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segunda-feira, 24 de março de 2014

DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A TUBERCULOSE - 24 de MARÇO


No curso de milhares de anos a tuberculose encerrou mensagem ainda não totalmente decifrada. Pela sua influência cultural, seus efeitos sobre a obra humana, suas implicações históricas, sociais, econômicas e políticas, constitui modelo cientifico peculiar. Modernamente continua causando as maiores devastações. Seu valor epistemológico é imenso. Misteriosa e ameaçadora permanece o paradigma dos temores das paixões e do conhecimento humano.  

                  Jacques Chretien

PARTE DA INTRODUCAO DE MINHA DISSERTACAO DE MESTRADO
"GUERRA A PESTE BRANCA  - CLEMENTE FERREIRA E A LIGA PAULISTA CONTRA A TUBERCULOSE (1899 - 1947) PUC - SP 2008"
Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg



Após o período de euforia, quando os cientistas alardearam aos quatro ventos que a tuberculose seria banida da face da terra, com o uso dos modernos quimioterápicos, ela está de volta. Segundo Tarantino, é a velha senhora que, agora, vem bem montada envergando armadura impenetrável, a resistência bacilar, e como se isso não bastasse traz na garupa a SIDA.
 Há pouco mais de 30 anos, os Estados Unidos proclamaram que a incidência da tuberculose aproximava-se de zero. Em 1953, quase 90 mil americanos contraíram a doença e 20 mil morreram e, em 1985, o número de infectados caiu para 20 mil. A partir daí, o número de doentes não parou de subir. Em outubro de 1990, o New York Postpublicou em sua primeira página que a tuberculose estava próxima de atingir níveis de uma epidemia.
Em 1993, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a tuberculose em estado de emergência no mundo, sendo a maior causa de mortes por doenças infecciosas, em adultos. Segundo seus dados, 2 bilhões de indivíduos, 1/3 da humanidade, estão infectados pelo Mycobacterium tuberculosis, 8 milhões desenvolvem a doença e 2 milhões morrem, a cada ano, no mundo. O Brasil ocupa o 15º lugar, entre os 22 países responsáveis por 80% da tuberculose no mundo, com 50 milhões de infectados, 111 mil casos novos e 6 mil óbitos anuais.
Os armamentos usados para combater a peste branca na primeira metade do século XX, sanatórios, preventórios, dispensários e hospitais-abrigos, foram desativados à medida que a introdução do moderno tratamento quimioterápico, no final da década de 1940, levou a impressão de que a luta estava ganha. A causa desta ilusão foi o grande impacto na epidemia da tuberculose pela rápida negativação do escarro dos pacientes, cortando o elo de contágio, e pelo alto índice de cura, diminuindo dramaticamente sua letalidade, sem queda significante de sua morbidade. O tratamento prescindiu das hospitalizações, sendo os internamentos reservados, apenas, aos casos de alta gravidade clinica e, ou, precária condição social. 

A atuação dos programas de saúde transformou-se completamente. Os dispensários e hospitais perderam seus “status” e o controle da tuberculose foi integrado no Sistema Único de Saúde (SUS). Desapareceu, portanto, a Divisão de Tuberculose do Estado de São Paulo (DTESP) e em outros Estados deu-se o mesmo. Ocorreu um prejuízo pelo abrandamento dos programas de controle da tuberculose e pelo desmonte da estrutura fundamental para o enfrentamento da doença.
Apesar de esse fenômeno ter sido mundial a maioria dos países ricos chegou ao limiar de sua eliminação. Porém, nos países em desenvolvimento, a tuberculose, embora com sua força diminuída, nunca deixou de ser sério problema de saúde pública. Nas duas últimas décadas a peste branca recuperou parte de sua ação deletéria devido não só ao arrefecimento da luta, a falta de recursos humanos técnicos pela quase abolição do ensino da tuberculose nas escolas de ciências da saúde, como também pelo crescimento da miséria e a entrada em cena da epidemia HIV/AIDS, cujo vírus destrói a imunidade celular da tuberculose, constituindo um dos maiores agravantes que se tem noticia em toda sua história.
Este ano o SLOGAN da campanha da Organização Mundial de Saúde é:
ALCANCE OS 3 MILHÕES.
Das 9 milhões de pessoas que adoecem a cada ano de tuberculose no mundo, 3 milhões não são alcançadas pelo sistema de saúde. Precisamos reverter este quadro ou teremos postergada a primavera da erradicaçao da tuberculose.




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