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sexta-feira, 8 de março de 2013

A PROPÓSITO DO 8 DE MARÇO



OLYMPE DE GOUGES



 A PROPÓSITO DO 8 DE MARÇO

Em 2007, Ségolène Royal, candidata francesa  à Presidencia da República, expressou o desejo de que os restos mortais de Olympe de Gouges (1748-1793) fossem removidos para o Panteão de Paris. Entretanto, seria um enterro simbólico, pois  Gouges,  guilhotinada em Paris em 3 de novembro de 1798, durante a Revolução Francesa, foi enterrada em vala comum. Revolucionária, historiadora, jornalista, escritora e autora de peças de teatro, Gouges foi defensora dos direitos das mulheres e da abolição dos escravos negros. 
Em setembro de 1791, quando escreveu a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã (Déclaration des Droits de la femme et de la citoyenne) desafiou a injustiça contra as mulheres, expressada na célebre Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.  Gouges deixou numerosos escritos em favor dos direitos civis e políticos das mulheres, como o direito ao divórcio e às relações sexuais fora do casamento. Lutou, também, pela abolição dos escravos negros. Em 1774, escreveu uma peça de teatro anti-escravagista, L'Esclavage des Nègres. Pelo fato de ter sido escrita por uma mulher, tal obra somente foi publicada em 1789, no início da Revolução Francesa.

No dia 6 de março de 2004, Olympe de Gouges foi imortalizada em uma praça de Paris denominada “Place Olympe-de-Gouges”. Inaugurada pelo então prefeito da região, Pierre Aidenbaum, e pela então vice-prefeita de Paris, Anne Hidalgo, a referida praça situa-se no 3º arrondissement no encontro das ruas: Béranger, Franche-Comté, Charlot e Turenne. Bela homenagem à Olympe de Gouges, pseudônimo de Marie Gouze, considerada uma das feministas pioneiras da História. 
Após Gouges, muitas outras mulheres lutaram pela emancipação das mulheres. Lucretia Mott (1793-1880) foi a primeira feminista americana do século XVIII. Elizabeth Cady Stanton (1815-I902),  também, americana, foi feminista e reformista. Susan Brownell Anthony (1820 -1906) foi uma feminista que lutou pelos direitos das mulheres. 
No Brasil, Nísia Floresta (1810-1885) é considerada a pioneira. Nísia dirigiu um colégio para moças no Rio de Janeiro e escreveu livros em defesa dos direitos das mulheres, dos índios e dos escravos. Bertha Lutz (1894-1976) foi fundadora da FBPF (Federação Brasileira pelo Progresso Feminino), em 1922, e lutou, ao lado de outras feministas, pelo direito de voto para as mulheres. Em 1934, finalmente, as mulheres do Brasil conquistaram o referido  direito. 
Na França, Simone de Beauvoir (1908–1986), uma das mais importantes feministas do século XX,  autora da célebre frase: “Não se nasce mulher, torna-se” publicou, em 1949, o livro “O Segundo Sexo”.  Segundo Beauvoir, a mulher não tem um destino biológico, ela é moldada dentro de uma cultura que determina o seu papel na sociedade. 
Nos EUA, Betty Friedan (1921-2006) importante feminista do século XX, escreveu, em 1963, “A Mística Feminina”, um best-seller que fomentou a segunda onda do movimento feminista. Friedan foi co-fundadora da Organização Nacional das Mulheres nos EUA. 
Em nosso meio, Maria Luiza Fontenele, Rosa da Fonseca e Célia Zanetti fundaram, em 1979, a UMC (União das Mulheres Cearenses), para lutar  pela emancipação das mulheres.  
Hoje, 8 de março de 2013, dia Internacional da Mulher, o movimento feminista contabiliza, no mundo inteiro, importantes vitórias na luta pela libertação das mulheres sufocadas pela opressão machista e pelos sistemas sociais retrógrados.


Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

Fortaleza, 8 de março de 2013.


7 comentários:

  1. Muito importante este texto. Parabéns, Ana!

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  2. Obrigada, Edna! Tentei fazer apenas um resumo histórico do que achei mais importante. São tantas as feministas que contribuiram para esta luta que não dá pra incluí-las em um curto texto.

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  3. Sempre emociona ler textos assim. A luta de pioneiras, muito, muito mesmo à frente de seu tempo e com coragem para visionar a quebra de valores, de preconceitos, de tabus.. Grandes mulheres, heroínas todas essas que você citou. Cade tempo, cada época uma luta diferente...mas, no fundo, um único desejo: o de ver um mundo mais igualitário, com menos força opressora, com liberdade.
    Obrigada, Ana. Você mostra sempre um caminho. Beijos.

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  4. Obrigada, Fátima. É muito bom saber que vc gosta dos meus escritos. Este tema sobre a mulher é apaixonante. bj, anamargarida

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  5. C'est vrai Silvinha. La lutte continue...
    anamargarida

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