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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

SALVE JORGE PAIVA - 70 ANOS




FEIJOADA DA FESTA EMANCIPATÓRIA

                                                          Por CRÍTICA RADICAL

Ele e nós sempre pensamos a emancipação como uma festa. A festa está marcada. A emancipação tornou-se possível. Que tal fazer da festa de aniversário dos seus 70 anos uma criativa, coletiva e radical comemoração antecipada da emancipação?
Ele tem a polêmica como companhia. A começar pela data de seu nascimento. Seu abraço é desmedido. Sua alegria, contagiante. Seu estilo de vida, fora do normal. Para uns é um louco. Para outros, um notável estrategista. Para alguns, sua abordagem sobre a crise atual é desvario. Para outros, um achado.
Muitos dos seus feitos continuam desconhecidos: sua fuga da repressão em S. Paulo e particularmente em Fortaleza; seu destacado papel na inusitada vitória de Maria Luiza em 85 e no enfrentamento dos impasses acerca do papel da Administração Popular; o discernimento da definição das verdadeiras razões porque saímos da política; sua descoberta dos Grundrisse que apresentou um outro Marx até então quase desconhecido e que nos possibilitou o alcance da crítica radical, etc.
Em 1974, do encontro com Rosa, Maria e outros companheiros(as), na retomada das lutas, nasceu a rica experiência que já dura quase 40 anos. Tudo indica que o existir de um período tão rico, belo e polêmico só foi possível porque houve a compreensão de que a Ditadura Militar era a expressão política do sistema e, portanto, de que não poderia haver luta decisiva sem levar isso em conta. Isso fica cristalino na relação do enfrentamento da repressão com as manobras da transição transada da Ditadura Militar e a conciliação com a Nova República. Como essa questão não foi dimensionada e enfrentada consequentemente gestou-se a atual configuração histórica que não responde e não poderia responder aos enormes desafios colocados para a humanidade e o planeta. Isso impediu que o movimento social viesse a ocupar um papel radical pela transformação social.
O passar do tempo ainda mantém soterrada a abordagem crítica desse processo. Por isso continua suscitando polêmica, perguntas e indagações. Daí a insistência do Jorge tanto na reflexão como na ação coletivas. Na percepção do significado da nossa expulsão do PT. Na recusa em reivindicar a indenização da anistia. Na permanência em Fortaleza para dar prosseguimento coletivo à luta para superarmos as anteriores e as atuais contradições. Mineiro desnaturado, ele já assimilou a molecagem e a irreverência do cearense. Tudo isso o levou a enfrentar como desafios, situações consideradas incontornáveis. É compreensível, portanto, que grande parte das turbulências daí advindas continue ainda sufocada pela cortina do silêncio.
Diante de tantos impasses ele nos lembra sempre do poeta que nos convida a voar quando não há caminhos traçados. Assim procedeu ao perceber num trecho dos Grundrisse (Marx) que a ruptura com o capitalismo precisava ser repensada. Após certificar-se da procedência dessa descoberta, nos sensibilizou fortemente para contatar pensadores(as) que também se depararam com essa fantástica aventura desconhecida. A partir daí, passamos a dimensionar a natureza da crise que se anunciava; a perceber a concretude da barreira histórica do moderno sistema patriarcal produtor de mercadorias; a perscrutar os novos fundamentos teóricos para renovarmos a leitura de Marx; a levar em alta consideração a indispensável, bela e inadiável tarefa de contribuirmos para organizar um novo movimento social que vá além de Marx e do capitalismo; a insistir para que Fortaleza e o Ceará tenham um papel relevante para inaugurar uma nova era para a humanidade e o planeta. Pode-se afirmar, sem medo de errar, que a polêmica ganhou ainda mais intensidade com a confirmação da previsão de que a realidade se aproximaria do pensamento. O “Profeta do Caos” (Jornal O Povo – 08/12/2008) tinha razão! E agora, contra a opinião dos que duvidaram, está colocada a necessidade e a possibilidade da construção de uma “associação de indivíduos livres” (Marx).
Será que para ele tudo isso valeu a pena? Ele sempre reafirma, através de outro poeta, que tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Ninguém enfrenta uma situação dessas sem erros e acertos. A insistência em colocar em prática, na atualidade, a ruptura com o capitalismo, tendo como fundamento a crítica radical do valor-dissociação, do fetichismo, da mercadoria e suas demais categorias fundantes continua provocando polêmicas calorosas. Afinal, antes, com a expansão do capitalismo, parecia justificável a luta pela sua modernização. Hoje, diante da fronteira histórica do sistema, com o quase esgotamento de seu fundamento, de sua lógica, essa insistência tornou-se reacionária. Agora não cabe mais imanência e sim transcendência ao sistema. Ganhou atualidade a crítica categorial. A inconsciência disso e a ausência de uma prática emancipatória estão nos levando ao genocídio da humanidade, ao ecocídio do planeta e ao afundamento coletivo na barbárie.
Pensar a emancipação como festa entrou na ordem do dia. Para Jorge, com certeza, vale integralmente a afirmação de que a festa de seu aniversário deve ressaltar não só sua trajetória de vida e de luta, mas de todos(as) que lutam e almejam uma nova relação social, uma nova sociedade. Ele acha que chegou a hora de construirmos a maior façanha histórica da humanidade. Proscrito, tido por alguns como uma lenda, ele existe de carne e osso e continua com um grande coração. Você não pode perder a festa dos 70 anos de Jorge Paiva!

FEIJOADA DA FESTA EMANCIPATÓRIA
22/DEZ/2012 – SÁBADO – 11 HORAS
RUA PADRE MORORÓ, 952 – CENTRO
(entre Liberato Barroso e G. Rocha)

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