos olhavam para ele com admiração. Hoje, morto o médico do quadro, o médico é agora procurado não por ser amado e conhecido, mas por constar no catálogo do convênio.

Seus espelhos não são mais os clientes, parentes, todo mundo. São os seus pares: colegas de empresa, sócios de consultório, congressos. Perigosas, essas relações entre pares. O primeiro assassinato registrado foi de um irmão que matou o irmão. A relação do médico antigo com seus espelhos era uma relação de gratidão e admiração. A relação do médico de hoje com seus espelhos é uma relação de inveja e competição. Acho que os médicos, hoje, são infelizes por causa disto: eles resolveram ser médicos por desejar ser belos como o cavaleiro solitário, puros como o santo, e admirados como o feiticeiro. Era isso que estava dentro deles, ao tomarem a decisão de estudar medicina. E é isso que continua a viver na sua alma, como saudade...

É. A vida lhes pregou uma peça. E hoje a imagem que eles vêem, refletida no espelho, é a de uma unidade biopsicológica móvel, portadora de conhecimentos especializados, e que vende serviços... Os médicos sofrem por saudade de uma imagem que não existe mais.

* Alves é psicanalista e escritor, autor de várias obras publicadas pela Editora Papirus. Esta crônica faz parte do livro “O médico”, 2002.

DIA DO MÉDICO

Postado no Blog do Paulo Gurgel  hoje, DIA DO MÉDICO.
 http://blogdopg.blogspot.com.br/





O vídeo traz a adaptação de uma crônica extraída do livro O Médico, de autoria de Rubem Alves.

O quadro interpretado no vídeo chama-se "O Doutor", de Samuel Luke Fildes.

Este vídeo, O Médico, foi produzido em parceira entre o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRMPR).


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

JOYEUX ANNIVERSAIRE, Ângela !

Chère Ângela,

Joyeux anniversaire !


Je t'offre mes meilleurs voeux.
Voici ce que je te souhaite jusqu’à ton prochain anniversaire : 1 an d’Allégresse, 12 mois de Plaisir, 52 semaines de Bien-être, 365 jours de Chance, 8 760 heures de Succès, 525 600 minutes d’Amour, pour un total de 31 536 000 secondes de bonheur !
Joyeux anniversaire et… à l’année prochaine !


Gros bisous

anamargarida
Le 16 octobre 2012

ÂNGELA E SEU NETO JOÃO

ANA E ÂNGELA

ANA E ÂNGELA


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

XI OLIMPÍADA CULTURAL - CASA DA TIA LÉA


A ESCOLA "CASA DA TIA LÉA' ENCERRA HOJE, 10/10/2012, SUA XI OLIMPÍADA CULTURAL, COM AS SEGUINTES ATIVIDADES:
CULTURAIS - ARTES CÊNICAS DAS CRIANÇAS E DOS PAIS E DESAFIO MATEMÁTICO.
ESPORTIVAS - FUTEBOL, VOLEI, HANDBALL, DAMA, XADREZ, CARI
MBA, BASQUETE E BANDEIRA.
PARABÉNS À CASA DA TIA LÉA PELA INICIATIVA DE OLIMPÍADAS ANUAIS PARA SEUS ALUNOS.

COMUNICO A TODOS, COM MUITA ALEGRIA, QUE O MEU NETO, PEDRO AUGUSTO ARRUDA DE MEDEIROS, GANHOU MEDALHA DE PRATA NO XADREZ. 
PARABÉNS PARA O PEPÊ POR SUA MEDALHA, COM VOTOS DE QUE SEJA A PRIMEIRA DE MUITAS QUE, CERTAMENTE, VIRÃO.
 
LIVRO DA PROGRMAÇÃO DAS OLIMPÍADAS

PEPÊ E SUA MEDALHA DE PRATA
 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

HOBSBAWM PARTIU



Faleceu hoje, dia 1 de outubro de 2012, aos 95 anos, um dos maiores historiadores de todos os tempos, Eric John Earnest Hobsbawm.


                               NOTAS BIOGRÁFICAS 

Hobsbawm nasceu em Alexandria, no Egito, no dia 9 de julho de 1917, sendo cidadão inglês, pois o Egito era colônia inglesa. Foi um historiador marxista, reconhecido internacionalmente, que nos deixou um grande legado. Seu pai, Percy Hobsbawm, era inglês e sua mãe, Nelly Grün, era austríaca. Ambos judeus. Hobsbawm passou os primeiros anos de sua vida em Viena e Berlim.  Com a morte de seu pai, em 1929, e a de sua mãe, em 1931, ele passou a morar, juntamente com sua irmã Nancy, com a tia materna Gretl e o tio paterno Sydney. A família mudou-se para Londres, em 1933, quando Hitler chegou ao poder. A mudança para a Inglaterra garantiu a sobrevivência de toda a família judaica.  Como historiador, formado pela Universidade de Cambridge, Hobsbawm via neste acontecimento a evidência de que análises históricas bem feitas podem indicar tendências futuras. Por isso, ele sempre se preocupou em aprimorar as análises históricas para criar mecanismos mais eficientes de predições econômicas e sociais.
 Dominando quatro idiomas, Hobsbawm participou de trabalhos de inteligência do exército britânico contra o nazismo, durante a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945). Após a guerra, cursou doutorado na Universidade de Cambridge. Criou com Christopher Hill, Rodney Hilton e Edward Palmer Thompson o "Grupo de Historiadores do Partido Comunista". Este grupo, nos anos 60, desiludido com o estalinismo procurou compreender a história da organização das classes populares em termos de suas lutas e ideologias, através da chamada “História Social”. 
Hobsbawm analisou a história do trabalhismo estudando as revoluções burguesas, a industrialização, as manifestações de resistência, luta e revolta da classe trabalhadora. Dedicou-se à interpretação do século XIX. Estudou o período que vai de 1789 (inicio da Revolução Francesa) a 1914 (inicio da Primeira Grande Guerra). Como fruto desses estudos publicou os livros: “A Era das Revoluções” (1789-1848), “ A Era do Capital” (1848-1875) e “A Era dos Impérios” (1875-1914). Estudou também o século XX. Fazendo análises profundas do mesmo, publicou “Era dos Extremos: o breve século XX”. Este livro tornou-se uma das obras mais importantes sobre a história recente da humanidade. Seu livro, "Tempos Interessantes", uma autobiografia, publicado em 2002, mescla fatos históricos com sua trajetória de vida. Seu último livro, "Como Mudar o Mundo", publicado em 2011, é um mergulho na história do marxismo, mostrando como a trajetória desse pensamento se entrelaçou com as lutas sociais e políticas. 
 Em 2003, Eric Hobsbawm veio ao Brasil para participar da primeira edição da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, no RJ. No mesmo ano, foi agraciado com o Prêmio Balzan para a História da Europa. 
Hobsbawm foi membro da Academia Britânica e da Academia Americana de Artes e Ciências. Foi professor de História no Birkbeck College – Universidade de Londres e  da New School for Social Research de Nova Iorque.  
Casou-se com Muriel Seaman, em 1943, e com Marlene Schwarz, em 1951. Com a segunda esposa teve dois filhos, Julia e Andy, e um filho chamado Joshua de uma relação anterior. Faleceu, hoje, 1 de outubro de 2012, aos 95 anos, em Londres, deixando sua mulher, Marlene, três filhos, sete netos, um bisneto e milhares de leitores. Hobsbawm deixa, também, uma legião de historiadores órfãos, que o admiravam profundamente.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg     
Fortaleza, 01 de outubro de 2012.


O historiador britânico Eric Hobsbawm recebe título de doutor honoris causa da Universidade de Viena
O historiador inglês Eric Hobsbawm durante palestra na primeira edição da Flip, em 2003

O historiador inglês Eric Hobsbawm durante palestra no Masp em 1995

O historiador inglês Eric Hobsbawm durante palestra na primeira edição da Flip, em 2003

O historiador Eric Hobsbawm e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na Universidade de Oxford

O presidente Fernando Henrique Cardoso e o historiador Eric Hobsbawm no Palácio da Alvorada, em 1995


 O historiador britânico Eric Hobsbawm na cidade de Paraty, em 1995







MORREU ERIC HOBSBAWM

ERIC HOBSBAWM -  FOTO DE 1995

FOLHA DE SÃO PAULO

01/10/2012 - 08h2

Historiador Eric Hobsbawm morre aos 95 anos em Londres

Publicidade
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Atualizado às 10h31.
Morreu na manhã desta segunda-feira aos 95 anos o historiador britânico Eric Hobsbawm, após uma longa pneumonia que o manteve internado por meses em Londres.
A informação foi confirmada pela filha do historiador, Julia. Hobsbawm morreu às 6h locais (3h em Brasília) no hospital Royal Free, na capital britânica.
"Ele será uma grande perda não só para sua mulher, Marlene, seus três filhos, sete netos e um bisneto, mas também para milhares de leitores e estudantes em todo o mundo", informou um comunicado feito pela família.
Uma das principais referências no estudo da história no século 20, o autor publicou mais de 30 livros, como "História do Século 20 - De 1914 a 1991", "Guerra e Paz no século 20" e "A Era dos Extremos". 

Fonte:  http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1161962-historiador-eric-hobsbawm-morre-aos-95-anos-em-londres.shtml