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domingo, 17 de julho de 2016

POR: JÂNIO DE FREITAS - OS ALVOS EM QUESTÃO

 

Janio de Freitas é colunista e membro do Conselho Editorial da Folha, é um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Analisa as questões políticas e econômicas. Escreve aos domingos e quintas-feiras.

Os alvos em questão

O lado de farsa do impeachment leva uma trombada forte. Na mesma ocasião, a Lava Jato arrisca-se a comprovar o lado de farsa implícito na acusação, feita por muitos, de que o seu alvo verdadeiro não é a corrupção, mas Lula e o PT.
A conclusão do Ministério Público Federal sobre as tais "pedaladas", fundamentais no pedido e no processo de impeachment de Dilma Rousseff, recusa a acusação de constituírem crime de responsabilidade. Dá razão à tese de defesa reiterada por José Eduardo Cardozo, negando a ocorrência de ilegal operação de crédito, invocada pela acusação. E confirma a perícia das "pedaladas", encomendada pela Comissão de Impeachment mas, com o seu resultado, mal recebida na maioria da própria comissão. À falta de base da acusação, o MPF pede o arquivamento do inquérito.
A aguardada acusação final do senador Antonio Anastasia tem, agora, a adversidade de dois pareceres dotados de autoridade e sem conexão política. A rigor, isso não deve importar para a acusação e o acusador: integrante do PSDB, cria e liderado de Aécio Neves, Antonio Anastasia assinará um relatório que será apenas como um esparadrapo nas aparências. Sem essa formalidade farsante, não precisaria de mais do que uma frase recomendando a cassação, que todos sabem ser seu propósito acima de provas e argumentos.
Mas os dois pareceres que se confirmam devem ter algum efeito sobre os senadores menos facciosos e mais conscienciosos, com tantos ainda definindo-se como indecisos. A propósito, as incessantes contas das duas correntes –o mais inútil exercício desses tempos olímpicos– têm resultados para todas as iras, a depender do adivinho de votações consultado.
Na Lava Jato, procuradores continuam falando de ameaças ao prosseguimento das suas atividades. A mais recente veio de Washington. Não de americanos, muito felizes com o pior que aconteça à Petrobras. É uma informação renovada por Sergio Moro para um auditório lá: a menos que haja imprevisto, dará o seu trabalho por concluído na Lava Jato antes do fim do ano.
Na estimativa de Moro está implícito que a corrupção na Petrobras anterior ao governo Lula, ao menos na década de 1990, não será investigada. Daqui ao final do ano, o tempo é insuficiente para concluir o que está em andamento e buscar o ocorrido naquela época. Apesar das referências em delações, como as de Pedro Barusco, a práticas de corrupção nos anos 90, pelo visto vai prevalecer a resposta gravada na Lava Jato, quando um depoente citou fato daquele tempo: "Isso não interessa" (ou com pequena diferença verbal).
As gravações traiçoeiras de Sérgio Machado, embaraçando lideranças do PMDB, ficariam como um acidente no percurso da Lava Jato. Moro, aliás, disse parecer "que o pagamento de subornos em contratos da Petrobras não foi uma exceção, mas sim a regra", no "ambiente de corrupção sistêmica" do "setor público". Diante disso, restringir o interesse pela corrupção a um período bem delimitado no tempo e na ação sociopolítica, sem dúvida valerá por uma definição de propósitos.
INCÓGNITA
Rodrigo Maia chega à presidência da Câmara para afinal saber-se quem é. O pai, Cesar Maia, brilhante, informado e estudioso, com início sério e promissor ao lado de Brizola, e depois a vagar na política como se fora um cínico, diz que o filho adotou maneiras e caminhos próprios. O fato é que seus cinco mandatos não fariam diferença se fossem dois ou quatro, talvez mesmo nenhum, tão igualados na discrição, ou na invisibilidade.
Dela saiu Rodrigo Maia, há pouco, pelo espanto que causou ao abrigar, como relator de um projeto, o interesse inominável do colega e ricaço Wilson Filho: sem os 30 anos necessários na data da eleição, para disputar a governança da Paraíba, obteve de Rodrigo Maia uma emenda no projeto baixando a idade mínima para quebrados 29 anos. Um casuísmo como imoralidade eleitoral, e outras.
Até há pouco no grupo de Eduardo Cunha, hoje no de Michel Temer, Rodrigo Maia será um dos que mostrarão na Câmara se há, e qual pode ser, a diferença entre os dois grupos e seus objetivos. Nenhuma previsão a respeito é conveniente.

POR: MANOEL FONSECA - DEMOCRACIA VAI À PRAÇA

                             Democracia vai à Praça 
Dr. Manoel Fonseca  -  "Médicos pela Democracia"

‪ DILMAVOLTA

Escolhemos a Praça das Flores para este Ato em defesa da Democracia e pelo ‪#‎VoltaDilma‬, porque as flores representam esperança, alegria, cores, afetos e amores. Que a deusa Flora, aquela que preside tudo o que floresce, proteja nossa Presidenta, para que ela vença mais esta tormenta. Que Flora, a deusa da Natureza, ponha sobre nós seu manto sagrado e ilumine nossas mentes e corações na senda da reconquista da Democracia e do mandato outorgado pelo povo à nossa Presidenta. Que Flora, a guardiã das flores, nos fortaleça e nos inspire na escolha do melhor caminho para derrotar os inimigos da democracia, pois sabemos que, quando tomamos uma decisão, as forças do universo conspiram a nosso favor. Convoquemos os elementos da natureza, aqui presentes, o sol, o vento, as árvores, as flores, os pássaros, para nos dar força nesta angustiante travessia, na luta para derrotar golpistas e fascistas.
Golpistas, fascistas não passarão.
‪#‎ForaTemer‬ #VoltaDilma
Manoel Fonseca
"Médicos pela
Democracia"
16/07/2016

sexta-feira, 15 de julho de 2016

SENADORES FRANCESES DENUNCIAM GOLPE CONTRA DILMA ROUSSEFF

CLICAR NO LINK, ABAIXO, PARA VER O TEXTO NO "LE MONDE"
http://www.lemonde.fr/idees/article/2016/07/13/dilma-rousseff-victime-d-une-basse-manoeuvre-parlementaire_4969141_3232.html

Traduzido:
SENADORES FRANCESES DENUNCIAM O GOLPE NO BRASIL  - LE MONDE, 13/07/2016

Um grupo de 28 parlamentares franceses publicou artigo denunciando o golpe no Brasil e defendendo a democracia. Confira logo abaixo, o artigo traduzido para o português…


Dilma Rousseff, vítima de baixa manobra parlamentar
No Brasil, as máscaras estão caindo. Grampos telefônicos já antigos acabam de revelar as manobras que antecederam o processo de destituição da presidente brasileira, Dilma Rousseff. Fica-se sabendo, graças a eles, que certos parlamentares procuraram escapar das ações judiciais por corrupção que os ameaçavam, conseguindo obter a destituição de Dilma Rousseff, embora tivesse sido reeleita, em 2014, com 54 milhões de votos (51,64%). Temos presenciado a tomada de poder, sem legitimidade popular, daqueles que perderam essa eleição presidencial, no intuito de instalar seu programa amplamente rejeitado nas urnas. Formaram um governo composto exclusivamente por homens, sem qualquer representação da diversidade que compõe a sociedade brasileira.

As primeiras decisões desse executivo interino, dirigido por Michel Temer, foram claras: supressão dos ministérios da Cultura, da igualdade homem-mulher, da diversidade e do órgão independente de controle da máquina estatal (a Controladoria-Geral da União). A seguir, anunciou o fim de programas sociais como o “Minha casa, minha vida”, programa de acesso à propriedade para os mais pobres, ou o “Mais médicos”, programa que permite a instalação de médicos estrangeiros em áreas desfavorecidas, assim como a instauração de um plano econômico de austeridade. Trata-se de um golpe de Estado institucional, que visa destruir todas as reformas sociais que permitiram, nos treze anos de governo de esquerda, que mais de 40 milhões de brasileiros saíssem da miséria. Os homens desse governo interino querem atuar rápido e não se preocupam com a instabilidade política, econômica e social em que estão mergulhando o Brasil.

Um governo não frequentável

Nós, ocupantes de cargos eletivos da França, afirmamos que o processo constitucional de destituição foi instrumentalizado por uma maioria parlamentar de circunstância. Esse processo, que se pode aplicar unicamente em caso de crimes ou delitos graves, foi aberto em razão de simples decretos retificadores do orçamento de 2015 baixados pelo governo de Dilma Rousseff. Tal processo foi aberto em meados de dezembro de 2015, antes mesmo do fim do ano orçamentário e antes mesmo do exame e validação do orçamento pelo Tribunal de Contas e pelas duas câmaras do Congresso. Destacamos o fato de que a presidente suspensa não está implicada em nenhum dos inúmeros casos de corrupção em que está implicada a classe política, notadamente, o escândalo da sociedade petroleira Petrobras. Não é esse o caso de sete ministros do governo Temer. Um deles, Romero Jucá, ministro do Planejamento, está enrolado no caso dos grampos reveladores da realidade da destituição e já teve que se demitir. Exatamente como, alguns dias depois, Fabiano Silveira, ministro da “Transparência”, também envolvido nesses grampos. O próprio presidente interino foi declarado inelegível pelo prazo de oito anos pela Justiça de São Paulo, em razão de fraudes em suas contas de campanha.

Outro traço saliente e significativo desse governo não frequentável: o ministro de Justiça (equivalente do ministro do Interior, na França), Alexandre de Morais, foi o advogado dos grupos criminosos mafiosos PCC (“Primeiro Comando Capital”) de São Paulo. Suscita nossa preocupação, outrossim, a implicação no golpe de Estado dos grandes veículos midiáticos, propriedade de importantes grupos financeiros, em uma campanha de extrema violência em prol da destituição e da criminalização da esquerda brasileira. Esses mesmos veículos tinham apoiado o golpe de Estado militar de 1964, a partir do qual construíram verdadeiros impérios midiáticos. Ficamos chocados pelas explicações de voto dos deputados favoráveis à destituição, que invocaram Deus ou sua família, sendo que um deles chegou a fazer apologia do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, já falecido, torturador de Dilma Rousseff.

Dezenas de milhares, centenas de milhares de brasileiros estão hoje mobilizados por todo o país em defesa da democracia, exigindo a saída desse governo ilegítimo e a volta da presidente democraticamente eleita. Nós os apoiamos. Nós, parlamentares, esperamos que a Corte Suprema Federal, que ainda não se pronunciou sobre o mérito, condene o desvio do processo de destituição. Nós, parlamentares franceses, pedimos ao governo de François Hollande que se pronuncie e denuncie esse golpe contra a democracia. Nós, parlamentares, denunciamos nessa região do mundo, após a destituição dos presidentes eleitos de Honduras e do Paraguai, esse terceiro golpe de Estado institucional e afirmamos nosso apego ao respeito do voto popular, como única forma de aceder à direção de um país. Pedimos à comunidade internacional que condene esse golpe de Estado. Será grave, para todo o subcontinente, se o maior país da América Latina afundar em um impasse político, econômico e social.

- Patrick Abate, Senador CRC/Moselle;
- Aline Archimbaud, Senadora Les Verts/Seine-Saint-Denis;
- Eliane Assassi, Senadora CRC/Seine-Saint-Denis, Presidente do Partido CRC ;
- Marie-France Beaufils, Senadora CRC/Indre-et-Loire ;
- Esther Benbassa, Senadora EELV/Val-de-Marne ;
- Michel Billout, Senador CRC/Seine-et-Marne;
- Marie Blandin, Senadora Grupo Ecologista/Norte ;
- Eric Bocquet, Senador CRC/Norte;
- Jean-Pierre Bosino, Senador CRC/Oise;
- Corinne Bouchoux, Senadora Grupo Ecologista/Maine-et-Loire ;
- Laurence Cohen, Senadora CRC/Val-de-Marne ;
- Cécile Cukierman, Senadora CRC/Loire ;
- Ronan Dantec, Senador EELV/Loire-Atlantique ;
- Annie David, Senadora CRC/Isère ;
- Karima Delli, Deputada europeia EELV/França ;
- Michelle Demessine, Senadora CRC/Norte;
- Evelyne Didier, Senadora CRC/Meurthe-et-Moselle;
- Christian Favier, Senador CRC/Val-de-Marne ;
- Thierry Foucaud, Senador CRC/Seine-Maritime ;
- Brigitte Gonthier-Maurin CRC/Hauts-de-Seine ;
- Pierre Laurent, Senador CRC/Paris e Secretário-Geral do PCF ;
- Michel Le Scouarnec, Senador CRC/Morbihan;
- Noël Mamère, Deputado Grupo Ecologista/Gironde ;
- Christine Prunaud, Senadora CRC/Côtes-d’Armor;
- Jean-Louis Roumégas, Deputado Grupo Ecologista/Hérault;
- Bernard Vera, Senador CRC/Essonne;
- Paul Vergès, Senador CRC/Réunion;
- Dominique Watrin, Senador CRC/Pas-de-Calais.

terça-feira, 12 de julho de 2016

A CATEDRAL DE REIMS


               
               
                                                                           A Catedral de Reims

                      Publicado no Jornal do Médico, ano XII, Edição 7, Maio-junho 2016, pag 10.


A Catedral de Notre-Dame de Reims, localizada na região de Champagne, é considerada, ao lado da de Chartres, a catedral gótica mais importante da França. Foi construída no século XIII no local de uma igreja em que Clóvis I, primeiro rei dos Francos, ao se converter ao cristianismo, fora batizado, em 498. A região de Champagne naquela época já produzia um vinho espumante que séculos depois tornou-se mundialmente conhecido. A pequena Igreja em que Clóvis fora batizado foi reconstruída, em 816, a fim de abrigar a coroação dos reis da França. Em 1211, iniciou-se a construção da nova catedral que levou 300 anos para ter a aparência que tem hoje. Durante a Primeira Guerra Mundial, a catedral foi duramente atingida por 300 bombas e somente em 1937 a mesma foi totalmente restaurada. Como se apresenta hoje, a Catedral de Reims é uma das maiores obras arquitetônicas e religiosas da humanidade. Joana D’Arc, a heroína protetora da França e grande líder na expulsão dos ingleses do território francês, esteve presente na coroação de Carlos VII, na referida Catedral, em1429. Do século X ao século XIX, trinta e dois reis foram coroados na Catedral de Reims. Na dinastia francesa capetíngea (987-1328) foram construídas oitenta catedrais e quinhentas abadias, na França, sendo a de Reims uma delas. Em 1210, um incêndio a destruiu, mas a mesma foi reconstruída. Na fachada da Catedral de Reims, ao contrário de outras catedrais em que o tema é o juízo final, pode-se ver o alegre tema da coroação. Na galeria dos reis, bem no centro, está Clóvis, símbolo da união entre a Igreja Francesa e a Monarquia, esculpido nu dentro de um barril, ou seja, uma pia batismal. Ele se converteu ao cristianismo graças à sua esposa, a rainha Clotilda, uma cristã devota. No pórtico da fachada oeste da catedral está explícito para os fiéis franceses da idade média, que os reis da França como os reis de Judá tinham o direito de governar concedido por Deus, desde que fossem coroados em Reims. Na galeria dos reis, podemos ver Clóvis acima de dois reis de Judá sendo ungidos: o rei Davi e o Rei Salomâo. Clóvis foi ungido em 498 com óleo trazido do céu por uma pomba, acreditavam os franceses da Idade Média. Quando Carlos Magno foi coroado, em 814, o arcebispo mergulhou uma agulha no mesmo frasco para retirar uma gota sagrada. Em 987, Hugo Capeto, o primeiro rei da dinastia Capetíngea, também, foi coroado em Reims. Em 1237, São Luiz foi coroado com outra gota de óleo sagrado de Clóvis, antes de pousar a flor-de-lis de ouro em sua cabeça e entregar-lhe o cetro e a espada de Carlos Magno. Fugindo a regra, Napoleão I foi ungido em Notre Dame, em Paris. Sente-se ao adentrar na Catedral de Reims a paz e o êxtase que os fiéis medievais experimentavam.
Ana Margarida Arruda Rosemberg
Paris, junho de 2016

A DEUSA DA JUSTIÇA BRASILEIRA

Deusa  Justitia Romana

Deusa da Justiça do Brasil
Deusa Thémis Grega
Deusa Diké Grega
A justiça tem as deusas do mundo antigo; duas da mitologia grega (Themis e Diké) e uma da romana (Justitia). A deusa Diké é geralmente representada segurando uma balança e a deusa Themis uma espada. Ambas trazem os olhos bem abertos.
A deusa Justitia é representada segurando a balança com as duas mãos e traz os olhos vendados.
Os versos de Hesíodo retratam a origem das deusas Themis e Diké. Themis, deusa da lei divina e da equidade, é filha de Urano e Gaia. Themis uniu-se com Zeus e gerou a deusa Diké.
Diké, em suas mais diversas representações, segura uma espada com a mão direita e uma balança de pratos com a esquerda. A espada simboliza a força e a balança de pratos a igualdade que a justiça deve ter ao julgar os homens quando violam as leis. O fiel da balança fica no meio quando o ato da justiça for justo. Caso contrário, um dos pratos penderá para um lado. A deusa Diké é geralmente representada descalça e com os olhos abertos em busca da verdade.
As três deusas são representadas em pé e contrastam com a representação da deusa da justiça do Estado Brasileiro. Plasmada na escultura de Alfredo Ceschiantti, que se encontra em frente ao Supremo Tribunal Federal,
a nossa deusa está sentada, com os olhos vendados e com uma espada nas mãos; não há a balança.
Causa um certo desconforto ver a nossa justiça sentada há mais de meio século, com uma espada e os olhos vendados.
Se eu tivesse o dom de falar com as deusas, eu diria: levanta-te, para seres mais ágil; tiras essa venda dos olhos, para que tu vejas as injustiças que muitos magistrados brasileiros estão cometendo; seguras firme esta balança para que ela não penda só para um lado. Sejas como as deusas gregas e a justiça no Brasil será implantada.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg.
Paris, 25 de junho de 2016