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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

POR: ANA MARGARIDA ROSEMBERG - BREVE HISTÓRIA DE CUBA : de Colombo à Fidel Castro


No dia 28 de outubro de 1492, Cristóvão Colombo desembarcou em Cuba imaginando ter chegado à Ásia.  Encontrou os nativos (índios) fumando tabaco. Até então, o tabaco era uma planta desconhecida na Europa, mas cultivada na América e fumada pelos caciques em rituais religiosos, pois eles acreditavam que a fumaça tinha poderes de curar doenças e espantar os maus espíritos. Em 1530, Jean Nicot levou a planta para Europa e a mesma disseminou-se com ajuda da nicotina, potente alcaloide com poder viciante, batizado com esse nome em homenagem à Nicot.

Com a chegada dos espanhóis e portugueses à América, iniciou-se um violento processo de colonização. Inúmeras populações indígenas foram dizimadas e outras foram submetidas ao trabalho escravo pelos chamados “homens civilizados”. Cuba tornou-se uma colônia da Espanha chefiada por um governo espanhol em Havana.

Em Cuba, o processo de colonização se deu de modo muito traumático, pois o povo cubano resistiu. Estava na alma daqueles nativos não serem escravizados. O início dessa resistência se deu com a revolta do cacique Hatuey que acabou sendo queimado vivo. Diante da dificuldade de escravizar os índios, como ocorreu no Brasil, o colonizador espanhol foi buscar o africano para ser utilizado como alternativa de mão-de-obra barata. O sistema da monocultura, outra característica comum às colônias espanholas e portuguesas, elegeu em Cuba o açúcar e o tabaco como produtos preferenciais.

No início do século XVIII, aconteceram as primeiras sedições. Com a alta do preço do tabaco, os terrenos semeados com tabacos passaram a ser lucrativos. Em 1716, a Espanha decretou a “Lei do Estanco” proibindo os “vegueros” de vender livremente sua produção. Contra a esse monopólio espanhol ocorreram várias rebeliões, como a “Insurreição dos Vegueros”, em 1723. A referida insurreição foi sufocada e seus líderes enforcados. Em 1762, Havana foi ocupada pelo reino da Grã-Bretanha, mas voltou para a mãos dos espanhóis quando houve a troca pelo território da Flórida que atualmente pertence aos Estados Unidos.

Uma série de rebeliões durante o século XIX não conseguiu pôr fim ao domínio espanhol. O primeiro movimento de independência de Cuba, chamada “Grande Guerra”, ocorreu entre 1868 e 1878 e foi liderado por Carlos Manuel Céspedes que, por ter sido educado na Europa, defendia os princípios de liberdade do Iluminismo.
Em outubro de 1868, conduzindo duzentos homens, Céspedes levantou-se contra o governo espanhol, proclamando a independência de Cuba. Uma das primeiras providências de seu governo foi conceder a liberdade de todos os escravos que se unissem ao exército revolucionário.  Essa medida aumentou o seu efetivo para doze mil homens. Diante disso, a Espanha ampliou o seu contingente militar na Ilha e Céspedes foi deposto, em 1873. A resistência, entretanto, prolongou-se até 1878, quando as tropas espanholas retomaram o controle de Cuba.

Logo em seguida, surgiu um novo líder revolucionário: José Martí. Preso aos 16 anos de idade por ter fundado um jornal revolucionário (La Patria Libre), Martí foi condenado a trabalhos forçados e, posteriormente, deportado para a Espanha. Uma vez libertado, viveu no México, na Venezuela e nos Estados Unidos, onde passou a articular uma nova revolução para a independência de Cuba. 
Em 1892, fundou o Partido Revolucionário Cubano (PRC), visando angariar recursos para o seu projeto de romper com o padrão colonial. Em 1895, desembarcou em Cuba e deu início a uma nova guerra de independência, na qual pereceu um mês após ter iniciado o conflito. Entretanto, mesmo após a sua morte, os combates prosseguiram até 1898.  
Após a morte de José Martin assumiu a liderança Tomás Estrada Palmas que pediu ajuda aos Estados Unidos. 
Os Estados Unidos tinham interesse em Cuba, pois compravam o açúcar cubano desde o início do século XIX e, através de um comércio triangular, trocavam rum por escravos.
Os Estados Unidos enviaram à Cuba um navio de guerra chamado “USS Maine”. O mesmo, ancorado em Havana, sofreu uma explosão com a morte de muitos marinheiros americanos. 
O governo norte-americano culpou o governo espanhol pela explosão e declarou guerra à Espanha. Foi a famosa guerra Hispano-Americana. 
Resumindo: A guerra de independência de Cuba, que começou com José Martín, terminou sendo travada entre Estados Unidos e Espanha.  O presidente William McKinley assinou uma Resolução Conjunta, em 20 de abril de 1898:
A referida Resolução Conjunta autorizava o presidente a usar a força para eliminar o governo espanhol em Cuba. Assim, os Estados Unidos passaram a atacar territórios espanhóis quer no Caribe ou Pacífico, invadindo-os. Os espanhóis foram derrotados e obrigados a assinar com os Estados Unidos o “Tratado de Paris”, que finalizava a dominação espanhola na Ilha. 
Cuba se libertou da Espanha, mas passou a sofrer uma gigantesca interferência dos Estados Unidos. Em outras palavras, Cuba passou a ser um protetorado americano que se reflete até os dias atuais, na base militar na cidade de Guantânamo.  

Após a vitória sobre os espanhóis, os EUA nomearam um Governador-Geral para Cuba, o general norte-americano John Brooke. 
O governo americano começou a criar propostas econômicas que beneficiavam apenas aos Estados Unidos. Todos os produtos que Cuba produzia eram exportados apenas para os Estados Unidos, a preços baixíssimos, que os revendia por preços maiores. Tudo isso aconteceu, porque os cubanos assinaram uma emenda constitucional, a “Emenda Platt”, já que a independência deles foi feita pelos Estados Unidos. Assim, Cuba teve que aceitar imposições dos Estados Unidos, como a ocupação militar que se estendeu de 1891 até 1903. 

A chamada “Emenda Platt” permaneceu mantendo Cuba um protetorado até 1933. Embora essa ocupação privilegiasse os interesses dos Estados Unidos, houve um legado positivo para Cuba, como: melhora nas condições sanitárias, com redução das doenças e melhora no sistema de educação e saúde.

Nas primeiras décadas do século XX, Cuba foi governada por políticos alinhados aos interesses americanos. Em 1924, um liberal chamado Gerado Machado foi eleito presidente, mas seu governo fracassou. Em 1933, houve um golpe militar liderado pelo sargento Fugencio Batista. Pela primeira vez, na história cubana um afrodescendente chegou ao poder.  

Em 1940, Fugencio Batista que já ocupava a presidência desde 1933, foi eleito democraticamente. Em 1944, Batista perdeu a eleição para o Dr. Grau. Em 1952, Batista retornou ao poder por meio de um golpe. Fugencio Batista era pro Estados Unidos e pro máfia americana que investia em jogos, prostituição e turismo.  

No governo de Batista, Cuba progrediu economicamente, mas ainda possuía uma economia fraca e havia um forte desequilíbrio na distribuição de renda. Em 1958, Cuba era a oitava economia, entre os 20 maiores países latino-americanos, e a primeira economia do Caribe. Entretanto, havia um grande desequilíbrio entre a área rural e a área urbana. A área urbana possuía forte infraestrutura financiada pelo capital vindo dos Estados Unidos. Em 1958, havia em Havana um expressivo número de prostitutas o que fazia da indústria da prostituição a mais rentável da Ilha. 

A corrupção, jogatina, prostituição e negociatas caracterizaram a Era Batista afastando a população do regime. A forma como foi forjada a independência de Cuba, que serviu mais aos interesses econômicos, sociais e culturais dos norte-americanos, deu margem para um descontentamento das classes média e baixa da população cubana. 

Na esteira dos protestos, os jovens começaram a se mobilizar e a adquirir ideias revolucionárias. Entre eles, Fidel Alejandro Castro Ruz, um jovem advogado.  
Em 1953, junto com outros jovens, Fidel Castro, numa ação de guerrilha urbana, tentou tomar o Quartel de La Moncada, em Santiago de Cuba, um local onde se guardavam armas. 
Fidel tentou iniciar uma revolução que fracassou. Na ação, alguns jovens foram mortos e Fidel foi capturado, preso, julgado e condenado a 15 anos de prisão. Fez a sua própria defesa terminando, após um longo discurso, com a seguinte frase “A História me absolverá”. Esses jovens eram nacionalistas e não comunistas, como muitos pensam. Eles queriam a soberania de Cuba. Queriam uma pátria livre.

Por interferência de alguns religiosos, Fidel foi libertado e viajou para o México. Lá conheceu um jovem médico argentino chamado Ernesto Guevara Lynch de la Serna, conhecido como “El Ché”.
Ché ajudou Fidel na formação de um movimento revolucionário chamado “Movimento 26 de Julho”.  
Esse movimento era composto por jovens estudantes que iniciaram uma luta contra Batista. Liderados por Fidel, eles se organizaram em Sierra Maestra e receberam enorme apoio dos camponeses e da população cubana.

A revolução que desencadearam era contra a ditadura de Fugencio Batista que era vinculada aos Estados Unidos. Foi, portanto uma revolução nacionalista e defendia a ideia de que a liberdade de Cuba estava vinculada ao anti-imperialismo. 
Após 25 meses de luta, os jovens revolucionários foram vitoriosos. No dia 1 de janeiro de 1959, derrubaram a ditadura de Batista que fugiu com seus auxiliares. Fidel não era comunista. Aliás, os comunistas apoiavam Batista e desconfiavam de Fidel.

Fidel era um líder carismático. Chegando ao poder ao lado de Ché, Raúl Castro (seu irmão), Camilo Cienfuegos e outros mobilizou a juventude cubana (100 mil jovens) e conseguiu eliminar, em um ano, o analfabetismo, que era em torno de 40%; investiu na melhoria da saúde pública; fez uma reforma agrária, desapropriando propriedades dos americanos, que foram indenizados pelo valor que declararam no imposto de renda;  nacionalizou boa parte das indústrias, dos hotéis e dos bancos e fuzilou os contra revolucionários.  

Evidente que essa revolução gerou uma reação de descontentamento dos latifundiários e da burguesia.  Os Estados Unidos, também, descontentes, apoiaram os contra revolucionários para derrubar Fidel Castro. Treinaram os militares do Batista com a finalidade de invadir Cuba. 
Em abril de 1961, cerca de 1500 homens recrutados e treinados pela CIA dos Estados Unidos e marines norte-americanos tentaram uma invasão à Baía dos Porcos. Fidel foi para a frente de combate rechaçando a invasão. Morreram 300 homens e 1200 foram aprisionados e julgados pela multidão no estádio. Quando Fidel perguntou o que fazer com eles, a multidão gritou: Paredão! Fidel preferiu trocá-los por tratores e devolvê-los para Miami. Não conseguiu tratores e, sim, alimentos e medicamentos em troca dos prisioneiros. 
Os Estados Unidos iniciaram um tremendo embargo econômico contra Cuba, ameaçando cortar relações com qualquer país que fizesse comércio com Cuba para, assim, asfixiá-la.

Para entender a Revolução Cubana é necessário compreender o contexto histórico em que ela se deu. O Mundo estava bipolarizado e sendo disputado pelos Estados Unidos e pela União Soviética. O contexto era o da Guerra Fria. 
A partir da fracassada invasão da Baía dos Porcos, e com a nova ameaça de invasão pelos Estados Unidos, uma potência bélica incontestável, Cuba foi buscar apoio no bloco socialista. A partir de então, Cuba passou a ser protegida economicamente e militarmente pela União Soviética e instaurou um regime de orientação marxista e partido único. 
Os Estados Unidos, através da CIA, tentaram, em vão, centenas de vezes assassinar Fidel Castro, pois viam nele uma ameaça para o Continente Americano.
No auge da Guerra Fria a União Soviética usou o território de Cuba para implantar mísseis contra os Estados Unidos. O Mundo esteve à beira de uma guerra nuclear que, felizmente, teve uma solução diplomática.

No pico das tensões entre as duas potências, o presidente dos Estados Unidos, Kennedy, ameaçou invadir a Ilha ou bombardear as rampas de lançamento dos mísseis. O presidente da União Soviética, Khrushchev, cedeu e retirou os mísseis do território cubano em troca do compromisso dos Estados Unidos de respeitarem a soberania de Cuba e desmontarem bases de mísseis na Turquia. 
O embargo econômico, comercial e financeiro imposto à Cuba pelos Estados Unidos, em 1962, foi aderido pela Organização dos Estados Americanos (OEA). A partir desse embargo o destino da Ilha ficou atrelado à União Soviética. Quando a mesma se fragmentou, Cuba ficou relegada à sua própria sorte. 
Em junho de 2009, a Organização dos Estados Americanos (OEA), aprovou, por consenso, a anulação da resolução de 1962, que expulsava a Ilha da organização. Todos os governos do continente restabeleceram contato com Cuba, com exceção dos Estados Unidos. 
A decisão histórica permite que Cuba seja reincorporada caso manifeste vontade, embora o governo cubano já tenha declarado em várias ocasiões não ter interesse em retornar.
O presidente dos EUA, Barack Obama, levantou restrições de viagens à Ilha e de remessas de dinheiro feitas por cubano-americanos para suas famílias que moram em Cuba. O levantamento das restrições beneficia cerca de 1,5 milhão de cubano-americanos,

Somente no governo de Obama, dos EUA, e com a interferência do Papa Francisco, o embargo comercial começou a dar sinais de deixar de existir. Com a recente eleição de Trump, nos EUA, fica incerto o destino de Cuba.

Fidel Castro ocupou o poder em Cuba desde 1959, inicialmente como primeiro-ministro, e, a partir de 1976, como presidente. Exerceu esse cargo até 2006, quando delegou seus poderes ao seu irmão mais novo, Raúl. Em 19 de abril de 2011, Fidel Castro retirou-se oficialmente da vida política do seu país.  
Fidel  Castro faleceu em Havana no dia 25 de novembro de 2016.

Figura controversa, Fidel Castro deixou uma legião de admiradores e, também, outra legião de críticos. Foi um líder amado e odiado. Seus críticos alegam que ele foi um ditador sanguinário, responsável por centenas de milhares de exilados, pela morte de quase 10 mil opositores e por um número desconhecido de prisões. Sufocou o povo por restringir as liberdades. 
Seus admiradores dizem que ele fez uma revolução humanística, uma revolução voltada para o homem, legando ao seu povo cultura, saúde e educação de qualidade. Dizem que Fidel conseguiu igualar os homens da nação cubana e permitiu a eles uma grandeza de sentimentos, de solidariedade de uns com os outros. 
Esse humanismo da Revolução Cubana foi, sem dúvida, a maior contribuição de Fidel para o Mundo.

Ana Margarida Furtado Arruda  Rosemberg                                               
Mestre em História pela PUC-SP
Fortaleza, 2 de dezembro de 2016.

Referências

Nicotina: Droga Universal, José Rosemberg, Centro Técnico de Documentação  /GTIS/SES/CVE, São Paulo, 2003
Era dos extremos - o breve século XX (1914-1991), Eric Hobsbawm, Editora Cia. das Letras, 1995.
Cuba: A Revolução na América, Almir Matos, Editora Vitória LTDA, 1961.
Enciclopédia Mirador Internacional.
Cuba: uma nova história, Richard Gott, Editora Jorge Zahar, 2006.
Cuba (coletânea de artigos organizada por Manuel García).
A Ilha, Fernando Morais, Editora Alfa-Ômega,  1985




terça-feira, 29 de novembro de 2016

Elizabeth Carvalho comenta a morte de Fidel Castro

Elizabeth Carvalho


http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/v/elizabeth-carvalho-comenta-morte-do-ex-presidente-cubano-fidel-castro/5475785/

Transcrição da fala da jornalista Elizabeth Carvalho no Programa Jornal Globo News 28/11/2016

Eu tenho a impressão que a morte de Fidel Castro é dessas que o Mundo todo se sente na obrigação de repercutir e render homenagens a pessoa que ele foi. Todo o Mundo repercute de uma forma positiva ainda que nos últimos 50 anos ele tenha sido permanentemente difamado no nosso Mundo Ocidental como um cruel ditador com imagem de um homem que estava impondo ao seu país um sistema nocivo de um comunismo que come criancinhas. Essa foi a tônica durante a guerra fria durante todos esses anos. A morte de Fidel Castro marca, de fato, uma data trágica para a humanidade, porque é uma data, realmente, de uma uma página virada na História. Uma página onde terminam os grandes líderes que marcaram a História do século XX. Sim, porque ele era o último deles, uma pessoa da estatura de Mandela, da estatura de Ho Chí Minh, que levou a cargo a Guerra do Vietnam, e de muitos outros grandes líderes que levaram a sua nação, impulsionaram a sua nação numa direção que hoje a gente inclui todos eles dentro de uma pequena expressão chamada populista. 
Mas Fidel Castro foi de fato um homem importantíssimo. A nação cubana está órfã, hoje. Ela está vivendo uma orfandade de um homem que durante 50 anos conseguiu sobreviver a dezenas de tentativas de assassinatos comandadas pela CIA e conseguiu manter aquela pequena ilha, grudada quase nos EEUU, independente apesar de submetida a um bloqueio cruel dos EEUU durante todo esse tempo. 
E, no entanto, sobreviveu. Como todos os grandes líderes cometeu excessos, cometeu erros, mas com Fidel nós estamos enterrando de fato uma era. Estamos, de fato, nos sentindo órfãos de um tempo. Se nós olharmos hoje certos Estados das nossas sociedades, ditas democratas, poucos deles irão passar para a História da Humanidade com a grandeza de Fidel Castro. 
Eu acho também que a revolução cubana foi uma revolução humanista. Uma revolução voltada para o homem. Isso é uma coisa muito importante. Não foi uma revolução pragmática,  econômica. 
Cuba, que é um país que eu visitei muitas vezes, tinha esse aspecto fundamental da dignidade do homem. O que mais me comovia em Cuba era ver a forma como qualquer pessoa era tratada. Você conversava com um lixeiro na rua, um operário na construção, uma camareira em um quarto de hotel e todos falavam de igual para igual. Havia uma irmandade que os unia. Desapareceu aquela ideia de classe social, em que você é melhor do que aquele. Essa é uma das grandes vitórias da revolução cubana. A vitória de ter conseguido realmente igualar os homens da nação cubana e permitir a eles uma grandeza de sentimentos de solidariedade de uns com os outros.    Era muito comovente de ver, porque era uma coisa que eu só via em Cuba.  Eu nunca tinha visto isso em nenhuma outra parte do Mundo. Esse humanismo da revolução cubana talvez tenha sido a maior contribuição de Fidel e da geração dele para o Mundo. Hoje, vivemos em um processo exatamente contrário. Vivemos no Mundo absolutamente individualista, onde cada um está voltado para si mesmo. O espírito coletivo  está desaparecendo. Em Cuba eu via muito essa generosidade prevalecer entre os cidadãos.  Essa generosidade existiu em função de uma revolução que foi feita com coragem e profunda paixão. A paixão revolucionária é também uma coisa que desapareceu no mundo de hoje. A revolução cubana foi feita dessa forma, de uma forma apaixonda.
Fidel encarna um apaixonado revolucionário, mais do que qualquer outra coisa.
Que mais eu posso dizer. Eu e muitas pessoas aqui em Paris estamos todos muito chocados. A morte de Fidel tem pra França, que é um país humanista, que é um país que tem os valores de liberdade, de igualdade e de fraternidade, um significado muito doloroso. O significado do desaparecimento de uma era. Nós estamos aqui profundamente mobilizados, estamos surpreendidos com essa notícia.
 Me vem a cabeça um elemento que eu acho importante que seja dito   Nós vivemos em um continente ligado e dependente dos EEUU, mais do que o resto do Mundo. Os EEUU é a nação mais poderosa do Mundo. Ela influi nos destinos da Europa, mais ainda nos destinos da América do Sul. Nós estamos umbilicalmente ligados. Uma coisa que é comovederora no povo cubano é ser o povo mais culto de toda a América Latina. Não há um cubano iletrado. Não há um cubano incapaz de conhecer a literatura latino americana. Isso é uma coisa que nenhum dos outros países da América Latina conseguiu conquistar. O grau de cultura que Fidel foi capaz de dar ao seu povo em 50 anos. Não há como não reconhecer que o povo cubano é o povo mais culto por causa de 50 anos da revolução cubana.
Acho que é isso que tenho a dizer neste momento.  

sábado, 26 de novembro de 2016

POR LULA : DESCANSE EM PAZ, COMPANHEIRO FIDEL


Lula e Fidel
DESCANSE EM PAZ, COMPANHEIRO FIDEL
Morreu ontem o maior de todos os latino-americanos, o comandante em chefe da revolução cubana, meu amigo e companheiro Fidel Castro Ruz.
Para os povos de nosso continente e os trabalhadores dos países mais pobres, especialmente para os homens e mulheres de minha geração, Fidel foi sempre uma voz de luta e esperança.
Seu espírito combativo e solidário animou sonhos de liberdade, soberania e igualdade. Nos piores momentos, quando ditaduras dominavam as principais nações de nossa região, a bravura de Fidel Castro e o exemplo da revolução cubana inspiravam os que resistiam à tirania.
Eu o conheci pessoalmente em julho de 1980, em Manágua, durante as comemorações do primeiro aniversário da revolução sandinista. Mantivemos, desde então, um relacionamento afetuoso e intenso, baseado na busca de caminhos para a emancipação de nossos povos.
Sinto sua morte como a perda de um irmão mais velho, de um companheiro insubstituível, do qual jamais me esquecerei.
Será eterno seu legado de dignidade e compromisso por um mundo mais justo.
Hasta siempre, comandante, amigo e companheiro Fidel Castro.
Luiz Inácio Lula da Silva
São Paulo, 26 de novembro de 2016
Foto: Ricardo Stuckert

FIDEL, POR EDUARDO GALEANO


Fidel, por Eduardo Galeano

Fidel durante discurso em Havana em 2006

Eduardo Galeano | Havana - 26/11/2016 - 12h47

Seus inimigos dizem que foi rei sem coroa e que confundia a unidade com a unanimidade.
E nisso seus inimigos têm razão.
Seus inimigos dizem que, se Napoleão tivesse tido um jornal como o Granma, nenhum francês ficaria sabendo do desastre de Waterloo.
Seus inimigos dizem que exerceu o poder falando muito e escutando pouco, porque estava mais acostumado aos ecos que às vozes.
E nisso seus inimigos têm razão.
Mas seus inimigos não dizem que não foi para posar para a História que abriu o peito para as balas quando veio a invasão, que enfrentou os furacões de igual pra igual, de furacão a furacão, que sobreviveu a 637 atentados, que sua contagiosa energia foi decisiva para transformar uma colônia em pátria e que não foi nem por feitiço de mandinga nem por milagre de Deus que essa nova pátria conseguiu sobreviver a dez presidentes dos Estados Unidos, que já estavam com o guardanapo no pescoço para almoçá-la de faca e garfo.
E seus inimigos não dizem que Cuba é um raro país que não compete na Copa Mundial do Capacho.
E não dizem que essa revolução, crescida no castigo, é o que pôde ser e não o quis ser. Nem dizem que em grande medida o muro entre o desejo e a realidade foi se fazendo mais alto e mais largo graças ao bloqueio imperial, que afogou o desenvolvimento da democracia a la cubana, obrigou a militarização da sociedade e outorgou à burocracia, que para cada solução tem um problema, os argumentos que necessitava para se justificar e perpetuar.
E não dizem que apesar de todos os pesares, apesar das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta.
E seus inimigos não dizem que essa façanha foi obra do sacrifício de seu povo, mas também foi obra da pertinaz vontade e do antiquado sentido de honra desse cavalheiro que sempre se bateu pelos perdedores, como um certo Dom Quixote, seu famoso colega dos campos de batalha.
Do livro "Espelhos, uma história quase universal", tradução de Eric Nepomuceno. Publicado no site Outras Palavras.E nisso seus inimigos têm razão.

HASTA SIEMPRE, FIDEL!


LE MONDE

http://www.lemonde.fr/ameriques/video/2016/11/26/video-fidel-castro-42-ans-a-la-tete-de-la-revolution-cubaine_5038530_3222.html

UOL

http://noticias.uol.com.br/album/2013/08/13/relembre-a-trajetoria-de-fidel-castro.htm?abrefoto=11#fotoNav=15

EL PAIZ

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/11/26/internacional/1480139571_674437.html

FOLHA DA SÃO PAULO

http://m.folha.uol.com.br/mundo/2016/11/507178-ditador-fidel-castro-morre-em-cuba-aos-90-anos.shtml?mobile

ESTADÃO

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,morre-fidel-castro,10000090750

UOL ESPECIAL

http://www.uol/noticias/especiais/fidel-castro.htm

A Humanidade lembrará SEMPRE sua luta pela Paz MUNDIAL ... 
Hasta la victoria Siempre !!!
Nazaré Antero

Morre o último dos moicanos...
O último presidente que resistiu ao boicote dos EEUU e não se deixou intimidar pelos gananciosos americanos.
Ângela Pinho de Brito

Aprendi no correr de minha vida a respeitar e admirar Fidel Castro. Um revolucionário na acepção mais pura da palavra. Nunca traiu seu povo. Nunca traiu seus ideais de construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Fidel terá seu nome gravado perenemente no panteão dos grandes líderes mundiais. Viva o comandante  Fidel! Hasta siempre, Fidel! 
Ana Margarida Rosemberg

Hoje, 25 de novembro, às 10h29 da noite, faleceu o Comandante em Chefe da Revolução Cubana Fidel Castro Ruz. Cumprindo a vontade expressa do Companheiro Fidel, seus restos mortais serão cremados. Nas primeiras horas da manhã deste sábado (26), a comissão organizadora dos funerais dará ao nosso povo uma informação detalhada sobre a organização da Homenagem póstuma ao fundador da Revolução Cubana. Até a vitória sempre!”
Raúl Castro.


Já na adolescência me apaixonei por Fidel Castro, lendo "A ILHA" do Fernando Morais. Tenho a honra terrena de ter compartilhado com ele uma época. Espírito tenaz e aguerrido, que deixa a memória de ter defendido e comandado seu povo cubano, que no passado era considerado o bordel dos americanos. Meu herói, meu guerreiro! 
Nilze Costa e Silva 


Hasta siempre, comandante Fidel! Com todo carinho, admiração e reverência por um autêntico revolucionário, que foi fiel ao povo Cubano e ao socialismo durante toda a sua vida!
Manoel Fonsêca

Morreu Fidel Castro
Comandante revolucionário 
Digníssimo mandatário
Do aguerrido povo de Cuba 
A quem o mundo inteiro saúda
Por sua saudosa memória 
Por sua honra e glória 
E seu exemplo de luta.
Dilvardo Costa Lima


Que dia triste. Hoje falece um homem com a maior armadura moral que o século XX conheceu. Hoje falece um homem fundamental para manter viva a ideia de que os homens e mulheres podem ser livres do jugo imperialista, que podem viver com dignidade. Enquanto muitos países exportam mísseis, balas, petróleo, Cuba exporta Medicina e solidariedade. A história o absolveu. E nós absorvemos seu profundo amor pela humanidade. Vá em Paz Comandante.  Hoje é um dia triste, mas o futuro é um livro aberto e vamos nos dedicar a escrever suas linhas, as linhas do mundo livre do jugo capitalista. 
Thiago Henrique, "Gaúcho".

Fidel Castro e Che Guevara

Fidel Castro e Hemingway
Fidel Castro e Nikita Khrushchauv

Fidel Castro e Nelson Mandela

Fidel Castro e Papa João Paulo II
Fidel Castro e Papa Bento XVI

Fidel Castro e Papa Francisco