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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

OS MENSALÕES, DREYFUS E A JUSTIÇA

                        



Com quase 20 anos de atraso está emergindo o resultado do julgamento de Eduardo Azeredo do mensalão tucano. O ex-presidente do PSDB e ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, foi condenado a 20 anos e dez meses de prisão pelo esquema de desvio de recursos de estatais mineiras que abasteceram a campanha dele ao governo de Minas Gerais, em 1998. 
O publicitário Marcos Valério foi o operador do referido mensalão e, depois, introdutor deste mesmo esquema de corrupção no governo petista. Marcos Valério, o chocador do “ovo da serpente” deste Modus operandi de corrupção na política brasileira, surgiu, portanto, na presidência do tucanato. 
O mensalão petista é cria do mensalão tucano, ficou evidente. Se o mensalão tucano tivesse sido investigado, julgado e os tucanos condenados, certamente, hoje, esse ódio que existe no Brasil contra o PT seria dirigido ao PSDB. Claro que todos os corruptos, independente da sigla partidária, devem ser julgados e condenados. O injusto é jogarem pedras somente nos corruptos do PT enquanto outros corruptos de outras siglas ficam protegidos pela grande mídia manipuladora, partidária e golpista. 
Ricardo Lewandowski, um dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e revisor da Ação Penal 470, que julgou 38 réus do escândalo do mensalão, em 2012, com ousada coragem bradou: 
José Genoino é inocente! 
Ele afirmou durante o julgamento que as acusações do Ministério Público contra Genoino, que na época era o presidente do PT, eram abstratas e impessoais. Além disso, segundo Lewandowski, foi atribuído ao Genoino, de modo forçado e artificial, a condição de membro de uma quadrilha. Genoino foi condenado a seis anos e 11 meses de prisão. Em março de 2015, após cumprir um quarto da pena, Genoino teve sua pena perdoada, por unanimidade, pelos membros do STF.
A justiça, por ser feita por homens, muitas vezes comete erros gritantes e irreparáveis. A história já registrou inúmeros julgamentos falhos que quando são esclarecidos o réu já foi condenado e já cumpriu pena. Um dos casos mais emblemáticos da História foi o “Caso Dreyfus”, um escândalo político que dividiu a França no final do século XIX, durante anos. 
Em 1894, Alfred Dreyfus, um oficial do exército francês, por ser de origem judaica, foi julgado e condenado por alta traição. Inocente, ele sofreu um processo fraudulento baseado em documentos falsos. O erro judicial foi acobertado por uma onda de nacionalismo e xenofobia que invadiu a Europa no final do século XIX. Dreyfus foi condenado à prisão perpétua na Ilha do diabo, na Guiana Francesa, onde penou durante cinco anos, até o caso ser revisto. 
Émile Zola, no artigo J’accuse, publicado no jornal L’ Aurore, em 13 de janeiro de 1898, em forma de carta aberta ao presidente da França Félix Faure, saiu em defesa de Dreyfus. « Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. Mes nuits seraient hantées par le spectre de l'innocent qui expie là-bas, dans la plus affreuse des tortures, un crime qu'il n'a pas commis. »
"Meu dever é de falar, não quero ser cúmplice. Minhas noites seriam atormentadas pelo espectro do inocente que paga, na mais horrível das torturas, por um crime que ele não cometeu."
Uma revisão do processo de Dreyfus mostrou que outro major do exército francês Charles-Ferdinand Walsin fora o culpado. Dreyfus foi restabelecido parcialmente, mas o trauma sofrido e os danos financeiros foram irreparáveis.
Somente a História resgata os injustiçados, porque o julgamento da História está acima das falhas humanas.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

Fortaleza, 21 de dezembro de 2015
https://www.youtube.com/watch?v=CBff1I_ESSA#t=39

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