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sábado, 23 de abril de 2016

A HISTÓRIA É IMPLACÁVEL COM OS TRAIDORES

Ana Margarida Rosemberg - médica e historiadora


A HISTÓRIA É IMPLACÁVEL COM OS TRAIDORES

Para a história os traidores são seres abomináveis que, após julgados, vão para a lata do lixo. Os exemplos não faltam. Um dos mais conhecidos, Judas Iscariotes, entregou Cristo aos romanos por 30 moedas.
Marcus Junius Brutus, em 44 a.C., traiu Júlio César quando se juntou a Cassius em uma conspiração para matá-lo. Foi imortalizado na célebre frase dita por Júlio César: “Até tu Brutus”. Na Divina Comédia, Dante Alighieri jogou no inferno Brutus e Cassius, evidenciando que a humanidade não perdoa os traidores. 

Shakespeare explorou o tema da traição em várias de suas peças como: Rei Lear, Hamlet e Macbeth. Porém, na peça “Otelo, o Mouro de Veneza”, escrita por volta de 1603, a traição ficou mais chocante. Iago, amigo de Otelo, o induziu a matar a própria esposa, Desdêmona, injustamente. No Brasil, Domingos Fernandes Calabar, em 1635, foi condenado por traição, por ter ajudado a Holanda a invadir o Nordeste. Em 1789, Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, foi traído por um de seus companheiros, Silvério dos Reis. A História enaltece Tiradentes e não perdoa Silvério.  
Napoleão Bonaparte foi traído por Talleyrand. Quando a França espalhava pela Europa os princípios da Revolução Francesa, Talleyrand organizou a deposição de Napoleão e a restauração da monarquia com a volta dos Bourbons.  
Poucas traições tiveram efeito tão imensurável como a que envolveu a União Soviética e a Alemanha, em 1939. O pacto Molotov-Ribbentrop estabelecia que a Alemanha nazista de Hitler e a URSS de Stálin não iriam interferir uma na outra em termos bélicos. Porém, Hitler, em 1941, atacou os russos na Operação Barbarossa. A Rússia, após tamanha traição, entrou na Segunda Grande Guerra ao lado dos aliados. O resto é História. 
 Salvador Allende, presidente do Chile, foi traído por um de seus militares mais “leais”, Augusto Pinochet. Em 1973, após ter sido nomeado por Allende para a chefia do Exército, Pinochet liderou um golpe militar que derrubou Allende e implantou uma ditadura ferrenha. Allende confiava tanto em Pinochet, que na manhã do golpe disse: “chamem Augusto ele é um dos nossos”.  
No Brasil, em 2016, Michel Temer, vice-presidente da República conspirou, com bandidos de seu partido e da oposição ao governo, contra a primeira presidente mulher, eleita por 54 milhões de brasileiros, Dilma Rousseff. 
Temer foi desleal, covarde e traidor. Por isso, a História se encarregou de jogá-lo na lata do lixo.

Ana Margarida Rosemberg  
Do futuro para o presente



POR: ARRUDA BASTOS - Golpe: o filho “bastardo” que a mídia tenta negar

Dr. Arruda Bastos


Por Arruda Bastos - médico, professor universitário e ex-Secretário da Saúde do Ceará.

Publicado na página do FACE - Médicos pela democracia, em 21 de abril de 2016
https://www.facebook.com/AtitudeMedica/?fref=nf
 
Que a história é o senhor da razão não se tem a menor dúvida. É uma máxima reconhecida por todos. Com essas palavras, inicio o meu raciocínio. Em 1964, os mesmos segmentos que hoje tentam negar o Golpe em andamento no Brasil estavam juntos: a grande mídia, comandada mais uma vez pela Globo, alguns membros do STF, partidos reacionários, empresários e entidades patronais sem compromisso com a nação, o grande capital internacional, entre outros. Na época, diziam que não estava acontecendo um golpe no Brasil, mas sim uma revolução democrática. Precisamos de longos 21 anos de opressão, censura, tortura e até mortes para que se reconhecesse que o acontecido não foi uma revolução democrática, mas um golpe, patrocinado pelos segmentos citados e, na época, com o apoio da força das baionetas dos militares.

A história agora se repete e de uma forma ainda mais despudorada. Os mesmos segmentos com a grande mídia, como em 64, fazem um grande esforço para negar o golpe em andamento. O golpe é o filho bastardo que a mídia tenta negar, eles geraram o filho, foram cúmplices, parceiros e tentam dourar a pílula, renegar o filho e batizá-lo com um nome democrático.

2016 não é nem de longe 1964. A única aparência é no reacionarismo, no espírito e na postura golpistas dos mesmos segmentos, só que hoje sem os militares, que parecem ser os únicos que evoluíram no seu espírito democrático. Hoje, não precisaremos mais de 21 anos, só mesmo de alguns segundos, para que todos, até os mais desinformados, firmem uma posição. A dantesca votação da admissibilidade do impeachment na Câmara dos Deputados no último dia 17 foi determinante. Ficou claro que a presidenta Dilma não cometeu crime para sofrer o impeachment. Até mesmo alguns, não poucos, adeptos da saída da presidenta, reconhecem se tratar de um golpe parlamentar jurídico midiático com o apoio de segmentos dos mais corruptos, comandados pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o pelo conspirador vice-presidente, Michel Temer.

Agora, querem calar a voz da nossa democracia e até, pasmem, a voz da nossa presidenta na denúncia do golpe à imprensa internacional em seu discurso na ONU - Organização das Nações Unidas. Fato esse que seria cômico se não fosse trágico; seria de rir se não fosse para chorar. A que ponto chega a desfaçatez dessa gente?

Agora, mais do que nunca, devemos bradar bem alto a plenos pulmões que o que está acontecendo no Brasil é uma tentativa de golpe que, como em 64, tem como únicas finalidades retirar direitos sociais, retroceder nos avanços sociais, inverter o vetor de apoio às regiões e aos mais pobres da nossa sociedade e entregar nossas riquezas aos grandes grupos internacionais.

O nosso papel, o da mídia independente, dos blogs, das redes sociais e, principalmente, do povo nas ruas vai ser fundamental para defender o nosso Estado Democrático de Direito. Não vamos nos dispersar. Pelo contrário, devemos amplificar os nossos movimentos, uma vez que, só assim, o golpe será barrado agora no Senado.

O GOLPE VAI SER DERROTADO!
VIVA A DEMOCRACIA!
21 de abril de 2016

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A VITÓRIA DOS GOLPISTAS TEM SABOR DE LAMA






                       
                    A VITÓRIA DOS GOLPISTAS TEM SABOR DE LAMA


A vitória de ontem, para os que apoiaram o golpe, teve cheiro e sabor de esgoto. A lama que recobre a maioria dos nossos parlamentares impregnou os votos dados a favor do impedimento de Dilma Rousseff. Esta lama respingou na população que comemorou nas ruas do Brasil a admissibilidade do processo de impeachment.

Comandada por Eduardo Cunha, um bandido contumaz, reconhecido e rejeitado pelo povo brasileiro, a sessão de ontem na Câmara de Deputados manchou indelevelmente a história do Brasil.

A tão propalada compra de votos, que a golpista Rede Globo propagou aos quatro ventos, não se evidenciou. Pelo contrário, os votos contra o impedimento de Dilma Rousseff foram dados por parlamentares conscientes que colocaram os interesses do Brasil acima dos interesses individuais. Ficarão como heróis para a nossa história.

Neste doloroso processo, ganhou terreno a conscientização do povo brasileiro. Não haverá mais retrocesso. A elite intelectual e os trabalhadores deste País lutarão contra a opressão do sistema e contra o fascismo.

A aglutinação de tantos colegas no grupo: MÉDICOS PELA DEMOCRACIA” me deu a convicção de que devemos fortalecer a luta. Agora, mais do que nunca, devemos cultivar a nossa saudável e impagável convivência.

O colega Fonseca iniciou sua reflexão com o primeiro verso do poema “Canção do Tamoio”, de Gonçalves Dias. Eu encerro a minha com o último verso do mesmo poema.


As armas ensaia,
Penetra na vida:
Pesada ou querida,
Viver é lutar.
Se o duro combate
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar”.


Viva Dilma, Viva Lula, Viva a Democracia e Viva o Povo Brasileiro! 

Ana Margarida Arruda Rosemberg
Fortaleza, 18 de abril de 2016

NOTA DOS MÉDICOS PELA DEMOCRACIA

             Perdemos uma batalha, mas a luta continua.

Não chores, meu filho; 
Não chores, que a vida 
É luta renhida:Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.

 
Gonçalves Dias

Os golpistas acertaram um golpe baixo na democracia, mas estão longe de ganhar a guerra. Mais do que nunca o povo deve se erguer, em uníssono, para defender a Constituição, que só prevê impeachment em caso de crime de responsabilidade e a Presidenta Dilma não cometeu nenhum crime. A democracia está em perigo. Devemos acusar o golpe, mas curar rapidamente nossas feridas da alma, levantar a poeira, unir nossas mentes e corações num grito de liberdade contra os golpistas, os lesa-pátria, os traidores do povo. Não vamos aceitar que um notório corrupto, o Eduardo Cunha, e um traidor contumaz, Michel Temer, com o apoio da Rede Globo, que apoiou a Ditadura Militar, manchem mais uma vez a história de nosso país. Não podemos aceitar que, mancomunados com grandes empresários e banqueiros, nacionais e internacionais, privatizem a Petrobras, se apossem do Pré-sal, façam terra arrasada dos programas de inclusão social e destruam os direitos trabalhistas. Perdemos uma batalha, mas a luta continua e nossa nova tricheira é barrar o Golpe no Senado Federal. Temos, a nosso favor, um exército de valorosos combatentes:
os jornalistas e comunicadores que, com o dom da palavra, criaram uma mídia alternativa e enfrentaram galhardamente o poder avassalador do Partido da Imprensa Golpista-PIG;
os povos do campo, da floresta e dos mares, o MST, a Via Campesina, os agricultores e pequenos produtores rurais, os indígenas, quilombolas, extrativistas, pescadores e trabalhadores do mar, que ergueram um tsunami libertário em defesa da democracia;
os trabalhadores e o povo da cidade, a CUT e demais centrais sindicais, a gente negra e dos morros, as torcidas organizadas, todos que têm fome e sede de justiça e se puseram em marcha em defesa de um país sem opressão;
nossos queridos artistas, os Chicos, Buarque e César, as Beths, Nelsons e Monarcos, os Celsos, Benvindos e Duvivier, Pitangas, Sabatelas, Zé Abreus e Wagneres, os Ticos, Renegados, o povo do funk, sambistas, maracatus e tantos outros artistas, que com sua força e sensibilidade deram seu recado contra o golpe;
nossos intelectuais, juristas, professores e profissionais liberais que venceram o engodo dos argumentos fascistas e golpistas e defenderam a verdade e humanismo da ciência e de suas profissões;
a nossa juventude, de todas as idades, a UNE, a UBES, a UJS, o Levante e demais coletivos de luta dos estudantes, por erguerem bem alta a bandeira libertária da justiça e da fraternidade;
os religiosos de todos os credos, que deram o testemunho em defesa da vida em plenitude, da igualdade e compaixão, honrando os ensinamentos do Cristo revolucionário e dos mestres de todas as religiões;
Lula e Dilma e parlamentares que disseram não ao golpe, por respeitarem a decisão de seus milhares de eleitores;
temos, enfim, nós "Médicos pela Democracia" e todos os Profissionais de Saúde, que tentamos aliviar o sofrimento de nosso povo e salvar o Brasil da sanha dos golpistas e nos manteremos unidos e lutando pela reconquista do estado democrático de direito.
Nossos filhos e netos, por gerações e gerações, hão de se orgulhar desta nossa jornada memorável de luta em defesa de um país livre, soberano, justo e fraterno.
Não ao Golpe
VIVA A DEMOCRACIA
Manoel Fonseca
Arruda Bastos
Ana Margarida Rosemberg
Médicos pela Democracia
Comissão de Organização
(17/04/2016)

quarta-feira, 13 de abril de 2016

POR: PAULO NOGUEIRA - Como será o dia seguinte caso a atraição de Temer triunfe

Publicado no DCM em 12/04/2016
O pior pecado depois do pecado é a publicação do pecado.
É uma das minhas frases favoritas. O autor é Machado de Assis.
Ela se aplica à perfeição ao áudio vazado em que Michel Temer festeja, antecipadamente, a vitória do golpe.
Em si, é uma infâmia, um despropósito, uma manifestação de pequenez.
Publicado, o vídeo é ainda pior: é o símbolo da traição de um homem que conseguiu com ele disputar com Eduardo Cunha o título de pessoa mais desprezível da República.
Temer além de tudo é um sem noção.
Ele acha que terá qualquer chance de conciliar os brasileiros? De promover um governo de salvação, do alto de sua majestosa insignificância?
Se sim, não é um caso apenas de traição, mas também de insanidade mental.
Imagine que o golpe afinal vingue.
Temer não terá um minuto de trégua. Os golpistas receberão, em dobro, tudo o que fizeram para atormentar Dilma e impedi-la de governar.
Todos sabem a capacidade do PT como oposição. Tanto mais depois de ser roubado descaradamente.
E a militância, como se comportará?
Greves, protestos se espalharão imediatamente pelo país. Importante: não serão apenas os petistas que sairão às ruas. Todos os progressistas que nas últimas semanas se ergueram contra o golpe farão o mesmo.
Em sua descomunal miopia, Temer talvez imagine que o apoio da Globo e da mídia vá garantir-lhe governabilidade.
Só que a perda de influência da imprensa tradicional é um dado da vida. O Jornal Nacional passou semanas massacrando Lula e eis que, em vez de incinerado, ele surgiu na liderança na corrida presidencial.
Como a Veja, o JN, de tanto abusar da ingenuidade de seus telespectadores, passou a ser acreditado apenas por um grupo limitado. Não convence mais ninguém porque sua credibilidade, como a da Veja, desceu a zero.
Não vai adiantar Temer abrir os cofres públicos para a Globo, o que certamente ocorrerá. A Globo não terá como melhorar sua vida.
É previsível que ocorram choques nas ruas. Policiais militares de todas as partes baterão em manifestantes, mas isso só multiplicará a raiva e a revolta.
Marco Aurélio Mello, um dos raros focos de luz nesta imensa escuridão em que se transformou o país, alertou para o pior. A polícia, incapaz de pacificar o país, pode ser substituída pelos militares.
E então o país poderia voltar a 1964.
É uma distopia brutal, mas não há como ignorá-la.
O mais provável – se o golpe vingar – é que diante do quadro de caos total sejam chamadas eleições presidenciais imediatamente.
E então Temer será forçado a enfrentar as urnas, como um vampiro que enfrenta o sol.
Temer se recolherá, para sempre, ao monturo da história como o bufão traidor que falou em salvar o país sem conseguir sequer salvar a si próprio da miséria e do desprezo eternos.

Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.