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domingo, 11 de dezembro de 2011

A CHEGADA DO CAPITÃO MIGUEL DE ARRUDA À BATURITÉ

 
Por   Miguel Edgy Távora Arruda*



A República ainda não tem 2 anos; faz apenas 3 que a escravatura foi abolida. É uma bela manhã de julho de 1891.  O sol alto banha de intensa luz as serras, os morros e os vales que circundam a cidadezinha pacata daquele começo da última década do século. Os moradores do beco do Labirinto acorrem às janelas para ver passar uma grande tropa de animais que, lentamente, vai galgando a íngreme ladeira. À frente, montado num fogoso cavalo alazão, vem um senhor de meia idade; 41 anos; esbelto; porte senhoril; farta cabeleira castanha; olhos azuis; corado; a pele branca tostada pelo sol da longa caminhada; fala suave; gestos comedidos. Seu nome: Miguel de Arruda (Miguel Arcanjo de Araújo Costa Lopes de Aguiar Arruda) que, anos depois, os netos chamariam: Pai Arruda. A seu lado, também num belo cavalo, vem sua mulher, Maria do Livramento (Maria do Livramento Bezerra de Araújo Rodrigues de Vasconcelos Arruda) que os netos haveriam de chamar: Mãe Mento. Seguem-se, numa liteira que 4 ex-escravos transportavam revezando-se, sua sogra, Francisca Bezerra Rodrigues de Vasconcelos, que os bisnetos chamariam de Dindinha, e, em diversos animais de sela, duas de suas cunhadas: Antônia Amélia e Maria Elisa, e sete de seus filhos: João, de 16 anos; Vicente, de 15; José, de 14; Antônio, de 13; Jeremias, de 9; Ananias, de 5; e Maria Adelina, de 4. Vem ele de Santo Antônio do Aracati-Açu, Município de Sobral, onde se casara e vivera até então. A longa viagem durara 5 dias, passando por Canindé, onde fora pagar uma promessa, e atravessando toda a Serra, via Mulungu. A Menorzinha, Maria Adelina, vem na lua da sela do cavalo do Zé Dias, escravo liberto de inteira confiança, e o menorzinho, Ananias, vem no meio de uma carga, segurando, com mão firme, o cabresto do animal, sob as vistas do mano mais velhinho, Jeremias, vigilante para que nada aconteça ao irmãozinho menor. A grande tropa de animais de sela e de carga a que se juntam agregados, criados, serviçais, passo a passo, vai entrando na cidade e despertando, aqui e acolá, a curiosidade dos poucos transeuntes. Por fim, para em frente a uma casa na Rua 7 de setembro. Apeiam-se todos e logo começa a azáfama de descarregar os animais e acomodar tudo no novo lar: baús, caçuás, sacas e pertences. E assim passa-se o dia que haveria de se transformar em um marco na vida daquela família. Chegando à Baturité, onde lhe haveriam de nascer mais três filhos, Miguel de Arruda afeiçoa-se a cidade e a adota como sua, transformando-a na terra de seus filhos, netos, bisnetos, trinetos e tetranetos, mesmo que alguns deles nela não tivessem nascido ou não viessem a nascer.

* Este texto, escrito pelo meu pai, foi publicado no SITE da família Arruda, feito pelo meu filho, Daniel Arruda Teixeira.  
http://www.familiaarruda.com.br/



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