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sábado, 8 de dezembro de 2012

1º CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE MARIA ALICE



CONVITE

         

                    MARIA ALICE 

A natureza fez das serras e dos morros que circundavam a pacata cidadezinha de Baturité seu berço de nascimento. Sexta filha do casal Luiz de Gonzaga Furtado e Maria Adelina de Arruda Furtado, Maria Alice veio ao mundo no dia 18 de novembro de 1912, alegrando um lar repleto de crianças: Miguel, de 6 anos; Antonelle, de 5; Sulita, de 3; Alacoque, de 2 e Letícia, de 1.   

Quando seus pais casaram-se, em dezembro de 1905, em Baturité, foram morar no sobrado da Rua 7 de Setembro esquina com a Praça Waldemar Falcão. Sobrado em que nasceu Luiz Severiano Ribeiro e que, posteriormente, foi demolido.  Naquela ocasião, seu pai possuia um serviço de transporte de carga da Estação da Estrada de Ferro para o centro comercial de Baturité,  era Secretário-Tesoureiro do município e trabalhava para a firma Furtado & Filho. Entretanto, seus rendimentos eram modestos.

Em 1910, a família já era composta de 4 filhos e havia a necessidade de aumentar os ganhos. Seu pai passou, portanto, a integrar a sociedade comercial de seus cunhados, “Arruda & Irmãos”, que possuia duas lojas em Baturité. Uma dirigida por Ananias Arruda e Antônio Arruda e a outra por José Arruda e seu pai.  

Quase três anos após o nascimento de Maria Alice, veio ao mundo mais um filho do casal, que na pia batismal recebeu o mesmo nome de seu pai, Luis Furtado. A primeira infância, Maria Alice viveu entre Baturité e Fortaleza, pois, em 1915, a família com sete crianças, mudou-se para a capital.  Em Fortaleza, foram morar na Rua Sena Madureira vizinho a Francisco de Assis Bezerra, fundador da Tipografia Minerva e primo,  compadre e amigo de seu pai.

Jeremias Arruda, irmão de sua mãe, era um grande exportador na capital alencarina e seu pai passou a trabalhar em sua  empresa. Em 1916, em Fortaleza, nasceu Livramento, oitava filha do casal. Os negócios prosperaram e, em 1917, a família mudou-se para Senador Pompeu.  Lá, Maria Alice ganhou mais cinco irmãos, Maria Adelina, em 1918, José Ernani, em 1919,  José Eymard, em 1921, Francisco, em 1922, e Francisco de Assis, em 1923. José Ernani e Francisco morreram com poucos dias de nascidos.

Em Senador Pompeu, onde Maria Alice passou sua segunda infância, a família gozou de prosperidade econômica, pois seu pai era representante de Jeremias Arruda e, também, tinha seu próprio negócio. Porém, este periodo só durou 8 anos. A derrocada de Jeremias Arruda, causada pelo Banco do Brasil, levou seu pai de roldão.

Em 1925, a família voltou para Baturité, mas Luiz Furtado não conseguiu equilibrar-se no comércio. Em sua terra natal, Maria Alice ganhou mais três irmãs. Maria Luiza, em 1925; Maria Teresa, em 1926 e Carmen, em 1928. Com uma prole numerosa, as dificuldades aumentaram e sua mãe Adelina, grande baluarte da família, convenceu o marido a voltarem para Fortaleza, pois acreditava que na capital as oportunidades seriam melhores para  educar os filhos. E assim o fizeram, em 1929.

Seu pai, por intermédio do Dr. Menezes Pimentel, conseguiu um emprego de balconista na livraria Seleta, posteriormente chamada de Quinderé, localizada na Rua Major Facundo. Nesta difícil quadra da vida, a  família contou com a generosidade do primogênito, Miguel, que havia ingressado através de concurso, no Banco de Brasil. Todo o seu salário ele entregava aos pais para arcarem com as despesas de uma numerosa prole. À medida que os outros filhos começavam a trabalhar passavam também a contribuir para o orçamento da família.

 Em 1932, seu pai ingressou como Guarda-livros na Caixa de Aposentadoria e Pensões da Ceará Ligth, chegando ao cargo de Delegado de Instituto de Previdência, até obter aposentadoria, em 1944.

O período de maiores atribulações financeiras, foi mitigado pela coragem de sua mãe Adelina. Esteio da família, ela venceu muitos desafios por ser possuidora de uma fé indômita e de uma vontade férrea. Com ajuda de seu irmão Ananias, que prestava benefícios as instituições religiosas, conseguiu internar os filhos menores no Colégio Salesiano Domingos Sávio, em Baturité, sem nada pagar. Já havia internado seu filho Luis, em 1927, na Escola Apostólica dos Padres Jesuítas. As filhas mulheres foram estudar no Colégio das Dorotéias, com bolsas de estudo, porque sua irmã, Maria Luiza, era freira dorotéia. Adelina passou a trabalhar muito. Foi pioneira na exportação de artigos finos de renda, labirinto, renascença e bordado. Contribuiu desta maneira, significativamente, para o orçamento familiar.  

Em 1930,  Maria Alice, que já havia aprendido as primeiras letras com suas tias paternas, Isabel Cristina, Maria Teresa e Maria Ursulina,  ingressou no Colégio das Irmãs Dorotéias. Em 1931, sua mãe deu a luz a mais um filho, Paulo Antônio, que faleceu com 8 dias de vida e, em 1934, nasceu o caçula da família, João Bosco.  Ao todo foram 18 gestações à termo e três abortos. Quinze vingaram e coroaram de êxito a luta diuturna para educá-los.

Maria Alice fez todo o curso normal no Colégio das Dorotéias, diplomando-se como professora, em 1936. Lecionou no Colégio Lourenço Filho, no Colégio Juvenal de Carvalho e no Instituto Sant’Anna, do qual foi uma das fundadoras, juntamente com suas irmãs. Posteriormente, Maria Alice foi inspetora do Ensino Normal, tendo ocupado o cargo de fiscal do Colégio Santa Cecília até obter sua aposentadoria. Além do magistério, Maria Alice dedicou sua vida com amor e desvelo aos seus pais e deles nunca se afastou.

Em 1950, viajou de navio para o Velho Mundo com seu tio Ananias, seu irmão Miguel e sua cunhada Luzanira, na Grande Peregrinação do Ano Santo. Mais tarde fez outras viagens para Europa. Morou a maior parte de sua vida em Fortaleza, mas passou grandes temporadas no Rio de Janeiro com sua irmã Livramento que lá residia.

Inupta não deixou descendência. Entretanto, teve 50 sobrinhos que a chamavam carinhosamente de Bibi, tia Bibi e tia Maria Alice. Foi muito querida por todos, especialmente pela Mirtes e Miguel Pró. Nas últimas  décadas de sua vida costumava viajar para ficar uma temporada com os dois, em Brasília. Assim, estreitaram seus laços de amizade, carinho e afeto. Faleceu no dia 22 de março de 1996, aos 83 anos, deixando como principal legado um belo exemplo de amor filial.

Ana  Margarida Furtado Arruda Rosemberg

Fortaleza, 8 de dezembro de 2012

FAMÍLIA ARRUDA FURTADO APÓS A MISSA COMEMORATIVA DO CENTENÁRIO DE MARIA ALICE

FAMÍLIA ARRUDA FURTADO APÓS A MISSA COMEMORATIVA DO CENTENÁRIO DE MARIA ALICE

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