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domingo, 3 de fevereiro de 2013

POR MÁRIO QUINTANA - AS MÃOS DE MEU PAI

Mário Quintana


                                 AS MÃOS DE MEU PAI

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já da cor da terra
- como são belas as tuas mãos
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da nobre
cólera dos justos…
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza
que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços
da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los
contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das
tuas mãos!
E é, ainda, a vida que transfigura das tuas mãos
nodosas…
essa chama de vida – que transcende a própria vida
…e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.


No livro "Esconderijos do tempo", Editora Globo, 2ª Ed. 1994.


4 comentários:

  1. Um texto maravilhoso! As imagens deste poema são muito belas. Mário Quintana é um dos meus preferidos. Excelente escolha, Ana. Um abraço.

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  2. Também, gosto muito. Nossos gostos são parecidos, Fátima.
    bj ana

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  3. Excelente, texto! Uma bela demonstração de amor filial.Amei!

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  4. Obrigado por dizer o nome do lvro e editora, isso é muito raro!

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