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sábado, 29 de abril de 2017

GREVE GERAL 28.04.2017


                                   Greve Geral em Fortaleza-CE
                                    Praça da Bandeira 28/04/2017

http://carlosmelo.blogosfera.uol.com.br/2017/04/29/o-governo-se-dedicou-ao-congresso-esquecendo-da-sociedade/

sexta-feira, 28 de abril de 2017

GREVE GERAL BRASIL 28 DE ABRIL DE 2017


POR: VALTON MIRANDA

http://www.valtonmiranda.com.br/2017/04/coluna-resistencia.html

A greve geral é o momento no qual o povo manda o recado mais abrangente para a classe dominante no contexto do Estado Democrático. A atual greve geral é absolutamente legítima  diante do Estado de Exceção instalado no Brasil com a derrubada de Dilma Russeff e cuja operacionalização através do Sistema Judiciário, do Congresso e do Poder Executivo tenta usurpar direitos adquiridos da população brasileira.
O topo da pirâmide da desigualdade onde está situado o rentismo e a parcela dos dois porcento mais ricos do país, querem ampliar ainda mais os seus lucros, penalizando os que estão na média da pirâmide e na sua base. Este verdadeiro massacre promovido pelo mercado do capital está recebendo uma resposta efetiva dentro da constitucionalidade, lutando contra um governo ilegitimo com a legítima arma da greve geral que existe em todas as constituições do mundo democrático. Certamente que, as absurdas reformas trabalhista e da previdência só serão um grande revés e no futuro todos os seus aspectos absurdos que porventura o congresso de palermos tenha ratificado, serão eliminados.
O próximo presidente da república terá que, entre outras obrigações, estabelecer o marco regulatório da mídia brasileira, determinar os limites da atividade jurídica e desfazer os malefícios que sob o manto de ajuste fiscal, estão sendo praticados contra o povo.
É dentro da democracia que a greve geral está golpeando o golpe.O 1º de maio deverá ser uma continuidade desta grandiosa mobilização do povo brasileiro.

terça-feira, 25 de abril de 2017

ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO DOS CRAVOS (25 de abril de 1974)

Hoje, aniversário da Revolução de 25 de Abril, Revolução dos Cravos

A revolução ocorreu em Portugal, no dia 25 de abril de 1974, e depôs o regime ditatorial  vigente deste 1933.

Foi instituído em Portugal um feriado nacional no dia 25 de abril, denominado como "Dia da Liberdade".

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_25_de_Abril_de_1974





TANTO MAR
Chico Buarque

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
n'algum canto de jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, como é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
algum cheirinho de alecrim


FADO TROPICAL
Chico Buarque 
Oh, musa do meu fado,
Oh, minha mãe gentil,

Te deixo consternado
No primeiro abril,
Mas não sê tão ingrata!
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou.
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!
"Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo ( além da sífilis, é claro). Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, o meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."
Com avencas na caatinga,
Alecrins no canavial,
Licores na moringa:
Um vinho tropical.
E a linda mulata
Com rendas do alentejo
De quem numa bravata
Arrebata um beijo...
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!
"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto,
De tal maneira que, depois de feito,
Desencontrado, eu mesmo me contesto.
Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito,
Me assombra a súbita impressão de incesto.
Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa,
Mas meu peito se desabotoa.
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa,
Pois que senão o coração perdoa".
Guitarras e sanfonas,
Jasmins, coqueiros, fontes,
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre trás-os-montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo...
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um império colonial!
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um império colonial!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DA NOITE DE HORRORES

Faço minhas as palavras do deputado GLAUBER BRAGA (PSOL),
HOJE, NO PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DA NOITE QUE ENLAMEOU A NOSSA DEMOCRACIA

quarta-feira, 8 de março de 2017

POR: LEANDRO KARNAL - protagonismo da mulher na sociedade


DIA INTERNACIONAL DA MULHER - 8 DE MARÇO

O dia 8 de março é um dia para reflexão sobre a condição das mulheres no Mundo. Um dia para mulheres e homens lembrarem que os grilhões do machismo precisam ser totalmente esfacelados. 
Minha homenagem à uma das pioneiras do movimento feminista - Simone de Beauvoir


  


                       RELATÓRIO DA ONU SOBRE A CONDIÇÃO DAS MULHERES NO MUNDO



domingo, 26 de fevereiro de 2017

VOU-ME EMBORA PRA CASCAIS



Vou-me embora pra Cascais
No Brasil não fico mais
Lá terei tranquilidade
Paz, amor, fraternidade

Vou-me embora pra Cascais
Aqui eu não fico mais
Lá não tem Temer e Padilha
E o resto da "Quadrilha"

Vou-me embora pra Cascais
Aqui é que não dá mais
Lá não tem FIESP e patos
Nem coxinhas e panelaços

Vou-me embora pra Cascais
Aqui eu não fico mais
Todo dia tem escândalo
Do Temer e do seu bando

Vou-me embora pra Cascais
No Brasil não fico mais
Lá terei meus arraiais
E todos os ancestrais


Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Fortaleza, 26/02/2017


FELIZ ANIVERSÁRIO, LÚCIA!


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

POR: PEDRO SÁVIO FURTADO ARRUDA PIRES



MIGUEL ANTÔNIO FURTADO DE ARRUDA E SUA MÃE MARIA ADELINA FURTADO DE ARRUDA
Colação de grau em direito  - Julho de 1992

Texto postado no face de Pedro Sávio Furtado Arruda Pires em 14/02/2017

MIGUEL ANTONIO FURTADO DE ARRUDA (1955 - 2017)
Faleceu nesta madrugada meu tio Miguel, após uma batalha contra um Linfoma. Espero que agora aonde quer que ele esteja, após essa transição da vida e da morte, ele possa estar junto dos meus avós, recebido pelo restante das famílias Arruda e Furtado e dos ancestrais. Espero que ele possa estar em um local onde haja paz, amor, ternura e compreensão, algo bem diferente deste INFERNO deste mundo tão mesquinho, cheio de pessoas tão cruéis, intolerantes e desprezíveis.

Para mim esse mundo nunca foi um mar de rosas. Talvez esse meu tio tenha sido o que eu me aproximei mais tarde, nossa amizade e companheirismo começou em 2010. Eu acabei descobrindo neste tempo que passamos juntos que tínhamos mais semelhanças do que diferenças e que éramos muito mais parecidos do que eu imaginava.

O comportamento e dificuldade de se expressar eram coisas que tínhamos demais em comum. Sei que ele tinha amarguras e traumas, assim como eu, portanto mais uma semelhança.

Ele era uma pessoa simples, humilde, mas para mim já é por si um vencedor, porque vencedor não é quem tem um carro do ano ou um apartamento enorme na orla da praia. Para mim, ele venceu pela honestidade, pela solidariedade e pelo enorme coração que possuía.

Você venceu Tio Miguel! Não pense, onde quer que você esteja agora, em nenhum momento, que você falhou. Você é para mim mais que um tio, é um aliado e um amigo!

Adeus Tio Miguel, descanse em paz e seja bem recebido pelo restante da família!

Pedro Sávio Arruda (Baruch Dayan Emet!)
14.02.2017.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

MIGUEL PARTIU!

Com os olhos embotados de dor, registro o  falecimento, às 5h, de hoje, 14 de fevereiro de 2017, do meu 

amado irmão, MIGUEL ANTÔNIO FURTADO DE ARRUDA.
Formado em Direito pela UFC, em julho de 1992, ele era advogado.
Seu corpo foi velado na funerária Ternura e a missa de corpo presente foi celebrada às 15 horas com a presença de familiares e amigos.
O cortejo fúnebre ocorreu logo após a missa e o sepultamento foi no Cemitério São João Batista. 

Miguel era casado com Neusa Barbosa Arruda, tinha uma filha, Letícia Arruda e um neto, Felipe Arruda.

Deixa, também, um filho de criação Clerton Barbosa.
Para homenageá-lo, esse vídeo feito em 2013, por ocasião de seu natalício.
Descanse em Paz, meu irmão!



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

POR: FAGUNDES VARELLA

Fagundes Varella 
Nome completoLuiz Nicolau Fagundes Varella
Nascimento17 de agosto de 1841
São João Marcos
Morte18 de fevereiro de 1875 (33 anos)
Niterói
Nacionalidade Brasileiro
OcupaçãoPoeta
Magnum opusAs bruxas
Escola/tradiçãoRomantismo


Quando eu morrer adornem-me de flores,
Descubram-me das vendas do mistério,
E ao som dos versos que compus carreguem
Meu dourado caixão ao cemitério.

Abram-me um fosso no lugar mais fresco,
Cantem ainda, e deixem-me cantando;
Talvez assim a terra se converta
De suave dormir num leito brando.

Em poucos meses far-me-ei poeira,
Porém que importa, se mais pura e bela
Minh'alma livre dormirá sorrindo
Talvez nos raios de encantada estrela.

E lá de cima velarei teu sono.
E lá de cima esperarei por ti,
Pálida imagem que do exílio escuro
Nas tristes horas de pesar sorri!

Ah! e contudo se deixando o globo
Ave ditosa eu não partisse só,
Se ao mesmo sopro conduzisse unidas
Nossas essências num estreito nó!...

Se junto ao leito das finais angústias,
Da morte fria ao bafejar gelado
Eu te sentisse junto a mim dizendo:
São horas de marchar, eis-me a teu lado.

Como eu me erguera resoluto e firme!
Como eu seguira teu voar bendito!
Como espancara co'as possantes asas
O Torvo espaço em busca do infinito!

POR: FREI BETO - MARISA LETÍCIA



MARISA LETICIA 

Frei Betto é escritor, autor do romance policial “Hotel Brasil” (Rocco), entre outros livros.

Se há uma mulher que não pode ser considerada mero adereço do marido é Marisa Letícia Lula da Silva. Conta a fábula que, tendo sido coroado, o rei nomeou para o palácio um lenhador que, na infância, fora seu companheiro de passeios pelo bosque. Surpreso, o pobre homem escusou-se frente à tão inesperada deferência, alegando que mal sabia ler e não possuía nenhuma ciência que justificasse sua presença entre os conselheiros do reino. “Quero-o junto a mim – disse o rei – porque preciso de alguém que me diga a verdade”.
Marisa não tem a vocação política de Lula, mas sua aguçada sensibilidade funciona como um radar que lhe permite captar o âmago das pessoas e discernir as variáveis de cada situação. Por isso, é capaz de dizer a Lula verdades que o ajudam a não se afastar de sua origem popular nem ceder ao mito que se cria em torno dele. A simplicidade talvez seja o predicado que ela mais admira nas pessoas.
Nascida em São Bernardo do Campo, numa família de pequenos sitiantes, ela guarda a firmeza de caráter de seus antepassados italianos. Comedida nas palavras, a ponto de preferir não dar entrevistas, não faz rodeios quando se trata de dizer o que pensa, doa a quem doer. Por isso não pode ser incluída entre as tietes do marido. Nos palanques, prefere ficar atrás e não ao lado de Lula. A admiração recíproca que os une não impede que, ao vê-lo retornar de uma maratona de reuniões, às 3 da madrugada, ela o convoque para criticar o desempenho dele numa entrevista na TV ou compartilhar decisões domésticas.
Marisa é, com certeza, a única pessoa que, no cara a cara, não corre o risco de se deixar enredar pela lógica política do marido. Defensora intransigente de seu próprio espaço, não chega a ser o tipo de esposa que compete com o parceiro. Sabe que seus papéis são diferentes e complementares. Mas ninguém é aceito na intimidade dos Silva sem passar pelo crivo dela, que sabe distinguir muito bem quem são os amigos do casal e quem são os amigos de Lula.
Tanto quanto Lula, Marisa conhece as dificuldades da vida. Décima filha de Antônio João Casa e Regina Rocco Casa, cresceu vendo o pai carregar a charrete de verduras e legumes que ele plantava e vendia no mercado. Se o sítio era pequeno, suficiente para assegurar a precária subsistência da família de onze filhos, o coração dos Casa era grande o bastante para acolher os necessitados. Dona Regineta – como era tratada sua mãe – ficou conhecida como benzedora em São Bernardo do Campo pois, na falta de médicos e de recursos, muitas pessoas a procuravam, especialmente quem padecia de bronquite.
A filha estudou até a 7ª série. Ainda criança, viu-se obrigada a conciliar a escola com o trabalho, empregando-se como babá na casa de um sobrinho de Portinari. Aos 13 anos de idade, tornou-se operária na fábrica de chocolates Dulcora. Do setor de embalagem Marisa foi promovida a coordenadora de seção antes de, aos 20 anos, trocar a Dulcora por um cargo na área de educação da prefeitura de São Bernardo do Campo, onde trabalhou enquanto solteira. 

Em 1970, ela se casou com Marcos Cláudio dos Santos, motorista de caminhão. Seis meses depois, ele morreu assassinado, quando dirigia o táxi do pai, deixando Marisa grávida do filho Marcos, que Lula considera seu primogênito. Em 1973, ao recorrer ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo para obter um pecúlio deixado pelo marido, Marisa conheceu Lula. De fato, foi paquerada dentro de um verdadeiro cerco estratégico montado pelo presidente do sindicato, que ouvira falar de uma “lourinha muito bonita” que andava por ali. Lula tentou convencê-la de que também era viúvo, sem que a moça acreditasse, até ver o documento que ele, de propósito, deixara cair no chão. A primeira mulher de Lula, Maria de Lourdes, morrera em 1971, com o filho que trazia no ventre, em consequência de uma hepatite mal curada. Em maio de 1974, Lula e Marisa se casaram. Da união nasceram os irmãos de Marcos: Fábio, Sandro e Luís Cláudio. 
Depois de deitar os filhos, ela acompanhava as telenovelas sem entusiasmo. E, com razão, se queixava da difícil tarefa de atender a mais de cem telefonemas por dia, muitas vezes sem conseguir convencer os interlocutores de que ela não controla a agenda do marido, não sabe se ele poderá ou não participar de um evento em Porto Alegre ou no Recife e, muito menos, o que ele pensa do último pronunciamento do ministro da Fazenda. 
Em abril de 1980, ela passou pela prova de fogo, quando Lula esteve preso no DEOPS de São Paulo, devido à greve de 41 dias. Preocupada com a segurança dele, sempre fez questão de abrir a porta quando estranhos batiam, evitando expor o marido. No mesmo ano, fez o curso de Introdução à Política Brasileira, promovido pela Pastoral Operária de São Bernardo do Campo. Filiada ao Partido dos Trabalhadores, abriu sua casa para as reuniões do núcleo petista que se organizara no bairro Assunção, onde moravam. O engajamento da mulher levou Lula a participar mais diretamente das tarefas domésticas. Mas é ela quem cuida das finanças da casa. 


Embora Marisa prefira, em política, o papel de assessora mais íntima do marido e não goste de fazer discursos e nem mesmo ser o centro das atenções, ela não dispensa a oportunidade de participar de conversas políticas. Seja qual for o interlocutor, Lula jamais pede a Marisa que se retire, exceto para buscar um café. No fogão, ela prefere o trivial: arroz, feijão, bife e salada de alface com tomate, embora o seu prato predileto seja camarões e um bom copo de vinho. O cardápio especial fica por conta do marido que, de italiano, só tem o apetite: espaguete a carbonara. Para quem chega, há sempre uma xícara de café. Sair sem aceitá-la é considerado quase uma ofensa. E ela se compraz em ler toda a correspondência que o marido recebe nos comícios, bem como em distribuir estrelinhas do Partido às crianças. 

Habilidosa na arte do silk-screen, Marisa fez a primeira bandeira do PT, num tecido vermelho trazido da Itália. Em 1981, montou em casa uma pequena oficina para estampar camisetas com símbolos do Partido, inclusive criações de Henfil. Para a campanha de Lula a deputado federal, em 1986, ela chegou a estampar cerca de vinte mil camisetas, vendidas para angariar fundos. Ciosa de sua privacidade familiar vira uma fera quando a imprensa tenta entrar pela porta de sua casa ou incluir seus filhos no noticiário. Em tais situações, só o cuidado das plantas é capaz de acalmá-la.

Desprovida de vaidade, Marisa se veste pelo figurino do bom gosto, evitando a sofisticação. Compra a roupa que lhe agrada, sem conferir a etiqueta. Ela sempre foi sua própria manicure e pedicure. Avessa a protocolos, gosta mesmo é de ficar entre amigos, cercada de muita planta e água, em qualquer lugar em que os filhos possam se divertir, livres das normas de segurança. Um bom jogo de buraco, o papo solto, o marido de bermudas ao seu lado e o telefone desligado – é o que basta para deixá-la em paz.

ADEUS, MARIA LETICIA !

domingo, 29 de janeiro de 2017

MARISA LETÍCIA É LULA

Dr. Valton Miranda - Psiquiatra*

Por: Valton Miranda 

Creio que Marisa Letícia é a única mulher operária que se tornou primeira-dama nesse país de cultura patrimonialista e consciência social escravocrata. A eleição do seu marido Luiz Inácio Lula da Silva, um torneiro mecânico e gênio político consagrado no mundo interiro, nunca foi tolerada por esta cultura da imbecilidade rancorosa e odienta contra negros, pobres e mulheres, principalmente aquelas que não se vestem com roupas de grife.
A sociocultura nazifascista que toma conta do país despreza a população que fica abaixo da linha mediana da classe média, tentando afirmar uma suposta e mentirosa superioridade moral e cognitiva, que segundo sua visão míope, o dinheiro de pluto dá origem pela mágica do contato com o ouro. Tais idiotas úteis à ditadura jurídico-congressual que se instalou no Brasil vão à porta dos hospitais hostilizar qualquer líder de esquerda doente ou moribundo, com cartazes que aconselham a medicina cubana ou atendimento no SUS.

É essa gente de consciência trumpiana que sempre teve os olhos voltados para Miami ou Orlando, que faz plantão na porta do hospital Sírio Libanês, onde Marisa Letícia está internada em coma induzido, para praticar o seu culto ao ódio.
É esse processo anticivilizatório que se espalha pelo mundo como lava fumegante da bestialidade humana. O problema dessas pessoas tem um viés político fundamental, pois nunca aceitaram um pobre e vitorioso presidente da república nordestino, que se candidato em 2018, certamente ganhará a eleição para gáudio do pensamento socialista e profunda tristeza destes hipócritas da moral.

Postado por Valton Miranda no Blog do Valton Miranda em 1/28/2017 09:14:00 AM

* Valton Miranda por ele mesmo 
Eu me defino como militante socialista e psicanalista freudo-kleino-bioniano com formação prática e teórica nos dois ramos do saber. Minha cultura humanística adquirida ao longo dos embates políticos e ideológicos que alcançaram seu apogeu com o golpe de 64 e subsequente luta contra a ditadura militar levaram-me à reflexão permanente sobre a conexão entre o mundo interno da mente humana e as contradições vividas na sociedade e na cultura. Minha reflexão levou-me à idéia de que a política tem um motor paranóico impossibilitando juntamente com os interesses de classes a consecução pelo homem da justiça e do bem. Finalmente me caracterizo como pensador radical, sem sectarismo, para quem a sociedade capitalista contemporânea se exprime pela afanosa busca do fetiche consumista.  


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

“GARAPA” – A FOME EM MOVIMENTO

     
                              “GARAPA” – A FOME EM MOVIMENTO

“Sabe lá o que é não ter e ter que ter pra dar
   Sabe lá, Sabe lá”.
Esquinas - Djavan

Ontem, ao entrar no grupo do ZAP “Filhos Edgy e Adelina”, me deparei com a postagem, de minha irmã Clêide, do link para acessar ao documentário de José Padilha, intitulado “Garapa”. Fui logo atraída pelo nome.
Aprendi, durante a minha graduação em História na PUC-SP, que diante de um livro, texto, obra de arte ou filme, devemos fazer os seguintes questionamentos: Quem produziu? Quando produziu? Por que produziu? Seguindo essa orientação, descobri que “Garapa” é um documentário produzido pelo cineasta José Padilha, em 2009, e tem como tema a fome no Mundo. É fruto de mais de 45 horas de filmagem durante quatro semanas, por uma equipe que acompanhou o cotidiano de três famílias cearenses em estado de insegurança alimentar.
Segundo meu marido Rosemberg, filme se escolhe pelo cineasta. Assim sendo, resolvi ver “Garapa”.
Roteirista, documentarista e produtor cinematográfico, José Bastos Padilha Neto, nascido em 01/08/1967, é graduado em administração de empresas e estudou Política Internacional em Oxford, Inglaterra. Estreou no cinema, em 2002, com o premiado “Ônibus 174”.
Em 2007, José Padilha consagrou-se com o filme “Tropa de Elite”, premiado no festival de Berlim, em 2008, com o “Urso de Ouro” de melhor filme.
Em 2010, foi lançado o Tropa de Elite 2, também sucesso de crítica e público. Entre as duas “Tropas”, José Padilha produziu “Garapa”.
Tratando sempre de temas sociais, Padilha nos mostra a exclusão social, a violência e a fome, respectivamente, em: "Ônibus 174", "Tropa de Elite" e "Garapa", suas primeiras produções cinematográficas.
Padilha sacode seu público, o de classe média alta, jogando na cara verdades escamoteadas pela sociedade. Em “Tropa de Elite”, ele mostra que o consumidor de drogas é também responsável pela violência do tráfico. Em “Garapa”, ele escancara que a sociedade negligencia o problema da fome que ainda atinge grande parte da população brasileira.
Segundo dados do site Portal Brasil, publicados em maio de 2015, a desnutrição no Brasil está em torno de 7%. Número inconcebível para um dos maiores produtores de alimentos do Mundo. Entretanto, confrontando os índices de crianças menores de cinco anos com baixo peso, verificamos, no referido portal, que caiu de 7,1%, em 1989, para 1,8%, em 2006.
Em 2013, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), mostrou que o Brasil conseguiu reduzir a pobreza extrema. Apresentado como um dos casos mundiais de sucesso na redução da fome, o Brasil, no entanto, ainda tem mais de 16 milhões de pessoas vivendo na pobreza: 8,4% da população brasileira vive com menos de US$ 2 por dia.
A fome é quase sempre retratada em números frios ou imagens estáticas. Fotos de crianças desnutridas de países africanos chocam profundamente, mas são imagens congeladas. Vemos a fome congelada. Não a sentimos na pele. Ela é parada, não se move.
Cândido Portinari, pintor brasileiro, em 1944, retratou a fome em uma de suas mais belas telas, “Os Retirantes”, mostrando os fugitivos da seca nordestina, uma realidade social invisível, na década de 1940.
Cristóval Rojas, pintor venezuelano, em 1886, plasmou a fome, a doença e a morte, no quadro “A Miséria”, uma das mais tocantes telas já produzidas. Centenas de obras de arte mostram a fome imóvel.
“GARAPA” mostra a FOME em movimento. “GARAPA” é um soco no estômago do espectador.  O título do documentário vem do hábito de mães de família, na falta de leite, prepararem uma infusão de água com açúcar para enganar a fome das crianças.
Entre os 12 milhões de brasileiros que, em 2008, segundo dados da ONU*, passavam fome no Brasil, Padilha selecionou três famílias cearenses que viviam em condições sub-humanas, miseravelmente, em moradias insalubres e travavam uma batalha insana e diária em busca da sobrevivência alimentar.
Padilha consegue com o seu documentário, mostrar a fome por dentro e nos toca pelo o que tem de doloroso. Acompanhar o dia a dia dessas famílias que, como no mito grego de Sísifo**, a cada dia com o nascer do sol, saem em busca de encontrar algum alimento para nutrir-se e recomeçar tudo de novo no dia seguinte é exasperante.
Assim, vive boa parte da população brasileira. Além da falta de alimentos existe carência do básico para uma vida digna. Faltam saúde, roupa, higiene, moradia digna e educação. Para completar, o alcoolismo, sério problema social, agrava o quadro de miséria dessas famílias. O filme é captado em preto e branco, sem música e mostra a condição penosa dessas famílias repetidamente até a exaustão. “GARAPA” denuncia na telona, através da arte, uma situação que a maior parte dos brasileiros desconhece. Essa denúncia é dirigida às pessoas de classe média alta e classe rica que têm suas necessidades básicas asseguradas e não acordam preocupadas com o que vão comer ao longo do dia.
O documentário representou o Brasil no Festival Internacional do filme de Berlim, em 2009. O filme começa com uma citação de Josué de Castro sobre a fome e se encerra com a estimativa de que, durante o tempo da sessão, "1.400 crianças morreram de causas relacionadas à fome ao redor do mundo".
Um pesado silêncio acompanhou o fim da projeção do filme, no festival de Berlim, e um tempo foi dado para que o público digerisse o filme. Padilha frisou que “GARAPA” não é um filme local, já que situações semelhantes se repetem na China, na Índia, na África, onde o problema da fome atinge expressivas parcelas da população. O público quis saber sobre o programa Fome Zero, mencionado no longa. Padilha disse que a iniciativa federal alcançou bons resultados no combate à fome e explicou que o programa dá dinheiro as pessoas muito pobres.
Quando questionado sobre por que filmou "GARAPA" em preto e branco, ele respondeu: "Decidimos tirar do filme tudo que não fosse fundamental".
Na avaliação de Padilha, GARAPA é o mais universal de seus filmes, pois reúne valores universais, como o fato de a mulher ser o esteio da família em situação de insegurança alimentar grave e de o alcoolismo predominar entre os homens desses grupos.
Padilha avaliou que a fome é o mais grave problema social da humanidade e repisou cifras citadas no filme: "A solução do problema da fome exigiria um investimento de US$ 30 bilhões por ano; em 2008 o mundo gastou US$ 1,5 trilhão em armas. Acho que isso diz muito sobre a raça humana".

Ana Margarida Arruda Rosemberg

Fortaleza, 26 de janeiro de 2017

*A reportagem publicada pela Folha de São Paulo, em dezembro de 2014, mostra que a fome caiu 1,8 ponto percentual no país entre 2009 a 2013, segundo o suplemento sobre segurança alimentar da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgado pelo IBGE. Em números absolutos, 2,1 milhões de lares, nos quais vivem 7,2 milhões de pessoas, tinham pelo menos um de seus moradores em estado de insegurança alimentar grave em 2013.

** Sísifo, por contrariar os deuses, recebeu uma punição exemplar: rolar diariamente uma pedra montanha acima até o topo. Ao chegar ao topo, o peso e o cansaço promovidos pela fadiga fariam a pedra rolar novamente até o chão e no outro dia ele deveria começar tudo novamente e assim para todo o sempre. Essa punição era um modo de envergonhar Sísifo por sua esperteza e habilidade usadas para tramar contra os deuses.
   







sábado, 14 de janeiro de 2017

DISCURSO DE POSSE DE FLÁVIO LEITÃO NA ACL 10/01/2017

DISCURSO DE POSSE DE FLÁVIO LEITÃO NA ACL

Tomou posse como titular da cadeira 34 da Academia Cearense de Letras (ACL), o médico neurologista Flávio Leitão, dia 10/01/2017, às 19h.
A solenidade aconteceu na sede da ACL, no Palácio da Luz, na Rua do Rosário, em Fortaleza-CE e foi presidida pelo acadêmico José Augusto Bezerra. 
O novo imortal, que foi saudado por Pedro Paulo Montenegro,  nos brindou com um discurso primoroso, postado acima em PDF.












segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A CAIXA DE PANDORA PARA 2017

                                A CAIXA DE PANDORA PARA 2017
Hoje se avizinha os últimos lampejos do ano que insiste em não acabar. O ano que tantas mazelas trouxe para o nosso povo sofrido. 
Contemplando-o me vem à mente um texto que decorei nos idos de 1964, quando mal entrara na adolescência e nada sabia das agruras da vida. 
As freiras do convento de Santa Rosa de Viterbo, em Fortaleza, me fizeram memorizar dois textos: o primeiro falava do Ano Velho e o segundo do Ano Novo. Deveria declamá-los olhando para uma personagem vestida de velho e outra de menino, em um drama encenado na passagem do ano. 
Mal sabia na época que mais de meio século depois iria repeti-los olhando para 2016 e 2017. 
Não sei de quem são os textos, mas, provavelmente, de alguma freira que os escreveu para a ocasião. Caem como uma luva hoje, na passagem do ano, e eu fui buscá-los em algum recanto de minha memória. Encontrei-os desbotados e empoeirados. Retirei cuidadosamente a pátina do tempo e os vislumbrei assim:

“Velhinho desiludido, cuja cabeleira ao sol, na sucessão dos dias e das noites, transformou-se na melancolia romântica do luar. Eu não terei saudades de ti, velhinho desiludido e mal, quando morreres. Curva a tua fronte aureolada de cabelos brancos e contempla da altura de tua onipotência o rastilho de sombras que a tua passagem deixou. Quantas paixões semeastes em meio a tua trajetória de 365 dias apenas! Quantos corações, oásis de sonhos verdes no deserto escaldante da vida, esmagastes sem compaixão e sem pena ao peso da desilusão mais atroz? Onde existia a iluminura de um sorriso, quantas vezes deixastes, velhinho sem coração, o poema cristalizado da dor, uma lágrima. Não sentirás por ventura remorsos de teus crimes? Será que nascestes sem alma, como o sol de minha terra que ri da desgraça de meu povo? Escuta uma clarineta de satisfação e de júbilo que prenuncia a tua morte e o teu desaparecimento. Mas, antes que desapareças para nunca mais, ajoelha-te e molha esses lábios já murchos, onde nunca esvoaçou a alegria de um sorriso bom no cântaro purificador do arrependimento. Ajoelha-te e implora um pouco de perdão para os teus erros e teus pecados. Apesar de todos os teus crimes, a minh’alma é diferente de tua alma e o meu coração é diferente do teu coração. Em um gesto largo de renúncias, eu te perdoo na hora emocional de teus últimos lampejos. Eu te perdoo e prometo esquecer todo o mal que me trouxeram os teus dias sem sol e as tuas noites sem estrelas”.

Como diria Freud, tudo fica gravado em nossa memória. Assim, consegui resgatar esse texto, que recitei olhando para o ano de 1964. O outro texto que se referia ao ano de 1965, ficou borrado, mas ainda me lembro do início:


 “Menino bonitinho, de olhos azuis e faces cor de aurora, que trazes nas mãozinhas rechonchudas...

Por mais que vasculhe os recantos de minha memória, não lembro o que o menino bonitinho trazia nas mãozinhas rechonchudas. Por isso, resolvi completar o texto olhando para 2017. 

No mito greco-romano da criação, Pandora foi a primeira mulher criada por Zeus. A ela foi dada uma caixa com os males do mundo. Pandora, não contendo a sua curiosidade, abriu a caixa, deixando escapar todos os males, mas ficou a esperança. 
Vislumbrando o alvorecer de 2017, citarei o texto dizendo que o garotinho trazia nas mãos a caixa de Pandora com a esperança. Esperança de que 2017 seja um ano de muita solidariedade entre os povos. Que a humanidade encontre um caminho para trilhar em comunhão. Que a paz, a tolerância e o amor reinem entre os povos. 
Que a esperança de Pandora nos dê coragem para lutar por um mundo melhor. Um mundo mais humano, fraterno e justo.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Guaramiranga-CE, 31 de dezembro de 2016.