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sábado, 23 de abril de 2016

POR: ARRUDA BASTOS - Golpe: o filho “bastardo” que a mídia tenta negar

Dr. Arruda Bastos


Por Arruda Bastos - médico, professor universitário e ex-Secretário da Saúde do Ceará.

Publicado na página do FACE - Médicos pela democracia, em 21 de abril de 2016
https://www.facebook.com/AtitudeMedica/?fref=nf
 
Que a história é o senhor da razão não se tem a menor dúvida. É uma máxima reconhecida por todos. Com essas palavras, inicio o meu raciocínio. Em 1964, os mesmos segmentos que hoje tentam negar o Golpe em andamento no Brasil estavam juntos: a grande mídia, comandada mais uma vez pela Globo, alguns membros do STF, partidos reacionários, empresários e entidades patronais sem compromisso com a nação, o grande capital internacional, entre outros. Na época, diziam que não estava acontecendo um golpe no Brasil, mas sim uma revolução democrática. Precisamos de longos 21 anos de opressão, censura, tortura e até mortes para que se reconhecesse que o acontecido não foi uma revolução democrática, mas um golpe, patrocinado pelos segmentos citados e, na época, com o apoio da força das baionetas dos militares.

A história agora se repete e de uma forma ainda mais despudorada. Os mesmos segmentos com a grande mídia, como em 64, fazem um grande esforço para negar o golpe em andamento. O golpe é o filho bastardo que a mídia tenta negar, eles geraram o filho, foram cúmplices, parceiros e tentam dourar a pílula, renegar o filho e batizá-lo com um nome democrático.

2016 não é nem de longe 1964. A única aparência é no reacionarismo, no espírito e na postura golpistas dos mesmos segmentos, só que hoje sem os militares, que parecem ser os únicos que evoluíram no seu espírito democrático. Hoje, não precisaremos mais de 21 anos, só mesmo de alguns segundos, para que todos, até os mais desinformados, firmem uma posição. A dantesca votação da admissibilidade do impeachment na Câmara dos Deputados no último dia 17 foi determinante. Ficou claro que a presidenta Dilma não cometeu crime para sofrer o impeachment. Até mesmo alguns, não poucos, adeptos da saída da presidenta, reconhecem se tratar de um golpe parlamentar jurídico midiático com o apoio de segmentos dos mais corruptos, comandados pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o pelo conspirador vice-presidente, Michel Temer.

Agora, querem calar a voz da nossa democracia e até, pasmem, a voz da nossa presidenta na denúncia do golpe à imprensa internacional em seu discurso na ONU - Organização das Nações Unidas. Fato esse que seria cômico se não fosse trágico; seria de rir se não fosse para chorar. A que ponto chega a desfaçatez dessa gente?

Agora, mais do que nunca, devemos bradar bem alto a plenos pulmões que o que está acontecendo no Brasil é uma tentativa de golpe que, como em 64, tem como únicas finalidades retirar direitos sociais, retroceder nos avanços sociais, inverter o vetor de apoio às regiões e aos mais pobres da nossa sociedade e entregar nossas riquezas aos grandes grupos internacionais.

O nosso papel, o da mídia independente, dos blogs, das redes sociais e, principalmente, do povo nas ruas vai ser fundamental para defender o nosso Estado Democrático de Direito. Não vamos nos dispersar. Pelo contrário, devemos amplificar os nossos movimentos, uma vez que, só assim, o golpe será barrado agora no Senado.

O GOLPE VAI SER DERROTADO!
VIVA A DEMOCRACIA!
21 de abril de 2016

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