Google+ Followers

sábado, 31 de dezembro de 2011

APRECIAÇÃO CRÍTICA DE UMA OBRA DE ARTE RENASCENTISTA: Alegoria da Primavera – Botticelli

Alegoria da Primavera de Sandro Botticelli

            Circulando pela Galeria “Degli Uffizi” em Florença, fica-se extasiado ao contemplar a tela de Botticelli, “Alegoria da Primavera”, pintada, em 1478, por encomenda de Lourenço, o Magnífico, para decorar a Villa di Castello, residência de verão dos Médicis. Ao lado dessa maravilha da arte renascentista, outra tela avassalante, “Nascimento de Vênus”, nos chama a atenção.  
            Contemplando a primeira tela, identificamos a “Primavera” cercada de alegorias tiradas da antiguidade: As Três Graças, Deus Mercúrio e jovens simbolizando ninfas gregas, evocando um mundo clássico. Não há nessa tela preocupação de reproduzir fielmente a anatomia das personagens. A perspectiva desempenha papel secundário e a paisagem quase não existe. O semblante da Primavera evoca misticismo. É uma jovem alta, esguia, loira, de face macilenta, olhar distante e triste, como a descreveu Rosemberg.  As figuras são leves, suaves quase imateriais com seus rostos sem sorrisos e  suas expressões contemplativas. Assim, são, também, todas as madonas pintadas pelo artista.
É importante notar que esse gênio da pintura, Alessandro Mariano di Vanni Felipepi (Alessandro Botticelli), procurou se enquadrar no contexto da época em que viveu. Para a Igreja, cuja a influêcia era prevalente no século XV, a pintura representava instrumento de propagação da fé. Essa concepção parece estar refletida na tela que estamos comentando.
            A propósito, tentaremos uma digressão, lembrando que Bouchardt, grande crítico, valoriza a descrição da obra levando em consideração o volume, proporção, movimento e o jogo de luz e sombra.  Pouco disso, na tela que analisamos. Ela se aproxima muito mais dos conceitos de Merleau Ponty, outro grande crítico, de que menos interessa o tempo e suas imagens do que a subjetividade e o sentimento do pintor.
            Nesse particular, há um interessante aspecto a ser considerado, que foi abordado por José Rosemberg no seu estudo  “A tuberculose, seu romantismo e aculturação”.
A modelo que Botticelli usou chamava-se Simoneta Vespucci e, segundo suas biografias, ela se tratava com os especialistas da tísica “Fisici del Ético”.
Simoneta morreu tuberculosa aos 23 anos de idade. Ninguém melhor do que ela para expressar, na tela de Botticelli, a dor, a resignação e, paradoxamente, a fé em uma  primavera longínqua que ela contempla com seu olhar distante.


Observação: As três Graças do quadro “Alegoria da Primavera” foram, ulteriormente, configuradas quase da mesma forma nas telas de Raphael e Rubens. 

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

Fortaleza, 31 de dezembro de 2011

 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

AMÉRICA UTÓPICA

   
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".



O que significa utopia? Segundo o dicionário Aurélio, utopia [Do gr. ou, ‘não’, + - top(o)- + -ia: ‘de nenhum lugar’.] S.f. 1. País imaginário, criação de Thomas Morus.
O viajante Raphael Hitlodeu, que participou da expedição de Américo Vespúcio, fez um relato fictício a Morus, descrevendo a fantástica “Utopia”, uma ilha paradisíaca. Foi a partir deste relato que Morus escreveu, em 1516,  sua obra “Utopia”. Nesta obra ele nos mostra  um lugar imaginário onde todos são felizes, vivem e trabalham para o bem comum. Por isso, o termo “utopia” foi associado à fantasia, sonho, fortuna e bem estar.
Darcy Ribeiro em sua obra “América Latina: A Grande Pátria”, se reporta a América utópica no capítulo “A Nação Latina Americana - A Utopia era Aqui”.
Segundo Ribeiro, a América nasceu sob o signo da utopia. As primeiras noticias que chegaram à Europa sobre a América falavam desse paraíso, da  inocente selvageria de seus habitantes, do jardim tropical idílico com seus índios inocentes e sem roupa.   
Leon Pomer em sua obra, “As Aventuras que Voltaire não contou sobre Cândido e Cacambo, e as que nós contamos sobre Nicolás I, imperador dos Mamelucos”, utiliza as personagens de Voltaire (Cândido, Cacambo, Pangloss e Cunegunda) e sua personagem (Nicolás I, Imperador dos Mamelucos) para nos contar as aventuras dos colonizadores espanhóis e portugueses e dos missionários jesuítas aqui na América.
O autor nos narra, de maneira singular, como os colonizadores chegaram ao Novo Mundo, suas expectativas, seus  sonhos e ambições com a América Utópica, o Jardim de Éden, o Paraíso Terrestre perdido pelo pecado de Adão e Eva. Paraíso que no século XVI povoava as mentes e os sonhos dos europeus e que deveria ser recuperado.  
            A busca desse eldorado fazia com que expedições reunissem todo tipo de gente que sonhava com esse mundo utópico como: soldados, aventureiros, mendigos, loucos,  bufarinheiros, tuberculosos, sifilíticos etc. Todos eram impulsionados pela mesma obsessão:  a riqueza, as montanhas de ouro, a felicidade suprema que povoava a imaginação dos primeiros navegadores que aqui chegaram e que descreviam a América como esse paraíso.
Os colonizadores ao chegarem à América mal alimentados, vindos em navios fétidos, imundos, desconfortáveis, abarrotados de gente (que suportavam todo tipo de infortúnio para chegar ao paraíso) se deparavam com uma realidade completamente diferente. Em busca do Eldorado, eles massacraram, escravizaram e dizimaram os índios (habitantes da América), vistos como canibais, sodomitas, inimigos da verdadeira religião, preguiçosos, ladrões, mentirosos e traidores.   
Várias questões sobre os referidos índios foram levantadas: eram humanos? tinham alma?  Em Salamanca houve uma discussão acirrada para saber se os índios eram ou não bichos. Finalmente chegaram a conclusão de que eram gente e que deveriam ser catequizados.  
A Europa cristã se viu obrigada a salvar os índios pagãos. Os padres jesuítas resolveram, com a máxima boa intenção, acredito eu, salvar esses pagãos, catequizando-os. Acreditavam que os índios estavam mergulhados no pecado da nudez, da luxúria, da antropofagia, do incesto, da feitiçaria, da sodomia e da lesbiania. Embarcaram para o Novo Mundo com uma “sagrada missão”.
 Por mais que os jesuítas tenham se esforçado, as conversões dos índios  foram superficiais e a adoção do cristianismo foi, também, superficial. Apesar de letrados, os europeus não compreenderam que a cultura dos índios não era inferior a deles e que, por isso, não deveria ser mudada. Foi uma verdadeira tragédia a catequização dos índios, além de um terrível equívoco que levou a um grande genocídio e quase dizimação dos habitantes da América.
Os europeus trouxeram com eles várias doenças como: tuberculose, varíola, sarampo, malária, sífilis, gonorréia etc. Somadas as guerras, essas moléstias contribuiram, enormemente, para o extermínio de tribos indígenas. A conjugação catequese e contaminação, guerras de extermínio e escravidão reduziram drasticamente as populações indígenas.
Penso que os índios deram o troco aos europeus por tal extermínio, pois legaram ao homem branco o mortífero tabaco. O mesmo penetrou na Europa, em 1560, através de Jean Nicot,  e espalhou-se rapidamente. Mais de quinhentos anos se passaram e ainda lutamos para erradicar essa epidemia que ceifa milhares de vidas no mundo inteiro.  
A utopia desapareceu. A esperança do paraíso terrestre frustou-se. Cidades foram construídas na América. O povo nesse Novo Mundo foi e é uma força de trabalho, um meio de produção. Primeiro, escravos. Depois, assalariados. Nós somos, infelizmente, resultantes de empreendimentos que visavam saquear riquezas, explorar minas e promover a produção de bens exportáveis para gerar lucros.
A utopia acabou... Ainda resta esperança?

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Fortaleza, 29 de dezembro de 2011.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

CONFEITOS DE NATAL

Paula Ângela
                                            
Por Paula Ângela Bastos Cardoso de Sales 


         Enfim, é Natal. Natal pra deixar reluzir nossos corações como verdadeiras árvores natalinas, coloridas e brilhantes. Parece poético demais, mas é assim que deve ser pois quando o amor transborda não tem como não virar poesia, essa poesia que vem da alma.
         O espírito do Natal pode nos levar para muitos lugares, às vezes bem próximos de nós, outras vezes guardados no íntimo de nossas recordações. Essas recordações natalinas, então, parecem  que possuem um lugar reservado e especial para serem acessadas quando se fizer necessário. Nada mais propício do que o dia de Natal, 25 de Dezembro de 2011, Natal repleto de lembranças de antigos natais e cheio de esperanças para o futuro.
         O Natal do passado, repleto de recordações, vive na minha memória e tudo começa à frente de uma grande casa, desproporcional até para as demais que a circundavam. O portão era de madeira pintada de branco, alinhada com o muro baixinho com um pequeno portão de ferro... Adiante palmeiras imponentes guardavam o lugar, como se fossem escudeiros de um templo, do meu templo, onde tudo parecia existir só para mim.
         Ao redor, muitas árvores coloridas. As lâmpadas de cor não piscavam, enfeitavam a folhagem como frutos multicoloridos, quentes e pulsantes como pequenos corações. Da varanda de piso vermelho encerado dava pra ver tudo, a natureza também de gala para o grande dia, o dia de Natal.
         Os rostos tão familiares se faziam em sorrisos para os festejos. Era uma alegria receber os filhos que vinham de tão longe para estar junto dos pais, além daqueles que costumeiramente os visitavam. Abraços, beijos, apertos de mão, selam o encontro. Os olhares de cumplicidade insinuam uma curiosidade para saber tudo que se passou na breve ausência, o que mudou e o que permanecia igual.
         A minha visita tinha uma atenção especial para uma grande dama. A dama da noite também simbolizava o Natal, tão enfeitada quanto e tão reluzente também. O Natal é data de certo requinte, de ornamentos finos, onde as famílias se permitem abrir a cristaleira empoeirada e beber as cidras nas taças coloridas, como se fossem  o melhor espumante que há. A prataria da casa e as louças saem dos armários; a toalha de linho também. A dona da casa surge assim, como algo precioso, guardado, saído do escuro dos armários para brilhar no grande dia.
         A mesa da sala de jantar alarga-se para receber as iguarias, afinal há de se providenciar mais alguns lugares à mesa. A memória desses sabores é tão única que nada parece igual. No canto da mesa, um recipiente de vidro com a tampa decorada, são castanhas de caju confeitadas, verdadeiras joias de açúcar. É difícil conter o desejo de sumir com aquele vidro, eternizando aquele momento por dias, dissolvendo o açúcar na boca até romper com o suave crocante das castanhas. Podia-se comer de tudo, mas no Natal não podiam faltar essas castanhas, exaltadas com muito orgulho por sua criadora; não que em outras casas não houvesse as mesmas, mas aquele sabor só seu, era inigualável...
         No quintal, a vegetação também se enfeitava de vaga-lumes para o Natal, piscando alternados sob o manto estrelado da noite. No ar, um perfume de jasmim que  lembrava o cheiro das caixas de presente, também do armário de perfumes, cheio de talcos e loções. Esses cremes mágicos prometiam muito, promessas que se desfaziam com o tempo, com o surgir das rugas, dos fios brancos, da aspereza inevitável da pele, do tempo que não tardava a chegar...
         Quando a chave girava e a porta se abria, os odores se misturavam e o jasmim lá do quintal também estava lá junto à lavanda e orquídea. A porta decorada tinha fotos de bebês, lembrança pueril dos filhos ou do início de tudo, da vida, da juventude da pele em sua plenitude. Lugar sugestivo para se guardar produtos de beleza, encantos e disfarces para o mundo, reservando o que há de melhor por dentro. Agora, posso me lembrar das castanhas, confeitadas com a sua maquiagem doce de açúcar, guardando o que há de melhor por dentro.
         O relógio não hesitava a soar as doze badaladas. Era meia- noite e um Natal assim só não é melhor porque ansiamos sempre pelos próximos, tão especiais quanto os daquele dia.
         Ao fim da noite, no canto da mesa, o vidro das castanhas ainda guardava algumas joias. Muitas vezes não hesitei em eternizar aqueles momentos só para mim. Os confeitos de Natal representam muito desse dia, dia para saber o que mudou e o que permanece igual. O mundo mudou, mais do que se podia imaginar, mas o meu amor por tudo que passou permanece igual. Quem sabe um dia, volte o tempo, volte também o sabor desse Natal, dos confeitos de Natal.
                                                                                                     Dezembro de 2011


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

UM DIA EM PARIS - Passeio nº. 3

Ana Margarida. Paris, 19 de setembro de 2008.

Ana Margarida. Paris, 19 de setembro de 2008.
                                         UM DIA EM PARIS - Passeio nº. 3

            Nossa terceira parada era a Catedral de Notre Dame, mas, antes, eu precisava passar na livraria. Saimos do Panthéon, descemos o Boulevard Saint Michel, também conhecido como Boulemiche, em direção ao Sena. Construído pelo Barão de Haussmann, em 1864, no Quartier Latin, o referido boulevard ficou famoso pelos cafés literários. Hoje, está repleto de livrarias e lojas de roupas. Cruzamos a Rue des Écoles e, ao passarmos pertinho da Sorbonne, lembrei-me de maio de 1968, e do famoso enfrentamento entre a polícia e os estudantes, ali, no Boulemiche.
            Seguimos em frente e paramos rapidamente ao lado do Musée Cluny, Museu Nacional da Idade Média, construído em uma mansão medieval com ruínas galo-romanas. Tantas vezes estive lá com o Rose, mas, infelizmente, por falta de tempo, não poderia mostrá-lo à Nilze. Lembrei-me da Yone, medievalista, minha professora da PUC, que, em sua primeira visita ao museu, ficou  emocionada e não conseguiu adentrá-lo. Dentre sua bela coleção de arte e objetos medievais podemos apreciar a famosa série de 6 tapeçarias, tecidas no final do século XV, chamada “Mulher com o Unicórnio”. Porém, seu ponto alto são as ruinas das termas galo-romanas, construídas em 200 a.C.
            De repente, estávamos no cruzamento mais famoso do Quartier Latin. O Boulevard Saint Germain com o Boulevard Saint Michel. Atravessamos a avenida e fomos à livraria Gibert Jeune. Como a Nilze estava querendo comprar um xale para ir ao Moulin Rouge e eu querendo comprar livros para o meu neto, marcamos um reencontro, em frente à livraria, dentro de meia hora.  
            Com ansiedade fui até o último andar para ver os livros infantis. No meio de tantos consegui selecionar 13. Entre os do Pepê, um para a Beatriz, netinha da Ângela Brito e outro para a Fátima Assunção. Como gostaria de poder ficar o resto do dia lá, lendo, manuseando e comprando livros de História! O tempo foi curto e sai quase correndo.
            Difícil foi escolher um restaurante naquelas ruelas do Quartier Latin. Eram tantos... Finalmente encontramos um que nos agradou. Pedi uma sopa de cebola, que os franceses chamam de soupe à l’oignon e a Nilze, na falta de um baião de dois, um spagetti. Ali pertinho estava a Igreja Saint Severin, uma das mais antigas de Paris, mas não havia tempo para uma visita.
            Sua construção foi iniciada no século XIII e, somente após 300 anos, foi concluída. Seu nome homenageia o eremita, Severin, que viveu no local. Com seu gótico flamboyant, suas gárgulas e seus vitrais é uma das mais lindas Igrejas de Paris. Lá estivemos várias vezes, eu e o Rose, e ouvimos, certa ocasião, o som celestial de seu órgão, que foi importado da Alemanha pela sobrinha de Rei Luis XIV, a Grande Mademoiselle.
            Saímos do restaurante, atravessamos uma ruela, caímos no Quai Saint Michel, seguimos em frente e passamos ao lado do restaurante Notre Dame (que na noite anterior abrigou uma parte do grupo, depois de uma longa caminhada), viramos à esquerda na Petit Pont e vislumbramos, mais de perto, a majestosa Catedral.  Situada na Île de la Cité, o coração de Paris, ela se queda imponente e bela, em sua parte posterior, beirando o Sena.
            Nem podíamos acreditar que estávamos pisando naquela ilha, com formato de um barco, que deu origem à cidade de Paris. Habitada por tribos celtas, há mais de 2 mil anos, a referida  ilha oferecia um ponto de cruzamento do Rio Sena entre o norte e o sul da região chamada Gália. Parisii, que deu o nome a cidade de Paris, era uma dessas tribos que habitaram a ilha, na época uma aldeia chamada de Lutécia.  
            Na Praça Parvis Notre Dame tiramos fotos pegando o melhor ângulo para enquadrar a Catedral.  À esquerda, contemplamos o Hotel Dieu, a Santa Casa de Paris, que foi erguida sobre um orfanato que funcionou de 1866 a 1878. O Hotel Dieu original, construído no século XII, atravessava a ilha de lado a lado, mas foi demolido, no século XIX, pelo Barão de Haussmann. Atravessamos a Praça Parvis em direção a Catedral. Pensei na Crypte Archéologique abaixo de nossos pés, numa faixa subterrânea de 80 metros, que exibe alicerces e paredes da época da Aldeia Lutécia, centenas de anos mais antigos do que a Catedral.
            Notre Dame é uma magnífica obra prima gótica. O local da mesma tem uma forte história ao culto religioso, pois os celtas ali celebravam suas cerimônias, os romanos construíram um templo ao Deus Júpiter e a primeira Igreja do cristianismo de Paris, a Basílica de Saint-Etienne, projetada por volta de 528 d.C., também, foi erguida lá. Em 1163, após a demolição da Basílica, o Papa Alexandre III lançou a primeira pedra da Catedral. Após 170 anos de trabalho de milhares de arquitetos e artesãos medievais a mesma foi concluída. Em sua fachada principal admiramos, abaixo de suas duas torres, a “Rosácea Oeste”, a fantástica “Galeria dos Reis”, com 28 estátuas dos Reis de Judá, e os três grandes portais.
            Ao contemplar seu interior, veio, como sempre, o choque visual, causado pela beleza estonteante da alta abóbada de sua nave central, cortada por um imenso transepto. No fundo, visualizei o coro com os entalhes de Jean Ravy e, atrás do altar principal, a Pietá, de Nicolas Cousteau, sobre um pedestal dourado, esculpido por François Girardon. Sem perder muito tempo, fomos até o transepto para admirar as rosáceas com seus vitrais coloridos. A “Rosácea Norte”, no extremo norte do transepto, mostra Maria cercada de personagens do velho testamento. A “Rosácea Sul”, do lado oposto, mostra Cristo cercado por virgens, santos e os 12 apóstolos. Contornamos a Catedral pelo lado direito e passamos em frente ao museu, anexo, que abriga preciosidades religiosas, como manuscritos e relicários antigos. Lembrei-me de minhas irmãs, Goretti, Fátima e Carminha que estiveram comigo visitando o museu, em 2006.        Na parte posterior da Catedral, visualizamos sua maquete. Tiramos fotos, comprei uma medalha para minha amiga Cidinha e saímos sem subir os 387 degraus que levam ao topo da torre norte, onde se pode apreciar as famosas gárgulas e a magnífica vista de Paris. Também não tivemos tempo de contornar a Catedral para apreciar seus espetaculares arcobotantes e sua torre agulha que ergue-se a uma altura de 90 metros.
            Lembrei-me que aquela Catedral foi cenário majestoso para a coroação de tantos reis e imperadores, inclusive Napoleão, que coroou Josefina e a si próprio, em 2 de dezembro de 1804, como podemos constatar na magnífica tela de Jacques Louis Davi que encontra-se no Museu do Louvre.
            Notre Dame, também, foi palco de violência quando os revolucionários a saquearam, aboliram a religião e a transformaram em um templo ao culto da razão e, depois, em um depósito de vinho. Em 1804, Napoleão restaurou a religião e, em 1831, Victor Hugo escreveu o famoso romance “O Corcunda de Notre-Dame”, tendo como pano de fundo a Catedral, durante a Idade Média.
            Finalmente, deixamos, com certa nostalgia, Notre Dame em busca de nossa quarta parada, Montmartre.
  
Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

SAMPA, 19 de outubro de 2008.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O ENCANTO DO NATAL


                                            Por Núbia Maria Arruda Bastos Cardoso

 

                   Entro no túnel do tempo. Retrocedo um, dois, cinco, dez, vinte, trinta anos. A viagem é vertiginosa. Só o meu louco anseio em voltar justificaria tal pressa. Cheguei...
                   Era uma pequena cidade do interior, Lá ainda não chegara o asfalto, a televisão, o telefone... Um casarão amarelo de muitas janelas me deteve. Era aquilo que eu desejava rever em meus sonhos. Entro devagar. Vovó, como sempre jogava “paciência”. Vovô, ao pé do rádio, tentando sintonizar estações do sul... As mesmas cadeiras, estilo marquesa, estavam no lugar de sempre. Uma pequena cadeira de balanço esperando pela costumeira dona. Com passos rápidos, alcanço a sala vizinha. Era Natal. A um canto, a árvore enfeitada, feita quase sempre às vésperas da grande noite. No outro lado, a imensa lapinha com presépio, animais, reis magos, lagos de espelho, areia... Alguém dedilhava alguma canção ao piano...
                   Um imenso corredor se abria na minha frente. Muitas crianças lá brincavam e entre elas, eu...Umas com carrinho, outras com patins, outras deitadas no chão olhando para o teto que era altíssimo. Quartos e mais quartos, lado a lado...Lá, um quarto era sagrado. Relicário de imensos e insondáveis mistérios que a infância não sabia decifrar. Lá, morava a dona da cadeira de balaço. Alguém de idade. Dona de bombons e biscoitos deliciosos. Só com muito prestígio se poderia dar uma olhadela naquele santuário.
                   Uma mesa gigante se sobressaía na imensa sala de jantar. Do aparador, bolos e doces deliciosos. Da tela de sua porta se poderia sentir o odor saboroso do que havia em seu interior.
                   Um grande quarto estava com as portas fechadas. Vozes excitantes de adultos eram ouvidas, mas não entendidas. Era véspera do natal. Anos e anos aquele ritual se repetia( só anos depois entendi o porquê...) Presentes estavam sendo embalados e separados para que quando “Papai Noel”chegasse, executasse sua missão corretamente...
                   Continuo andando. Da cozinha exalava um odor forte de pernil, peru, farofa, bolos, doces numa miscelânea de odores realmente atraente. No fogão de ferro, a lenha ardia para executar sua missão.
                   Chega a noite. Correria. Banhos. Roupa nova. Os pequenos vão dormir. Os grandes esperam ansiosos, pela missa do galo, no Patronato. Meus avós vão à frente. Sonolentos, todos acompanhávamos o ritual da missa em Latim. Minha avó liderava os cânticos.Comungávamos todos. Em nossa cabeça a vontade louca de voltar e acordar no outro dia.
                   Chegávamos a casa. Luzes acesas. Ambiente festivo. A felicidade estampada no semblante da imensa família, dos adultos às crianças. A grande ceia esperava: nozes, castanhas, avelãs, guloseimas que nós, crianças, não podíamos saborear, só os grandes, diziam...
                   O dia 25 amanhecia mais cedo que os outros: bolas, carros, bonecas, bicicletas desfilavam pelo corredor. Era um barulho infernal...Ninguém conseguia dormir mais. Durante muito tempo papéis eram ansiosamente rasgados...Alegrias e decepções...
                   Quebrou o encanto. Já estou de volta. Muitos natais se passaram...O líder da grande família ainda vive. Ela, não. A cidade é outra. A casa é outra. A alegria é outra. Era do computador, da televisão, do vídeo-cassete, da máquina...
                   No último natal, ele, em seu mutismo habitual, estava cercado por muitas pessoas, mas incrivelmente só, vivendo dos dias felizes do passado que o tempo levou... Aproximei-me:
                   -Feliz Natal, vovô! Tudo bem?
                   Ele: - Não, só muitas recordações...
                   Mal sabe ele que, com a partida dela, quebrou-se para sempre o encanto de meus natais! 

      Transcrito do “Jornal do Leitor” do Jornal “o Povo”, de Fortaleza, de 07 de janeiro de 1987.


ANANIAS ARRUDA – COMENDADOR DA SANTA SÉ



NASCIDO EM ARACATI-AÇU (SOBRAL) A 23/05/1886
FALECIDO  EM FORTALEZA-CEARÁ A 26/01/1980
SEPULTADO EM BATURITÉ-CEARÁ A 27/01/1980


Por MARIA JULIETTA TÁVORA DE ARRUDA MONTEIRO
Sobrinha paterna do COMENDADOR ANANIAS ARRUDA
Ex- aluna salesiana


Neste enriquecido documentário do Jornal “A VERDADE” e dos registros do livro “COMENDADOR ANANIAS ARRUDA: um exemplo de vida cristã, política e social” de autoria de meu irmão, CLEMENTE OLINTHO TÁVORA ARRUDA, em dois volumes, que trata da vida gloriosa e brilhante do tio Ananias, eu achei que muito pouco, ou quase nada,  foi dito do período de 23/05/1976, data do seu nonagésimo aniversário de nascimento a 26/01/1980, data de seu falecimento.

Acredito que as festividades comemorativas da passagem de seus 90 anos, foi o último evento social ao qual compareceu e participou. Depois deste “ENCONTRO DE FAMÍLIA E AMIGOS”, o tio Ananias decidiu viver recluso em sua modesta e simples residência, situada a Rua Tereza Cristina, nº 708 – CENTRO – Fortaleza-Ceará. Não mais frequentou as Igrejas para participar dos atos religiosos e passou a ter uma vida contemplativa em sua capela particular, onde permanecia horas em oração.

Corajoso e confiante na proteção de Deus, sempre se colocou a serviço de IGREJA, da FAMÍLIA e dos POBRES. Iluminou com sua FÉ, SANTIDADE, HUMILDADE E SABEDORIA  a vida de todos que o procuravam e a sua VELHICE foi uma fonte de GRAÇA E BENÇÃO. Sempre foi muito lúcido e fez de sua residência o seu mundo solitário, mas, acima de tudo, sagrado e de oração.

 Revestido de serena paz, recebia, com afabilidade, alegria e simpatia, seus familiares e com eles falava das coisas de DEUS, de sua paixão de evangelizador, de sua fé, de sua energia e de seu zelo apostólico. Despojado de seus recursos financeiros, de suas propriedades rurais e outros bens materiais, vivia modestamente de uma aposentadoria da Previdência Social de valor mensal não superior a  quatro salários. Em vida, distribuiu todo o seu patrimônio e fez significativas doações para beneficiar os pobres desabrigados, ordens religiosas, hospitais e tudo fazia com generosidade e desprendimento.

Sua condição financeira ficou tão precária que era visível a sua pobreza franciscana. O arcebispo de Fortaleza – Dom Aloisio Lorscheider, por ocasião de uma visita à sua residência, achou por bem convencê-lo a receber de volta uma propriedade – SÍTIO SÃO MIGUEL – BATURITÉ- CEARÁ – que havia recebido dele, em doação. Alegou Dom Aloísio, que a doação se destinava a uma reforma agrária, mas como não havia sido feita, não tinha sentido a Arquidiocese continuar com a propriedade. A venda deste sítio lhe assegurou uma fonte de renda razoável, necessária a sua manutenção de forma mais tranquila e estável.

TIO ANANIAS sempre recebeu atenções especiais de seus sobrinhos com destaque honroso para meu irmão – MIGUEL EDGY TÁVORA ARRUDA -  que se colocou à sua disposição. Passava em sua residência todos os dias e tudo fazia para que nada lhe faltasse. Recebeu, também, cuidados especiais e afetivos de suas duas filhas adotivas – ROSINHA E LUIZINHA – e de DONA MOCINHA, que residia com a família há mais de 30 anos e que, embora doente, portadora de deficiência renal grave, era responsável pelos afazeres domésticos e alimentação da família. Nesta tarefa, DONA MOCINHA recebia a ajuda de sua filha ELITA.

No que diz respeito aos cuidados com a saúde, TIO ANANIAS não era portador de doença grave e o Edgy contava com suas duas filhas médicas e uma enfermeira – ANA MARGARIDA – CLÊIDE   e  FÁTIMA  e seu sobrinho médico – ANTONIO CARLOS SANTOS OLIVEIRA que lá comparecia com frequência e atendia com muita disponibilidade qualquer chamado.
TIO ANANIAS não se prostou , não perdeu sua lucidez e, assim, respeitados os limites impostos pela idade, viveu seus últimos dias. Sentia-se feliz e agraciado por DEUS. Na tarde do dia 26/01/1980, fomos chamados à sua residência, TIO ANANIAS não passava bem. Lá comparecemos: seu único irmão vivo, RAIMUNDO ARRUDA (meu pai), minha mãe, NOEMY TÁVORA ARRUDA,  e alguns sobrinhos acorrendo ao chamado e todos ao redor de sua cama, em oração, faziam preces para que sua entrada no Paraíso fosse plena de luz e ELE recebesse o prêmio merecido que DEUS prometeu aos que lhe fossem fiéis. Meu pai e minha mãe, sentados ao seu lado, seguravam a mão do irmão querido que partia como um justo, heroi do Evangelho e da Euraristia e que havia colocado em Jesus todas as suas esperanças e fé.

Grandes homens o mundo conheceu. Grandes homens enriqueceram com seus exemplos a IGREJA, a SOCIEDADE e o  MUNDO. Nenhum deles foi tão audacioso, persistente, corajoso, capaz de ultrapassar todos os obstáculos, vencer todas as barreiras e limites para cumprir a missão evangelizadora de fé e de amor ao próximo que DEUS lhe confiou como meu tio. DEUS operou maravilhas em sua vida e sempre esteve presente tanto na calmaria como na turbulência.

Sua vida é um exemplo para todos nós.  
TIO ANANIAS, obrigada pelo que você representou e representa para nossa família. No céu, rogue a Deus graças e bençãos especiais para todos nós que temos o privilégio de fazer parte de sua família.


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

FESTA NUPCIAL

Naquela manhã o sol despontou inundando de luz a cidadezinha pacata, encravada no sopé da serra de Baturité. Era o dia 17 de setembro de 1911. Na casa do Coronel Miguel de Arruda, um burburinho de regozigo pairava no ar. Tudo estava pronto para as núpcias de Ananias, o sexto filho do casal Miguel e Livramento. Festa de casamento na família já virara uma rotina, pois Ananias era o sétimo filho a contrair matrimônio. Entretanto, aquela festa se apresentava especial, já que o noivo contratara um fotógrafo de Fortaleza para registrar tão auspicioso acontecimento. Fotografia era novidade, nos idos de 1911, em Baturité, e todos estavam ansiosos para conhecer o novo invento que captava e congelava a imagem das pessoas.
A família crescera muito, desde que o Coronel Miguel de Arruda chegara à Baturité, em julho de 1891, com sua esposa, sua sogra, duas cunhadas e sete de seus filhos. Nasceram mais três filhos; João, o primogênito, casara-se com Mariana, em 1898, e era pai de cinco filhos; Vicente casara-se com Joana, em 1901, e não tinha filhos; José casara-se com Esther, em 1907, e, na ocasião, tinha um filho; Antônio casara-se com Júlia, em 1904, e já tinha cinco filhos; Jeremias casara-se com Margarida, em 1909, e era pai de um filho; Adelina, um ano mais nova que Ananias, casara-se, em 1905, com Luiz, e era mãe de cinco filhos; Eurico, Raimundo e Mimosa eram solteiros.
Ananias, o noivo, um jovem de 25 anos, encantara, com seu olhar sonhador de um azul profundo, uma bela adolescente e dela se encantara, também. A noiva, Ana, filha de Custódio e Águida, possuia uma beleza quase angelical, no desabrochar dos seus 16 anos.
A cerimônia de núpcias, celebrada pelo Monsenhor Manoel Cândido, tio da noiva, foi pela manhã na Matriz de Baturité. O cortejo saiu da casa de Miguel de Arruda com todos os familiares do noivo e da noiva, além dos convidados. O vestido branco de brocado, fechado até o pescoço e ornado com pedrarias e jóias, realçava o candor virginal de Ana. A cintura bem fina, marcada com uma rosa, dava-lhe, paradoxalmente, um toque sensual. Uma grinalda de pedras preciosas prendia o véu de tule de seda que, ao mesmo tempo, escondia e destacava a beleza da noiva. Ana estava radiante como Ishtar, antiga Deusa do Amor, que foi coberta por um véu de vapores da terra e do mar, ao surgir das profundezas. O noivo, Ananias, elegantemente vestido de fraque preto, camisa e luvas brancas, trazia no olhar energia e determinação.
Após a cerimônia, os noivos receberam os cumprimentos na casa de Miguel e Livramento e todos festejaram aquela união. Chegada a hora da fotografia, os 39 membros da família posicionaram-se e observaram a máquina que tinha um formato de caixa com um pano preto. O fotógrafo olhou o grupo, através dela, com o pano sobre a cabeça. Depois, pediu para que todos ficassem imóveis. Quando ele percebeu que estavam todos em seus lugares e imóveis, abriu o diafragma e expôs por alguns segundos a chapa fotográfica. Depois, fechou o diafragma e a fotografia foi tirada para a posteridade. Os noivos foram fotografados. Ele sentado e ela, ao seu lado, em pé, como era constume da época. As seis noras do casal Miguel e Livramento, todas em pé, lado a lado, foram fotografadas, também.
Quando casou-se com Ana, Ananias já desenvolvia uma profícua atividade sócio-religiosa. Com apenas 14 anos, tomou parte da fundação da Conferência de São Luiz de Gonzada. Com 15 anos, ainda estudante, foi professor e, logo depois, diretor da Escola Paroquial do Menino Deus, para crianças pobres. Concluiu seu curso de humanidades, em 1902, com 16 anos, iniciando sua vida profissional na firma dos irmãos Antonio, José e Vicente. Em 1904, com 18 anos, fundou o Círculo Operário Católico de Baturité. A visita semanal aos presos da Cadeia Pública de Baturité e a Páscoa anual, Ananias realizou desde a idade de 15 anos até o fim de sua vida. Sua união com Ana foi amalgamada com um amor que perdurou para sempre. Ele, movido por este amor e pela fé indômita, que sempre o acompanhou, realizou grandiosas obras durante sua longa e abençoada existência.
Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Fortaleza, 16 de dezembro de 2011.

Abaixo, flashes do dia histórico.
As seis noras do Pai Arruda e Mãe Mento. Da esquerda para a Direita Mariana, Esther, Mimica, Júlia, Ana e Margarida. Foto tirada por ocasião das núpcias de Ana e Ananias Arruda.
Baturité, 17 de setembro de 1911.


Ana dos Santos Arruda e Ananias Arruda. Foto tirada no dia das núpcias do casal.
Baturité, 17 de setembro de 1911.

Família do Pai Arruda e Mãe Mento. Foto tirada no dia das núpcias de Ana e Ananias Arruda.
Baturité, 17 de setembro de 1911.


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

EVENTO COMEMORATIVO DO 1º CENTENÁRIO DE CASAMENTO DE ANANIAS ARRUDA E ANA DOS SANTOS ARRUDA

Nascer do sol visto do Mosteiro dos Jesuítas

Vista interna do Mosteiro

Jardim do Mosteiro


Missa em Ação de Graças - Igreja Santa Luzia

Missa em Ação de Graças

Missa em Ação de Graças

Missa em Ação de Graças

Ofertório

Raimundo Luiz Arruda

Missa em Ação de Graças

Homenagem ao aniversariante Juarez

Ana Margarida Arruda Rosemberg

Professor Onacélio

Assis Vasconcelos Arruda

Assis Arruda

Goretti e Luiz

Foto Panorâmica em frente ao casarão da família Arruda

Preparação para a foto

Descendentes de Edgy e Adelina - Mosteiro dos Jesuítas

Regina, Ana Maria, Glória e Ana Margarida - As quatro primas nascidas no Ano Santo.

Preparação para a foto panorâmica

Parabéns para os aniversarienates do dia - Tio Juarez e Claudia Danielle
Foi realizado no último domingo, 18 de dezembro de 2011, em Baturité-CE, a comemoração do centenário de casamento de Ananias Arruda e Ana dos Santos Arruda. Com grande participação de familiares e amigos foi celebrada uma missa em Ação de Graças na Igreja de Santa Luzia. Após a missa foram feitas diversas homenagens ao casal e projetado um telão de uma árvore genealógica iconográfica da família. Uma foto panorâmica de toda a família foi feita em frente ao casarão da família e, finalmente, um almoço no Mosteiro dos Jesuítas fechou com chave de ouro o evento. Tudo isso foi regado com muita alegria, fé e confraternização. Agradecemos a todos que compareceram ao evento e parabenizamos a equipe organizadora.
Acima, alguns flashes do evento.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

CEM ANOS DEPOIS

FOTO FEITA POR OCASIÃO DAS NÚPCIAS DE ANANIAS E ANA DOS SANTOS, EM 17 DE SETEMBRO DE 1911-   SEIS NORAS DE MIGUEL E LIVRAMENTO ARRUDA


FOTO FEITA POR OCASIÃO DAS NÚPCIAS DE ANANIAS E ANA DOS SANTOS, EM 17 DE SET. DE 1911- FAMÍLIA DE MIGUEL E LIVRAMENTO ARRUDA 


VENHA PARTICIPAR DA FOTO HISTÓRICA DOS DESCENDENTES DE MIGUEL E LIVRAMENTO, CEM ANOS DEPOIS

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

CENTENÁRIO DE CASAMENTO DE ANANIAS ARRUDA E ANA DOS SANTOS ARRUDA

Domingo, dia 18 de dezembro de 2011, estaremos comemorando 100 anos das BODAS de Ananias e Ananinha Arruda.
Convidamos os parentes e amigos para um dia de confraternização e regozigo.


Você é nosso convidado.

PARTICIPE!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

POR: ANA MARGARIDA ROSEMBERG - A RESISTÊNCIA IMPONDERÁVEL

Ana Margaria Rosemberg

           O Iraque, país que tem oito mil anos de história, invadido pelas tropas americanas e britânicas, arde em chamas, em meio ao massacre de sua população maltrapilha e faminta. Berço da nossa civilização, pois foi ali na região que fica entre os rios Tigre e Eufrates, a Mesopotâmia, que surgiram a agricultura, a escrita, as primeiras cidades, o Código de Hamurabi etc. Sumérios, Babilônicos, Assírios, Persas, Gregos e muitos outros povos se sucederam na região  rica em água e petróleo.
Ur, tida como a mais antiga cidade do mundo, terra natal de Abraão, o pai das religiões monoteístas como judaísmo, cristianismo e islamismo, corre sério risco de ser destruída pelas “bombas inteligentes” dos agressores. Sítios pré-históricos dos períodos Paleolítico e Neolítico que guardam informações valiosas sobre a origem da civilização correm o mesmo risco. Apesar de tudo isso ser patrimônio da humanidade, o que está em jogo é o massacre de milhares de pessoas inocentes e indefesas que estão tendo suas vidas ceifadas precocemente.
Os EUA apesar de abrigarem somente 6% da população do planeta acham que podem, através da força, dominar outros povos e suas riquezas. Acreditam ter o regime democrático mais perfeito que qualquer outro e se acham com o direito de exportá-lo. Porém, que democracia é essa que passa por cima da ONU e das manifestações de protesto no mundo inteiro e invade um país com a desculpa de querer libertar o seu povo? Será que esse povo quer realmente ser libertado pelos invasores? Será que a democracia ocidental é o regime ideal para os povos do oriente médio? Ou será que os americanos estão querendo o “ouro preto” que brota abundante naquela região? Saddam Hussein, apesar de ditador, conseguiu unificar o Iraque, ainda que por caminhos perversos, e somente seu povo tem o direito de tirá-lo do poder. Os arrogantes: Bush, Blair, Colin Powell, Dick Cheney, Donald Rumesfeld, Condoleezza Rice, Tommy Franks subestimaram a resistência de Saddam Hussein e seu povo quando resolveram fazer uma guerra cirúrgica de curta duração. Acharam que o povo iraquiano iria se levantar contra o ditador e que o exército abandonaria a luta. Apesar da superioridade bélica da maior potência do planeta contra um país debilitado pelos 12 anos de embargo da ONU, a guerra não vai ser curta e muito menos cirúrgica como foi apregoada aos quatro ventos. O povo resiste e essa resistência é imponderável. Os homens bombas estão entrando no palco da guerra e amedrontando soldados americanos e britânicos que não sabem bem porque matam seus irmãos iraquianos.
 O sargento Ali Jaffar Moussa Hamadi, mulçumano e xiita, foi o primeiro combatente iraquiano a lançar um ataque suicida ficando na história da resistência iraquiana contra a invasão de seu país. Homens bomba estão se multiplicando naquela região, principalmente nos territórios ocupados da Palestina. Se os iraquianos realmente usarem essa arma, o desfecho da guerra será inimaginável. Os americanos podem destruir com suas bombas e mísseis todo o Iraque e matar Saddam Hussein, mas não ganharão essa guerra, pois não conquistarão as mentes e os corações dos iraquianos.
Que o sacrifício desse povo sirva para a união dos árabes e que as manifestações de protesto contra a guerra, que brotam pelo mundo afora, sirvam para a humanidade encontrar um caminho de PAZ.                   
                               Ana Margarida F. Arruda Rosemberg
                                       São Paulo, 31 de março de 2003.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

UM DIA EM PARIS - Passeio nº. 2


Ana Margarida - Panthéon - Paris

Atendendo ao pedido da minha querida afilhada Danielle, estou postando mais um texto de Paris.

UM DIA EM PARIS - Passeio nº2
            Saímos do Jardin du Luxembourg, cruzamos o Boulevard Saint Michel e subimos a Rue Soufflot em direção ao majestoso Panthéon, nossa segunda parada.
            A história da Panthéon remonta a 1764, quando o Rei Luís XV, após recuperar-se de uma grave doença, ordenou ao arquiteto Soufflot que construísse uma igreja em tributo a Santa Genoveva, padroeira de Paris. Concluída em 1790, a mesma foi transformada em Panteão Nacional, pelos revolucionários burgueses.
            Situado no alto do monte de Santa Genoveva, no 5º arrondissement, em pleno quartier latin, este monumento, em estilo neoclássico, tem 110 metros de comprimento e 84 de largura. Inspirado no panteão romano, sua fachada é decorada com 22 colunas de estilo coríntio e em seu frontão podemos ler a seguinte frase:Aux grands hommes, la patrie reconnaissante”. Acima, admiramos o baixo-relevo de David D’Angers que mostra a França, mãe pátria, concedendo lauréis a seus grandes homens.
            Aproveitamos para tirar fotos, inclusive, da prefeitura do arrondissement, que fica ao lado. Havia uma propaganda da mostra alusiva a Émile Zola, na entrada do Panthéon. Sem mais tempo para fotos, compramos os ingressos e adentramos o santuário.
            O interior do Panthéon tem quatro corredores em forma de cruz e no centro ergue-se a grande cúpula. A primeira coisa que nos chamou a atenção foi um imenso pêndulo, fixado na referida cúpula. O “Pêndulo de Foucault”, que leva este nome em homenagem ao físico, Jean Bernard Léon Foucault, está no Panthéon desde 1851. Ele foi concebido para demonstrar a rotação da terra.
            No altar principal admiramos a escultura que retrata a Convention  Nationale  alusiva a Revolução Francesa. Depois de algumas fotos, e sem nos determos nas pinturas de artistas famosos, descemos até a cripta que ocupa toda  área sob o prédio.       Dividida em galerias, a mesma guarda os restos mortais de 70 personagens da história francesa como: cientistas, escritores, generais e políticos. Dentre os mais famosos estão: Voltaire, Jean Jacques Rousseau, Victor Hugo e Émile Zola. Em frente ao túmulo de Voltaire  vê-se uma estátua do mesmo. Tiramos fotos diante dela para homenagear um dos inspiradores da revolução francesa.
            François Marie Arouet (1694-1778), seu verdadeiro nome, foi escritor prolífico e filósofo iluminista. Severo crítico da Igreja católica, das instituições francesas e dos abusos do Antigo Regime, contribuiu com suas ideias, juntamente com John Locke, Thomas Hobbes e Rousseau  para o desencadeamento da Revolução Francesa.
            Caminhamos até a galeria principal para apreciar a mostra sobre Émile Zola (1840-1902). Recheada de fotos, cartazes, objetos pessoais, exemplar de sua obra “Germinal”, ela se mostrava atrativa. Infelizmente não tínhamos tempo para apreciar com calma aquela maravilha, mas vimos o artigo original, “J’accuse”, que tanta polêmica causou na França no finalzinho do século XIX.
            Saindo em defesa do judeu, Alfred Dreyfus, que foi vítima de um processo fraudulento, Zola tornou-se uma importante figura libertária da França. Sua carta aberta, “J’accuse”, dirigida ao Presidente da França, publicada na primeira página do jornal L’Aurore, acusava o governo francês de anti-semitismo, por julgar e condenar por traição, sem provas, o capitão Alfred Dreyfus, em 1894.
            Na saída ainda tivemos tempo de admirar o túmulo de Rousseau, que fica em frente ao de Voltaire. Jean Jacques Rousseau (1712-1778), o meu iluminista preferido, foi filósofo, político, escritor e uma das figuras mais marcantes de sua época. A célebre frase “O homem nasce bom e a sociedade o corrompe", resume o pensamento deste grande filósofo.
            Saímos do Panthéon, quase meio dia e resolvemos almoçar em um dos restaurantes do quartier latin, mas antes era preciso ir à livraria “Gibert Jeune”, no Boulevard Saint Michel, a fim de comprar livros infantis para o meu neto, Pepê.      Lembrei-me que pertinho do Panthéon, ficava a Igreja Saint-Étienne-du-Mont, a biblioteca de Santa Genoveva e a Sorbonne, Universidade de Paris-I. Pensei no Rose e no nosso Hotel Sully-Saint-Germain, na Rue des Écoles, na mesma rua da Sorbonne, onde tantas vezes nos hospedamos. Como não tinhamos mais tempo, descemos pela Rue Soufflot, cruzamos a Rue Saint Jacques, a mais antiga de Paris, e viramos à direita no Boulevard Saint Michel, em direção à nossa terceira parada, a Catedral de Notre Dame.  

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
SAMPA, 11 de Outubro de 2008

domingo, 11 de dezembro de 2011

A CHEGADA DO CAPITÃO MIGUEL DE ARRUDA À BATURITÉ

 
Por   Miguel Edgy Távora Arruda*



A República ainda não tem 2 anos; faz apenas 3 que a escravatura foi abolida. É uma bela manhã de julho de 1891.  O sol alto banha de intensa luz as serras, os morros e os vales que circundam a cidadezinha pacata daquele começo da última década do século. Os moradores do beco do Labirinto acorrem às janelas para ver passar uma grande tropa de animais que, lentamente, vai galgando a íngreme ladeira. À frente, montado num fogoso cavalo alazão, vem um senhor de meia idade; 41 anos; esbelto; porte senhoril; farta cabeleira castanha; olhos azuis; corado; a pele branca tostada pelo sol da longa caminhada; fala suave; gestos comedidos. Seu nome: Miguel de Arruda (Miguel Arcanjo de Araújo Costa Lopes de Aguiar Arruda) que, anos depois, os netos chamariam: Pai Arruda. A seu lado, também num belo cavalo, vem sua mulher, Maria do Livramento (Maria do Livramento Bezerra de Araújo Rodrigues de Vasconcelos Arruda) que os netos haveriam de chamar: Mãe Mento. Seguem-se, numa liteira que 4 ex-escravos transportavam revezando-se, sua sogra, Francisca Bezerra Rodrigues de Vasconcelos, que os bisnetos chamariam de Dindinha, e, em diversos animais de sela, duas de suas cunhadas: Antônia Amélia e Maria Elisa, e sete de seus filhos: João, de 16 anos; Vicente, de 15; José, de 14; Antônio, de 13; Jeremias, de 9; Ananias, de 5; e Maria Adelina, de 4. Vem ele de Santo Antônio do Aracati-Açu, Município de Sobral, onde se casara e vivera até então. A longa viagem durara 5 dias, passando por Canindé, onde fora pagar uma promessa, e atravessando toda a Serra, via Mulungu. A Menorzinha, Maria Adelina, vem na lua da sela do cavalo do Zé Dias, escravo liberto de inteira confiança, e o menorzinho, Ananias, vem no meio de uma carga, segurando, com mão firme, o cabresto do animal, sob as vistas do mano mais velhinho, Jeremias, vigilante para que nada aconteça ao irmãozinho menor. A grande tropa de animais de sela e de carga a que se juntam agregados, criados, serviçais, passo a passo, vai entrando na cidade e despertando, aqui e acolá, a curiosidade dos poucos transeuntes. Por fim, para em frente a uma casa na Rua 7 de setembro. Apeiam-se todos e logo começa a azáfama de descarregar os animais e acomodar tudo no novo lar: baús, caçuás, sacas e pertences. E assim passa-se o dia que haveria de se transformar em um marco na vida daquela família. Chegando à Baturité, onde lhe haveriam de nascer mais três filhos, Miguel de Arruda afeiçoa-se a cidade e a adota como sua, transformando-a na terra de seus filhos, netos, bisnetos, trinetos e tetranetos, mesmo que alguns deles nela não tivessem nascido ou não viessem a nascer.

* Este texto, escrito pelo meu pai, foi publicado no SITE da família Arruda, feito pelo meu filho, Daniel Arruda Teixeira.  
http://www.familiaarruda.com.br/