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domingo, 23 de agosto de 2015

POR: FRANCISCO COSTA - AMANHÃ ESTAREI NO EXTERIOR

POR: FRANCISCO COSTA
AMANHÃ ESTAREI NO EXTERIOR
A diferença entre a viagem de recreio e a viagem cultural está em que na de recreio permanecemos nós, apenas admirando o novo ou revendo o já visto, enquanto na cultural há um esforço para olhar com os olhos dos nativos, mais que comer a comida deles, entendê-la, fazendo o máximo possível para ser um deles.
Pois hoje, quando fechar os olhos para dormir, viajarei, talvez para a Europa, ou Ásia, quem sabe a África, e despido da brasilidade que me é essência e razão de existência, olharei para o Brasil.
Com olhos estrangeiros olharei admirado para um país que saltou da décima sexta economia do planeta para sétima em apenas onze anos.
Meio invejoso saberei que é o segundo produtor de alimentos do mundo, o primeiro de carne.
Perceberei que é auto suficiente em petróleo, que é o segundo produtor de energia elétrica, que tem uma das menores taxas de desemprego e enquanto a Europa e os Estados Unidos amargavam uma cruel recessão, lá mais de trinta milhões saíram da pobreza para a classe média, e doze milhões, da miséria para a pobreza.
Observarei as fotos dos empreendimentos, pontes, aeroportos, portos, com duas das dez maiores obras de engenharia civil do planeta em plena execução, a transposição do Rio São Francisco e a hidrelétrica de Belo Monte, a maior, em construção, no mundo.
Analisarei as suas Forças Armadas, entre as dez mais poderosas do planeta, em efetivos, poder de fogo e operacionalidade, sem contar com o reforço de trinta e seis caças, quatro submarinos, um deles atômico, um novo porta aviões, até 2020, e tanques russos, os mais modernos.
Ficarei atento à sua inserção no Brics, o que o faz, junto com os demais membros, a única força capaz de contrabalançar o poder bélico do império, e começo a pensar na política.
E verei o seu ex presidente receber cinqüenta e cinco títulos de Doutor Honoris Causa por relevantes serviços prestados a seu país e à humanidade.
Eu o verei, nascido no agreste de sede, fome e miséria, sem pai, operário já aos quatorze anos, quando se mutilou, sendo recebido por presidentes de potências, reis, sheiks, imperadores, com honras de chefe de Estado, com pompa e circunstância.
E ficarei atento aos clamores dos que o querem Secretário Geral da Organização das Nações Unidas, considerando-o uma autoridade na partição, na divisão, no fim da miséria.
Mais atento perceberei as primeiras vozes sussurrando Prêmio Nobel da Paz, por ele ter vinculado a paz mundial à extinção da fome.
Verei a atual presidente ser considerada, no exterior, a maior combatente da corrupção, democraticamente, permitindo até injustiças com companheiros e camaradas de partido, para ter moral e investir contra todos os ladrões, independente de partidos e opções ideológicas.
E invejarei a gente desse país, até que cansado de pensar, ligarei a televisão, no noticiário internacional.
Mas... Lá onde estará a minha inveja... Mulheres nuas, com os corpos pintados de verde e amarelo, homens fantasiados de super heróis e faixas pedindo ditaduras militares, palavras de ordem gritadas com ódio, e chamarei um intérprete, para que me explique aquela micareta (carnaval fora de época) porque não estou conseguindo entender.
E ele traduzirá pra mim: querem depor os responsáveis pelo progresso da última década, querem colocar Lula e Dilma na cadeia.
Incrédulo, ousarei perguntar: - Mas quem é o responsável por isso, que absurdo!
E mal poderei acreditar no que ouvirei: a classe dominante, os Estados Unidos, os que estão ameaçados pelos processos de corrupção e a mídia, a serviço de todos, complementando: brasileiro é um povo muito esquisito, esperando um sorriso meu.
Diante das minhas inesperadas lágrimas, ele perguntará o porque do meu choro, e explicarei: a classe dominante, os corruptos e a mídia não tem tanta gente, são os pobres que também estão lá.
Francisco Costa
Rio, 15/08/2015.

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