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sábado, 28 de abril de 2012

REUNIÃO DOS MEMBROS DA FCAA

Sentados: Teresa, Olintho, Julieta, Eurico e Tetê. Atrás: Raimundo Luiz, Gloria, Ana Maria, Bosco, Ana Margarida, Luiz e Assis
 


Aconteceu hoje, dia 28 de abril de 2012, mais uma reunião dos membros da Fundação Comendador Ananias Arruda. A mesma foi realizada  na residência de Teresa Távora Arruda Lima, com a participação de: Olintho, Julieta, Teresa, Eurico, Assis, Raimundo Luiz, Luiz, Ana Margarida, Gloria, Ana Maria, Bosco e Tetê. A pauta da reunião foi sobre o apoio que os membros da Fundação dispensarão ao Assis Arruda, em Baturité.
 
 
 

NOITE DE AUTÓGRAFOS



Ontem, dia 27/04/2012, às 20h, na Agência Sede da Unicred, em Fortaleza, aconteceu a noite de autógrafos do 66º livro do médico e economista Dr. Marcelo Gurgel.  O Autor e seu livro "Medicina, meu humor! Contando causos médicos" foram apresentados pelo Prof. Dr. José Murilo Martins, ex-presidente da Academia Cearense de Letras e Membro Titular da Academia Cearense de Medicina. A renda do livro foi revestida para as ações culturais da Academia Cearense de Medicina.
Na mesma ocasião, aconteceu o relançamento dos livros: O Último Berro; Mortalha de Chita; Retalhos de Alma; A Chave do Outro Mundo; Eu; Lampião; e Monte Mor; do Dr. Almir Gomes de Castro, que foi apresentado pelo Dr. José Telles, da Academia Cearense de Letras.
Parabéns aos autores que são membros da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Capítulo Ceará (SOBRAMES-CE). 
Abaixo, alguns flashes da noite.



MARCELO GURGEL, MURILO MARTINS E JOSÉ TOMAZ

MARCELO GURGEL


JOSÉ TELES E ALMIR CASTRO


JOSÉ TELLES E ALMIR CASTRO



MARCELO GURGEL E ANA MARGARIDA

ANTERO COELHO NETO - PRESIDENTE DA ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA E ANA MARGARIDA

AMIR CASTRO E SEUS FAMILIARES

FAMILIARES DE MARCELO GURGEL


WELLINGTON ALVES DE SOUZA E ESPOSA


CELINA CÔRTE - PRESIDENTE DA SOBRAMES-CE

quinta-feira, 26 de abril de 2012

CONVITE LANÇAMENTO DO LIVRO DO DR. MARCELO GURGEL




Amanhã, dia 27 de abril de 2012, será mais uma  noite de autógrafos do Dr. Marcelo Gurgel, que, desta vez, nos brindará com o livro: "Medicina, meu humor!". 
Na mesma ocasião, o Dr. Almir de Castro relançará seus livros: O Último Berro; Mortalha de Chita; Retalho de Almas; A Chave do Outro Mundo; Eu; Lampião; e Monte Mor.

A noite de autógrafos acontecerá na UNICRED (Avenida Dom Luis, 300, loja 166, Meireles -Shopping Avenida) às 20h.

PARTICIPE , VOCÊ É CONVIDADO!


domingo, 22 de abril de 2012

DISCURSO PROFERIDO PELO PROF. LUIS ARRUDA FURTADO EM 21/08/1977 POR OCASIÃO DA FESTA COMEMORATIVA DO CINQUENTENÁRIO DE FUNDAÇÃO DA ESCOLA APOSTÓLICA DOS PADRES JESUITAS, EM BATURITÉ. COMPLETO.


PROF. LUIS ARRUDA FURTADO
OS CINCO PRIMEIROS APOSTÓLICOS, ACOMPANHADOS.                                                                                                                                                  

LUIS FURTADO É O PRIMEIRO DA FRENTE DA ESQUERDA PRA DIREITA

ESCOLA APOSTÓLICA EM CONSTRUÇÃO

ESCOLA APOSTÓLICA EM CONSTRUÇÃO



Revmo. Pe. Hugo Furtado                                                                                                     
DD Diretor desta Escola                                                                                            
Revmo. Pe. José Teles Arruda                                                                                    
Meus senhores                                                                                                           
Minhas senhoras                                                                                                         
Caros Ex-Apostólicos


Ao ser convidado a falar nesta solenidade comemorativa do cinquentenário de fundação de nossa querida Escola Apostólica, vieram-me à mente as primeiras palavras do poema dedicado à Nossa Senhora e escrito pelo Pe. José de Anchieta nas areias de Iperoíg: “Eloquar an Sileam?” Seria aconselhável tomar a segunda opção, de vez que aqui se encontram muitos ex-apostólicos que, melhor do que eu, poderiam se desempenhar desta incumbência. Mas, como fui um dos cinco baturiteenses que fundaram esta Escola, em agosto de 1927, não me ficaria bem recusar tão amável convite.  
Minhas palavras são dirigidas especialmente aos ex-apostólicos e, de modo particular, àqueles que foram meus contemporâneos de 18 de agosto de 1927 a 23 de setembro de 1933. Não usarei o tratamento convencional dos discursos, mas o tratamento amistoso de “você”, com que nos tratávamos aqui antigamente. Esta festa é para mim, mais de recordações e de nostalgia, do que propriamente de alegria. Aqui passei a minha adolescência e parte de minha meninice, e não estou bem seguro de mim de poder continuar falando, porque eu sinto uma grande, uma enorme, uma vasta saudade a devastar-me a alma. Ainda há pouco, quando passei por entre as duas palmeiras imperiais que ladeiam a entrada deste prédio, denominadas pelo Pe. Alexandrino Monteiro de São Pedro e São Paulo, as Sentinelas de Escola, senti, não sei se foi ilusão minha ou excesso de emoção de minhalma agradecida, senti como se elas me reconhecessem e vissem em mim o menino que há cinquenta anos passou entre elas – na época também pequenas – com a alma imbuida dos melhores propósitos para dar entrada nesta casa.
Pela crença na comunhão dos Santos, acredito, estar presente aqui o extraordinário Pe. Antônio Pinto, idealizador, propugnador e fundador desta Escola, sacerdote, que percorreu o Brasil inteiro e alguns países de Europa à cata de donativos para a construção deste prédio. O Comendador Ananais Arruda, com seus 91 anos bem vividos, e que muito contribuiu para esta Escola, é testemunha do esforço, do trabalho, do sacrifício  e das difuculdades superadas para que esta casa se tornasse realidade. Aqui estão presentes os nossos dois primeiros diretores. O Pe. José Celestino, de porte imponente, mas de alma boníssima; o Pe. Luiz Baecher, que, embora sendo alemão, não possuia a altivez típica de seu povo; o Pe. Pinheiro, o ecônomo da casa; o nosso inesquecível e querido Pe. Teixeira, prefeito por muitos anos, o responsável por nossa formação, o nosso orientador, o sacerdote que permanecia continuamente entre nós, o que substituia o pai de cada um. Para tornar nossas férias mais amenas, lia-nos, como somente ele sabia ler, à sombra de frondosas árvores, livros como Tom Playfair, Percy Wynn, Fabíola e tantos outros; o Pe. Artur Redondo, nosso diretor espiritual e professor de inglês e francês, sacerdote reconhecidamente virtuoso, que exhalava de si um ar sobrenatural e em quem se podia notar uma auréola de santo a circundar-lhe a fronte; o nosso inolvidável e querido Pe. Alexandrino Monteiro, escritor, poeta, e compositor, que acompanhava ao harmônio os hinos religiosos. Foi nosso professor de português, latim e grego, sacerdote a quem muito devo e cujo método de ensino adotei, com absoluto êxito, durante 35 anos de magistério; o nosso primeiro Mestre de Noviços, o Pe. Charles Coppex, homem de uma cultura polimorfa e de profunda devoção ao Coração de Jesus. Costumava dizer que, para se ser feliz, era necessário se ter paz de consciência e sossego de espírito e acrescentava, e tino prático; o Pe. Pacheco, que ao ser trasnferido para Belém despediu-se de nós que nos achávamos na Caridade, através do sinal Morse, transmitido por lâmpada elétrica; o Pe. Peixoto, nosso professor de latim e grego no segundo ano de Noviciado; o Pe. Veloso, o Pe. Pequito, o Pe. Cheseaux, o Pe. Viellendents, o Pe. Rocha e todos os que sucederam. Entre os irmãos coadjutores, o nosso enfermeiro, Irmão Bosco; o Irmão Fernandes, motorista e encarregado da carpintaria; o Irmão Rodrigues, porteiro e o Irmão  Oliveira, nosso cosinheiro. A todos o nosso preito de saudade e gratidão. Desejo fazer menção especial a dois Irmãos que ainda residem nesta Escola, o Irmão Silva e o Irmão Ribeiro, que foi meu colega de noviciado.
Cinco fomos os baturiteenses fundadores da Escola. Os números foram dados por ordem de idade. Daniel Franco, nº 1; Luis Dória, nº 2; Job Saraiva Furtado, nº 3; José Saraiva Furtado, nº 4; e Luis Arruda Furtado, nº 5. O José Furtado morreu nesta Escola, vítima de um acidente, em 1930, aos 15 anos; Luis Dória, alguns anos depois, em Fortaleza, e Daniel Franco há dois ou três anos, em Baturité. Aos companheiros desaparecidos, a nossa saudade. Vivos, somente Job Saraiva Furtado, aqui presente, e eu. Meus amigos, há uma bela imagem empregada pelo Pe. Aloisio Furtado, nosso contemporâneo e que infelizmente se encontra enfermo nesta Escola, a quem desejo completo restabelecimento, no seu livro “Se o grão não morre”, contando que: “Homero, o imortal autor da Ilíada, velho, cego, tacteante, procurando reconstituir os sítios de determinada cidade e ferindo as pedras com o bastão, teria exclamado: Il linc Troia, alí foi Tróia. E voltou Homero para a estrada de Ítaca, chorando a eterna Ílion de seus sonhos destruida.” Olhando-se para o passado e vendo-se a nossa Escola no presente, poderia compará-la àquela florescente cidade, outrora dominadora da África, a rainha do Mediterrâneo, a lendária e esplendorosa cidade de Aníbal, a Cartago púnica e romana, destruida e nunca mais reedificada. Poderia compará-la também a Pompéia, não devastada pelas lavas incadecentes do Vesúvio, mas subjugada, contra gosto, pelos imperativos e injuções do século em que vivemos. Poderia compará-la ainda a Jerusalém, em que não ficou pedra sobre pedra, derruida, derrocada, ante o impacto das forças imbatíveis das legiões romanas. Dada, porém, a minha formação clássica, aqui obtida, prefiro compará-la à Troia. Todos nós somos testemunhas do apogeu, dos tempos áureos desta Escola. Eu mesmo vi muitas destas paredes subirem e quantas destas pedras, ainda mornas pela explosão de dinamite em uma pedreira aqui ao lado, eu as tive em minhas mãos de adolescente; essas pedras são testemunhas mudas de que aqui foi Troia.
Na nossa capelinha, de tão gratas recordações para os mais antigos, já não se oficiam os atos religiosos. Naquele páteo, que nenhum de nós jamais esquecerá, não se jogam mais foot-ball, basket-ball e outros jogos. Nesses corredores não se ouvem mais a algazarra, a gritaria e a alegria palpitante de vida dos apostólicos. Essa velha escada já não sente mais o pisar ritmado, nem em tempo de férias, a correria desenfreiada que tantos dissabores causava ao Pe. Teixeira. Esse velho corrimão, já não sente mais o deslisar de mãos finas de meninos e adolescentes. Nesses vastos salões já não se realizam mais as academias e sessões lítero-musicais, nem as prédicas e aulas de nossos mestres. Quem não se lembra daquele trecho de nosso livro de português “Última corrida de touros em Salvaterra”? Quem já terá esquecido o nosso livro de inglês “Estrada Suave”? Quem não se lembra da admirável gramática portuguesa de Eduardo Carlos Pereira, da incomparável gramática latina de Lobera, de nosso livro grego de Ragón? Quem não se lembra do “De bello Gallico”, de Júlio César? Do “De viris illustribus”, de Cornélio Nepote? Das Fábulas de Fedro? Das Metamorfoses, de Ovídeo? Das Odes, de Horácio? Das Églogas e de Eneida, de Virgílio? Das cartas e orações, de Cícero? Será possivel que vocês já esqueceram do nosso primeiro livro de latim? Desse latim que nos foi transmitido com pronuncia lusitana, que ainda mantenho como recordação de nossos mestres; desse latim que o Ministério da Educação retirou do currículo escolar brasileiro; latim que a Igreja católica manteve vivo por quase dois mil anos; latim que acompanhava a vida do católico, do berço ao túmulo, do “Ego te Baptismo” ao “Ego te Absolvo” da extrema-unção; latim que deu o nome continente inteiro, qual seja o Continente Latino-Americano. Lingua flexiva indo-europeu itálica, fonte e mãe, segundo um grande gramático, das mais belas linguas faladas pelos povos modernos. Quem já esqueceu a “Seletina”, “Deus creavit coelum et terram intra sex dies”?  Qual de vocês não volta ao passado e se reencontra num desses salões, ao ouvir emocionado a primeira estrofe de Eneida de Virgílio, o expoente máximo da literatura latina na poesia? Quem não se emociona?
“Arma virumque cano: Troiae que primus ab oris
Italiam, fato profugus, Lavinaque venit
Littora, multum ille e terris jactatus at alto
Vi Superum, saevae memorem lunonis ob iram”?
Quantas vezes não lemos, analisamos e decoramos trechos daquele outro monumental poema , “Os Lusíadas”, em que Camões canta a epopéia e os feitos da gente lusitana, o qual, à semelhança de virgílio, começou:
“As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana”.
Quem já esqueceu o grande Marco Túlio Cícero, o maior orador do Império Romano,  o qual, dizia o Pe. Alexandrino Monteiro, teria sido santo se tivesse vivido no Cristianismo? Quem já esqueceu a mundialmente conhecida Primeira Catilinária:
“Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?
Quamdiu etiam furor iste tuus nos eludet?
Quem ad sese effrenta jactabit audacia?
Oh tempora, o mores, Oh tempos, oh costumes, dizia o grande Cícero.
Nesses salões já não se ouve um José Machado, um Everton Comarú, um Antônio Valente, um Afonso Mota, um Ivan Távora ou eu próprio, a ler com ênfase a belíssima  perolação de segunda catilinária, em que Cícero pede ao Senado que, derrotadas todas as forças inimigas de terra e mar, implore aos deuses para que defendam do nefando crime dos maus  cidadãos a belíssima, florentissima e potentissima cidade de Roma. E todos os deuses imortais do Império,
 “Quos vos, Quirites, precari, venerari atque implorare
Debetis, ut quan urbem pulcherrimam, florentissimam
Copiis terra marique superatis, a perditissimorum civium
Nefario scelere defendant.”
Quantos de vocês não declamaram, no Sítio Uruguiana e noutros sítios, aquela página de Vieira sobre o fim do mundo, o qual arrebatou uma multidão que o ouvia:
“Abrasado, finalmente, o mundo e consumido pela violência                 Do fogo tudo o que a soberba dos homens construiu e edeficou          sobre a terra, quando já não se verão, neste formoso e dilatado Mapa, senão umas poucas cinzas, reliquias de sua grandeza e desengano de nossa vaidade, soará no ar uma trombeta espantosa, não metafórica, mas verdadeira, que isso quer dizer a repetição de S. Paulo, Canet, enim, tuba. E, obedecendo aos impérios daquela voz, abrir-se-ão em um momento as selputuras e aparecerão, no mundo, os mortos, vivos.”
Quem não se lembra de Ovídio que, desterrado por Augusto, enviou ao Império o belo poema “Os Tristes”, que tantas vezes serviu de exercícios mnemônicos em nossas aulas, tão do agrado do Pe. Monteiro?
“Cum subit illius tristissima noctis imago,
Que mihi supremum tempus in Urbe fuit,
Cum repeto noctem qua tot mihi cara reliqui,
Labitur ex oculis nunc quoque gutta meis”.
Estávamos no 5º ano,  no segundo semestre de 1931, quando o Pe. Monteiro passou, como tema de aula, um sacerdote rezando o breviário nas regiões frígidas da Alasca e que teria tropeçado em um binóculo mágico, através do qual se podia ver o mundo inteiro e o que nele se fazia.
Ocorrendo um feriado inesperado, não fizemos a composição e na próxima aula, nos trouxe o Pe. Alexandrino em magníficos versos alexandrinos o poema “O Missionário do Alaska”,  que, composto há 46 anos, retrata com absoluta fidelidade o mundo de hoje:
“Das regiões boreais, na gélida planura,
Eu vejo o missionário. O que é que lá procura?
Ali ouro não há, nem pedras preciosas,
Nem cousa que sacie as almas ambiciosas.
Mas, sim, a neve eterna, a aragem desabrida,
A morte, a cada instante, a ameaçar-lhe a vida.”

Meus amigos, nem eu, nem nenhum de vocês, há muito, não assistimos uma benção do Santíssimo Sacramento, mas duvido que tenham esquecido aqueles cantos, com melodias tão suaves, que a gente não esquece nunca:
“Tanqum ergo Sacramentum
Veneremur cernui
Et antiquum documentum
Novo cedat ritui,
Praestet fides supplementum
Sensuum defectui.”
E aquele não menos belo canto de S. Tomás à Eucaristia:
“Adoro Te devote, latens Deitas,
Quae sub his figuris vere latitas,
Tibi se cor meun totum subjicit,
Quia Te contemplans totum deficit.”
As nossas Noites de Natal! Quantas recordações nos trazem! Perto da meia noite, descíamos essa velha escada e nos reuníamos na capelinha e acompanhados pelo Pe. Monteiro ao harmônio, cantávamos com devoção e unção:
“Adeste, fideles, laeti triumphantes,
Venite, venite in Betleem,
Natum videte Regem Angelorum.”
Aeterni Parentis, splendorem aeternum,
Velatum sub carne videbimus
Deum infantem, pannis involutum.”
E na Semana Santa, com quanta piedade cantávamos o
“Stabat Mater dolorosa,
Iuxta crucem lacrimosa,
Dum pendebat Filius.
Eia, Mater, fons amoris,
Me sentire vim doloris
Fac ut tecum lugeam.
Fac ut ardeat cor meum
In amando Christum Deum
Ut Sibi complaceam.”
Acompanhando o ano litúrgico vinha em seguida o mês de março, dedicado a S. José, Padroeiro da Igreja Católica, patrono do Ceará e dos operários, Esposo de Maria Santissima, Pai adotivo de Jesus Cristo. Festa desse homem notável, cujas virtudes o Evangelista sintetisou em duas palavras:
“Vir justus”, Varão justo.
Após a missa, no dia 19 de março, cantávamos:
“Te, Ioseph, celebrent, agmina coelitum,
Te cuncti ressonent, Christiadum chori.
Tu clarus meritis, iunctus es inclitae
Casto foedere Virgini.
Nobis, Summa Trias, parce precantibus,
Da, Ioseph meritis, sidera scandere.”
Vem depois o mês de maio, mês da primavera, mês das flores. Mês em que colocávamos nossas melhores composições e a Ave Maria em idiomas estrangeiros aos pés de um quadro de N. Senhora. Mês de Maria Santíssima, Mãe de Jesus Cristo, Corredentora do Gênero Humano, Onipotência suplicante, no dizer de S. Agostinho, exaltada no Antigo e Novo Testamento decantada por poetas e oradores; Rainha dos mártires e Confessores, Rainha da Companhia de Jesus, Estrela Matutina, porta do céu, Virgem das virgens, apesar de alguns pseudo- cientistas e falsos teólogos quererem negar-lhe a virgindade. Maria Santíssima, meus amigos, foi, é e será eternamente a Virgo Dei Genitrix, a Virgem Mãe de Deus, ainda que por uma partenogênese divina.
“Salve, Mater, Misericordiae,
Mater Dei et mater veniae,
Mater spei et mater gratiae
Mater plena sanctae laetitiae.”
No mês de junho, consagrado ao Coração de Jesus, que prometeu o penhor da salvação eterna àqueles que fizessem as nove primeiras sextas-feiras, e todos nós as fizemos aqui, quem não se lembra de ter cantado:
“Coração Santo, Tu reinarás,
Tu nosso encanto, sempre serás.”
E chega, por fim, o nosso feriado, a nossa maior festa, o dia 31 de julho. Dia de Santo Inácio de Loiola, fundador da Companhia de Jesus, dessa Companhia amada por uns, mal compreendida por outros e perseguida por muitos. Braço direito da Igreja, brigada de choque do Papado, que se faz presente em todos os momentos difíceis da Igreja. Dia do Ínigo de Loiola, desse homem extraordinário, de força de vontade inquebrantável, defensor de Pamplona, que cansado de comandar soldados para guerrear nações, resolveu formar uma outra companhia de soldados para salvar almas e guerrear o mal.
Nesse momento, Pe. Hugo Furtado, em que celebramos o cinquentenário da Escola Apostólica, na qualidade de um de seus fundadores, em meu nome, em nome dos ex-apostólicos aqui presentes e em nome de todos que não puderam comparecer, desejo deixar registrado o nosso mais sincero reconhecimento à Companhia de Jesus, o nosso mais profundo sentimento de gratidão e veneração a todos os nossos mestres, por todo o bem que nos fizeram, por tudo de bom que nos legaram.
“Glória a Deus , és Inácio general
Desta Companhia real,
Esquadrão de valor imortal,
Que Jesus escolheu para erguer o pendão,
Esmaltado com as letras do nobre brasão:
A maior, a maior Glória de Deus!
Tu repetes na terra a voz do Arcanjo Miguel,
Que do soberbo Lusbél,
Audaz cerviz a seus pés esmagou
E contigo clama a voz dos bravos teus:
Quem como Deus?
E de amor, em valente, cerrado esquadrão,
Sem vacilar, sem descansar, sem recuar eles lá vão.
E o seu grito de guerra, no vale e na serra,
Por mar e por terra,
Atrôa e aterra Lusbél que se encerra,
Vencido no inferno a tremer.
Eia, irmãos, exclamam:
Por Deus, ou vencer ou morrer!
Na terra, mar e céus: Glória a Deus!
Era essa a nossa Escola do passado e, agora, essa ausência de jovens que se preparam para o sacerdócio. Esse silêncio angustiante, silêncio quase sepulcral; silêncio caracteristico de ruinas de cidades mortas! E até o vento que desce do cimo da montanha e ao passar por entre as verdes frondes dos laranjais  e mangueirais, ao espraiar-se pela planicie lá embaixo, parece murmurar: “Illinc campus ubi Troia  fuit, ali é o local onde foi Troia. Perdoem-me a hipérbole: Tal qual Homero, subi a estrada de Ítaca e encontrei a eterna Ilion, a eterna Troia de meus sonhos de criança, destruida. E é bem possivel que aquele que se propuser escrever a história da cidade de Baturité, ao se referir a esta Escola, diga dela o que disse o grande orador sacro cearense, Pe. Valdivino Nogueira, ao se referir às civiluzações antigas. É bem possivel que esse historiador diga que “a Escola Apostólica de Baturité, brilhou um instante como brilham os meteóros e desapareceu na cripta do tempo inexorável, para nunca mais surgir aos nossos olhos, senão como lívido fantasma, sacudindo o pó do esquecimento ao branco luar da História”. Mas antes que tal ocorra, meus caros ex-apostólicos, vamos fazer com que nossa Escola vibre, ao menos hoje, e que esses salões, essas galerias, essa escada, essas pedras e essas árvores sintam a nossa presença, reconheçam as nossas vozes e os nossos passos e reviva os seus tempos áureos do passado.
Meus amigos, vivemos numa época em que os desquites e os divórcios se avolumam de maneira alarmante, e tudo indica que a instituição divina do matrimônio está chegando ao fim. Viajamos pelo século mais assombroso que a História da Humanidade já registrou. Por mais de uma vez, o homem pisou o chão da lua e de lá enviou ao Universo uma mensagem de paz e de concórdia. No entanto, uma onda de violência, de ateismo e de materialismo invade o mundo. Vivemos o século da tecnologia e, também, o século do sexo em que o homem venera a máquina e adora o sexo. Estamos numa época em que o amor-philos, amor amizade, amor desprendimento, amor abnegação, está sendo substituido pelo amor-Eros, que outra cousa não é, segundo o escritor Roque Schneider, senão o relacionamento conjugal epidérmico dos prostíbulos. Século de reformas, de incompreensões, de violências, abalado por duas grandes guerras mundiais. Mas, por outro lado, século das maiores descobertas científicas, dos mais modernos e ultra-sofisticados meios de transporte e comunicação. O conceito filosófico grego foi invertido e o Homem é hoje o Macrocosmo e o Universo o microcosmo. Não obstante, como se a espada de Dâmocles pendesse sobre nossas cabeças, o medo e a ansiedade aflingem o homem moderno, na expectativa de uma possivel destruição total atômica. Num século tão conturbado, meus amigos, em que tantos principios filosóficos antagônicos  estão em conflito, em que o padrão da moral se modificou, século de esvasiamento de conventos masculinos e femininos, num século em que já não se sabe o que é bom ou mau, no século do desnudamento da mulher, das midi, mini e micro-saias, dos biquines e monoquinis, num século em que a androgenia parece levar boa parcela da humanidade e uma nova Sodoma, século de bacanais iguais às de Roma Antiga; séculos dos transplantes de coração e de cérebros eletrônicos, século da inseminação artificial e do controle da natalidade, século do enregelamento de cadáveres para uma imaginária ressurreição futura, século da desintegração do átomo e de viagens aéro-espaciais , num século tão maravilhosso, mas de tanta corrupção, temos necessidade urgente, necessidade premente de sacerdotes santos e sábios. Mas, onde formá-los?
Diz Virgílio na Eneida, que sentindo Enéas ser insustentável a situação de Troia, teria abandonado seus muros, levando aos ombros seu velho pai Anquises. Deixo, hoje, os muros desta Escola, levando aos ombros recordações guardadas por meio século, reminiscências acumuladas por 50 anos, que eu mesmo não sei como não as perdi, não as deixei cair uma a uma, pelos invios e tortuosos caminhos da vida. Mas, ao passar por entre as minhas duas velhas amigas, as palmeiras imperiais, São Pedro e São Paulo, faço votos para que esta Escola, amoldando-se às necessidades do século hodierno, reabra as suas portas. Faço votos para que o vento do cimo da montanha, descendo por entre as verdes frondes dos laranjais e dos mangueirais, ao espraiar-se pela planície lá embaixo, não murmure mais aos ouvidos dos que passam: “Illinc campus ubi Troia fuit”, ali é o local onde foi Troia, mas brade alto e bom som, Illinc condita nova Hierosolima, ali se ergue uma nova Jerusalém, onde jovens se preparam para o sacerdocio. Ali se ergue uma nova Jerusalém, de onde sairão os apóstolos, os missionários  dos anos 2 mil. E de amor, em valente, cerrado esquadrão, daqui saiam os soldados de Cristo-Rei, para engrossarem as fileiras da brigada de choque da Igreja, e desfraldando seu estandarte, pando, enfunado, côncavo de amor a Deus e aos homens e nele escrito o dístico, “Quis ut Deus”, quem como Deus, daqui saiam para levar almas a Cristo, para orientar os bons, para converter os maus, para declarar guerra incessante ao ateismo.  Faço votos, meus caros ex-apostólicos, para que num futuro não muito distante, daqui saiam os pés evangelizadores da paz. Para que num futuro não muito longínquo, daqui saiam os pés dos evangelizadores do bem, para percorrerem o Brasil inteiro, “do Prata ao Amazonas”, do mar às cordilheiras, batizando, confessando, escrevendo, ensinando, pregando, doutrinando, catequizando, suando, sofrendo, morrendo,
Ad Maiorem Dei Gloriam.
Para a Maior, a Maior Glória de Deus.



Discurso proferido pelo Prof. Luis Arruda Furtado em 21.08.1977, por ocasião da festividade comemorativa do cinquentenário de fundação da Escola Apostólica dos Jesuitas, em Baturité.


quinta-feira, 19 de abril de 2012

DISCURSO PROFERIDO PELO PROF. LUIS ARRUDA FURTADO - 4ª PARTE



                                           PROF. LUIS ARRUDA FURTADO 

Nesses salões já não se ouve um José Machado, um Everton Comarú, um Antônio Valente, um Afonso Mota, um Ivan Távora ou eu próprio, a ler com ênfase a belíssima  perolação de segunda catilinária, em que Cícero pede ao Senado que, derrotadas todas as forças inimigas de terra e mar, implore aos deuses para que defendam do nefando crime dos maus  cidadãos a belíssima, florentissima e potentissima cidade de Roma. E todos os deuses imortais do Império,
 “Quos vos, Quirites, precari, venerari atque implorare
Debetis, ut quam urbem pulcherrimam, florentissimam
Potentissimamque esse voluerunt, hanc, omnibus hostium
copiis terra marique superatis, a perditissimorum civium
nefario scelere defendant.”
Quantos de vocês não declamaram, no Sítio Uruguaina e noutros sítios, aquela página de Vieira sobre o fim do mundo, o qual arrebatou uma multidão que o ouvia:
“Abrasado, finalmente, o mundo e consumido pela violência                 do fogo tudo o que a soberba dos homens construiu e edificou          sobre a terra, quando já não se verão, neste formoso e dilatado Mapa, senão umas poucas cinzas, reliquias de sua grandeza e desengano de nossa vaidade, soará no ar uma trombeta espantosa, não metafórica, mas verdadeira, que isso quer dizer a repetição de S. Paulo, Canet, enim, tuba. E, obedecendo aos impérios daquela voz, abrir-se-ão em um momento as selputuras, e aparecerão, no mundo , os mortos, vivos.”
Quem não se lembra de Ovídio que, desterrado por Augusto, enviou ao Império o belo poema “Os Tristes”, que tantas vezes serviu de exercícios mnemônicos em nossas aulas, tão do agrado do Pe. Monteiro?
“Cum subit illius tristissima noctis imago,
Que mihi supremum tempus in Urbe fuit,
Cum repeto noctem qua tot mihi cara reliqui,
Labitur ex oculis nunc quoque gutta meis”.
Estávamos no 5º ano, no segundo semestre de 1931, quando o Pe. Monteiro passou, como tema de aula, um sacerdote rezando o breviário nas regiões frígidas da Alasca e que teria tropeçado em um binóculo mágico, através do qual se podia ver o mundo inteiro e o que nele se fazia.
Ocorrendo um feriado inesperado, não fizemos a composição e na próxima aula, nos trouxe o Pe. Alexandrino em magníficos versos alexandrinos o poema “O Missionário do Alaska”, que, composto há 46 anos, retrata com absoluta fidelidade o mundo de hoje:
“Das regiões boreais, na gélida planura,
Eu vejo o missionário. O que é que lá procura?
Ali ouro não há, nem pedras preciosas,
Nem cousa que sacie as almas ambiciosas.
Mas, sim, a neve eterna, a aragem desabrida,
A morte, a cada instante, a ameaçar-lhe a vida.”
Meus amigos, nem eu, nem nenhum de vocês, há muito, não assistimos uma benção do Santíssimo Sacramento, mas duvido que tenham esquecido aqueles cantos, com melodias tão suaves, que a gente não esquece nunca:
“Tanqum ergo Sacramentum
Veneremur cernui
Et antiquum documentum
Novo cedat ritui,
Praestet fides supplementum
Sensuum defectui.”
E aquele não menos belo canto de S. Tomás à Eucaristia:
“Adoro Te devote, latens Deitas,
Quae sub his figuris vere latitas,
Tibi se cor meun totum subjicit,
Quia Te contemplans totum deficit.”
As nossas Noites de Natal! Quantas recordações nos trazem! Perto da meia noite, descíamos essa velha escada e nos reuníamos na capelinha e acompanhados pelo Pe. Monteiro ao harmônio, cantávamos com devoção e unção:
“Adeste, fideles, laeti triumphantes,
Venite, venite in Betleem,
Natum videte Regem Angelorum.”
Aeterni Parentis, splendorem aeternum,
Velatum sub carne videbimus
Deum infantem, pannis involutum.”
E na Semana Santa, com quanta piedade cantávamos o
“Stabat Mater dolorosa,
Iuxta crucem lacrimosa,
Dum pendebat Filius.
Eia, Mater, fons amoris,
Me sentire vim doloris
Fac ut tecum lugeam.
Fac ut ardeat cor meum
In amando Christum Deum
Ut Sibi complaceam.”
Acompanhando o ano litúrgico vinha em seguida o mês de março, dedicado a S. José, Padroeiro da Igreja Católica, patrono do Ceará e dos operários, Esposo de Maria Santissima, Pai adotivo de Jesus Cristo. Festa desse homem notável, cujas virtudes o Evangelista sintetisou em duas palavras:
“Vir justus”, Varão justo.
Após a missa, no dia 19 de março, cantávamos:
“Te, Ioseph, celebrent, agmina coelitum,
Te cuncti ressonent, Christiadum chori.
Tu clarus meritis, iunctus es inclitae
Casto foedere Virgini.
Nobis, Summa Trias, parce precantibus,
Da, Ioseph meritis, sidera scandere.”
Vem depois o mês de maio, mês da primavera, mês das flores. Mês em que colocávamos nossas melhores composições e a Ave Maria em idiomas estrangeiros aos pés de um quadro de N. Senhora. Mês de Maria Santíssima, Mãe de Jesus Cristo, Corredentora do Gênero Humano, Onipotência suplicante, no dizer de S. Agostinho, exaltada no Antigo e Novo Testamento decantada por poetas e oradores; Rainha dos Mártires e Confessores, Rainha da Companhia de Jesus, Estrela Matutina, porta do céu, Virgem das virgens, apesar de alguns pseudo- cientistas e falsos teólogos quererem negar-lhe a virgindade. Maria Santíssima, meus amigos, foi, é e será eternamente a Virgo Dei Genitrix, a Virgem Mãe de Deus, ainda que por uma partenogênese divina.
“Salve, Mater, Misericordiae,
Mater Dei et mater veniae,
Mater spei et mater gratiae
Mater plena sanctae laetitiae.”

CONTINUA NA QUINTA PARTE.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

QUALIFICAÇÃO DE MESTRADO EM PSICOLOGIA














Hoje, dia 18 de abril de 2012, aconteceu na UNIFOR a qualificação da DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM PSICOLOGIA  de Liana Arruda Teixeira,  intitulada: "SEM VOCÊ: considerações psicanalíticas sobre o laço amoroso na contemporaneidade a partir da obra de Chico Buarque."
Parabéns para Liana por mais uma etapa vencida em busca da defesa de sua dissertação de mestrado.