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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

GOLPE DE 2016 - MANCHA NEGRA EM NOSSA HISTÓRIA



Dilma Rousseff fazendo sua defesa no Senado Federal - 29/08/2016

Hoje, 31 de agosto de 2016, o Senado Federal do Brasil manchou indelevelmente a nossa História. A frágil democracia brasileira foi ferida pelo parlamento, através de um golpe travestido de impeachment.

Dilma Vana Rousseff, eleita por mais de 54 milhões de brasileiros, a primeira mulher presidenta do Brasil, acaba de ser apeada do poder sem ter cometido crime de responsabilidade.

Não valeram os editoriais denunciando O GOLPE E/OU A FARSA, dos maiores e mais importantes jornais do mundo como: Le Monde, New York Times, The Washington Post, The Guardian, El Pais e Al Jazeera; a brilhante defesa do advogado Eduardo Cardozo; os discursos lúcidos de senadores e deputados democráticos; as testemunhas de defesa; os apelos de artistas, intelectuais, profissionais liberais, escritores e povo em geral. 
Não valeram, ainda, as manifestações de rua do povo mais sofrido do Brasil, articuladas pela CUT, MST, MTST, Brasil sem Medo, Mulheres do Ceará com Dilma, Médicos pela Democracia, Juristas pela Democracia, União da Juventude Socialista, UNE, Jornalistas Livres, Imprensa Livre, Carta Capital, Mídia Ninja e tantas outras organizações democráticas que se espraiam por esse imenso Brasil.

Como Émile Zola dizendo J’accuse, em uma carta aberta endereçada ao presidente da França, Félix Faure,  e publicada no jornal L’ Aurore, em 13 de janeiro de 1898, defendendo Dreyfus, um oficial do exército francês, que, por ser de origem judaica, foi julgado e condenado por alta traição em um processo fraudulento; como o Senador Lindbergh dizendo “Eu Acuso”, na tribuna do Senado Federal do Brasil, em 29 de agosto de 2016, defendendo Dilma Rousseff, a primeira presidenta do Brasil, vítima de um golpe parlamentar, eu também digo: EU ACUSO.

Eu acuso a cúpula do PSDB, o vice-presidente da república, Michel Temer, o então Presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha e sua corja do PMDB, o DEM, a REDE GLOBO, as revistas: VEJA e ISTO É, a FIESP de São Paulo, a elite econômica, grande parte do judiciário brasileiro, e, principalmente, o mercado financeiro por tramarem tamanho crime contra a nossa democracia e a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff.

A História não começa e nem termina hoje. A História é um movimento. Segundo Marx, a História se repete como tragédia e/ou como farsa. No momento, ela se repete das duas maneiras.

Em 5 de abril de 1794, durante a Revolução Francesa, a caminho do cadafalso, Danton profetizou: "Vil Robespierre! Tu me seguirás! A 28 de julho do mesmo ano a cabeça de Robespierre rolou para o cesto de Samson. 
Aguardemos, portanto, pois os traidores e  golpistas não escaparão, profetizo eu. Serão julgados de uma forma ou de outra, já que do julgamento da História ninguém escapa.


Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

Fortaleza, 31 de agosto de 2016

domingo, 28 de agosto de 2016

GOLPE OU FARSA ? - LE MONDE 27/08/2016

LINK PARA O LE MONDE
http://mobile.lemonde.fr/idees/article/2016/08/26/la-triste-ironie-de-la-chute-de-dilma-rousseff_4988341_3232.html?xtref=http%3A%2F%2Fm.facebook.com%2F&utm_medium=Social&utm_campaign=Echobox&utm_source=Facebook&utm_term=Autofeed


LINK PARA UOL
http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/le-monde/2016/08/27/opiniao-queda-de-dilma-ou-e-golpe-de-estado-ou-e-farsa.htm

Opinião: Queda de Dilma ou é golpe de Estado ou é farsa

Editorial

 

"Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros."
Dilma Rousseff, a primeira presidente mulher do Brasil, está vivendo seus últimos dias no comando do Estado. Praticamente não há mais dúvidas sobre o resultado do julgamento de sua destituição, iniciado na quinta-feira (25) no Senado. A menos que aconteça uma reviravolta, a sucessora do adorado presidente Lula (2003-2010), que foi afastada do cargo em maio, será tirada definitivamente do poder no dia 30 ou 31 de agosto.
Dilma Rousseff cometeu erros políticos, econômicos e estratégicos. Mas sua expulsão, motivada por peripécias contábeis às quais ela recorreu bem como muitos outros presidentes, não ficará para a posteridade como um episódio glorioso da jovem democracia brasileira.
Para descrever o processo em andamento, seus partidários dizem que esse foi um "crime perfeito". O impeachment, previsto pela Constituição brasileira, tem toda a roupagem da legitimidade. De fato, ninguém veio tirar Dilma Rousseff, reeleita em 2014, usando baionetas. A própria ex-guerrilheira usou de todos os recursos legais para se defender, em vão.
Impopular e desajeitada, Dilma Rousseff acredita estar sendo vítima de um "golpe de Estado" fomentado por seus adversários, pela mídia, e em especial pela rede Globo de televisão, que atende a uma elite econômica preocupada em preservar seus interesses supostamente ameaçados pela sede de igualitarismo de seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT).

Inimiga número um de parte dos brasileiros

Essa guerra de poder aconteceu tendo como pano de fundo uma revolta social. Após os "anos felizes" de prosperidade econômica, de avanços sociais e de recuo da pobreza durante os dois mandatos de Lula, em 2013 veio o tempo das reivindicações da população. O acesso ao consumo, a organização da Copa do Mundo e das Olimpíadas não conseguiam mais satisfazer o "povo", que queria mais do que "pão e circo". Ele queria escolas, hospitais e uma polícia confiável.
O escândalo de corrupção em grande escala ligado ao grupo petroleiro Petrobras foi a gota d'água para um país maltratado por uma crise econômica sem precedentes. Profundamente angustiados, parte dos brasileiros fizeram do juiz Sérgio Moro, encarregado da operação "Lava Jato", seu herói, e da presidente sua inimiga número um.
A ironia quis que a corrupção fizesse milhões de brasileiros saírem para as ruas nos últimos meses, mas que não fosse ela a causa da queda de Dilma Rousseff. Pior: os próprios arquitetos de sua derrocada não são santos.
O homem que deu início ao processo de impeachment, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, é acusado de corrupção e de lavagem de dinheiro. A presidente do Brasil está sendo julgada por um Senado que tem um terço de seus representantes, segundo o site Congresso em Foco, como alvos de processos criminais. Ela será substituída por seu vice-presidente, Michel Temer, embora este seja considerado inelegível durante oito anos por ter ultrapassado o limite permitido de doações de campanha.
O braço direito de Temer, Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento do governo interino, foi desmascarado em maio por uma escuta telefônica feita em março na qual ele defendia explicitamente uma "mudança de governo" para barrar a operação "Lava Jato".
Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

LANÇAMENTO DO LIVRO " O CEARÁ E A RESISTÊNCIA AO GOLPE DE 2016"

Ocorreu ontem, 24/08/2016, às 19h, no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza-CE, o lançamento do livro "O Ceará e a Resistência ao Golpe de 2016". O obra é uma coletânia de artigos escritos por juristas, médicos, políticos etc e mostra o pensamento desses autores contra o golpe que ocorre no Brasil.
A publicação foi organizada por: Marcelo Ribeiro Uchôa, Inocêncio Rodrigues Uchôa, Antônio José de Sousa Gomes e Letícia Alves  e conta com a participação de 42 escritores.



















sexta-feira, 19 de agosto de 2016

SALVE O DIA DO HISTORIADOR - 29/08





Dia do Historiador
O dia do historiador foi instituído e será comemorado dia 19 de agosto!

O dia 19 de agosto  foi escolhido em homenagem ao nascimento de Joaquim Nabuco – 19/08/1849. Nabuco foi diplomata, poeta, orador e memorialista durante o Império e, apesar de nascido em família escravocrata, se opôs à escravidão em muitos de seus escritos. Do seu nascimento até 2009, ano em que a lei foi aprovada, passaram-se 161 anos; antes tarde do que nunca, afinal: “um povo sem história, é um povo sem memória”. Abaixo um trecho da lei:
LEI Nº 12.130, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2009.
Institui o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.
O VICE–PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o É instituído o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

POR: PAULO NOGUEIRA

As vaias ao francês Lavillenie mostram que a cultura do ódio triunfou entre nós. Por Paulo Nogueira


 
Publicado no site DCM em 16/08/2016
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

O brasileiro está doente. Socialmente doente. Foi chocante, foi depressivo ver as vaias ao francês Renaud Lavillenie na noite em que o brasileiro Thiago Braz recebeu no Estádio Olímpico sua medalha de ouro.
Os sociólogos terão que reescrever o nosso perfil. Éramos um povo cordial, segundo os especialistas.
Somos hoje uma nação de gente cheia de ódio.
A primeira vaia a Lavillenie já fora um horror. Foi quando ele foi batido por Thiago.
Isso não é civilização.
A segunda, na entrega das medalhas, foi ainda pior.
Não há grandeza na vitória quando o vencedor se comporta desta maneira. É moralmente repulsivo.
O francês já experimentara seu castigo: a derrota numa prova em que ele era um dos grandes favoritos.
Já é um suplício. Jamais esqueceremos as lágrimas copiosas de Djokovic ao ser batido no torneio de tênis. Sua alma estava despedaçada.
Alguém acha que Lavillenie estava numa situação melhor que a de Djokovic ao ser derrotado? Uma das imagens mais desoladoras dos Jogos do Rio foi o choro quieto de Lavillenie no palco. Nem assim os brasileiros foram misericordiosos.
O público já mostrara uma atitude patológica ao vaiar o maior rival de Bolt, Gatlin.
“Não é exatamente uma cena comum”, disse o comentarista da BBC diante dos apupos, desagradavelmente surpreso.
O crime de Gatlin era o de ser o adversários mais qualificado de Bolt.
Os atletas olímpicos fazem monumentais sacrifícios para nos proporcionar momentos de encanto duradouros. Treinam duramente enquanto descansamos. Esfolam-se em disputas massacrantes enquanto os vemos com nossos traseiros no sofá, pipoca nas mãos.
Vaiá-los não é apenas prova de déficit civilizatório. É um ato de suprema ingratidão diante de quem nos entretém tanto.
Fomos sempre assim, e apenas nos iludíamos com a tese de que éramos gentis?
Ou alguma coisa aconteceu e destruiu nosso caráter?
Suspeito — apenas suspeito — que a campanha de ódio das grandes empresas de mídia tenha um papel relevante em nossa transformação negativa.
Cabe aos sociólogos investigar o fenômeno. E não estou incluindo aí o outrora cientista social FHC, hoje um miserável golpista e um propagador de ódio.

 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

POR: FIDEL CASTRO

Fidel Castro: O Aniversário



Divulgação
Fidel publicou um artigo intitulado "O aniversário", com reflexões sobre seus 90 anos
Com a palavra, o comandante:

Amanhã completarei 90 anos. Nasci em um território chamado Birán, na região oriental de Cuba. É conhecido com esse nome, embora nunca tenha aparecido no mapa. Devido a seu bom comportamento, era conhecido por amigos próximos e, desde já, por uma praça de representantes políticos e inspetores que se viam em torno de qualquer atividade comercial ou produtiva próprias dos países neocolonizados do mundo.

Em uma ocasião acompanhei meu pai a Pinares de Mayarí. Eu tinha então oito ou nove anos. Como ele gostava de conversar quando saía da casa de Birán! Ali era o dono das terras onde se plantava cana, pastos e outros cultivos agrícolas. Nos Pinares de Mayarí ele não era proprietário, mas arrendatário, como muitos espanhóis, que foram donos de um continente em virtude dos direitos concedidos por uma Bula Papal, cuja existência nenhum dos povos e seres humanos deste continente conhecia. Os conhecimentos transmitidos já eram em grande parte tesouros da humanidade.

A altitude era de até 500 metros aproximadamente, de colinas íngremes, pedregosas, onde a vegetação é escassa e por vezes hostil. Árvores e rochas obstruem o trânsito; repentinamente, a uma determinada altura, se inicia um planalto que calculo se estende aproximadamente sobre 200 quilômetros quadrados, com ricas jazidas de níquel, cromo, manganês e outros minerais de grande valor econômico. Daquele planalto se extraíam diariamente dezenas de caminhões de pinheiros de grande tamanho e qualidade.

Observe-se que não mencionei o ouro, a platina, o paládio, os diamantes, o cobre, o estanho e outros que paralelamente se converteram em símbolos dos valores econômicos que a sociedade humana, em sua etapa atual de desenvolvimento, requer.

Poucos anos antes do triunfo da Revolução meu pai morreu. Antes, sofreu bastante.

De seus três filhos homens, o segundo e o terceiro estavam ausentes e distantes. Nas atividades revolucionárias um e outros cumpriam seu dever. Eu tinha dito que sabia quem podia substituir-me se o adversário tivesse êxito em seus planos de eliminação. Eu quase ria com os planos maquiavélicos dos presidentes dos Estados Unidos.

Em 27 de janeiro de 1953, depois do golpe traiçoeiro de Batista em 1952, escreveu-se uma página da história de nossa Revolução: os estudantes universitários e organizações juvenis, junto ao povo, realizaram a primeira Marcha das Tochas para comemorar o centenário do natalício de José Martí.
Eu já tinha chegado à convicção de que nenhuma organização estava preparada para a luta que estávamos organizando. Havia total desconcerto nos partidos políticos que mobilizavam massas de cidadãos, desde a esquerda, à direita e ao centro, a politicagem que reinava no país provocava asco.

Quando eu tinha seis anos, uma professora cheia de boas aspirações, que dava aulas na escolinha pública de Birán, convenceu a família de que eu devia viajar a Santiago de Cuba para acompanhar minha irmã mais velha que ingressaria em uma prestigiada escola de freiras. Incluir-me foi uma habilidade da própria professora da escolinha de Birán. Ela, esplendidamente tratada na casa de Birán, onde se alimentava na mesma mesa que a família, convenceu-a da necessidade de minha presença. Definitivamente, eu tinha melhor saúde que meu irmão Ramón — que faleceu em meses recentes —, e durante muito tempo foi companheiro de escola. Não quero ser extenso, mas foram muito duros os anos daquela etapa de fome para a maioria da população.

Depois de três anos, enviaram-me ao Colégio La Salle de Santiago de Cuba, onde me matricularam no primeiro grau. Passaram-se quase três anos sem que jamais me levassem a um cinema.

Assim começou minha vida. Se eu tiver tempo, escrevo sobre isso. Desculpem-me se não fiz isto até agora, só que tenho ideias do que se pode e deve ensinar a uma criança. Considero que a falta de educação é o maior dano que se lhe pode fazer.

A espécie humana se defronta hoje com o maior risco de sua história. Os especialistas nestes temas são os que mais podem fazer pelos habitantes deste planeta, cujo número se elevou, de 1 bilhão em finais dos anos 1800, a sete bilhões no início de 2016. Quantos nosso planeta terá dentro de mais alguns anos?

Os cientistas mais brilhantes, que já somam vários milhares, são os que podem responder a esta pergunta e a muitas outras de grande transcendência.

Desejo expressar minha mais profunda gratidão pelas demonstrações de respeito, as saudações e os presentes que recebi nestes dias, que me dão forças para retribuir através de ideias que transmitirei aos militantes de nosso Partido e aos organismos pertinentes.

Os meios técnicos modernos permitiram escrutar o universo. Grandes potências como a China e a Rússia não podem ser submetidas às ameaças de impor-lhes o emprego das armas nucleares. São povos de grande valor e inteligência. Considero que faltou grandeza ao discurso do Presidente dos Estados Unidos quando visitou o Japão, e lhe faltaram palavras para pedir desculpas pela matança de centenas de milhares de pessoas em Hiroshima, apesar de que ele conhecia os efeitos da bomba. Foi igualmente criminoso o ataque a Nagasaki, cidade que os donos da vida escolheram ao acaso. É por isso que é preciso martelar sobre a necessidade de preservar a paz, e que nenhuma potência se dê o direito de matar milhões de seres humanos.

Fidel Castro Ruz
Em 12 de Agosto de 2016, às 22h34


Fonte: Granma; tradução de José Reinaldo Carvalho para Resistência

domingo, 14 de agosto de 2016

PARABÉNS, FIDEL!

POR: ANA MARGARIDA - AS SETE FACETAS DO MEU PAI.



Como um diamante que explode a luz em sete cores, meu pai, Capitão Edgy Távora Arruda, durante sua longa e profícua existência, irrompeu seu talento profissional em sete facetas. Foi militar, administrador público, historiador, professor, memorialista, jornalista e escritor.
Ao tentar falar sobre sua vida e seu grandioso legado em tão exíguo tempo, fico pensando quais das facetas devo abordar. O militar cumpridor de seus deveres? O competente administrador público de conduta ilibada? O historiador apaixonado? O professor brilhante e dedicado? O memorialista sonhador e empreendedor? O jornalista amante da verdade? O escritor singular? São tantas as facetas de meu pai que confesso a impossibilidade de abordá-lo em sua totalidade. Entretanto, sinto-me à vontade em apresentar sua faceta de historiador, por ter dele herdado, ao lado de seu neto, Luiz Gustavo, a paixão pela História.
Meu pai foi um historiador na mais completa acepção da palavra. Possuidor de uma inteligência privilegiada, uma memória invejável e, sobretudo, uma fantástica eloquência, difundiu seu saber na atmosfera das salas de aula.  Com simplicidade, sabedoria, entusiasmo e paixão, transmitiu seus vastos conhecimentos.
Além de professor de História, meu pai foi um pesquisador meticuloso, deixando um importante legado histórico. Evocando o pretérito, ele desvendou fatos que se desenrolaram outrora, nos velhos tempos, em Monte-Mor o Novo d’América, e que estavam recobertos pela pátina do tempo. Debruçou-se com determinação em documentos históricos, para subtrair a pátina e trazer à luz a história da cidade que tanto amou, Baturité.
A paixão foi o denominador comum de todos os atos de sua vida. Escondida aqui e ali por sua timidez nata, mas surgindo lá em uma atitude, numa ação desassombrada, na frase de um discurso, no desvelo com minha mãe e sua numerosa prole, na organização e registro das convenções da Família Arruda. Em todas essas ocasiões, ele foi movido, com a alma incendiada, pela paixão.
Sua existência não se restringiu apenas às noventa e uma voltas e meia que deu em torno do sol, mas a bilhões de voltas, por ter sido um historiador de amplos conhecimentos. Como tal, meu pai viu o alvorecer da Terra dentro de uma gigantesca nuvem de gás e poeira há, aproximadamente, cinco bilhões de anos. Viu os períodos pré-cambriano e cambriano, e as primeiras formas de vida brotarem nas águas quentes e serenas do mar.
Viu os dinossauros surgirem, dominarem a Terra durante cento e sessenta milhões de anos, e se extinguirem.  Viu, há dois e meio milhões de anos, os primeiros hominídeos fabricarem armas rudimentares de pau e pedra, dominarem o fogo e inventarem a roda.  Viu, na Mesopotâmia, berço de nossa civilização, surgirem a agricultura, a escrita, as primeiras cidades e o Código de Hamurabi. Viu em Ur, nascer Abraão, pai das religiões monoteístas, como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Viu Sumérios, Babilônicos, Assírios, Persas e Gregos. Viu as pirâmides do Egito erguerem-se imponentes pelo trabalho de milhares de escravos. Viu Tutankhamon, faraó do Egito Antigo, ser sepultado com seus tesouros. Viu Cleópatra, a última rainha egípcia, da dinastia de Ptolomeu, deixar-se picar por uma serpente. Viu a Grécia florescer com seus filósofos e Roma expandir seu Império com seus Césares.
  Viu Cristo ser crucificado por nos legar uma forte mensagem de paz e amor. Viu o Império Romano ruir e a Igreja Católica se firmar no Ocidente. Viu o feudalismo medieval, as pestes, o renascer das artes e a Revolução Francesa. Viu os reis de França, Louis XVI e Maria Antonieta, subirem ao cadafalso e Napoleão dominar a Europa. Viu a descoberta do Novo Mundo e o massacre impetrado pelos Europeus, ditos civilizados, aos índios da América. Viu o homem escravizar o próprio homem. Viu os negros africanos derramarem suor e sangue para fazer a riqueza do Brasil. Viu a abolição da nossa escravatura e a proclamação da República. Viu, na Inglaterra, o brotar da Revolução Industrial. Viu a Revolução Comunista e Nicolau II, o último Czar da Rússia, ser massacrado com toda a sua família. Viu a barbárie de duas guerras mundiais no Século XX, o holocausto dos judeus e a bomba atômica.
Viu muito mais, mas viu, principalmente, seus pais atravessarem a vida em uma perfeita união. Viu os oito irmãos, tios, avós, primos, sobrinhos, cunhados e cunhadas. Viu amigos fiéis e muitos admiradores. Viu, fascinado, minha mãe adentrar de branco a Igreja do Patrocínio, em sua pureza virginal, para com ele entrelaçar sua vida. Viu quinze filhos, trinta e quatro netos e treze bisnetos, além das noras e genros.
Finalmente, viu a concretização do seu sonho de historiador. O sonho de criar o Museu e a Fundação Comendador Ananias Arruda, e manter o jornal “A Verdade” em circulação.
Por tudo o que realizou, meu pai é merecedor da gratidão e admiração não só dos que aqui estão reverenciando sua memória, mas de todos os familiares e amigos que angariou durante sua longa jornada terrena.
A morte é uma fatalidade biológica, dizia Rosemberg. Devemos recebê-la estando quites com a vida pelas realizações que fizemos para enobrecê-la. Neste contexto, meu pai partiu com os maiores dividendos e, por isso, devemos cultuar sua memória e preservar o seu legado para a posteridade. Assim, ele não morrerá nunca, estará presente sempre, SEMPRE...

                             
                                      Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

POR: MÁRCIA ALCÂNTARA - Pequeno comentário sobre "Confissões de Amor"


Dra. Márcia Alcântara Holanda - Da Academia Cearense de Medicina
SOBRE “CONFISSÕES DE AMOR”

Fortaleza, 10 de Agosto de 2016​

Minha querida Ana Margarida, seu "Confissões de Amor" é um tratado minuciosamente documentado sobre o amor verdadeiro, podendo-se considerar como uma projeção amplificada do ato de amar por dois seres que se encontram e se defininem numa unificação completa, com base na admiração, entendimento, atrações físicas e intelectuais.

Seu Confissões.., não me surpreendeu pelas revelações claras e sinceras de seu "radioso amor" por Rose e dele por você, como está no bilhete, em que ele próprio afirmou "como é radioso o seu amor", em 10 de julho de 1994. 

Digo isso porque fui testemunha dos primeiros momentos em que raios te atingiram, trovões ribombaram e relâmpagos "radiosos" encheram a sala do I Workshop sobre Tabagismo, no Hotel Paia Verde, em Fortaleza, em 3 dezembro de 1993. Senti-me desde então extravasante de entusiasmo pelo surpreendente desencadear de uma paixão tão intensa, tão seminal.

Seu tratado desmente por completo a teoria de que a paixão é transitória e de que o amor incondicional é o sentimento que a substitui e é perene.

Você e Rose provaram o contrário. São protagonistas da única junção Paixão-Amor de que tenho notícia no meu dia a dia, que nunca se apartaram, mas imanaram-se. O Amor-Paixão virou o eterno amor apaixonado.

Não deixo por menos essa minha colocação: desde o primeiro momento, naquele "Workshop" acendi a percepção de que nascia naquela hora um caso de amor, no mínimo especial e fadado a ser profícuo por todos os tempos.

Esse amor contagiou e ainda contagia os que estiveram inseridos no contexto original dessa escalada sentimental, ou que tiveram acesso aos seus escritos. Esses servem e servirão para uso fruto dos que têm aura própria para sucumbirem ao amor e até dos que não a têm. 

Olho para você Ana, e vejo AMOR.

Grande e forte abraço de uma admiradora de longas datas, que a tem na mais elevada estima e consideração, como colega, amiga e escritora.

Parabéns efusivos por seu "Confissões de Amor".

Márcia Alcântara Holanda

PS1 - Ontem tentei ir à Academia, mas ainda não deu, embora eu esteja muito bem de saúde. ​
PS2 - Se esse meu arrazoado servir para publicação nos Blogs aos quais você tem acesso, peço que o faça.
PS3- Desejo sentar-me com você para ouvir histórias.
Adoro ser ouvinte de passagens reais ou fantasiosas da vida real.