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domingo, 29 de janeiro de 2012

REUNIÃO DOS DESCENDENTES DE EDGY E ADELINA

Na primeira fila da esquerda pra direita: Ana Margarida, Raimundo Luiz, Edna, Lúcia, Claudia, Clêide e Fátima. Atrás de esquerda pra direira: Claudio, Teca, Carmen, Alfredo, Goretti e Luiz





Hoje, dia 29/01/2012, aconteceu no meu ap mais uma reunião de congraçamento dos descendentes do casal Edgy e Adelina. As reuniões, que ocorrem todos os meses em diferentes residências, têm a finalidade de manter a família unida para o enfrentamento dos embates da vida. Parabéns aos membros da  família Furtado Arruda por preservarem os ensinamentos de nossos pais.

sábado, 28 de janeiro de 2012

REUNIÃO FAMÍLIA ARRUDA - 28 DE JANEIRO DE 2012

Sentados da Esquerda pra Direita: Julieta, Olintho, Teresa e Eurico. Atrás da E. pra D.: Ana Margarida, Raimundo Luiz, Goretti, Regina, Edna, Ana Maria e sua filha Ana Beatriz. Na terceira fila da E. pra D.: Rosa, Luiz Octávio, Tetê, Luiz e Isabel.
Aconteceu hoje, dia 28 de janeiro, a primeira reunião de 2012 dos membros da Fundação Comendador Ananias Arruda. A mesma foi realizada  na residência da tia Teresa com a participação especial de Luiz Octávio e sua esposa Rosa Cristina. Foi feito um balanço positivo das atividades realizadas em 2011, principalmente do  evento comemorativo do centenário de casamento de Ananias Arruda e Ana dos Santos Arruda. Foi programada a primeira atividade para o ano em curso: um bingo que será realizado no dia 31 de março na residência da tia Malourdes. Parabéns para todos que fazem a FCAA, com votos de êxito em todas as atividades que serão realizadas em 2012.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

CLAUDIO MANUEL DA COSTA E O ARCADISMO

                           
Claudio Manoel da Costa, filho de João Gonçalves da Costa e Teresa Ribeira de Alvarenga,  nasceu em 5 de junho de 1729, no sítio da Vargem do Itacolomi, freguesia da Vila do Ribeirão do Carmo, atual cidade de Mariana (Minas Gerais). Faleceu em 4 de julho de 1789, em Vila Rica, atual Ouro Preto (Minas Gerais). Foi advogado de pretígio, fazendeiro abastado, pensador e poeta. Em 1749, aos vinte anos de idade, embarcou para Portugal para estudar na Universidade de Coimbra. Claudio teve importante carreira no campo político, literário e profissional. Acumulou grande fortuna e sua casa em Vila Rica, atual Ouro Preto, que está desafiando o tempo, era uma das melhores vivendas da cidade. 
Claudio Manuel da Costa teve importante atuação na Inconfidência Mineira ao lado do capitão José de Resende Costa e seu filho José de Resende Costa Filho, do poeta Tomás Antônio Gonzaga, dos coronéis Domingos de Abreu Vieira e Francisco Antônio de Oliveira Lopes, dos padres José da Silva e Oliveira Rolim, Manuel Rodrigues da Costa e Carlos Correia de Toledo e Melo, do cônego Luís Vieira da Silva, do sargento-mor Luís Vaz de Toledo Pisa, do minerador Inácio José de Alvarenga Peixoto e do alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de "Tiradentes".
Aos sessenta anos de idade,  envolvido na chamada Conjuração Mineira, Claudio foi preso.  Morreu  em circunstâncias obscuras na prisão, quando teria cometido suicídio ou sido assassinado. Dez dias depois da sua morte, os parisienses tomavam  a fortaleza da Bastilha, marcando o início a Revolução Francesa. Começava  a se concretizar, na Europa, o projeto político sonhado pelo próprio Cláudio para o Brasil. Somente trinta e três anos mais tarde o Brasil se libertaria de Portugal e cem anos seriam necessários para a implantação do regime republicano.
Claudio Manuel da Costa é considerado um dos melhores sonetistas de nossa literatura. Suas poesias estão condensadas no livro “Obras Poéticas”, poesias líricas, 1768. O arcadismo, escola literária surgida na Europa no século XVIII, foi introduzida no Brasil por ele.  O nome "arcadismo" é uma referência à Arcádia, região campestre do Peloponeso, na Grécia Antiga, tida como ideal de inspiração poética. A principal característica desta escola é a exaltação da natureza e de tudo o que lhe diz respeito.  Este belo soneto sobre o amor pertence à referida escola literária.

AMOR QUE VENCE OS TIGRES

                                    Claudio Manuel da Costa

 Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci: oh! quem cuidara,
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!

Amor que vence os tigres, por empresa,
Tomou logo render-me; ele declara
Contra o meu coração guerra tão rara,
Que não me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano,
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano:

Vós, que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei; que Amor tirano,
Onde há mais resistência, mais se apura.


Museu da Inconfidência em Ouro Preto. Antiga casa de Câmara e Prisão onde morreu Claudio Manuel da Costa

Museu da Inconfidência - Ouro Preto

Ouro Preto

Antiga casa de Claudio Manuel da Costa

Estação de trem de Mariana

Igreja de Mariana

Ouro Preto

Ouro Preto



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A HISTÓRIA E A REVOLUÇÃO FRANCESA

Jules Michelet (1798-1874)

Lucien Febvre (1878-1956)


A desagregação de um sistema muito bem articulado, como era o absolutismo na França, só foi conseguido através da Revolução Francesa que, por outro lado, teve, também, um papel decisivo na História.
A Revolução Francesa deu origem a um poderoso movimento intelectual liderado por alguns historiadores como: François Guizot (1787-1874), Augustin Thierry (1795-1856),  Adolphe Thiers (1797-1877) e Jules Michetet (1798-1874), entre outros.
Filho de um artesão gráfico, Michelet foi doutor em letras aos 21 anos. Em 1838,  entrou para os Arquivos Nacionais e começou a lecionar no Collège de France, onde seus cursos obtiveram enorme sucesso. 
À partir de 1825, publicou diversas obras, entre as quais: Introduction a L’histoire Universelle, onde expôs sua concepção de História. Após 1840, começou a pregar idéias democráticas e anticlericais. Preparou sua Histoire de la Revolution Francaise, que apareceu de 1847 a 1853. Retomou sua Histoire du XIXe siècle que, com sua morte, não pôde ser concluída.
A obra de Michetet fundamenta-se em uma documentação rigorosa. Ele não dissimula paixões: ódio aos reis e a Igreja, amor ao povo. Criticado pelos positivistas, contestado pelos partidários de Maurras e pelos Marxistas, Michetet foi reabilitado pela Escola dos Annales.
Segundo Lucien Febvre (um dos criadores da Escola dos Annales), “A História e o estado de espírito que ela devia engendrar nasceram desses grandes movimentos de fluxo e refluxo, que, na sua alternância, descobrem em nossa França ora praias secas, nuas, bem lavadas pelas ondas, banhadas de luz fria, igual e sem mistério; ora praias encharcadas de umidade...” 
Foi em fins do século XVIII, que este terreno fértil propiciou aos historiadores uma atmosfera encorajadora para que a História pudesse desabrochar. Assim, a Revolução Francesa agiu de duas formas na gênese da História: direta e positivamente e indireta e negativamente. Vamos ver como isto foi abordado por Febvre. Segundo ele, o que a Revolução fez foi fundamental e positivo à medida que promoveu o povo à dignidade de agente e de sujeito da História. Até então, e por muito tempo, o historiador era o mais fiel contador dos feitos dos reis, de suas vitórias, suas conquistas  etc, tornando a História unilateral, voltada para o  poder. Ao historiador cabia escrever para agradar à classe dominante.  
Durante a Revolução Francesa pessoas comuns e anônimas emergiram da massa como: Roland, Desmoulins, Danton, Robespierre e outros. Até o pequeno Bonaparte. Nesta fase não houve usurpação do trono e nem substituto do rei, mas, sim, a nação tomando o poder na França. Febvre faz grande apelo ao nascimento da nação que, em 1789, com o desmoronamento do absolutismo, assumiu a qualidade de sujeito da História.
Assim, a Revolução Francesa constituiu uma nova ideologia que fez perecer o Antigo Regime e promoveu a Nova História. Mesmo quando pensa em Voltaire e nas suas obras, Febvre sugere que os moldes eram ainda tradicionais, quando a glória não era dos povos, mas dos déspotas esclarecidos, seus amigos. Além disso, a ironia que marcava a sua obra e o seu nada modesto comportamento sufocou-lhe a inteligência.
Como a Revolução Francesa agiu indireta e negativamente? Febvre explica: Quando há uma revolução rompemos com o passado. E como este estava mal sedimentado na consciência dos homens daquela época, houve esta ruptura. Exemplificando: Logo após a decaptação de Luis XVI, supõe-se que todos já haviam esquecidos os Bourbons na França. As gerações entre 1780 e 1800 foram bastante sacrificadas. A ruptura com o Antigo Regime reprimiu qualquer manifestação relacionada ao passado. O silêncio era a palavra de ordem. Temos, finalmente, após esse período, a geração que, em 1815,  criou a História Nova.
Edgar Quinet, historiador francês, cita as dificuldades que sofreu quando, em sua infância e juventude, se reportava ao passado, na escola e na família. Todos eram obrigados a conviver com o silêncio em um período em que a tradição nas famílias era oral e a cultura era quase inexistente. Os pais preparavam os seus filhos para serem recrutados para o exército de Napoleão. Até que um dia, a derrota de Waterloo, fez a França, novamente, e com mais força, ser sacudida. Foi a mais fecunda e radical de todas as revoluções do século XIX.  No pós-Waterloo vemos, naquele “fluxo e refluxo” da  História, outro período propício para um novo renascimento de gênios, homens de talentos e conseqüentemente da História.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
São Paulo, 2004.

domingo, 22 de janeiro de 2012

O DIÁRIO DE HÉLÈNE BERR - Um Relato da Ocupação Nazista de Paris -RESENHA


Capa do livro

Hélèle Berr - Aubergenville, 11 de abril de 1942.

Jean Morawiecki e Hélèle Berr  - Paris, 15 de agosto de 1942

Hélèle Berr e amigas - Paris, 8 de abril de 1942

Hélèle Berr e crianças orfãs - Paris, 12 de novembro de 1943


Hélène Berr, uma jovem judia parisiense, de 21 anos, culta, estudante de literatura inglesa da Sorbonne, que sonhava com um futuro promissor ao lado de Jean Morawiecki, seu namorado, começou a escrever um diário, em abril de 1942, interrompendo-o em 8 de março de 1944, quando foi deportada para Auschwitz, com seus pais.
Esses manuscritos, confiados por Hélène à sua cozinheira, para entregá-los ao namorado, permaneceram guardados por seus familiares, durante 50 anos, como um intocável tesouro, até que foram doados ao Memorial da Shoah em Paris.
O nazismo, a segunda guerra mundial e as leis contra os judeus, de Vichy, mudaram tragicamente o destino desta jovem, interrompendo sua vida, cruelmente, no campo de concentração de Bergen-Belsen, em março de 1945.
Mais um depoimento histórico sobre as atrocidades perpetradas pelos nazistas, Hélène Berr Journal, lançado na França, pela editora Tallandier, em 2008, foi comercializado com 85 mil exemplares e vendeu 26 mil, em apenas três dias. Permaneceu durante três meses na lista dos mais vendidos, foi aclamado pelos jornais Liberation e Figaro e teve seus direitos vendidos para mais de 15 países.
Lançado no Brasil pela editora Objetiva, em 2008, “O diário de Hélène Berr” nos toca profundamente por ser um relato surpreendente de uma judia, nascida em 1921, filha de Raymond Berr, vice-presidente da empresa química Kuhlmann, que morreu envenenado pelo médico na enfermaria de Auschwitz e de Antoinette Berr que foi assassinada ao chegar a Auschwitz.
Hélène, além de estudante de música clássica e de literatura inglesa, era bibliotecária voluntária e fazia trabalhos sociais de assistência a crianças judias desamparadas. Lia Paul Valéry, Thomas Hardy, Elizabeth Goudge, entre outros. Em seu diário cita Shelley e Shakespeare e conta que costumava reunir-se com um grupo de amigos para tocar peças de Beethoven, Schubert e Bach, ao violino.
Descreve a vida em Paris, a rotina na universidade com seus amigos, seu romance com Jean, viagens de férias no campo e a simplicidade do amanhecer, no texto escrito em 11 de abril de 1942. “O júbilo que acompanha a ascensão triunfante do sol matinal, a alegria, a cada momento renovada, de uma descoberta, o perfume sutil dos buxos em flor, o zumbido das abelhas, o surgimento repentino de uma borboleta em voo hesitante e um pouco incerto. Fiquei no banco lá em cima sonhando, deixando-me acariciar por essa atmosfera tão suave que fazia meu coração derreter como cera”.
No entanto, aos poucos, a ocupação nazista começou a impregnar sua felicidade. Hélène Berr nos descreve a transformação de sua vida e o desvanecimento de seus sonhos. O namorado deixou Paris para fazer parte da Resistência francesa, seu pai foi detido pelos nazistas, famílias judias foram esfaceladas e suas amigas deportadas.
Mesclado de sua experiência diária, repleto de esperança e desespero, seu texto, de qualidade literária excepcional, nos prende e emociona do começo ao fim. Porém, o verdadeiro inferno vivido por Hélène não pôde ser relatado, pois sua pena foi confiscada pelos nazistas.
De Auschwitz, Hélène Berr foi conduzida, na famosa “marcha da morte”, para Bergen-Belsen, quando quinze mil pessoas morreram ao longo do caminho. Ao liberarem o campo de concentração, em 13 de abril de 1945, os soldados ingleses encontraram dez mil cadáveres e trinta e oito mil pessoas agonizantes. Hélène Berr, Anne Frank e a irmã, Margot, morreram de tifo e maus tratos, poucos dias antes da redenção.


                                       Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
                                              São Paulo, 8 de setembro de 2009




Este texto foi publicado no livro "TEMPOS DE GUERRA E DE PAZ - Ensaios da Vida" - Organizado por Marcelo Gurgel Carlos da Silva e editado pela Ed. UECE, Fortaleza-CE, 2010.


Foi postado no site:  http://www.nehscfortaleza.com/

sábado, 21 de janeiro de 2012

MARGÔ MINHA VIDA - NE ME QUITTE PAS

                                                                     

Margô e Rose - Fortaleza, Ideal Club, dezembro de 1994

                                                                                                            Por José Rosemberg

Adoro-a acima de tudo na vida
Meu amor é oceânico e profundo
Com raízes mais fortes que as do jequitibá.
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Sem você o desespero é trágico tormento
Você é meu doce e vivificante alimento
Como foi para meus ancestrais, o maná.
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Você ausente é a negação de tudo, é o vazio.
É o cinza sem calor, gélido e frio.
É a tristeza melancólica do canto do sabiá.
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Fica ao meu lado por toda eternidade!
Separados, purgarei dilacerante saudade.
Margô, acredite! Sem você, viver não dá!
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas


   Rose
  São Paulo, 23 de maio de 2003.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Acta Pulmonale: 339 - Como os médicos morrem

Acta Pulmonale: 339 - Como os médicos morrem

NE ME QUITTE PAS


Ne me quitte pas é uma canção francesa, composta, escrita e cantada por Jacques Brel, publicada em 1959. Foi escrita em decorrer da separação de Brel e de Suzanne Gabriello e interpretada por muitos outros artistas em francês ou versão em outros idiomas. 
Segundo Brel, a música não é sobre o amor, mas sobre a covardia dos homens.
Origem: Wikipédia.

TRADUÇÃO: Ana Margarida Rosemberg

NÃO ME DEIXES

Não me deixes, é preciso esquecer,
Tudo se pode esquecer que já ficou pra trás.
Esquecer o tempo dos mal-entendidos
E o tempo perdido.
Esquecer essas horas que, às vezes, mata a golpes de por quês
O coração de felicidade.
Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes

Eu te oferecerei pérolas de chuva vindas de países
Onde nunca chove.
Eu escavarei a terra mesmo depois da minha morte,
Para cobrir teu corpo de ouro e de luz.
Criarei um país onde o amor será rei,
Onde o amor será lei e você será a rainha.
Não me deixes
Não me deixes

Não me deixes, eu te inventarei
Palavras absurdas que você compreenderá,
Te falarei daqueles amantes
Que vimos duas vezes seus corações em brasas
Eu te contarei a história daquele rei
Que morreu porque não pôde te reencontrar
Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes

A gente sempre viu reacender o fogo
Do antigo vulcão
Que julgávamos parecer velho demais
Terras queimadas produziram mais trigo que no melhor abril
E quando a tarde cai, para que o céu se inflame
O vermelho e o negro não se misturam.
Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes
Não me  deixes, eu não vou mais chorar,
Não vou mais falar, Me esconderei aqui
Só para te ver dançar e sorrir
E para te ouvir cantar e depois rir
Deixa-me ser a sombra da tua sombra
A sombra da tua mão, A sombra do teu cão
Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes

sábado, 14 de janeiro de 2012

AVE MARIA DE SCHUBERT - MÚSICA PARA A ALMA

Divina, a Ave Maria de Schubert. 
Reconheço que a religião inspirou as artes em vários aspectos. Foi uma força criadora na literatura, na pintura, na música, na escultura etc...
 Ave Maria
Gratia plena
Maria, gratia plena
Maria, gratia plena
Ave, ave dominus
Dominus tecum
Benedicta tu in mulieribus
Et benedictus
Et benedictus fructus ventris
Tuae, Jesus.
Ave Maria

Ave Maria
Mater Dei
Ora pro nobis peccatoribus
Ora, ora pro nobis
Ora, ora pro nobis peccatoribus
Nunc et in hora mortis
In hora mortis nostrae
In hora mortis, mortis nostrae
In hora mortis nostrae
Ave Maria

Amen

DISCURSO DE POSSE DO COMITÊ COORDENADOR DO CONTROLE DO TABAGISMO NO BRASIL - CAPÍTULO CEARÁ

Este discurso foi proferido por mim, primeira presidenta do CCCTB-CE, por ocasião da posse.
Membros da primeira diretoria do CCCTB-CE. Sentados da esquerda para a direita: Prof. Mário Rigatto, Salete Resende, Teresinha Arraes, Ana Margarida, José Rosemberg e Josias Cavalcante. Em pé da E. para a D.: Zizi, Socorro,  Ambrósio, Valdeney Rolim, Socorro Andrade, Márcia Alcântara, Luiza Torres, Valéria Goes, Cristina Dantas, Silvana Porto, Josemeire,?.
                   Novotel - Beira-Mar  -  Fortaleza, 4 de agosto de 1994.

    No ensejo da posse do capítulo do Ceará do Comitê Coordenador do Controle do Tabagismo do Brasil, não poderia deixar de fazer uma homenagem àqueles que ao longo de várias décadas contribuiram para a criação e avanço da luta antitabágica em nosso Estado.
    Reporto-me aos idos da década de 1940 para homenagear Baltazar Barreira, comerciante e industrial, que, no dia 15 de novembro de 1946, criou a Sociedade Civil  denominada BACOVI - Barreira contra os Vícios, cuja sede funcionava na Avenida Visconde do Rio Branco, n° 1605.
    Esta sociedade foi considerada de utilidade pública pela Lei Estadual n° 1795, de 05 de maio de 1953, e pela Lei Municipal n° 658, de 03 de julho  de 1953. Seu lema era o combate ao tabagismo e alcoolismo. Registro aqui a minha homenagem póstuma ao grande baluarte da luta antitabágica no Ceará, Baltazar Barreira. Ao seu lado tivemos os jornalistas: Clóvis Barroso e Raimundo Costa; os médicos: Jurandir Picanço, Simões de Menezes, Manassés Fontenele e Leite Maranhão; os educadores: Edilson Brasil Soares, Paulo Sarasate, José Barreto Parente, Parsifal Barroso, Amarilio Cavalcante e Raimundo Girão Barroso.
    De 1940 a 1970, Baltazar Barreira escreveu crônicas e editoriais nos jornais  O Unitário e  Correio do Ceará. O grupo BACOVI atuou sozinho até o inicio de 1970.
    A partir de 1972, um médico de um estado longínquo, a convite da Faculdade de Medicina da UFC, esteve por diversas ocasiões proferindo conferências inesquecíveis sobre os maleficios do fumo, lançando, assim, várias sementes no meio acadêmico e médico daquela época. Refiro-me ao Prof. Dr. Mário Rigatto que hoje nos honra com sua presença.
    Em 15 de janeiro de 1975, o Dr. Silas de Aguiar Munguba fundou o Desafio Jovem, criando, assim, um belissimo trabalho de prevenção e recuperação de dependentes químicos. O Desafio Jovem desafia o tempo e, quase 20 anos após sua criação, continua cumprindo seu papel. Anualmente são recuperados 180 rapazes em regime de internamento e 3840 em regime ambulatorial. Merece todo o nosso respeito o Dr. Silas Munguba, idealizador e presidente do Desafio Jovem.
    Em 1980, na I Jornada Regional de Saúde do INAMPS, tivemos uma mesa redonda sobre tabagismo e contamos com as seguintes presenças:  Dr. Mário Rigatto, que abordou o tema ‘Tabagismo e ação sobre a saúde’, Professor Itamar Spindola, que abordou ‘Aspectos legais do tabagismo’ e o Dr. Walton Miranda Leitão que abordou ‘Aspectos psicológicos do tabagismo’.
    Em 1982, foi criada a Comissão de Prevenção ao uso Indevido de Drogas, da Secretaria de Educação do Estado do Ceará, tendo a frente uma grande mulher, a Professora Maria do Socorro Maia, que, com competência e dedicaçao ao trabalho, conseguiu dinamizar a luta na Secretaria de Educação, reunindo educadores da rede pública e privada.
    Em 1984, foi fundado o Comitê Cearense Antifumo,  tendo a frente o Dr. Geraldo Madeira Sobrinho que contou com a colaboraçâo dos seguintes médicos: Vinicius Brasileiro, Martins Vicente Leitao, Luiz Aires Leal, Wilson Acioly e Maria do Carmo Pinheiro.
Em 1986, os pneumologistas do Hospital de Messejana e da Sociedade Cearense de Pneumologia e Tisiologia se organizaram para combater o tabagismo, sob a coordenaçâo do Dr. Leopoldo Vasconcelos. O grupo era composto pelos doutores: Josias Cavalcante, Madeira Sobrinho, Márcia Alcântara, Socorro Maia, Osvaldina e Ilca Ponciano.
    Em 1988, o Dr. Josias Cavalcante assumiu a coordenação do Programa Cearense de Combate ao Fumo da Sociedade Cearense de Pneumologia e Tisiologia, conseguindo agregar vários orgãos na luta antitabágica como: a Secretaria da Saúde do Estado, a Secretaria da Saúde do Município, a Secretaria da Educação do Estado, o Comitê Cearense Antifumo, a Igreja Adventista, a Comissão de Prevençao ao Uso Indevido de Drogas, a Federaçâo Cearense de Atletismo e várias sociedades médicas. Sob a coordenaçâo do Dr. Josias Cavalcante, a luta antitabágica no Ceará deu um grande salto qualitativo, pois inúmeros eventos foram realizados, sedimentando, assim, a luta contra o fumo.
     Em 12 de março de 1991, foi criada, oficialmente, a Fundação Cearense de Combate às Drogas sob à presidência da Dra. Socorro Maia. Em 1991, assumiu a coordenaçâo do Programa de combate ao Fumo a Dra. Ana Maria Cruz que continuou o trabalho desenvolvido pelo Dr. Josias Cavalcante.
    Em março de 1992, a Secretaria de Saúde do Estado do Ceará assumiu o programa de combate ao fumo sob à nossa coordenação. O mesmo foi oficializado, solenemente, pela, então, Secretária de Saúde, Dra Anamaria Cavalcante e Silva, no dia 31 de maio de 1993, através das portarias de n° 571/93 e nº572/93, juntamente com  a Comissâo Cearense de Combate ao Fumo.
    Em 3 dezembro de 1993, foi realizado o I Workshop Cearense Sobre Tabagismo, que contou com a participação de convidados especiais como os drs: José Rosemberg e Mário Rigatto. Marco histórico na luta contra o tabagismo em nosso Estado,  este evento foi coroado de êxito, agregando 120 profissionais de saúde de todo o Estado do Ceará e mudando, radicalmente, o curso da luta antitabágica.
    Hoje, 4 de agosto de 1994, no ensejo da Posse do Capítulo do Ceará, do Comitê Coordenador do Controle do Tabagismo no Brasil, temos a mais alta honra e satisfação em recebê-los, Prof. José Rosemberg e Prof. Mário Rigatto, em nossa terra para tão significativo evento. Homenageio a Dra. Teresinha Barros Arraes Maia, Presidente da Comissão Cearense de Combate ao Fumo e representante, no Ceará, da AMALTA, Associação das Mulheres Latino Americanas para o Controle do Tabagismo no Brasil, por sua incansável luta; e o vereador Moaceny Felix autor da lei, recentemente sancionada pelo Prefeito Antonio Cambraia, que cria espaços para fumantes e não fumantes nos bares, restaurantes e lanchonetes de Fortaleza.
    Homenageio, enfim, todos os membros do Capítulo do Ceará do Comitê Coordenador do Controle do Tabagismo no Brasil, que hoje externam os efusivos agradecimentos aos Professores Doutores José Rosemberg e Mário Rigatto, que aqui vieram empossar o referido comitê.
    Agradeço, comovida, a Dra. Anamaria Cavalcante e Silva, Secretária da Saúde de nosso Estado, pelo apoio que nos tem dado nesta luta, ao Dr. Frederico Augusto de Lima Silva, Superitendente da Escola de Saúde Pública, e a Dra. Valéria Goes Ferreira, Presidente da Sociedade Cearense de Pneumologia e Tisiologia,  que soma conosco esforços no combate ao tabagismo.
    Desejamos a todos os membros deste comitê, que hora é empossado, êxito total na luta antitabágica e reiteramos os agradecimentos pela presença de todos vocês.
Obrigada pela atenção !
Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Novotel - Fortaleza, 4 de agosto de 1994. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

EXPOSIÇÃO NA ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA

Josias Cavalcante, Ana Margarida e Antero Coelho
Dr. Josias Cavalcante

       No dia 11 de janeiro de 2012, quarta-feira passada, o Dr. Josias Sampaio Cavalcante apresentou na Academia Cearense de Medicina a seguinte exposição: "Evolução e Controle do Tabagismo no Estado do Ceará".
Com brilhantismo ele deu uma idéia geral do que foi a luta contra o tabagismo em nosso Estado, dos seus primórdios até os dias atuais. Parabenizo-o, não só pela brilhante exposição, como, também, por sua dedicação e pioneirismo no combate ao tabagismo em nosso Ceará.
Amanhã, dia 14 de janeiro de 2012, de 11:00 às 12:00, estaremos, eu e o Dr. Josias, participando do Programa “Novas Idades”, comandado pelo Dr. Antero Coelho e Dr. João Macêdo Coelho Filho, na Radio Universitária FM 107.9.
O programa, que difunde a saúde e qualidade de vida para que as pessoas atinjam uma longevidade ativa, criativa e saudável, abordará o tema tabagismo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

“UM ENCONTRO ABENÇOADO - A DESCOBERTA DO AMOR “

Raimundo Arruda e Noemi Távora de Assis Arruda - 17 de junho de 1918.

                                                                                Por Noemi Távora de Assis Arruda*


                                                                                   Fortaleza-Ceará,  1918

Fui convidada, juntamente com minha irmã Belizarina, por Dona Sazinha Soares, vizinha, para comparecer a uma missa a ser celebrada na capela da Santa Casa de Misericórdia, em Fortaleza, em comemoração à 1ª comunhão de um filho de Jeremias Arruda, de nome Luis. Após a missa, em que tomei parte nos cânticos sendo a organista Dona Maroquinha Estelita, foi servido um café em casa do Jeremias Arruda, localizada na Praça dos Mártires, no Passeio Público. No mesmo dia fui convidada pela família para um lauto almoço, pois neste dia era comemorado o aniversário de Jeremias Arruda.  Morava com o referido senhor um seu irmão, Raimundo Arruda, jovem de seus 24 anos, que nos convidou para um passeio de automóvel em companhia de Dona Sazinha e mais outras pessoas. Tendo havido à noite um sarau dançante, ao qual compareci, observei a presença desse mesmo rapaz que era muito cumprimentado e solicitado por todos ,como se fosse o orientador da festa.  Ele me impressionou bastante por seu fino trato com todos e, principalmente, pela sua simplicidade. Era bonito e estava elegantemente vestido com o seu impecável terno branco. Ao regressar para casa, acordei a minha irmã Constancia, para contar as novidades. Ela acordou sonolenta e disse:  “Você já vem com as suas coisa” e eu: “Hoje, sim, vi um rapaz que me agradou”. No dia seguinte, como era costume, a Nenen Barroso foi em casa e a Constância disse: “Temos novidades, pois Noemi achou um rapaz simpático na festa, que não dançou e foi este o motivo de seu agrado. O José, seu esposo, soube da história se entusiasmou e botou logo para a frente a novidade. Ele era empregado da firma do Jeremias Arruda, onde trabalhava no escritório. Com esta notícia Raimundo procurou se entusiasmar e então decidiu  ir em frente na conquista para o altar. A Sazinha era o trombone, pois ia pela manhã à casa de seu cunhado Jeremias e, assim, quando voltava à noite, vinha sempre acompanhada com o Raimundo, que, então, parava um pouco para a troca de algumas palavras, assim, facilitando o nosso conhecimento. Quando a notícia se espalhou toda a família ficou feliz, principalmente a Dona Livramento que desejava uma boa candidata para o seu filho caçula. O namoro foi patrocinado por todos, pois até a Dona Terezinha, sogra do Jeremias, dizia para o Raimundo: “Com esta até eu toco trombone”. Eu, que pouco saia de casa, passei a frequentar festas, cinemas, teatros, etc, e, em tudo, o Raimundo sempre correto e atencioso. Com a inauguração do Majestic, a 14 de junho de 1917, que era cinema-teatro, passei a frequentar todos os espetáculos. Lembro que atriz Fátima Míris era a principal personagem das operetas. Assim, via de longe o Raimundo em meio a mutildão, pois também ele não perdia nenhum espetáculo. Ele na platéia e eu, com os meus irmãos, nos camarotes. Minha família, também, aprovou este namoro, pois as famílias já eram conhecidas. Do conhecimento ao noivado foi um tempo relativamente curto. O Raimundo foi à Baturité comunicar aos pais sua pretensão de noivar e pedir o consentimento e aprovação para a sua decisão. Com o pronto consentimento dos pais – Coronel Miguel Arruda e Dona Livramaneto – logo, no dia 5 de maio de 1918, foi oficializado o noivado cujo pedido foi feito pelo Jeremias. Foi servido Champagne, que eu na minha aflição havia posto num pote vazio – esta era a geladeira da época – apenas que o pote deveria ser cheio d’água. Neste dia, o Raimundo não apareceu o que me deixou um pouco triste. Mamãe acertou logo as visitas e o horário da saída – 9 horas da noite. Para o casamento o tempo foi ainda menor e tínhamos que preparar tudo porque logo foi marcado o dia 17 de junho de 1918. Isto porque Dona Livramento deveria viajar para Senador Pompeu e fazia questão de assistir as bodas. A cerimônia do casamento foi oficiada por Monsenhor  Manoel Cândido dos Santos, vigário de Baturité e grande amigo e conselheiro da família Arruda. A cerimônia foi em casa de meu irmão Assis, no Benfica, em Fortaleza, às 7 horas da noite, com grande solenidade e contou com a presença de grande número de parentes e amigos de ambas as famílias. Em seguida houve uma recepção, neste mesmo local, pois o Assis residia em uma chácara grande e bonita. Tivemos bolos, doces e salgados e, assim, em meio a festa, nós saímos, discretamente, para a nova residência  na rua Barão do Rio Branco, nº 1463, próximo a Igreja do Carmo. Aí já nos esperava a Sazinha que nos recebeu com pétalas de rosas, luzes e alegria. Era costume, na época, curiosos aguardarem os noivos nas calçadas para depois fazerem os comentários. Antes de irmos para a nossa casa, tivemos que ir abraçar a mamãe que, por motivo de doença, não compareceu a cerimonia religiosa. Nós andávamos em companhia do Abdias, meu irmão. Após a recepção os convidados passaram na residência para novos cumprimentos. E aí começou a minha nova vida, agora com outros encargos e responsabilidades.    
E AÍ EU COMEÇEI A SER FELIZ!!!

    
* Noemi Távora de Assis Arruda - minha avó paterna - deixou escrito esse belo texto sobre suas memórias.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O SÍTIO DO MEU TIO


      Pedacinho do paraíso encravado no sopé da serra de Baturité, o sítio do  meu tio ficava atrás da casa de meus avós. Extensão de nosso quintal, era pra lá que fugíamos às tardes, depois do dever de casa, nos finais de semana e nas férias.
    Havia uma casinha logo na entrada e, à esquerda, um caminho estreito e íngreme, com muitas pedras, que descíamos com cuidado. Malícia, uma plantinha abundante nas margens do caminho, fechava-se, automaticamente, quando, a tocando, dizíamos: “Malícia, o teu pai morreu”. Acreditávamos que ela morria de tristeza e ficávamos tristes. Porém, era uma tristeza fugaz, dada as nossas despreocupações e nosso encantamento constante.
     Quando chegávamos embaixo, éramos recompensados pela visão fantástica do rio, dos mangueirais, das sirigueleiras, das goiabeiras, das bananeiras e da exuberante vegetação. Para completar o cenário, tínhamos a serra de Baturité com seus tons azulados que contrastavam com o verde das mangueiras e a pureza transparente do rio.
Ansiosos, subíamos no pé de siriguela que ficava logo à direita e que quase sempre, nos meses de safra, estava carregado.  As mais cobiçadas eram as vermelhinhas. Depois, as amareladas (de vez) que comíamos com prazer. As verdes eram poupadas.   Aventurávamos nos galhos mais finos e altos com a destreza de quem os conhecia com familiaridade, só para atingir as mais cobiçadas. Os passarinhos concorriam conosco, pois muitas vezes elas estavam bicadas.  Quando não dava pra alcançá-las, tentávamos derrubá-las com um galho seco.
     No sítio do meu tio, a vida florescia exuberante.  Era um verdadeiro viveiro de passarinhos: pintassilgos, tico-ticos, rolinhas, andorinhas, bem-te-vis, beija-flores, canários, sabiás, codornas, curiós e outros mais, viviam de galho em galho, livres, fazendo seus ninhos, bicando goiabas, siriguelas, mangas e bananas; bebendo água fresca e pura do rio e gorjeando sons maviosos que enchiam nossos ouvidos de prazer.  As sinfonias dos passarinhos e o cantar das águas quebravam o silêncio daquele lugar.
Pássaros maiores sobrevoavam o rio e, com seus vôos rasantes, mergulhavam o bico para pegar peixes que eram abundantes nos meses de inverno, quando o leito do rio se fartava d’água. Nos meses de verão, refrescávamos nas suas águas puras, transparentes e límpidas que desciam da serra de Baturité e iam formar o Putiú e depois o Aracoiaba.
Conhecíamos todos os meandros daquele rio e os seus mistérios. Havia um poço encantado que nos metia medo e fascínio. Havia os locais mais rasos, os mais fundos, os pedregosos e os arenosos. Catávamos pedrinhas para brincar em casa. As redondinhas eram as melhores e, por isso, as mais procuradas.  Pescávamos os peixinhos com as próprias mãos pra, depois, comê-los fritos. Eram piabinhas coloridas, mas quase sempre prateadas.
    Pulando de pedra em pedra, alcançávamos a outra margem do rio coberta por um mangueiral tão grande que o sol não penetrava suas imensas copas. O chão repleto de folhas amareladas, como um tapete dourado, dava um toque especial de outono. As mangas caídas eram tantas que não precisávamos subir nas mangueiras. Elas já estavam ali, ao nosso alcance. Era só lavá-las no rio e depois sorver sua polpa por um pequeno buraco feito em uma das extremidades.
    A paz e o silêncio reinantes nessa margem eram quebrados quando pisávamos nas folhas secas. Corríamos em todas as direções, livres, no mais puro contato com a natureza, como borboletas coloridas e esvoaçantes pousando de flor em flor. Lembro-me de uns balanços feitos de cordas e tábuas, presentes divinos,  que desciam das mangueiras. Era um fantástico parque de diversões. Balançávamos o mais alto possível sem medo de altura, pois a vida para nós era pura aventura.
O sítio do meu tio era o mundo paradisíaco das maravilhas da natureza que nos  embalava  em nossa sonhadora realidade.  Lá vivíamos, eu, meus irmãos,  minhas primas e amigas, com a despreocupação infantil como se a vida não tivesse passado e nem futuro, mas somente a beleza do eterno presente.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
                                                 São Paulo, 30 de junho de 2003.



quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

POMPÉIA





Era o dia 24, do mês de Agosto, do ano 79 da era cristã.
O sol banhava a bela, rica e pacata cidadezinha da Itália, situada na Campânia, província de Nápoles, edificada sobre um alto platô de origem vulcânica.
As plantações de hortaliça e os vinhedos perdiam-se de vista ao norte do platô, graças ao Vesúvio que tornava aquelas terras férteis.
O rio Sarno, ao sul do Platô, cuja nascente brotava do monte Torremonte, seguia seu curso tranqüilo, naquela manhã, para desaguar no golfo de Nápoles.
Pompéia era uma cidade próspera e rica!
Rica por sua cultura, por seu clima ameno, seu ar perfumado, seu céu de profundo e intenso azul e por sua posição geográfica privilegiada aos pés do Vesúvio, que dominando a região erguia-se imponente e soberbo.
Pompéia era uma cidade majestosa!
Seu templo de Júpiter, de Apolo, dos deuses Lares, a Cúria, o Auditório e seu Anfiteatro distribuíam-se em grandes espaços. Seu Teatro, seus Ginásios e suas Termas demonstravam ser habitada por uma sociedade culta e ciosa do cuidado corporal. Seu Fórum era imenso e causava impacto a todos que o adentravam. Os edifícios Judiciários, a Basílica, o Eumáquia, todos ao sul, contrastavam em beleza com os Templos e os Arcos de Triunfo ao norte. Uma praça resplandecente em seu calçamento branco e suas estátuas que ornamentavam seu pórtico em dupla colunata fascinava.  O Fórum era também um recanto de lazer com uma colina ensombrada por belos arvoredos donde se descortinava uma visão espetacular da cidade e da paisagem bucólica de seus campos floridos e dourados pelo sol da Campânia. 
Pompéia era uma cidade bela!
Lá, a sociedade romana construiu vivendas luxuosas para desfrutar suas férias de verão.
Nas casas combinavam-se elementos romanos, como o átrio, e helenísticos como o peristilo (galeria de colunas), em torno do jardim.  As residências continham numerosas pinturas datadas desde o século II a.C. A casa de Jasão com sua pintura grega e a casa dos vícios com sua pintura ilusionista eram exemplos dos estilos usados na época. As fachadas de Pompéia reproduziam cenas do cotidiano, ao lado dos seus mosaicos, dos móveis, dos objetos de arte.
Aquedutos levavam-lhe água e a cidade era abastecida através de encanamentos subterrâneos de chumbo. Próximo à porta do Vesúvio, seu trecho mais elevado, erguia-se o Castellum Aquae que supria as fontes das ruas e das residências.
 Pompéia era uma cidade pacifica!
 Para os moradores de Pompéia, o Vesúvio parecia ser a morada de Baco (deus do vinho), das festas e da prosperidade. Por isso, foram pegos de surpresa naquele 24 de Agosto.
Enquanto os deuses dormiam, o Vesúvio acordou naquela manhã, de seu sono milenar, por volta das 10 horas, revelando-se assustador e mortal. Produziu uma terrível erupção que destruiu e soterrou todas as cidades construídas na região. Dentre elas: Oplonte, Herculano e Pompéia.
Tomando por base os relatos de Plínio, o jovem, podemos imaginar o inferno que se abateu sobre Pompéia com a erupção do vulcão.
 Naquela manhã fatídica, as pessoas acordaram, como em todos os outros dias, sem se darem conta de que aquele seria o último de suas vidas e de Pompéia. Muitas crianças brincavam com seus cachorros, os velhos conversavam no fórum, homens trabalhavam, negociantes vendiam seus produtos, mulheres preparavam a refeição, outras pariam, pessoas oravam nos templos e outras se divertiam nas termas, durante o banho.
A cidade estava viva, feliz e palpitava!
 De repente uma violenta explosão inicial lançou aos ares o tampão de lava solidificada que obstruía a cratera do Vesúvio, seguida de outra, formando uma coluna eruptiva em forma de cogumelo, de 20 Km de altura, composta de cinzas, gases e pedras-pomes. Os dejetos lançados pela cratera fizeram com que a nuvem de fumaça caísse levada por um forte vento em direção de Pompéia que foi mortalmente golpeada por uma intensa chuva de lapilli (pequenas pedras vulcânicas), cinzas e pedras-pomes que durou ininterruptamente até a manhã do dia seguinte.
Diante do estrondo violento e dos tremores de terra os pompeianos deixaram suas casas aturdidos e perceberam a nuvem negra, medonha e assustadora, elevando-se do Vesúvio e crescendo com rapidez espantosa; a montanha rugindo e sibilando e uma violenta e torrencial chuva de lapilli que se abateu sobre a cidade.
O pavor se apoderou da população!
Alguns voltaram para o interior de suas casas em busca de abrigo. Outros abandonaram a cidade em uma fuga desesperada. As crianças choravam, os cachorros latiam, as pessoas gritavam completamente aterrorizadas. A nuvem colossal se expandiu rapidamente e vencida pelo próprio peso começou a baixar sobre Pompéia.
O dia se fez noite!
 A chuva de lapilli era constante, clarões assustadores emergiam da montanha. Uma chuva de cinzas incandescentes caiu sobre a cidade. A despeito da escuridão, da chuva de pedras-pomes e cinzas que caia muitos permaneceram em suas casas. Outros apavorados com a intensa chuva, o calor insuportável, os abalos sísmicos e o barulho de casas desabando reuniram seus pertences e fugiram espremidos pelas ruas apertadas e golpeadas pelas pedras. Edifícios desabaram com os violentos tremores. Devido à escuridão as pessoas fugiram às cegas, atropelavam-se, caiam e eram pisoteadas no leito de cinzas escaldantes. As cinzas queimavam os olhos, a pele, as roupas e a fumaça as sufocava. Muitos tombaram mortos, nas ruas. Os que se trancaram em suas casas quando tentaram fugir estavam presos, pois as cinzas bloquearam as portas. Morreram aprisionados, sufocados pelos gases letais e soterrados pelas cinzas, pois os telhados das casas não resistiram e desabaram.
 A cidade mergulhou totalmente numa escuridão terrível provocada pela poeira atmosférica lançada do vulcão, obstruindo a luz do sol.  Os efeitos da violenta chuva de gás e cinzas em alta temperatura (nuvem piroclásticapiroclásticas precedentes e soterrou a cidade completamente. A nuvem avançou pelo mar, envolveu a ilha de Capri e roubou a visão do Promontório de Misena. Nesse momento, Plínio, o velho, morreu na praia de Stábia sufocado com os gases tóxicos. Ele havia ido, em socorro da população, comandando a frota que zarpou de Misena, mas não conseguiu chegar até Pompéia por causa dos maremotos.
Plínio, o jovem, seu sobrinho que tinha ficado em Misena com sua mãe, tudo testemunhou da vizinha cidade que graças aos ventos e aos deuses, foi poupada.
É difícil imaginar que alguém tenha sobrevivido à tamanha catástrofe em Pompéia. Dois mil corpos foram encontrados intramuros, mas certamente milhares de pessoas morreram nos campos, em fugas, seja pelos gases letais, a chuva de cinzas ardentes e as pedras lançadas da cratera.
Alguns dias após a erupção, Pompéia e o vale do Sarno apareceram transformados. Uma paisagem desoladora era o que restava dos campos floridos e ensombrados por árvores frondosas, dos vinhedos, das plantações e da majestosa cidade. Uma enorme camada branca cobria tudo. O mar havia recuado, o rio Sarno, obliterado pelos detritos vulcânicos, lutava para reencontrar seu curso em direção ao mar. A cidade estava coberta por uma camada vulcânica de 6 metros de espessura.
Pompéia caiu no esquecimento, porém não morreu!
O Vesúvio, morada preferida de Baco,  sepultando-a, preservou-a para a posteridade.
Pompéia ficou adormecida quase dois mil anos, quando em 1748 começou a ser ressuscitada com as escavações arqueológicas e reconstituições que ainda prosseguem.        
Tal como está, Pompéia é a mais empolgante evocação da antiguidade constituindo um retrato fiel do que foi a vida naquela época.
Depois de ressuscitada, compreendemos porque era Pompéia a “Pérola da Campânia”.
     
                                                      Ana Margarida Arruda Rosemberg                                  
                                                        São Paulo, 24 de agosto de 2003.

                                                                        

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

ARRIVEDERCI ROMA


Ana Margarida - Fontana della Bacaccia - Roma

Ana Margarida e Jana - Fontana della Bacaccia - Piazza di Spagna- Roma

Depois de um giro de 30 dias, saindo de Roma, e passando por Nápoles, Pompéia, Berlim, Paris, Bruges e Romênia, estava de volta à Cidade Eterna com a minha filha, Jana, e meu genro, Dani. O dia era 5 de maio de 2011, o último de uma longa e inesquecível viagem pelo Velho Mundo. Resolvemos passá-lo na Villa Borghese, mais especificamente no Museo Borghese. Chegamos de metrô e adentramos a Villa pela magnífica Porta Pinciana, que fica no final da Via Veneto.
A referida Villa, refúgio das barulhentas ruas de Roma, é um imenso parque público de seis quilômetros de circunferência e possui museus, galerias, academias, zoológico, fontes, templos, estátuas etc. A história da Villa remonta ao século XVII quando, em 1605, o Cardeal Scipione Borghese, sobrinho do Papa Paulo V, transformou em parque, uma antiga vinha. No inicio do século XIX, o príncipe Camillo Borghese reuniu a coleção de arte da família, no Casino Borghese, hoje galeria e museu. A coleção de esculturas ocupa todo o andar térreo (Museo Borghese) e a coleção de quadros fica no andar superior (Galleria Borghese).
Depois de uma agradável caminhada pela Vialle Galeria Borghese, margeada por magníficos ciprestes, chegamos ao predio do museu. A bela construção alberga uma fantástica coleção de esculturas de Gian Lorenzo Bernini como: Apolo e Dafne; Davi; O Rapto de Proserpina; Eneias, Anquises e Ascânio e Hermafrodita adormecido, além de pinturas de Caravaggio, Raphael e Ticiano. Porém, o ponto alto do museu é a estonteante escultura de Pauline Borghese, irmã de Napoleão Bonaparte. Entre 1805 e 1808, Pauline pousou seminua, como Vênus, para o escultor Antonio Canova. Seu marido, Camillo Borghese, enciumado, escondeu a obra de arte até de Canova. Por ironia, hoje, milhares de turistas do mundo inteiro derramam olhares concupiscentes nesta bela deidade.
O Rapto de Proserpina é para mim a mais incrível escultura de Bernini. Os corpos entrelaçados de Plutão e Proserpina com os dedos de Plutão penetrando nas carnes viçosas da amada me deixou perplexa, diante de tanta técnica e habilidade com o duro mármore. A lenda grega de Hades raptando Perséfone para as profundezas da terra, por tê-lo encantado com sua beleza, foi traduzida na cultura romana como o Rapto de Proserpina, por Plutão. Reza a lenda que Deméter, deusa das colheitas, mãe de Perséfone, ficou tão enfurecida por Hades ter raptado sua filha que castigou o mundo, destruindo suas plantações. Zeus interveio e Hades aceitou que Perséfone passasse a metade do ano com sua mãe. Assim, durante o verão e a primavera ela ficava com sua mãe e, no inverno e outono, épocas sem colheitas, com Hades.
Na escultura Eneias, Anquise e Ascânio, Bernini descreve a continuidade da vida, representando três gerações. Eneias, fugindo de Tróia, carrega nos ombros seu pai, Anquise, e, ao seu lado, o filho, Ascânio. Em Apolo e Dafne, Bernini nos mostra o desespero da ninfa Dafne tentando fugir de Apolo, no momento em que ela se transforma em um loureiro. Reza a lenda que Apolo, deus do Olimpo, com sua arrogância e seu arco de prata, irritou o Cupido que lançou duas flechas, uma de amor, em Apolo, e a outra que afastava o amor, em Dafne. Apolo, doente de amor, começou o assédio sobre Dafne que correu desesperada pela floresta. Com ajuda de seu pai, Dafne foi transformada em uma árvore. Alucinado, Apolo se agarrou à mesma, chorando e dizendo que os ramos do loureiro sempre o acompanhariam, em sua coroa, em seus eternos triunfos. Por isso, nos Jogos Olímpicos, estes ramos adornam as cabeças dos atletas vencedores.
Diante dos bustos dos césares romanos lembrei-me do Rose e de seu método mnemônico de associar os nomes dos imperadores romanos aos dos 12 pares cranianos. No andar superior, apreciamos a obra-prima de Ticiano, Amor Sagrado e Profano, entre outras obras de Rubens, Cranach, Caravaggio e Raphael. Saímos do museu e fizemos um tour pela imensa Villa apreciando as fontes, as estátuas neoclássicas de Byron, Goethe e Victor Hugo, os templos de Diana e Faustina, mulher do imperador Antonino Pio, e o templo jônico dedicado a Esculápio, deus da medicina.
Deixamos o Villa e fomos até a Piazza di Spagna que estava repleta de turistas e de flores. Sentei-me na borda da Fontana della Bacaccia, implantada na base da bela e monumental escadaria de 135 degraus que leva à igreja Trinità dei Monti. A Fontana é obra de Bernini e foi inspirada por uma embarcação que, durante a inundação do rio Tibre, em 1598, chegou à praça. Admirei as altas casas em tons de ocre, cor típica das construções de Roma, e os turistas que faziam fila para encher suas garrafas com água da fonte, ou simplesmente tirar fotos ao lado da velha Bacaccia. Muitos indianos vendiam rosas vermelhas e mergulhavam os bouquets nas águas da fonte para reanimá-las. Quando minha filha e meu genro retornaram das compras, pedi para tirarem minha foto diante da fonte e, assim, registrar aqueles momentos.
Finalmente, descemos a Via Condotti, cruzamos a Via del Corso e chegamos ao Restaurante Alfredo, na Piazza Augusto Imperatore, ao lado do Mausoleo Augusto. Neste tradicional restaurante, de mais de cem anos, nós nos despedimos de Roma com o famoso fettuccine all’Alfredo. A história de sucesso do restaurante começou com Douglas Fairbanks e Mary Pickford, dois famosos atores do cinema mudo, que frequentaram o restaurante durante a lua de mel passada em Roma, no começo do século XX.
Em retribuição às gentilezas dispensadas pelo dono do restaurante, o casal ofertou uma colher e um garfo de ouro maciço com uma dedicatória “Para o rei dos macarrões, Alfredo”. Muitas pessoas famosas tiveram a honra de experimentar o fettuccine com esses talheres. Apesar de não me enquadrar nesta legião, também, fui contemplada com a colher de ouro, em uma das duas vezes que lá estive com o Rose. As paredes do restaurante são revestidas de fotos de personalidades do mundo inteiro que já experimentaram o fettuccine. Admiramos Chico Buarque, Marieta Severo, Caetano, Pelé, Ava Gardner, Sofia Loren, Charlton Heston, Clark Gable, Cristina Onassis, Gina Lollobrigida, Liz Taylon, Kennedy, vários reis de diversos países etc. Reconfortados, voltamos ao nosso hotel e, baixinho, disse para mim mesma: Voltarei um dia! Arrivederti Roma!
 Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
 Fortaleza, 23 de maio de 2011.