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segunda-feira, 19 de março de 2012

O INSTITUTO N. S. AUXILIADORA – PRIMEIRA PARTE: alfabetização


Instituto N. S. Auxiliadora das irmãs Salesianas, em Baturité, década de 1950

Instituto N. S. Auxiliadora das irmãs Salesianas, em Baturité, década de 1950

Instituto N. S. Auxiliadora das irmãs Salesianas, em Baturité, década de 1950

Comendador Ananias Arruda, freiras e alunas salesianas.

Alunas salesianas


Era o inicio de 1957. Eu tinha seis anos e, finalmente, ia estudar. Os meus irmãos: Lúcia, Maninha, Edna e Raimundo Luiz já freqüentavam a escola. Vestir aquela farda e ir para o Colégio das Irmãs Salesianas era um sonho muito desejado. Queria aprender as letras e descobrir o mundo maravilhoso dos livros.
Acordei cedinho e ansiosa para estrear a saia azul marinho pregueada, a blusa branca de mangas compridas, a gravata, o sapato preto e as meias brancas que vinham até aos joelhos.  Cartilha, caderno, tabuada, lápis, borracha, caixa de lápis de cor (com as cores do arco íris), dentro da bolsa nova me fascinavam. Ia cursar a alfabetização, pois nos idos de 1950 não existia o pré-escolar. O papai e a mamãe foram, de jipe, nos deixar na porta da escola.
Quando entrei no colégio o coração disparou. Uma freira me deu a mão e levou-me até a sala de aula. As carteirinhas, a lousa (quadro negro), o apagador e o giz. Dentre as coleguinhas, a Tetê, filha da d. Neila, minha primeira amiguinha.  Irmã Lízia, a primeira professora.  Na hora do recreio, o pátio, a merenda, a capela. Aos poucos fui descobrindo todos os recantos e encantos daquele colégio imenso.
O dever de casa era feito com prazer e, logo, logo, aprendi, o ABC. Juntando as letrinhas fui aprendendo a ler. Abriu-se, assim, um mundo encantado, o mundo do saber. Não podia imaginar que esse mundo era infinito e que me daria tanto prazer.
O local do colégio mais marcante era o auditório, pois lá, todos os dias, íamos cantar. Uma das primeiras músicas ensinadas foi o hino nacional. Uma freira, Irmã Nazaré Teixeira, tocava no piano e a gente cantava:
Ouviram do Ipiranga às margens plácidas.
De um povo heróico o brado retumbante...
Para mim essa música, tão diferente das de roda, era muito difícil de compreender e quando chegava a estrofe:
Do que a terra mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores...
Eu entendia:
Do que a terra Margarida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores ...
Aí, meu coração disparava de emoção por ouvir meu nome assim cantado com tanta melodia, por todas, no hino de meu país.
Outra música que cantávamos com 3 vozes era:
Frère Jacques
Frère Jacques
Dormez-vous?
Dormez-vous?
Sonnez les matines!
Sonnez les matines!
Ding, ding, dong!
Ding, ding, dong!
Mesmo sem nada entender, pois a letra era em francês, a atração foi instantânea pela língua que, ao longo da vida, aprendi a amar e que hoje me dá tanto prazer.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
São Paulo, 2004

2 comentários:

  1. Excelente texto. Parabéns, Ana! O primeiro dia de aula no colégio das irmãs salesianas também me marcou muito.

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  2. Você tem muitas lembranças da infância e deve colocá-las no papel. Faz bem para a memória.

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