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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

POR: ANA MARGARIDA - SOUZA CRUZ, A MULHER E O CIGARRO

                                   SOUZA CRUZ, A MULHER E O CIGARRO
                                                         



 


    
Publicado no Jornal do Médico em Revista, ano IX / edição nº 53 / novembro-dezembro / 2013, pag 10.

Ano de 1885, Largo do Rossio, Lisboa. Um garoto de 15 anos, com um irmão caçula a tiracolo, trocou uma moeda por um bilhetinho da sorte que ele pegou no bico de um canário: “És inclinado a passar águas do mar, terás de lutar muito pela vida e, por fim, serás feliz”. Dizia o papelote.
Em novembro do mesmo ano, o garoto Albino Souza Cruz saiu de Portugal, cruzou o Atlântico e aportou no Rio de Janeiro. Trabalhou duro durante 18 anos, na Fábrica de Fumos Veado e, com 33 anos de idade, fundou, em 1903, a primeira fábrica de cigarros do Brasil, hoje uma subsidiária da British American Tobacco, a segunda maior multinacional do ramo. 
Souza Cruz tem seu nome ligado ao tabagismo nas mulheres, porque suas marcas de cigarros tinham nomes de mulheres, escolhidos por ele próprio. “Dalila”, lançado em 1903, em elegantes carteiras com 20 unidades, foi a primeira marca. O cigarro “Yolanda”, lançado em 1915, teve como musa inspiradora a modelo Yolanda D’Alencar, que não hesitou em posar nua para o layout do novo cigarro. Durante três décadas, em todos os bares e tabacarias do Rio de Janeiro, milhares de fumantes pediram o cigarro Yolanda, assim: “Eu quero a loura infernal”. Em 1918, Souza Cruz lançou os cigarros “La Pavlova”, para homenagear a célebre bailarina russa que aportou no Rio. Rosita, Primavera, Sudan, Marly, Salomé foram musas que ajudaram o empresário a divulgar o cigarro entre os homens.
Souza Cruz antecipou-se às técnicas de marketing e às leis trabalhistas de Getúlio Vargas, pois criou vale brindes nos maços de cigarro e benefícios aos funcionários de sua fábrica como: creches, intervalo para o café etc.
As mulheres entraram com mais força no tabagismo somente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com o advento dos movimentos feministas e com a propaganda massificante. O cinema, que povoou as mentes e os sonhos de milhares de jovens em meados do século XX, divulgou o cigarro entre as mulheres.  Marlene Dietrich, Greta Garbo, Rita Haywort, Bete Davis e outras estrelas, que eram endeusadas e imitadas, foram vistas fumando com glamour nas telonas.
Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Médica e historiadora
Fortaleza, 18 de novembro de 2013.







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