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quarta-feira, 4 de abril de 2012

MEU TIO EDGY



Núbia Maria
                                                                                              

                                                      Por Núbia Maria Arruda Bastos Cardoso

"NO DIA EM QUE O  CORAÇÃO  NÃO  FOR  MAIS  CAPAZ  DE  VIBRAR,  SERÁ  O  FIM "
(MUSSOLINI)

E foi essa vibração que testemunhei fazendo agora um inventário sentimental de minha infância.
Quando criança fui a sobrinha do capitão e depois a sobrinha do prefeito. Na época, não entendia o porquê do meu anonimato. Mas... muitas são as recordações que agora se justificam e se explicam.
Nos comícios, era o mais eloquente e por que não dizer, o mais apaixonado. (aí está a explicação de seu timbre de voz tão alto que, às vezes, me encantava e, paradoxalmente, me assustava.).
Como político, era um apaixonado pela sua terra e por seu povo. Há uma prova concreta ainda hoje - o jornal A VERDADE que consegue atravessar anos e anos apesar das crises.
Como pessoa, essa me impressionava... Seu gabinete vivia fechado. Agora entendo... Como se concentrar na música, na literatura, com crianças e mais crianças correndo por todos os vãos da casa da Rua 7? E ao redor da extensa mesa? Nas férias, o barulho aumentava. Eram os sobrinhos que estavam na casa da Vovó Noemy...
Era ele um amante da sétima arte. Muitas foram as sessões gratuitas de cinema no Beco do Félix.  Todas as ocasiões importantes seriam preservadas para o futuro e quantas vezes eu me vi na "tela do cinema?” Era um contentamento só e aguardávamos ansiosos o dia da "próxima sessão". Proprietário do "Cine Odeon", ele e tia Maria Adelina foram responsáveis pelo único divertimento de toda uma geração: dos seriados aos hoje, imaginem, chamados "clássicos do cinema".
Elegante, era uma presença marcante em todas as festas familiares.
Extrovertido tinha o dom da oratória. Com poucas palavras, expressava o muito.
Era o grande líder do Clã "Távora / Arruda". Como primeiro filho varão, serviu de exemplo para os que vieram depois.
Como pai, pude observar sua tranquilidade talvez até mal interpretada por alguns. Omissão? Talvez para os insensíveis que não entendem que há toda uma subjetividade a ser preservada na vida de cada um...
Tia Maria Adelina tem sido a grande companheira de sua caminhada. Em primeiro lugar, ele, e depois sua extensa prole de 15 filhos. Ela lhe deu a tranquilidade de que necessitava para os encaixes de tamanho ecletismo existencial.
Hoje, você já tem 80 anos! Numa rapidez espantosa, tudo me veio à memória. Você já é avô, bisavô e fico feliz em apresentá-lo com uma face talvez nova para muitos.
Olhando para mim, hoje, encontro muitas afinidades com você: o entusiasmo em tudo que faço, a amor ao cinema, à música e à literatura. Só não gosto de política! Talvez ela me tenha decepcionado ao longo dos anos...
Parabéns, tio!

                                        Núbia Maria Arruda Bastos Cardoso

                                                            Fortaleza, abril de 1999.  

2 comentários:

  1. Linda e emocionante homenagem ao meu pai pela passagem dos seus 80 anos. Papai tinha muito carinho por todos os seus sobrinhos. Você,com certeza,devia ser muito especial para ele. Parabéns!

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  2. Este texto, Núbia, me emociona, pois retrata o meu pai com muita fidelidade. Obrigada!

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