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terça-feira, 17 de abril de 2012

HONROSA EXCEÇÃO


MIGUEL EDGY TÁVORA ARRUDA
                                                                                                                 Por Luis Sucupira

A cidade de Baturité foi administrada nos últimos quatro anos pelo Capitão Miguel Edgy Távora Arruda, que acaba de publicar a prestação de contas, apresentada à Câmara Municipal, referentes ao ano de 1954, com um retrospécto relativo aos anteriores exercícios de sua gestão, a começar de 1951. É um trabalho digno de admiração e de aplausos, êsse magnífico relatório do ex-edil baturiteense, e pode servir tão profícuo e meticuloso documento como padrão para todos os demais gestores dos negócios municipais do Estado. Encontrando as rendas públicas na quota dos 850 contos, entregou-as ao seu sucessor no limite de 2.200 contos, por ano, o que é bem um admirável recorde. Mas o que ressalta na prestação de contas do digno administrador é a preocupação que o anima de não deixar sem explicação um só centavo gasto no seu governo e tudo isso documentada e pormenorizadamente, fazendo ainda acompanhar o folheto, de 50 páginas, de numerosas fotografias das obras realizadas e que foram de grande monta, a começar pelos serviços de água, esgotos e iluminação pública, não ficando esquecidos os referentes à educação, pavimentação e estradas de rodagem. Também é de suma importância o capitulo em que o Capitão Edgy Távora Arruda  põe à vista de todos a sua situação financeira, com a declaração dos bens que possuia no inicio e no final de sua gestão. Edifica ver como o homem pobre e probo que assumiu o poder municipal há quatro anos, dele saiu com mãos limpas e bolsos mais limpos ainda. Não possui depósitos bancários nem quaisquer outros valores, voltando, assim, para as suas atividades normais, de que foi afastado, apenas com mais idade e mais esfalfado, por ter dado ao povo  que dirigia todo o seu esforço, toda a sua dedicação e todo o seu tempo. Parcela por parcela, alinha ele os gastos feitos com a chamada “cota de imposto de renda”, podendo, assim, ser apresentado como, ao que se sabe, o único Prefeito que, até agora, prestou contas realmente desse manancial com que se beneficiaram as municipalidades de todo o País. E, para seu gáudio, a Câmara de Baturité, em Resolução unânime de 12 de março deste ano, aprovou-lhe as contas de 1954, como já tinha aprovado as dos demais exercícios. Eis aí um exemplo que merece ser apontado aos demais gestores dos municípios  em nosso Estado. É uma honrosa exceção, que, por isso, merece ser destacada, apoiada e aplaudida. 
Luis Sucupira       
  Fortaleza, 9 de abril de 1955.

 OBS: Extraido da Coluna “Fato do Dia” do Jornal “O Nordeste” de  9 de abril de 1955.


LUIS SUCUPIRA


                                                              QUEM FOI LUIS SUCUPIRA?




Os Membros da Academia Cearense de Letras de ontem
Luis Sucupira
Por José Murilo Martins
in POETAS DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS

LUÍS SUCUPIRA
Luís Cavalcante Sucupira nasceu em Fortaleza em 11 de maio de 1901 e faleceu na mesma cidade no dia 11 de julho de 1997, aos 96 anos de idade.
Fez seus estudos no Colégio Cearense do Sagrado Coração e o curso madureza no Liceu do Ceará. Após concurso, foi funcionário da Fazenda Federal por muitos anos exercendo importantes funções no nosso e em outros estados do Brasil.
Exerceu o magistério como professor de vários colégios de Fortaleza e do Rio de Janeiro, entre os quais, Cearense, Imaculada Conceição, Dorotéias e Sacré Couer de Marie; fundador e mestre da Faculdade Católica de Filosofia de Fortaleza, diretor do Curso de Jornalismo e professor da Faculdade de Ciências Econômicas, da UFC e do Instituto Católico de Estudos Superiores, do Rio de Janeiro.
Foi deputado federal, secretário de governo e interventor federal interino do estado do Ceará.
Publicou aos dezessete anos de idade um pequeno livro de poesias intitulado Equatoriais, usando o pseudônimo de Rubens Bráulio. Olavo Bilac escreveu-lhe uma carta com o seguinte comentário: “Você é poeta. Poeta de raça e alma. Estude e pratique e o futuro cercará de triunfo a brilhante promessa dos seus 17 anos” (apud Sucupira, R. P., Luís Sucupira. O comendador).
Exerceu intensa atividade jornalística como redator-chefe e diretor de O Nordeste. Foi também dos jornais O Estado, de Pernambuco e A União e A Ordem, do Rio de Janeiro.
Obras: Equatoriais, 1917; Curso de ação católica, 1934; Programa de Economia Política, 1941; “Ozanan” a juventude em ação, 1970.
Honrarias: Comendador da Ordem de São Gregório Magno da Santa Fé; Doutor Honoris Causa das Faculdades Integradas de Campo Grande, Rio de Janeiro; Medalhas da Abolição e Justiniano de Serpa, do governo do estado do Ceará; Medalha Clóvis Beviláqua, do Ministério de Educação; Medalha do Pacificador, do Ministério do Exército; Medalha Barão de Studart, do Instituto do Ceará; e a Sereia de Ouro, da Televisão Verdes Mares.
Ingressou na Academia Cearense de Letras no dia 21 de maio de 1930, ocupando a cadeira número 3, cujo patrono era Álvaro Martins, tendo sido transferido para a 2, após a reorganização de 1951.
Foi representante do sodalício na Federação das Academias de Letras, no Rio de Janeiro, membro do Instituto do Ceará e presidente da Associação Cearense de Imprensa.

 Fonte:http://www.ceara.pro.br/ACL/Academicosanteriores/LuisSucupira.html




6 comentários:

  1. Parabéns, Ana! É muito louvável sua iniciativa de postar estes dois excelentes textos! Todos nós merecemos conhecer mais profundamente dois grandes nomes da história política e jornalística do Estado do Ceará.

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  2. Obrigada, Edna! Como memorialista devo, sempre, divulgar para preservar o feito dos grandes homens.

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  3. HOMENS COMO ELE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PELA SERIEDADE, COMPETÊNCIA E HONESTIDADE....FARIAM A DIFERENÇA.

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  4. Obrigada, Núbia pelo comentário.
    Fico muito feliz e orgulhosa de, como sua filha, ter herdado muitas de suas caracteristicas.

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  5. DO FACEBOOK

    George Coelho disse:

    Não o conheci, mas pelo que diz o escritor Luis Sucupira, texto que me impressiona e transcrevo em parte, o Sr. Miguel Arruda foi um exemplo admirável de prefeito. "Encontrando as rendas públicas na quota dos 850 contos, entregou-as ao seu sucessor no limite de 2.200 contos, por ano, o que é bem um admirável recorde. Mas o que ressalta na prestação de contas do digno administrador é a preocupação que o anima de não deixar sem explicação um só centavo gasto no seu governo e tudo isso documentada e pormenorizadamente, fazendo ainda acompanhar o folheto, de 50 páginas, de numerosas fotografias das obras realizadas e que foram de grande monta, a começar pelos serviços de água, esgotos e iluminação pública, não ficando esquecidos os referentes à educação, pavimentação e estradas de rodagem. Também é de suma importância o capitulo em que o Capitão Edgy Távora Arruda põe à vista de todos a sua situação financeira, com a declaração dos bens que possuia no inicio e no final de sua gestão. Edifica ver como o homem pobre e probo que assumiu o poder municipal há quatro anos, dele saiu com mãos limpas e bolsos mais limpos ainda. Não possui depósitos bancários nem quaisquer outros valores, voltando, assim, para as suas atividades normais, de que foi afastado, apenas com mais idade e mais esfalfado, por ter dado ao povo que dirigia todo o seu esforço, toda a sua dedicação e todo o seu tempo." Parabéns pelo pai que teve. George.

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