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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

FESTA DE ANIVERSÁRIO

















          

Aquele 8 de dezembro de 1957 foi repleto de emoções! Pela manhã, minha primeira eucaristia e, à tardinha, o aniversário da minha irmã Teca, na ocasião, a caçula.
         Depois do encantamento de receber o corpo de Cristo, passei o resto do dia na expectativa daquele novo acontecimento. A mesa já estava vestida, com aquela toalha branca bordada de margaridas gigantes, o que só ocorria em ocasiões muito especiais, quando chegou o bolo confeitado atraindo, como um imã, nossos olhinhos.
        Colocado majestosamente no centro, com uma velinha, predizia que a aniversariante estava fazendo um aninho. Naquela ocasião já éramos 10 irmãos, o que era suficiente para comemorar, com muita alegria e algazarra, uma festa de aniversário, mas para maior encantamento, as primas compareceram, além de algumas amiguinhas.
            O papai já estava a postos com sua filmadora e máquina fotográfica registrando tudo, como sempre fazia, para a posteridade. A mamãe cuidava dos últimos preparativos para a festa, juntamente com as nossas babás. Além do bolo no centro da mesa, havia os pratinhos com docinho e pirulito, que davam água na boca.
         Lúcia, Maninha, Edna, Raimundo Luis, eu, Goretti, Clêide, Fátima, Miguel e a Teca nos braços da mamãe, nossas primas, amiguinhas e nossas babás, nos colocamos em volta daquela mesa para homenagear a aniversariante que, de vestidinho branco, mais parecia uma bonequinha, com os cabelinhos curtos e lisos, bem lisos e pretinhos e os olhos amendoados, já revelando uma beleza, que carrega até hoje, bem diferente da nossa.
           O momento mágico da festa foi na hora dos parabéns. Em torno daquele bolo começamos a cantar, fascinados pela magia do fogo da velinha, a música que bate fundo no coração de qualquer criança. “Parabéns pra você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida”. A vela acesa iluminou o brilho nos olhinhos da aniversariante.
        Como diz Marcelo Gleiser em seu livro, “A dança do Universo”, o fogo tem uma natureza dual, sendo ao mesmo tempo, perigoso e útil, belo e destruidor, mágico e intangível.            Naquele momento, o fogo era útil, belo e mágico e nos encantava com seus tons alaranjados e azulados e sua dança sensual.
         Fascinada, observei-o e viajei nas suas cores e no seu ritmo, ao som da musiqueta.
      Aquela viagem me pareceu eterna. Fui chamada à realidade, pelo som das palmas de todos nós, comemorando em volta daquela mesa, o aniversário da irmãzinha caçula, que não compreendia, naquele momento, que tinha que apagar a velinha. Logo, sopros de todos os lados surgiram para socorrer a aniversariante e fechar com chave de ouro aquela comemoração.
            Só depois de adulta aprendi o quão importante foi o fogo para a sobrevivência de nossa espécie, aqui no planeta terra, e que o mesmo é causado pela liberação de calor por materiais em combustão. Aprendi, também, que foi o grande químico francês, Antoine Laurent de Lavoisier, quem primeiro entendeu que o processo de combustão é resultado de uma combinação química entre o material combustível e o oxigênio. Sem oxigênio, materiais não queimam, provou Lavoisier.
          Os dias dos nossos natalícios eram momentos relevantes nas nossas vidas, durante a infância. A nossa alegria naquele fim de tarde foi redobrada, pois a ternura do encantamento que nos invadiu, como que compensava o fato da Teca ainda não compreender bem, toda aquela alegria e magia que tanto nos enlevava.
            Os votos de muitas felicidades e muitos anos de vida, que generosamente a ofertamos, foram concretizados e ela os desfruta até os dias de hoje para a alegria daqueles que a amam.

São Paulo, 8 de Janeiro de 2004. 
 Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg.

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