quinta-feira, 18 de abril de 2019

POR: ALOÍSIO BONAVIDES JUNIOR - O fogo na pedra sagrada da terra de Voltaire.



https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2019/04/15/catedral-de-notre-dame-pega-fogo-em-paris.htm

No dia 15 de abril de 2019 um grande incêndio consumiu parte da Catedral Notre-Dame de Paris
Vela link, acima.






 O fogo na pedra sagrada da terra de Voltaire.                                                                    
 A Grande Dama das Catedrais  chora. Oriunda do Século XII, derrama  as suas lágrimas ardentes em uma fogueira aniquilante e demolidora. A combustão explosiva que assolou as torres da Notre Dame sepulta  os franceses em um pesadelo terrível. É um açoite doloroso na epiderme exposta deste povo,  uma tortura mitigada e lenta, um avassalador sofrimento, um drama inesperado, intenso e abrupto. O fogo, algoz impiedoso, lançou as suas chamas em uma colérica destruição. Atônitos, os franceses afundados na perplexidade agonizante, mal respiraram diante do incêndio caótico da grande Fortaleza religiosa, quase um símbolo icônico da identidade de Paris. Testemunha de uma cidade medieval, a Catedral conviveu com os ciganos e com os pedintes, mas também com o rei, com o povo e com a nobreza. Esplendorosa, iluminada e majestosa, nos áureos tempos conheceu a fé de Napoleão, e acolheu na sua sombra gótica os miseráveis das ruas. Democrática, dava alento, comida e paz aos necessitados, norteada na prece ao Senhor. Local de oração, de recolhimento, além de sossego da alma, de introspecção, de contemplação e encontro com Deus. Nos últimos anos, une  turistas e devotos em uma romaria cosmopolita de fiéis. Treze milhões retiram seus passaportes para ir lá. Na sua imponente topografia privilegiada, na sua altura, quisera  estratosférica, ultrapassando os céus, contemplou a história da França em um olhar protetor e magnânimo. Séculos de história se passaram nos seus muros largos e paredes bem construídas. Abraçada pelo rio Sena, aceitou e abrigou os órfãos, os deficientes e os renegados da justiça, acalantando com justiça  os desprezados pela sociedade. Fez carreira na caridade. Victor Hugo a amava, tornando-a lar de Quasímodo. O escritor admirava a simplicidade da pedra ofuscada na grandiosidade  dos espaços. A catedral enfrentou a invasão dos nazistas, sobrevivendo aos horrores da Guerra e as intempéries de eras difíceis, com a robustez da sua construção sólida. Elegante, heróica e com vocação para o exercício do altruísmo, a Catedral de Nossa Senhora de Paris personifica uma trajetória de amor ao próximo fundamentada no Cristianismo. Resistente, já quase foi demolida para aproveitar as suas pedras na construção de pontes. Trabalho inglório. Mas digna e indestrutível, não envergou a sua estrutura para os interesses dos homens e nem às tragédias. Os bombeiros silenciaram o ruído do fogo. A pesada igreja perdeu  suas vigas, seu teto desabou, mas não será agora que este belo e extraordinário patrimônio do Ocidente será transformado em ruínas. Ele ressuscitará, com tal beleza que perdurará na eternidade da França. A nação não a deixará desaparecer. Que os ecos da Igualdade, liberdade e fraternidade se propaguem na terra de Voltaire para salvar a bela igreja. Amém.                             

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