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sábado, 7 de junho de 2014

POR: JOSÉ ROSEMBERG - ÉGLISE SAINT-SÉVERIN

Texto retirado de uma carta escrita por José Rosemberg, em 18 de junho de 1988, para seu amigo Dr. Affonso Tarantino.

Hoje é domingo. Se vocês forem à missa eu os acompanharei, se não forem iremos do mesmo modo, porque Henrique IV tinha razão: “Paris vale uma missa”. Não iremos, porém, a St. Germain, St. Sulpice, nem a Notre Dame e outros similares. Nestas as missas, embora com mais pompa e brilho, São semelhantes às da Candelária no Rio e da Sé aqui em S. Paulo. Vamos assistir uma missa empolgante, que nos aproxime mais do Eterno, se é que ele existe. Vamos a St. Séverin, outra maravilha gótica esquecida, edificada no século XIII. 
A histérica sobrinha de Luis XIV (não sei porque a chamavam de Grande Mademoiselle) brigou com sua paróquia e por pirraça resolveu dotar St. Séverin com tudo que fosse novidade para maior eficiência do culto; inclusive trouxe da Alemanha notável órgão que aqui está intacto até hoje. Ao som celestial desse instrumento, ouviremos ferventes oratórios. Depois, silêncio... Aí começa um sussurro, que vai se avolumando, de vozes sem modulações que no crescendo avassalam toda a nave e se eleva pela abside. É o mais autêntico canto gregoriano do século XI dos frades beneditinos da Abadia de São Pedro de Solesmes, os quais se notoriarizaram pelo cantochão que desenvolveram. 
Imensa paz nos invade e aí percebemos como o gregoriano e o gótico se fundem para criar fundo clima de religiosidade. É como se fossemos transportados para 800 anos atrás. A St. Séverin é de gótico flamejante e sua maravilha está no duplo deambulatório do coro; miríades de nervuras do nartex retombam nas colunas semelhantes a palmeiras. Não há dúvida, a maior manifestação artístico-estética da Idade Média, é o gótico.










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