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quinta-feira, 19 de abril de 2012

DISCURSO PROFERIDO PELO PROF. LUIS ARRUDA FURTADO - 4ª PARTE



                                           PROF. LUIS ARRUDA FURTADO 

Nesses salões já não se ouve um José Machado, um Everton Comarú, um Antônio Valente, um Afonso Mota, um Ivan Távora ou eu próprio, a ler com ênfase a belíssima  perolação de segunda catilinária, em que Cícero pede ao Senado que, derrotadas todas as forças inimigas de terra e mar, implore aos deuses para que defendam do nefando crime dos maus  cidadãos a belíssima, florentissima e potentissima cidade de Roma. E todos os deuses imortais do Império,
 “Quos vos, Quirites, precari, venerari atque implorare
Debetis, ut quam urbem pulcherrimam, florentissimam
Potentissimamque esse voluerunt, hanc, omnibus hostium
copiis terra marique superatis, a perditissimorum civium
nefario scelere defendant.”
Quantos de vocês não declamaram, no Sítio Uruguaina e noutros sítios, aquela página de Vieira sobre o fim do mundo, o qual arrebatou uma multidão que o ouvia:
“Abrasado, finalmente, o mundo e consumido pela violência                 do fogo tudo o que a soberba dos homens construiu e edificou          sobre a terra, quando já não se verão, neste formoso e dilatado Mapa, senão umas poucas cinzas, reliquias de sua grandeza e desengano de nossa vaidade, soará no ar uma trombeta espantosa, não metafórica, mas verdadeira, que isso quer dizer a repetição de S. Paulo, Canet, enim, tuba. E, obedecendo aos impérios daquela voz, abrir-se-ão em um momento as selputuras, e aparecerão, no mundo , os mortos, vivos.”
Quem não se lembra de Ovídio que, desterrado por Augusto, enviou ao Império o belo poema “Os Tristes”, que tantas vezes serviu de exercícios mnemônicos em nossas aulas, tão do agrado do Pe. Monteiro?
“Cum subit illius tristissima noctis imago,
Que mihi supremum tempus in Urbe fuit,
Cum repeto noctem qua tot mihi cara reliqui,
Labitur ex oculis nunc quoque gutta meis”.
Estávamos no 5º ano, no segundo semestre de 1931, quando o Pe. Monteiro passou, como tema de aula, um sacerdote rezando o breviário nas regiões frígidas da Alasca e que teria tropeçado em um binóculo mágico, através do qual se podia ver o mundo inteiro e o que nele se fazia.
Ocorrendo um feriado inesperado, não fizemos a composição e na próxima aula, nos trouxe o Pe. Alexandrino em magníficos versos alexandrinos o poema “O Missionário do Alaska”, que, composto há 46 anos, retrata com absoluta fidelidade o mundo de hoje:
“Das regiões boreais, na gélida planura,
Eu vejo o missionário. O que é que lá procura?
Ali ouro não há, nem pedras preciosas,
Nem cousa que sacie as almas ambiciosas.
Mas, sim, a neve eterna, a aragem desabrida,
A morte, a cada instante, a ameaçar-lhe a vida.”
Meus amigos, nem eu, nem nenhum de vocês, há muito, não assistimos uma benção do Santíssimo Sacramento, mas duvido que tenham esquecido aqueles cantos, com melodias tão suaves, que a gente não esquece nunca:
“Tanqum ergo Sacramentum
Veneremur cernui
Et antiquum documentum
Novo cedat ritui,
Praestet fides supplementum
Sensuum defectui.”
E aquele não menos belo canto de S. Tomás à Eucaristia:
“Adoro Te devote, latens Deitas,
Quae sub his figuris vere latitas,
Tibi se cor meun totum subjicit,
Quia Te contemplans totum deficit.”
As nossas Noites de Natal! Quantas recordações nos trazem! Perto da meia noite, descíamos essa velha escada e nos reuníamos na capelinha e acompanhados pelo Pe. Monteiro ao harmônio, cantávamos com devoção e unção:
“Adeste, fideles, laeti triumphantes,
Venite, venite in Betleem,
Natum videte Regem Angelorum.”
Aeterni Parentis, splendorem aeternum,
Velatum sub carne videbimus
Deum infantem, pannis involutum.”
E na Semana Santa, com quanta piedade cantávamos o
“Stabat Mater dolorosa,
Iuxta crucem lacrimosa,
Dum pendebat Filius.
Eia, Mater, fons amoris,
Me sentire vim doloris
Fac ut tecum lugeam.
Fac ut ardeat cor meum
In amando Christum Deum
Ut Sibi complaceam.”
Acompanhando o ano litúrgico vinha em seguida o mês de março, dedicado a S. José, Padroeiro da Igreja Católica, patrono do Ceará e dos operários, Esposo de Maria Santissima, Pai adotivo de Jesus Cristo. Festa desse homem notável, cujas virtudes o Evangelista sintetisou em duas palavras:
“Vir justus”, Varão justo.
Após a missa, no dia 19 de março, cantávamos:
“Te, Ioseph, celebrent, agmina coelitum,
Te cuncti ressonent, Christiadum chori.
Tu clarus meritis, iunctus es inclitae
Casto foedere Virgini.
Nobis, Summa Trias, parce precantibus,
Da, Ioseph meritis, sidera scandere.”
Vem depois o mês de maio, mês da primavera, mês das flores. Mês em que colocávamos nossas melhores composições e a Ave Maria em idiomas estrangeiros aos pés de um quadro de N. Senhora. Mês de Maria Santíssima, Mãe de Jesus Cristo, Corredentora do Gênero Humano, Onipotência suplicante, no dizer de S. Agostinho, exaltada no Antigo e Novo Testamento decantada por poetas e oradores; Rainha dos Mártires e Confessores, Rainha da Companhia de Jesus, Estrela Matutina, porta do céu, Virgem das virgens, apesar de alguns pseudo- cientistas e falsos teólogos quererem negar-lhe a virgindade. Maria Santíssima, meus amigos, foi, é e será eternamente a Virgo Dei Genitrix, a Virgem Mãe de Deus, ainda que por uma partenogênese divina.
“Salve, Mater, Misericordiae,
Mater Dei et mater veniae,
Mater spei et mater gratiae
Mater plena sanctae laetitiae.”

CONTINUA NA QUINTA PARTE.

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