Google+ Followers

terça-feira, 15 de novembro de 2016

POR: ANA MARGARIDA ROSEMBERG - DIA HISTÓRICO NA VIDA DE ROSEMBERG


José Rosemberg

DIA HISTÓRICO NA VIDA DE ROSEMBERG


 Era o dia 15 de novembro de 1915. A Europa estava em guerra. No Brasil, um trem vindo de Santos chegava de mansinho à Estação da Luz, em São Paulo. Da janela, um garoto de apenas seis anos, trajando calças curtas, meias de cano longo e suspensório, contemplava maravilhado a arquitetura da bela estação, quando sua mãe, Sisel, fala-lhe em ídiche.
             - Joe, chegamos! 
            O pai, Emanuel, não disfarçava a alegria do reencontro com sua mulher e seu filho, depois de um mês de separação. Tinha-os deixado em Buenos Aires e vindo para São Paulo, ganhar a vida. Finalmente, estava com tudo pronto para recebê-los e foi buscá-los no Porto de Santos, de onde tomaram aquele trem rumo à capital paulista.
            O sol alto e forte banhava de intensa luz a provinciana cidade de 350 mil habitantes e, naquela manhã, uma grande parada militar se formava em frente à Estação, para comemorar o dia da Proclamação da República.  Bandeiras verde-amarelas tremulavam nas mãos dos transeuntes que se apinhavam para ver e aplaudir os militares engalanados, cheios de medalhas, marchando garbosos ou desfilando em cima de cavalos. Emanuel Rosemberg logo se apressou para apanhar um coche e dirigir-se à sua residência, pois a viagem de navio, na 3ª classe, tinha sido muito cansativa para sua mulher e seu filho.
               No curto percurso da estação à nova morada, o garoto pôde apreciar a cidade com seus tílburis de dois lugares, leves e elegantes, seus coches cobertos puxados a cavalos, seus bondes abertos de nove bancos puxando os “caras duras”, os poucos automóveis, os raros Ford Bigode que trafegavam, sua bela arquitetura, seus lampiões a gás e suas arborizadas praças com enormes bebedouros para os animais. 
               Apesar do calor, os homens de terno, palheta e bengala, e as mulheres com seus vestidos compridos, sombrinhas e elegantes chapéus, passeavam pelas praças e alamedas da cidade, naquele feriado de 15 de novembro. 
              Por fim, o táxi-coche para em frente a uma casa na rua José Paulino esquina com Ribeiro de Lima, e logo começa a azáfama de descarregar as malas, baús e outros pertences. 
            E assim, passa-se o dia que haveria de transformar-se em um marco na vida de José Rosemberg. 
             Chegando a São Paulo, em 1915, Rosemberg afeiçoou-se à cidade, adotando-a como sua, transformando-a na terra de seus filhos, netos e bisnetos. Cresceu com ela e a viu transformar-se na maior metrópole da América do Sul.

                                                                             Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
                                                                         São Paulo, 19 de setembro de 2004.

Nenhum comentário:

Postar um comentário