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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

FESTA NUPCIAL

Naquela manhã o sol despontou inundando de luz a cidadezinha pacata, encravada no sopé da serra de Baturité. Era o dia 17 de setembro de 1911. Na casa do Coronel Miguel de Arruda, um burburinho de regozigo pairava no ar. Tudo estava pronto para as núpcias de Ananias, o sexto filho do casal Miguel e Livramento. Festa de casamento na família já virara uma rotina, pois Ananias era o sétimo filho a contrair matrimônio. Entretanto, aquela festa se apresentava especial, já que o noivo contratara um fotógrafo de Fortaleza para registrar tão auspicioso acontecimento. Fotografia era novidade, nos idos de 1911, em Baturité, e todos estavam ansiosos para conhecer o novo invento que captava e congelava a imagem das pessoas.
A família crescera muito, desde que o Coronel Miguel de Arruda chegara à Baturité, em julho de 1891, com sua esposa, sua sogra, duas cunhadas e sete de seus filhos. Nasceram mais três filhos; João, o primogênito, casara-se com Mariana, em 1898, e era pai de cinco filhos; Vicente casara-se com Joana, em 1901, e não tinha filhos; José casara-se com Esther, em 1907, e, na ocasião, tinha um filho; Antônio casara-se com Júlia, em 1904, e já tinha cinco filhos; Jeremias casara-se com Margarida, em 1909, e era pai de um filho; Adelina, um ano mais nova que Ananias, casara-se, em 1905, com Luiz, e era mãe de cinco filhos; Eurico, Raimundo e Mimosa eram solteiros.
Ananias, o noivo, um jovem de 25 anos, encantara, com seu olhar sonhador de um azul profundo, uma bela adolescente e dela se encantara, também. A noiva, Ana, filha de Custódio e Águida, possuia uma beleza quase angelical, no desabrochar dos seus 16 anos.
A cerimônia de núpcias, celebrada pelo Monsenhor Manoel Cândido, tio da noiva, foi pela manhã na Matriz de Baturité. O cortejo saiu da casa de Miguel de Arruda com todos os familiares do noivo e da noiva, além dos convidados. O vestido branco de brocado, fechado até o pescoço e ornado com pedrarias e jóias, realçava o candor virginal de Ana. A cintura bem fina, marcada com uma rosa, dava-lhe, paradoxalmente, um toque sensual. Uma grinalda de pedras preciosas prendia o véu de tule de seda que, ao mesmo tempo, escondia e destacava a beleza da noiva. Ana estava radiante como Ishtar, antiga Deusa do Amor, que foi coberta por um véu de vapores da terra e do mar, ao surgir das profundezas. O noivo, Ananias, elegantemente vestido de fraque preto, camisa e luvas brancas, trazia no olhar energia e determinação.
Após a cerimônia, os noivos receberam os cumprimentos na casa de Miguel e Livramento e todos festejaram aquela união. Chegada a hora da fotografia, os 39 membros da família posicionaram-se e observaram a máquina que tinha um formato de caixa com um pano preto. O fotógrafo olhou o grupo, através dela, com o pano sobre a cabeça. Depois, pediu para que todos ficassem imóveis. Quando ele percebeu que estavam todos em seus lugares e imóveis, abriu o diafragma e expôs por alguns segundos a chapa fotográfica. Depois, fechou o diafragma e a fotografia foi tirada para a posteridade. Os noivos foram fotografados. Ele sentado e ela, ao seu lado, em pé, como era constume da época. As seis noras do casal Miguel e Livramento, todas em pé, lado a lado, foram fotografadas, também.
Quando casou-se com Ana, Ananias já desenvolvia uma profícua atividade sócio-religiosa. Com apenas 14 anos, tomou parte da fundação da Conferência de São Luiz de Gonzada. Com 15 anos, ainda estudante, foi professor e, logo depois, diretor da Escola Paroquial do Menino Deus, para crianças pobres. Concluiu seu curso de humanidades, em 1902, com 16 anos, iniciando sua vida profissional na firma dos irmãos Antonio, José e Vicente. Em 1904, com 18 anos, fundou o Círculo Operário Católico de Baturité. A visita semanal aos presos da Cadeia Pública de Baturité e a Páscoa anual, Ananias realizou desde a idade de 15 anos até o fim de sua vida. Sua união com Ana foi amalgamada com um amor que perdurou para sempre. Ele, movido por este amor e pela fé indômita, que sempre o acompanhou, realizou grandiosas obras durante sua longa e abençoada existência.
Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Fortaleza, 16 de dezembro de 2011.

Abaixo, flashes do dia histórico.
As seis noras do Pai Arruda e Mãe Mento. Da esquerda para a Direita Mariana, Esther, Mimica, Júlia, Ana e Margarida. Foto tirada por ocasião das núpcias de Ana e Ananias Arruda.
Baturité, 17 de setembro de 1911.


Ana dos Santos Arruda e Ananias Arruda. Foto tirada no dia das núpcias do casal.
Baturité, 17 de setembro de 1911.

Família do Pai Arruda e Mãe Mento. Foto tirada no dia das núpcias de Ana e Ananias Arruda.
Baturité, 17 de setembro de 1911.


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