Galeria de Apolo (Galerie d’Apollon)
Por: ana margarida furtado arruda rosemberg
Sob o teto dourado, onde Apolo ainda espalha sua luz, repousavam coroas, tiaras e colares que guardavam séculos, ecos do poder de reis e do brilho de Napoleão.
O mármore lembrava glórias, o ouro cantava impérios.
Em 19.10.2025, domingo, manhã de outono, a luz se turvou, passos velozes cortaram o silêncio, e as joias do tempo foram levadas como se o passado pudesse caber em um bolso.
Sumiram as esmeraldas de Marie-Louise, segunda mulher de Napoleão Bonaparte; as safiras da rainha Marie-Amélie, mulher do rei Louis Philippe; as pérolas da imperatriz Eugénie, mulher de Napoleão III (Napoléon le Petit), com dizia Victor Hugo.
Sumiram diamantes que viram impérios nascer e ruir, entre outras joias.
A galeria ficou vazia por um instante, mas o mito não se rouba: Apolo ainda brilha no teto pintado, e cada raio de sol que entra pelas janelas é um lembrete, que a beleza pode ser levada, mas a História, JAMAIS.
Fortaleza, 21 de outubro de 2025
Fotos: ana margarida furtado arruda rosemberg
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