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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

“UM ENCONTRO ABENÇOADO - A DESCOBERTA DO AMOR “

Raimundo Arruda e Noemi Távora de Assis Arruda - 17 de junho de 1918.

                                                                                Por Noemi Távora de Assis Arruda*


                                                                                   Fortaleza-Ceará,  1918

Fui convidada, juntamente com minha irmã Belizarina, por Dona Sazinha Soares, vizinha, para comparecer a uma missa a ser celebrada na capela da Santa Casa de Misericórdia, em Fortaleza, em comemoração à 1ª comunhão de um filho de Jeremias Arruda, de nome Luis. Após a missa, em que tomei parte nos cânticos sendo a organista Dona Maroquinha Estelita, foi servido um café em casa do Jeremias Arruda, localizada na Praça dos Mártires, no Passeio Público. No mesmo dia fui convidada pela família para um lauto almoço, pois neste dia era comemorado o aniversário de Jeremias Arruda.  Morava com o referido senhor um seu irmão, Raimundo Arruda, jovem de seus 24 anos, que nos convidou para um passeio de automóvel em companhia de Dona Sazinha e mais outras pessoas. Tendo havido à noite um sarau dançante, ao qual compareci, observei a presença desse mesmo rapaz que era muito cumprimentado e solicitado por todos ,como se fosse o orientador da festa.  Ele me impressionou bastante por seu fino trato com todos e, principalmente, pela sua simplicidade. Era bonito e estava elegantemente vestido com o seu impecável terno branco. Ao regressar para casa, acordei a minha irmã Constancia, para contar as novidades. Ela acordou sonolenta e disse:  “Você já vem com as suas coisa” e eu: “Hoje, sim, vi um rapaz que me agradou”. No dia seguinte, como era costume, a Nenen Barroso foi em casa e a Constância disse: “Temos novidades, pois Noemi achou um rapaz simpático na festa, que não dançou e foi este o motivo de seu agrado. O José, seu esposo, soube da história se entusiasmou e botou logo para a frente a novidade. Ele era empregado da firma do Jeremias Arruda, onde trabalhava no escritório. Com esta notícia Raimundo procurou se entusiasmar e então decidiu  ir em frente na conquista para o altar. A Sazinha era o trombone, pois ia pela manhã à casa de seu cunhado Jeremias e, assim, quando voltava à noite, vinha sempre acompanhada com o Raimundo, que, então, parava um pouco para a troca de algumas palavras, assim, facilitando o nosso conhecimento. Quando a notícia se espalhou toda a família ficou feliz, principalmente a Dona Livramento que desejava uma boa candidata para o seu filho caçula. O namoro foi patrocinado por todos, pois até a Dona Terezinha, sogra do Jeremias, dizia para o Raimundo: “Com esta até eu toco trombone”. Eu, que pouco saia de casa, passei a frequentar festas, cinemas, teatros, etc, e, em tudo, o Raimundo sempre correto e atencioso. Com a inauguração do Majestic, a 14 de junho de 1917, que era cinema-teatro, passei a frequentar todos os espetáculos. Lembro que atriz Fátima Míris era a principal personagem das operetas. Assim, via de longe o Raimundo em meio a mutildão, pois também ele não perdia nenhum espetáculo. Ele na platéia e eu, com os meus irmãos, nos camarotes. Minha família, também, aprovou este namoro, pois as famílias já eram conhecidas. Do conhecimento ao noivado foi um tempo relativamente curto. O Raimundo foi à Baturité comunicar aos pais sua pretensão de noivar e pedir o consentimento e aprovação para a sua decisão. Com o pronto consentimento dos pais – Coronel Miguel Arruda e Dona Livramaneto – logo, no dia 5 de maio de 1918, foi oficializado o noivado cujo pedido foi feito pelo Jeremias. Foi servido Champagne, que eu na minha aflição havia posto num pote vazio – esta era a geladeira da época – apenas que o pote deveria ser cheio d’água. Neste dia, o Raimundo não apareceu o que me deixou um pouco triste. Mamãe acertou logo as visitas e o horário da saída – 9 horas da noite. Para o casamento o tempo foi ainda menor e tínhamos que preparar tudo porque logo foi marcado o dia 17 de junho de 1918. Isto porque Dona Livramento deveria viajar para Senador Pompeu e fazia questão de assistir as bodas. A cerimônia do casamento foi oficiada por Monsenhor  Manoel Cândido dos Santos, vigário de Baturité e grande amigo e conselheiro da família Arruda. A cerimônia foi em casa de meu irmão Assis, no Benfica, em Fortaleza, às 7 horas da noite, com grande solenidade e contou com a presença de grande número de parentes e amigos de ambas as famílias. Em seguida houve uma recepção, neste mesmo local, pois o Assis residia em uma chácara grande e bonita. Tivemos bolos, doces e salgados e, assim, em meio a festa, nós saímos, discretamente, para a nova residência  na rua Barão do Rio Branco, nº 1463, próximo a Igreja do Carmo. Aí já nos esperava a Sazinha que nos recebeu com pétalas de rosas, luzes e alegria. Era costume, na época, curiosos aguardarem os noivos nas calçadas para depois fazerem os comentários. Antes de irmos para a nossa casa, tivemos que ir abraçar a mamãe que, por motivo de doença, não compareceu a cerimonia religiosa. Nós andávamos em companhia do Abdias, meu irmão. Após a recepção os convidados passaram na residência para novos cumprimentos. E aí começou a minha nova vida, agora com outros encargos e responsabilidades.    
E AÍ EU COMEÇEI A SER FELIZ!!!

    
* Noemi Távora de Assis Arruda - minha avó paterna - deixou escrito esse belo texto sobre suas memórias.


Um comentário:

  1. LINDA E EMOCIONANTE HISTÓRIA DE AMOR ESCRITA PELA MINHA AVÓ NOEMI TÁVORA ARRUDA. ADOREI!

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