terça-feira, 29 de outubro de 2019

POR: GILMÁRIO MOURÃO TEIXEIRA - José Rosemberg - in memoriam

             
Prof. José Rosemberg (1909-2005) (foto de 12/2002)           Dr. Gilmário Mourão Teixeira (foto de 12/2018)


                                    Texto de Gilmário Mourão Teixeira 
                                                In: Bol. Pneumol. Sanit. 2006; 14 (1):49-50

José Rosemberg                                                                               In memoriam


            Escrevo, pela terceira vez, em tempos recentes, sobre a incomparável figura do Professor José Rosemberg. Nas duas primeiras, tomado de justificada alegria – no momento de seus noventa anos e por ocasião da homenagem que lhe prestou a Sociedade Cearense de Pneumologia e Tisiologia – e, nesta, consternado por sua morte, ocorrida aos noventa e seis anos de idade, na cidade de São Paulo, no dia 24 de novembro de 2005.

Possuidor de uma cultura multiforme inspirada no humanismo filosófico, Rosemberg percorreu com desenvoltura as grandes avenidas do conhecimento – literatura, história, filosofia, artes, ciências – conteúdos que lhe permitiram encarar com independência e propriedade as profundas mutações da sociedade de seu tempo. Aficionado às artes – plásticas e música sobretudo –visitou, mundo afora, galerias, museus, salas de concerto, onde, diante de uma obra-prima, não só comprazia-se com a emoção do belo, mas, também, era capaz de vivê-la, entusiasmar-se e discorrer sobre sua motivação, construção e repercussão, bom conhecedor que era da História das Artes. Experimentei a prova desse seu pendor quando, lá atrás, no início dos anos sessenta, brindou-me com uma gravação da “Sonata ao Luar” de Beethoven, tocada no último piano que pertenceu ao compositor. Não seria demasiado inferir-se que muito de sua elegância, esmero e nobreza, traços de sua personalidade, deva-se a essa sensibilidade pelo universo das artes.

A trajetória médica de Rosemberg abarcou múltiplas áreas – clínica, magistério, pesquisa, saúde pública – em que se empenhou com inteligência e mestria sem se afastar da observação da ética, da moral e do respeito aos direitos humanos.

Exerceu a docência de medicina, ampla e ininterrupta, desde recém-formado até as vésperas de sua morte. Integrante da escola de tisiologia brasileira do século passado, ao nível de seus grandes vultos, muito cedo, ali nos albores da quimioterapia que desmantelou o arsenal terapêutico da tuberculose e reescreveu a história dessa doença, progrediu para a pneumologia onde consagrou-se no país e fora dele; a essa época, transformou sua cátedra de Tisiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Católica de São Paulo, em disciplina de Tisio-pneumologia. Foi também Professor de Tisiologia da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, e Livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, além de uma exaustiva atuação em numerosos cursos, seminários e congressos nacionais e internacionais, distinguindo-se por muitas vezes, como relator de temas oficiais ou presidente do conclave. Cabe aqui um destaque para sua inestimável participação, ao longo de muitos anos, no Curso de Pneumologia Sanitária que o Ministério da Saúde realiza anualmente, por meio do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública. O brilhantismo de suas aulas doutas e atualizadas e a fidalguia do convívio, fizeram de Rosemberg uma figura de mestre e amigo que será sempre recordada por seus colegas e alunos.

Ao introduzir-se na área da pesquisa médica o Professor Rosemberg teve o cuidado de não deixar à margem a atividade da clínica, cônscio de que a observação do doente é a fonte do que se quer perquirir na investigação. De seus trabalhos, por sua importância para a saúde coletiva, destacam-se: a comprovação, no início da década de quarenta, da tolerância da vacina BCG por indivíduos já infectados pelo bacilo de Koch, avanço que permitiu a vacinação indiscriminada, sem prova tuberculínica prévia, chamada de “vacinação direta” pela OMS; a demonstração, em companhia de Nelson Sousa Campos e Jamil N. Aun, de que a vacina provoca a positivação da reação lepromínica e exerce poder protetor contra a hanseníase; numerosos estudos, muitos deles pioneiros no país, sobre a epidemiologia e efeitos do tabagismo.

A força de combatente que habitava nele, inspirada na ação e valores morais de sua formação humanística e social, fizeram-no abraçar uma das áreas de maior impacto em medicina – a da saúde pública – onde se envolveu com empenho e abnegação em duas vertentes de grande expressão: a campanha contra a tuberculose e a luta anti-tabagismo. Aqui, a participação do sanitarista Rosemberg, foi fecunda e se fez presente ocupando destacados cargos e funções, entre muitos outros: Diretor do Instituto de Pesquisas Clemente Ferreira, Diretor da Divisão de Tuberculose da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, Superintendente da CNCT no Estado de São Paulo, Membro do Comitê Assessor em Tuberculose do Ministério da Saúde, Membro do Comitê de Peritos em Tuberculose da OMS, Conselheiro da União Internacional contra a Tuberculose, Presidente do Comitê Coordenador  do Controle do Tabagismo no Brasil, Membro do Grupo Assessor para o Controle do Tabagismo do Ministério da Saúde, Membro da Comissão de Controle do Tabagismo do Conselho Federal de Medicina, Presidente da Comissão de Tabagismo da Associação Médica Brasileira.

Não foram menores os destaques no capítulo das honrarias: condecorado com a “Palmes Academiques”, no grau de Comendador pelo Governo Francês, Diploma Pesquisa e Enriquecimento Médicos conferido pelo “College de Medicine – Centre Français d’Information Permanente de Medicine, Medalha “Tabaco e Saúde” da OMS, Medalha “Anchieta” e Diploma “Gratidão da Cidade de São Paulo”, dados pela Câmara Municipal de São Paulo, Medalha “Memória da Tuberculose” outorgada pela Casa de Oswaldo Cruz e Centro de Referência Professor Hélio Fraga, Diploma “Mérito pela Valorização da Vida” concedido pela Secretaria Nacional Anti-Drogas da Presidência da República, Acadêmico Emérito da Academia de Medicina de São Paulo.

No que concerne a publicações, a produção científica do Professor Rosemberg situou-se entre as mais ricas: autor de 14 livros, dois deles com a participação de colaboradores, co-autor de quatro outros livros e autor isolado ou principal de 122 artigos publicados em revistas médicas especializadas nacionais e estrangeiras; merece destaque que seu livro “Tabagismo – Sério Problema de Saúde Pública”, foi laureado pela Academia Nacional de Medicina.

Essa foi a impoluta figura de cidadão, médico, professor, pesquisador que a Medicina Brasileira acaba de perder. Uma perda pesada que tardará em ser reposta nos quadros atuais da atividade médica do país. Mas, imensurável foi a perda representada pelo sentimento de falta e saudade que a ausência de Rosemberg deixou em seus familiares e em nós, seus amigos e companheiros de lutas ao longo de tantos anos.

Rosemberg deixou dois filhos: Ivan Rosemberg, economista, de seu primeiro casamento com Benedita Rosemberg, falecida, e Sergio Rosemberg, médico neuro-patologista, do segundo casamento com Iracema Azevedo, já falecida; sobreviveu-lhe também, sua esposa, nossa dileta colega, a pneumologista Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg que conclui agora o Mestrado em História na PUC-São Paulo, tendo como tema de dissertação “A Peste Branca e  Liga Paulista Contra a Tuberculose – 1899-1950”.


 



 



sábado, 5 de outubro de 2019

POR: RICARDO KELMER - PARIS, SUA INGRATA




PARIS, SUA INGRATA 
Por: Ricardo Kelmer

Fernando Henrique, tenho uma notícia difícil pra lhe dar. Melhor sentar.
Seguinte. Lula agora x é Cidadão Honorário de Paris. Sim, aquele metalúrgico retirante do interior de Pernambuco que virou Presidente da República. Sim, ele está preso, eu sei, mas agora é cidadão de honra parisiense. Assim como Nelson Mandela, exatamente. Quer um copo dágua?
A homenagem, concedida pela Prefeitura de Paris, foi em razão do compromisso de Lula com os direitos humanos e a redução das desigualdades sociais e econômicas no Brasil. Não fique assim, Fernando… Sim, eu sei que ele é o brasileiro que mais possui títulos honoris causa dados por universidades do exterior. Sim, claro, elas estão todas equivocadas. Calma, beba devagar.
Tem mais. O texto da homenagem cita a perseguição política que ele está sofrendo, que o faz ser vítima de um processo judicial injusto. E diz que por causa dele, os defensores da democracia estão sendo perseguidos. Não, você não está sendo perseguido, fique tranquilo.
Sim, compreendendo. Você vive a declarar seu amor pela bela Paris. Pois é, você fala francês, tem apartamento na Avenue Foch, come no restaurante do chef Guy Savoy, eu sei. Você nasceu no Brasil por engano, todos sabem.
Tem certeza que quer ficar só? Tá bom. Mas se precisar de algo, é só chamar, viu? Tchau.
Gente, por precaução, melhor vocês ficarem aqui perto da porta. E lembrem-se: nada de música francesa hoje. Deve ser muito ruim amar sem ser correspondido…


https://www.facebook.com/RicardoKelmerEscritor/?tn-str=k*F 

sábado, 28 de setembro de 2019

POR: GILMARIO MOURÃO TEIXEIRA: Comentários: “Guerra à peste branca – Clemente Ferreira e a Liga Paulista Contra a Tuberculose – 1899-1947

Dr. Gilmário Mourão Teixeira - foto de 5.12.2018


Comentários: “Guerra à peste branca – Clemente Ferreira e a Liga Paulista Contra a Tuberculose – 1899-1947

Dissertação para obtenção do título de Mestre em História Social – Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg


Gilmário M. Teixeira

Editor
A pneumologista Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg vem de apresentar, perante Banca Examinadora, sua Dissertação intitulada “Guerra à peste Branca – Clemente Ferreira e a Liga Paulista contra a Tuberculose – 1899-1947”, para obtenção do título de Mestre em História Social, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP.

Trata-se de um exaustivo trabalho de pesquisa histórica, focalizando a tuberculose e seu devastador impacto social, para destacar a figura de Clemente Ferreira que, na São Paulo do final do século XIX, em meio à indiferença da sociedade e ao descuido do poder público, levanta-se para organizar a luta contra a tuberculose, de que se faz um dos pioneiros no Brasil.

A monografia está estruturada em três amplos capítulos – a luta contra a peste branca, Clemente Ferreira – cidadão, médico e filantropo e a tuberculose e suas representações – cujo desenvolvimento conduz a autora na procura de seus objetivos: analisar a luta contra a tuberculose na cidade de São Paulo, entre 1899 e 1947; esquadrinhar a vida e a obra de Clemente Ferreira e embrenhar-se no novo campo da História Cultural para olhar a tuberculose através das expressões artísticas e do imaginário que a representaram no espaço e tempo de seu estudo.

Na primeira parte a autora faz uma revisão cuidadosa das contribuições que permitiram construir um arcabouço da história da tuberculose no Brasil, desde seu desembarque no peito dos colonizadores, até os anos quarenta do século XX, passando por seus efeitos dizimadores sobre os indígenas, os escravos e as populações miseráveis das épocas colonial e imperial; nesta última, surgem as primeiras manifestações que buscam comprometer a comunidade e o governo com o dramático problema da tuberculose, com destaque para o papel das Santas Casas que despontam como única instituição a abrigar um tuberculoso. Nossa candidata ao grau de mestra, ressalta tanto os nomes de médicos e políticos que se sensibilizaram com a tragédia da tuberculose, como a inexplicável omissão dos serviços públicos de higiene e saúde pública. Com a República e suas aspirações, a iniciativa pública pronto se manifesta em leis e regulamentos que contemplam a tuberculose, mas, que não se convertem em ação organizada; ainda bem que, na sociedade civil, a exemplo do que se passava na Europa, crescem os movimentos filantrópicos que assumem a luta contra a tuberculose. Surgem assim no Brasil as ligas contra a Tuberculose de que foi pioneira a de São Paulo, fundada por Clemente Ferreira em 1899, de cujo desenvolvimento a autora destaca: seu começo no seio da Sociedade de Medicina e Cirurgia com o propósito de fundar sanatórios populares; as campanhas profiláticas e a mobilização da sociedade, da imprensa e do poder público; o papel das damas voluntárias para a preservação entre crianças-contato; os embaraços determinados por carência de recursos; as campanhas pró-selos da tuberculose; e, finalmente, o armamento edificado pela Liga Paulista – o Dispensário Clemente Ferreira, o Preventório Imaculada Conceição, o Sanatório São Luis de Gonzaga, o Dispensário Infantil e o Abrigo-Hospital Clemente Ferreira.

À Liga Paulista, seguiram-se, em 1900, a Brasileira, no Rio de Janeiro, e as de Pernambuco, Bahia e Minas Gerais. Quanto a participação concreta do poder público só se efetiva com criação da Inspetoria de Profilaxia da Tuberculose, na capital da República, em 1920, apesar do consciencioso plano de Oswaldo Cruz, apresentado em 1907, que não vingou.

Ana Margarida, na segunda parte de seu trabalho, com sagacidade, toma os dados da história para construir o cenário onde emergirá o protagonista – Clemente Miguel da Cunha Ferreira, nascido em 1857, na cidade de Resende, Estado do Rio de Janeiro – uma figura mítica de homem sábio que desafia os paradigmas de seu meio e de seu tempo, para impelir as razões de uma causa humanitária – a suavização do sofrimento humano determinado pela tuberculose.

Para a consecução desse ideal foi longo e árduo o caminho percorrido. Originário de modesta família do interior, traslada-se para a capital do Império, onde, 1880, gradua-se médico defendendo-se tese sobre Tísica Pulmonar. A essa época, as desastrosas condições sanitárias dos grandes centros urbanos e a decadência das estruturas políticas e sociais do regime imperial, criam o ambiente propício às epidemias como as de febre amarela, cólera, varíola e tuberculose. Esse quadro não tarda para despertar a sensibilidade de Clemente Ferreira que, iniciando sua prática médica no campo da clínica infantil, pronto se engaja em ações de saúde pública com um sensível enfoque humanitário que viria a ser o cerne de sua carreira. Esse homem afetivo, empático, visionário, soube ser poeta – “...Que só deseja que tua vida passe / Tranquila, pura, como os céus azuis”, abateu-se diante de frustrações – “... Foi para mim um dos mais pungentes desgostos de minha existência, um dos mais violentos Choques e abalos morais sofridos”; ergueu-se ao chefiar a comissão que, em 1899, dominou a epidemia de febre amarela em Campinas, conquista que o qualificou para ser condecorado pelo Imperador Pedro II; afirmou-se como médico erudito ao tornar-se membro da Academia Nacional de Medicina e de sociedades médicas da França, Itália, Alemanha, Rússia, Argentina, Uruguai e ao divulgar seus trabalhos em acreditadas publicações médicas europeias; desfez-se ao perder um filho de 12 anos, vítima de doença que ele combatia – a febre tifoide; realizou-se como servidor público ao avançar de Inspetor Sanitário a chefe da Secção de Profilaxia da Tuberculose do Serviço Sanitário de São Paulo, primeira entidade do Estado de ação antituberculose; agigantou-se ao fundar, desenvolver e dirigir por toda a vida a Liga Paulista contra a Tuberculose, sua obra maior que o consagrou como cidadão, médico e filantropo.

Na terceira parte de sua dissertação, Ana Margarida transcende em seu trabalho, ao internar-se no mundo das representações da tuberculose – literatura, artes, cultura popular – através da metodologia da História Cultural, para fazer uma leitura que está por trás dessas manifestações de criatividade aplicadas a um determinado contexto social.

Realmente, o impacto físico, moral e social causado pela tuberculose não poderia escapar à sensibilidade de romancistas, poetas e artistas, muitos deles vítimas da doença que, em obra de rara beleza, manifestaram em sua época, os sentimentos, as percepções, a imaginativa com que as pessoas, em seus diferentes grupamentos sociais, representavam a tísica. A força dramática de um Molière em “Le malade imaginaire”, o enlevo romântico de um Dumas em “A Dama das Camélias”, a penetrante análise de antropologia social de um Thomas Mann em “A Montanha Mágica”, o arrebatamento que se alternava com ternura nas Polonaises de Chopin, o lirismo trágico de Augusto dos Anjos em seu “Eu”, e na obra de tantos outros que se envolveram com a tuberculose, todos, perpetuaram em suas criações, a dor, a revolta, a compaixão, frente ao caráter inexorável da tuberculose de seu tempo.

Tudo isso e bem mais, didaticamente apresentado, está na dissertação de Ana Margarida que é dedicada ao seu marido, o saudoso Prof. José Rosemberg, incomparável mestre de gerações de tisiologistas e pneumologistas brasileiros.

O que o leitor viu aqui é apenas uma síntese apressada desse diligente texto com que a autora conquistou, com mérito, o título de Mestra em História Social pela PUC-SP.



Publicado In: Revista Brasileira de Pneumologia Sanitária 2008: 16(1): 85-86






quinta-feira, 26 de setembro de 2019

HOMENAGEM À DRA. TÂNIA BRÍGIDO E AO DR. ANTERO GOMES NO HOSPITAL DE MESSEJANA 24.9.2019

Ocorreu no dia 24.9.2019, no auditório do Hospital de Messejana, uma singela e tocante homenagem à Dra. Tânia Brígido e ao Dr. Antero Gomes, prestada pelos pneumologistas da casa.
Aos homenageados, nossos parabéns!

 

 
 


 

















 





Abaixo, as homenagens prestadas pelas doutoras Elizabeth Clara Barros e Ana Margarida à Dra. Tânia.
As doutoras Márcia Alcântara e Valéria Goes também prestaram homenagens.  



Tânia Regina Brígido de Oliveira



A Dra. Tânia deu os seus primeiros passos na pneumologia ao ingressar na residência médica de pneumologia, residência do INAMPS, em 01/08/1978 aqui no Hospital de Messejana, na época dirigido pelo Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (nome atual do hospital de Messejana), juntamente com a colega, atualmente falecida, Nadja Freire Gadelha. Em 01/03/1979 entraram Luiza Maria Torres Carvalho e eu. Já eram residentes de pneumologia na época: José Patriarca Neto, Cláudia Sampaio, Lucíola, Suely Lopes, Sandra, Maria José Menezes e o Brito. No ano seguinte entrou a carioca Aparecida Jane Menezes e vieram residentes do HGF fazer o treinamento nesse hospital como complemento à residência de Clínica Médica: Fátima Pimenta e Lusmar Veras, esse, já falecido atualmente. Os preceptores na época eram: Dra. Márcia Alcântara Holanda, Dr. Leopoldo de Vasconcelos e Dr. Sérgio Gomes de Matos muito conhecidos de todos vocês.  

Nesse período iniciou-se grande amizade que perdura até hoje. Foram numerosas discussões de casos à beira do leito, sessões de radiologia, sessões clínicas, congressos e jornadas. Em julho/1981, sete ex-residentes foram contratados pela Campanha Nacional contra Tuberculose para trabalharem no Hospital de Maracanaú que era referência para Tuberculose na Macrorregião Nordeste e dirigido, na época, pelo Dr. Abelardo, pneumologista que após sair do hospital de Maracanaú retornou ao Hospital de Messejana por mais alguns anos. Esses sete ex-residentes eram: Patriarca, Cláudia, Tânia, Nadja, Nelson (cardiologista), Elizabeth e Lucíola, essa, chegou a ser diretora do Hospital de Maracanaú. Pouco tempo depois outros médicos foram contratados, aí se incluindo a Ana Margarida Furtado Arruda e Valéria Goes Ferreira Pinheiro, aqui presentes.

Na época dessas contratações os leitos de TB do Hospital de Messejana foram desativados e os do hospital de Maracanaú começaram a diminuir já que desde a década de 1960 e tratamento da TB foi descentralizado em todo o país, priorizando o tratamento ambulatorial. Nesse período iniciou-se o processo de transferência do Hospital de Maracanaú de sanatório, sob administração Federal, para hospital geral com administração Municipal e do Hospital de Messejana que continuou como referência para doenças do tórax, mas passando da administração federal para estadual.  

 Cerca de 15 anos atrás a Dra. Tânia transferiu-se do hospital de Maracanaú para o hospital de Messejana dedicando seu trabalho ao controle do tabagismo e da tuberculose. Em 2010 ela entrou para a direção do hospital de Messejana chefiando a Pneumologia.

No ambulatório de tuberculose ela foi coordenadora a nível estadual de pesquisa multicêntrica que envolvia o uso do teste rápido molecular para tuberculose (TRM/TB) no período de 2011 a 2012. O Estado do Ceará por ter serviço de tuberculose muito atuante, participou dessa pesquisa através do Hospital de Messejana, juntamente com quatro outros estados da federação: Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, o que resultou na permanência do aparelho que realizava o teste rápido para TB no Hospital de Messejana após o término da pesquisa, tendo sido isso um legado importante no manejo da Tuberculose no Ceará. 

Na sua gestão foi instalado o PROCAM no ambulatório de pneumologia com a valiosa colaboração da Dra. Márcia Alcântara. Foram implementados ambulatórios específicos como: hipertensão pulmonar, interstício, bronquiectasias e fibrose cística.

Nesse período apenas quatro pneumologistas foram contratados sendo articulado para que os residentes de pneumologia que permanecessem em Fortaleza continuassem trabalhando nesse Hospital.

Uma grande frustração para a Dra. Tânia foi o fato de não se ter conseguido estruturar melhor a área física do nosso ambulatório de tisiologia que é referência secundária e terciária para o Ceará e funciona em contato direto com o Centro de Referência Professor Hélio Fraga, referência Nacional em tuberculose e tem sede no Rio de Janeiro. Nesses nove anos passaram várias administrações, foram feitas várias plantas, projetos e promessas sem sucesso, mas estamos unidas e confiando que a atual chefia da pneumologia, na pessoa da Dra. Penha, concretizará esse sonho.  

 A chefia da pneumologia do Hospital de Messejana é motivo de orgulho para qualquer pneumologista e a Dra. Tânia é mais do que merecedora dessa homenagem. 

Fortaleza, 24 de setembro de 2019

Elizabeth Clara Barroso




                       TÂNIA, SIMPLESMENTE!

             Instada a escrever um texto para ser lido durante essa homenagem prestada à Dra. Tânia, na Sessão de Pneumologia do Hospital de Messejana, veio-me a dúbia sensação de dever ou não aceitar a difícil e, ao mesmo tempo, prazerosa tarefa. 

             Depois de ponderar, resolvi acatar a proposta e pensei em qual ou quais de suas facetas deveria retratar. São tantas que, confesso, fiquei a refletir de que maneira poderia abordá-las. A médica dedicada e competente? A esposa companheira e fiel? A mãe amorosa e devotada? A amiga leal, meiga e gentil? Pincelando algumas dessas facetas, me fixarei na de amiga.
            Tânia Regina Brígido de Oliveira graduou-se em medicina pela Universidade Federal do Ceará, em 1978, e fez, logo em seguida, residência em Pneumologia no Hospital de Messejana. A partir de então, iniciou suas atividades profissionais na luta para o controle da tuberculose e outras doenças  pulmonares e também do tabagismo, com dedicação e competência. Devotou, ainda, parte de seu tempo e saber à clínica privada.
           Conheci a Tânia nos idos de 1985, quando ingressei no Hospital de Maracanaú, como médica tisio-pneumologista, para trabalhar na ala de doentes tuberculosos. Tânia formava com as demais pneumologistas; Ana Maria Dantas, Nadja Freire Gadelha e Elisabeth Clara Barroso um grupo coeso ao qual logo me inseri. Pouco depois, a Dra. Valéria Goes chegou para formar conosco o GRUPO DAS SEIS Pneumologistas na luta ferrenha contra a peste branca.  
            Muito mais do que colegas de trabalho, éramos amigas. A convivência e a labuta diária fortaleceram nossa amizade que desafiou o tempo. Sim, o tempo que tudo muda, transforma e destrói, amalgamou nosso grupo, que persiste até os dias de hoje em uma união fraterna. Nadja e Ana Maria já partiram, deixando um vazio imenso e uma saudade eterna. Permanecemos nós quatro na jornada terrena. 

            Mais recentemente, com a inserção de outra grande pneumologista, dra. Márcia Alcântara, o grupo se fortaleceu e ganhou nova vida. Agora, passou a ser o GRUPO DAS CINCO. Tânia, certamente, com o seu jeito meigo e seu olhar sereno, deu e continua dando a tranquilidade e o equilíbrio ao nosso grupo.
             Na década de 90, quando a luta contra o tabagismo estava se firmando no Ceará, a Dra. Tânia teve um importante papel, não só na participação das ações do Comitê Coordenador do Controle do Tabagimo no Brasil Capítulo-CE, como na implantação, ao lado da Dra. Penha, da Dra. Ana Dantas e de outros profissionais, do Ambulatório de Tratamento dos Fumantes do Hospital de Messejana. Além desse trabalho exitoso, Dra. Tânia chefiou com competência e dedicação, por largos anos, o Serviço de Pneumologia do Hospital de Messejana. É, portanto, merecedora desta justa homenagem e da gratidão perene de todos e todas que fazem esta casa.
            Hoje, ao ver as três pneumologistas, Tânia, Beth e Valéria, remanescentes do GRUPO DAS SEIS do Hospital de Maracanaú, da década de 1980, que ainda estão atuando na magnânima profissão de Hipócrates, me vem à mente a analogia com as três graças: Tália, Eufrosina e Aglaia.  Filhas de Zeus, segundo a mitologia grega, as três graças estavam sempre juntas e eram símbolo da idílica harmonia. Foram plasmadas por Boticelli e Rubens, entre outros gênios da pintura, e eternizadas no mármore por grandes escultores da nossa história.
           Tânia construiu com Paulo, seu marido e fiel companheiro de jornada, uma família alicerçada em valores cristãos. Seu exemplo de uma autêntica discípula de Hipócrates foi seguido pelos filhos, Caio e Carla. Desta forma, Tânia continuará, através deles, a nobre missão de curar.   


Fortaleza, 24/9/2019
Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg