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sábado, 13 de abril de 2013

POR: NILZE COSTA E SILVA - PRAIA DE IRACEMA

 
Nilze Costa e Silva e Manoel César

PARABÉNS, FORTALEZA! EM SUA HOMENAGEM, PELAS 287 VOLTAS EM TORNO DO SOL, TRANSCREVO TEXTO DO LIVRO "FORTALEZA ENCANTADA", DE NILZE COSTA E SILVA.

                      PRAIA DE IRACEMA
                                                            Adeus Praia de Iracema
                                                                 Praia dos Amores
                                                              Que o mar carregou
                                                                         (Luiz Assunção)

Nuvens vermelhas, últimos raios de sol. Anoitece na Praia de Iracema. Conta a lenda que um dia o mar invadirá a orla, submergindo-a. Mas ninguém quer acreditar nisso, nem se preocupa. Não se acredita ao menos que a Ponte Metálica venha a cair um dia. O povo de Fortaleza não é tão crédulo assim... Que caiam os governos, a ponte fica.
Lá vem a lua lindona se insinuando entre dois edifícios. As pessoas insistem em construir prédios altos, embora os sobrados nostálgicos tentem ficar. E ficam. Que passem os calçadões. Os sobrados ainda não tremem como a ponte. O navio naufragado, lá longe, perto de onde o sol se põe, parece tremer um pouco, mas é só na nossa imaginação. Aliás, é preciso ter muita imaginação para apreciar um pôr-do-sol na praia de Iracema. E para madrugar também. Lá a madrugada acorda cedo. Anoitece sábado e amanhece domingo. Nada estranho nisso.
Os sinos da Igreja de São Pedro acordam os últimos notívagos. Continua lá, sempre branquinha, na contramão, atrapalhando o tráfego. Falando dessa igreja, foi lá que me batizaram. Ela fez parte de toda a minha infância. Eu a olhava sempre, todos os domingos, ao passar por ela. Domingo era dia de praia na piscininha em frente ao Estoril. O tenente Adauto, meu pai, era assíduo freqüentador do Bar do Oliveira, situado em frente à Igreja de São Pedro, mas os dias de domingo eram da filharada.
A piscina, como nós a chamávamos, era uma concha enorme de mar azul. Em criança era assim que eu a via. Gostava de nadar até as pedras, sob o olhar cauteloso de meu pai que nos observava de longe, a mim e aos irmãos, enquanto tomava uma caninha e dedilhava seu violão, sentado em frente ao Estoril. Na volta, era imprescindível passar na bodega do Abelardo, que ficava no meio do caminho e tomar uma deliciosa cajuína.
Adeus, Praia de Iracema. Sou aquela filha que se foi, ficou grande e nostálgica. Daqui onde estou ainda vejo a minha igrejinha caiada de branco por dentro e por fora, tão sossegada, indiferente ao trânsito, às correrias do dia a dia. Ouço o velho bater dos sinos chamando para o terço e as novenas. Penso em sua torre vislumbrando de longe a insanidade do mar.
Vez em quando eu retorno para visitar os recantos da minha infância. Continuo a dizer como Adoniran Barbosa, embora sua musa fosse outra: “Iracema, o meu grande amor foi você”.

Um comentário:

  1. LINDA HOMENAGEM AOS 287 ANOS DA MINHA BELA CIDADE. PARABÉNS!

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