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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

AS ESCARRADEIRAS NA LUTA CONTRA A TUBERCULOSE





AS ESCARRADEIRAS NA LUTA CONTRA A TUBERCULOSE     
     Publicado no Jornal do Médico ANO XII, edição nº76 (setembro - outubro) 2016, pág. 14.
            Com a descoberta do bacilo da tuberculose, em 1882, pelo alemão Robert Koch, o escarro passou a ser visto como o grande veículo e devia, portanto, ser combatido.     Era preciso conscientizar a população, que apresentava o “péssimo” costume de escarrar em todos os lugares, a mudar esse hábito. O tuberculoso passou a ser visto como disseminador da doença e leis foram criadas para combater o hábito de escarrar no chão e nas paredes. Surgiram grandes campanhas, em diversos países do mundo, em favor do uso das escarradeiras públicas e de bolso contendo líquidos antissépticos.
Por isso, na guerra ao escarro foi relevante o papel que as escarradeiras (ou cuspideiras) desempenharam. As antigas de madeira cheias de areia e serradura foram irremediavelmente condenadas pela higiene. Aquelas de metal, vidro ou ferro esmaltado, apesar de mais asseadas, não foram toleradas por muito tempo por apresentarem pequeno tamanho e não permitirem a colocação de uma camada suficiente de liquido antisséptico para impedir a dessecação dos escarros. Depois, por serem instáveis, podiam tombar com facilidade contaminando o solo com seu conteúdo e, por serem colocadas ao nível do solo, dificultava a projeção dos escarros em seus interiores principalmente quando suas aberturas não eram suficientemente amplas. Outro problema era a dificuldade para limpá-las e esterilizá-las por causa de suas reentrâncias. Todos esses inconvenientes justificavam a condenação das escarradeiras comuns pela ciência sanitária como uma peça anti-higiênica para ser usada principalmente nos lugares públicos. As escarradeiras fixas, de fácil limpeza e desinfecção, adaptadas às paredes e sempre a certa altura do assoalho eram as mais aconselhadas. As escarradeiras higiênicas coletivas sustentadas por um pé de 90 centímetros a 1 metro e as que se fixavam as paredes por ganchos eram as mais utilizadas nos países civilizados.
Existiam vários tipos e modelos e tornaram-se objetos requintados que ornamentavam as residências dos ricos.  Os pobres escarravam mesmo no chão, dentro de seus dormitórios escuros e sem ventilação, espalhando bacilos e contaminando facilmente seus familiares. É interessante observar que com o mesmo slogan, “É PROIBIDO”, o destino de dois objetos, escarradeira e cinzeiro, nas lutas contra a tuberculose e contra o tabaco foi completamente diferente. Na primeira, as escarradeiras entraram na moda e se disseminaram por todos os lugares. Na segunda, os cinzeiros foram, paulatinamente, saindo de moda e desaparecendo, pouco a pouco, das residências e demais locais públicos.
Ana Margarida Arruda Rosemberg
Fortaleza, 20/09/2016

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