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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

UMA TARDE NO CINEMA

Chico Buarque de Holanda

UMA TARDE NO CINEMA



Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
  Fortaleza, 30 de novembro de 2015

Hoje fui ao cinema e, finalmente, consegui ver o meu eterno ídolo, Chico Buarque de Holanda. O documentário de Miguel Faria Junior “Chico Buarque-Artista Brasileiro”, estreou em todo o Brasil, dia 26/11/2015. Eu, como uma fã incontestável e ardorosa, estava na primeira sessão, no dia da estreia, na cadeira 8 da fila D, do Cine Iguatemi. Por um capricho do acaso, o projetor pifou exatamente na hora de começar o filme. Mais alguns minutos de espera e surgiu uma senhora pedindo mil desculpas. Essas coisas acontecem, disse ela. Comigo nunca aconteceu, pensei. Aliás, minto, aconteceu nos idos da década de 1950, na cidade de Baturité, quando eu era criança e a única diversão da cidade era o cinema. Não existia televisão. As fitas de guerras de índios americanos quebravam a todo instante no precário projetor. A dona do cinema remendava e, para alegria de todos, voltava a projeção. Lembro-me de um filme que parou e não teve mais conserto. Para frustração nossa, a dona foi até à frente e falou: “O filme terminou podem ir embora”. Ao ouvir nossos protestos ela disse: “Este filme não tem escrito FIM”. Hoje, a minha apreensão só acabou quando a fita explodiu na telona e vislumbrei a imagem do Chico, lindo, de cabelos grisalhos, olhos cor de ardósia, como dizia Marieta, contrastando com um blazer vermelho, minha cor favorita. De repente, a voz do Chico quebrou o silêncio da sala 7, com a magistral “Sinhá” (dele, a letra, e de João Bosco, a música.). Canção histórica, pois denuncia a barbárie que foi a escravidão no Brasil. Impossível alguém como eu, que teve a vida embalada pelas músicas do Chico, segurar a emoção. O filme viaja pelo tempo de Chico poeta, músico, dramaturgo e escritor. Através de depoimentos, cenas históricas e canções, Chico revisita sua própria história desnudando sua alma sensível e sempre preocupada com as desigualdades sociais. Mostra detalhes de sua trajetória coerente com sua maneira corajosa de denunciar as injustiças sociais. O filme mostra, também, a vida familiar de Chico, a ligação com o pai, o historiador Sergio Buarque de Holanda, com a mãe, Maria Amélia, com Marieta Severo, filhas e netos. Foi impossível segurar as lágrimas ao ouvir a Betânia cantando “Olhos nos olhos”. O dueto entre Mart’nália e Adriana Calcanhoto interpretando “Biscate” foi divino. “Uma Canção desnaturada” e “Mar e Lua” interpretadas por Laila Garin e Mônica Salmaso e tantas outras músicas e tantos outros intérpretes me fizeram viajar no meu tempo. Para completar, o filme desvenda a história do irmão alemão de Chico que foi plasmada no livro de sua autoria, “O irmão Alemão”. Finalmente, o filme revela um Chico no auge da maturidade a nos transmitir valores filosóficos da vida. No final de um ano de tantas agruras e tantos percalços o filme do Chico Buarque foi o bálsamo que me fez levitar de emoção.



3 comentários:

  1. Para comemorar o dia (do samba) e o filme (do Chico) compartilho com você este lindíssimo clipe de Aurélie e Verioca, duas francesas que amam o Brasil.
    http://blogdopg.blogspot.com.br/2015/12/je-vous-salue-samba.html

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    1. Muito obrigada, Paulo! Realmente, ouvir samba em francês é muito prazeroso. Clip de primeira qualidade.
      Abraço

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  2. Agradeço e retribuo.
    http://blogdopg.blogspot.com.br/2015/12/sergio-gunther-o-irmao-alemao-do-chico.html

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